Indagações
a partir do livro L’architettura della Città, de Aldo Rossi
resenha de adalberto da silva retto junior
L’Architettura
della Città é publicado em 1966, mesmo ano de Complexity
and Contradiction in Architecture de Robert Venturi, nos Estados
Unidos e de Il Territorio dell’Architettura, de Vittorio
Gregotti, na Itália.
Sem querer
se debruçar na relação, e nem mesmo, sobre as diferenças e complementariedades
destes três textos, ilumina-se a partir de uma cronologia horizontal
(1) a amplitude do debate de uma geração inteira de arquitetos
sobre a necessidade de redefinir coordenadas teóricas, que poderiam
guiar e orientar a dimensão do fazer e do agir arquitetônico.
A leitura dos três livros demonstra uma verdadeira revisão crítica
da disciplina, a partir do empobrecimento do Movimento Moderno
que, na forma globalizada do International Style, do segundo
pós-guerra, manifesta a sua insuficiência em delinear com clareza
qual deveria ser o futuro da arquitetura.
L’architettura
della Città abre um debate fundamental da história da cidade
e da arquitetura já explicitado no próprio título: a cidade,
na sua totalidade, aparece como um organismo vivo que se compõe
de arquitetura em um binômio inseparável. Com isso, Aldo Rossi
põe as bases para uma refundação objetiva e científica da disciplina,
cuja racionalidade não é mais autoreferencial, mas interna, de
coordenadas históricas. A arquitetura, assim, é vista como um
fato permanente, universal e necessário que deve conhecer e reconquistar
o território indiscutível da própria especulação teórica e da
própria prática operativa: a cidade.
O objetivo
primário de Rossi é justamente o de definir a estrutura intrínseca
na cidade, pois somente partindo de seu conhecimento e da análise
da dimensão urbana, a arquitetura poderia restabelecer sua contribuição
operativa. A cidade, que vem analisada e investigada pelo autor
através de métodos interpretativos específicos da geografia urbana
e princípios do estruturalismo, compõe-se “per parti” autônomas
e reconhecíveis a partir das quais derivam as declinações específicas:
o tecido repetitivo das residências e a individualidade dos monumentos.
Vale, entretanto,
salientar que a produção bibliográfica rossiana não acaba com
este livro, e que, para uma compreensão maior de sua reflexão,
é necessário estabelecer não somente uma leitura acurada dos projetos
(como documentos primários), mas também com outros textos do mesmo
autor. De fato, o livro aqui apresentado é um texto que recolhe
e sistematiza uma série de estudos, de análises e de considerações
maturadas e aprofundadas no período de sua formação, no âmbito
de sua escola em Milão, assim como artigos publicados na revista
Casabella Continuità, dirigida naquele momento por Ernesto
Nathan Rogers, onde Rossi é redator há mais de dez anos.
Apesar deste
aspecto, é importante ressaltar que neste livro Aldo Rossi, empenhado
na construção lógica de uma teoria a priori, não propunha
um modelo paradigmático de cidade. A cidade análoga, que é apresentado
somente alguns anos depois, faz parte de uma reflexão que persegue
o autor por toda sua vida acadêmica e profissional.
Um outro confronto,
que torna-se obrigatório quando faz-se um diálogo vertical (2)
com a obra do autor, é o seu Autobiografia Scientifica (3).
Os dois textos, que estão separados do ponto de vista cronológico
por vinte anos, foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos
por uma solicitação de Philip Johnson. Somente chega no cenário
italiano em 1991, ano em que Aldo Rossi é o primeiro italiano
a receber o Pritzker Prize.
Aos estudos
teóricos sobre a cidade conduzidos nos anos de 1960 e 1970, baseados
sobre as lógicas abstratas do plano, Aldo Rossi contrapõe uma
investigação pessoal baseada no estudo da cidade como um organismo
composto de tantas partes acabadas, determinadas no curso do tempo,
através de processos de transformações e de permanências, que
adquirem valores específicos na memória individual e coletiva,
e que constituem a essência, a alma da cidade.
A observação
dos elementos que compõem a cidade transforma-se, na atividade
projetual de Aldo Rossi, em memória dos próprios elementos. Estes
elementos, modificados através de sucessivas depurações lingüísticas,
em formas primárias, em arquétipos (como o cone, o cubo, a pirâmide),
recompõem-se em cada arquitetura, "evocando um sentimento
de vida" (4) ou exprimindo "uma nostalgia" (5).
A lição de
“A arquitetura da cidade”, traduzido para língua portuguesa em
1977 (Portugal) e em 1995 (Brasil), é também e, sobretudo, fazer
perceber as relações entre história da cultura e das instituições
(“A cidade grega” de Marcel Poëte; Fustel de Coulanges, etc.)
e a arquitetura.
Mas, a tomada
de consciência de que a cidade que se lê é aquela em que se opera,
de certa forma, explica o êxito nacional e internacional da obra
(6) considerado por teóricos como um livro-tratado (7). Ao retornar
à natureza do próprio conhecimento diante das transformações da
arquitetura da cidade, em uma condição análoga àquela do angelus
novus, de Walter Benjamin, o autor explicita a consciência
do arquiteto na dupla angulação: da continuidade da própria disciplina
na proposição analítica e projetual, e a fratura ocorrida socialmente,
nos modos e nas expectativas de vida, sem se esbarrar em uma proposição
meramente utópica. Esta relação dolorosa constituiu-se em uma
questão teórica, cuja importância reaparece atualmente (por uma
implícita aspiração a uma “unidade aquitetura-urbanismo”) diante
de um cenário, no qual a possibilidade de uma teoria do projeto
parece completamente absorvida da extrema complexidade das formas
da paisagem contemporânea.
Os elementos
primários e área-residência: a cidade “per parti”
No livro de
Rossi, o assentamento físico da cidade é decomposto em dois sistemas
distintos, definidos como os "elementos primários” e "área-residência"
(8). Na individualização de tais elementos primários entram múltiplos
aspectos, o caráter público e coletivo ("o aspecto coletivo
parece constituir a origem e o fim da cidade" - escreve
Rossi), o caráter histórico-monumental ("um edifício histórico
pode ser entendido como um fato urbano primário; isso resulta
desligado da sua função originária, ou apresenta no tempo mais
funções, no sentido do uso a que foi destinado, enquanto não modifica
a sua qualidade de fato urbano gerador de uma forma da cidade.
Os monumentos são sempre elementos primários").
Os elementos
primários, assim, têm uma natureza múltipla, que em síntese pode
ser definida, nas palavras do autor como "aqueles elementos
capazes de acelerar o processo de urbanização de uma cidade e,
referindo-se a um território mais amplo, dos elementos caracterizantes
os processos de transformação espacial do território. Eles agem
quase sempre como catalizadores" (9).
Tais elementos,
no final, não são uma necessidade dos fatos físicos constítuidos:
podem ser simplesmente "lugares" dotados de um
valor simbólico próprio: "o fato urbano, de fato, apresenta
uma qualidade específica sua, que é dada principalmente pela sua
persistência em um lugar, da capacidade de desenvolver uma ação
precisa, da sua individualidade". Mas não só: eles podem
ser reencontrados também no "plano" da cidade (10):
"afirmo agora – acrescenta Rossi – que considero o
plano um elemento primário, da mesma forma que um templo ou um
forte".
Em conclusão,
ao caracterizar o conceito de elemento primário entram em jogo
o caráter de constância ou de permanência do seu papel
e de sua existência física no envolvimento com a cidade, o caráter
de individualdade ou de singularidade que eles possuem,
logo o caráter de elemento gerador e formativo
da estrutura urbana de um determinado período histórico.
Ezio Bonfanti
no texto “Elementi e Costruzione. Note sull'Architettura di
Aldo Rossi”, de 1970, em uma análise atenta entre os elementos
e seu procedimento projetual compositivo, afirma que aquilo que
caracteriza o processo de construção da obra rossiana (dos seus
projetos e de seus desenhos) é uma composição por elementos acabados
e autônomos, que são colocados lado a lado e reunidos, sem nenhuma
possibilidade de subordinação hierárquica (11).
Bonfanti classifica
estes elementos em duas categorias: pedaços e as partes. Os pedaços,
são “elementos primários irredutíveis ulteriormente”, como por
exemplo as paredes muitos finas do edifício na Gallaratese ou
a trave com secção triangular da ponte para a Triennale di Milano.
As partes, ao contrário, “são elementos mais complexos que […]
podem coincidir com obras arquitetônicas inteiras”, como o monumento-fonte
de Segrate ou o volume cúbico do Monumento à Resistenza di Cuneo.
Ao tomar em análise a Prefeitura e Scandicci ou a escola elementar
de Fagnano Olona, Bonfanti evidencia a emergência de traços do
pavillionsystem citado por Emil Kaufmann no seu livro de
1933 “De Ledoux à Le Corbusier” (12). De fato, a arquitetura
do Iluminismo, que assumiu um papel decisivo na formação de Aldo
Rossi, colocou as bases para os princípios daquilo que Kaufmann
define como arquitetura autônoma, nascida da destruição da Unidade
Clássico-Barroca.
Sem entrar
no mérito das considerações de kaufmann, o aspecto interessante
e significativo levantado por Bonfanti é o caráter duplo que o
conceito de parataxe (13) assume como chave de interpretação para
a obra e o pensamento do autor.
A Città
analoga
Através dos
estudos sobre "fatos urbanos", Aldo Rossi desenvolve
uma hipótese de "progettazione della città" fundada
em um processo analógico passível de ser instituído entre a estrutura
urbana histórica e a construção da cidade nova: "acredito
- escreve – que o modo mais sério para operar na cidade,
ou para entendê-la, que não é muito diferente, seja aquele de
colocar uma mediação entre a cidade real e a cidade análoga. Que
esta última, em síntese, seja a autêntica projetação da cidade
(...). A alternativa real é aquela de proceder à construção da
cidade por analogia: em outros termos, de servir-se de uma série
de elementos diferentes, entre eles ligados ao contexto urbano
e territorial, como pilares da nova cidade" (14). E interroga
"Como existe uma relação autêntica, circunstanciada, com
a cidade em que construímos? Isso existe – reforça Rossi,
na medida em que a arquitetura remonta, nos motivos da sua própria
projetação, as características gerais da cidade".
Dez anos depois
do L'Architettura della Città, um livro que não propõe
um modelo urbano, Aldo Rossi começa a dar forma a sua idéia de
cidade, seguindo princípios presentes no livro, de que a manufatura
urbana é constituída por partes autônomas e acabadas, e imaginando
uma cidade em que, como nos quadros de Canaletto, somam-se e se
sobrepõem às partes compondo, no final, um projeto unitário.
A teorização
da Città Analoga foi elaborada a partir de 1964, na introdução
do catálogo da exposição Illuminismo e architettura del ‘700
Veneto (15). Todavia, é por ocasião da Biennale di Venezia
de 1976, que o autor apresenta uma prancha que constitui a metáfora
gráfica dos estudos e investigações sobre esta idéia.
Na prancha,
apresentada como uma “obra coletiva”, apresenta a casa em Borgo
Ticino, a perspectiva do Gallaratese, o traçado de Monza, a Cabine
dell’Elba e outras imagens do seu repertório sobrepostas ao tecido
da cidade histórica e aos seus monumentos, reproduzindo uma paisagem
urbana que encontra na técnica aditiva da montagem sua construção
lógica.
Neste ponto,
a Città Analoga se insere imediatamente em dois filões
analíticos possíveis muito difundidos pelos estudiosos de Rossi:
aquele dos modelos urbanos, que sempre caracterizaram o pensar
da arquitetura e da cidade e, do ponto de vista da técnica, o
da montagem/ collage procedimentos aditivos que filiam-se, em
certa medida, à politics of “bricolage”, base da reflexão
do livro Collage City de Colin Rowe e Fred Koetter (16).
Apesar de
modalidades operacionais diferentes e processos não necessariamente
convergentes, os resultados quando confrontados apresentam certas
imagens relevantes:
1. O ponto
de partida de Rossi tem base claramente estruturalista, na qual
interpreta a cidade como uma estrutura física a partir da área-residência
e os elementos primários. A cidade, assim, é concebida como uma
manufatura, como uma obra de arte em que a cidade antiga e a cidade
moderna confundem-se e se sobrepõem fazendo parte de um estudo
analógico, científico e arqueológico que a partir do simbólico
estabelece a ligação necessária entre o real e o imaginário.
2. Rowe e
Koetter em Collage City, ao contrário, sobrepõem à realidade
urbana uma análise gestáltica que, através da definição das relações
entre figura-fundo, permite individualizar e se confrontar utilizando
dois modelos urbanos como referência: a cidade antiga que produz
espaços, e a cidade moderna que produz objetos. Diante dos dois
modelos, que a história restitui como herança física e operativa,
não existe a necessidade de uma escolha, mas simplesmente aceita-se
as complexidades e as contradições do real. A cidade, dessa forma,
apresenta-se como um repertório, um depósito múltiplo e complexo
de formas, objetos, espaços e texturas, e a partir daí somente
a prática projetual - da collage e do assemblaggio-,
permite a definição da estratégia, que Colin Rowe já visualiza
na Roma Imperial e Barroca ou nas construções das cidades-museus
napoleônicas.
Com isto,
notamos uma grande diferença entre a collage de Rowe e
Koetter e a operação rossiana: para os primeiros, A Collage
City não é uma reflexão sobre forma urbana, é muito mais uma
estratégia. Logo, não é uma operação compositiva que culmina no
projeto, o processo já é ao mesmo tempo projeto.
Não é por
mero efeito de retórica que no Collage City Colin Rowe
retoma e comenta criticamente definições de Claude Lévi-Strauss
do “O pensamento Selvagem” (17): “..o cientista”, cita Rowe “cria
eventos ….a partir das estruturas e o bricoleur constrói
as estruturas a partir dos eventos” (18).
Colin Rowe
utiliza livremente as formas e os eventos, que serão montadas
e arranjadas em uma construção nova. Enquanto para Rossi, o importante
é a escolha dos elementos que entram para fazer parte da composição
que irá recompor e reconstruir os fragmentos da realidade.
O procedimento
projetual analógico
A relação
análise urbana/projeto em Aldo Rossi, vem explicitamente formulada
através de uma 'hipótese de uma teoria de projetação urbana –
arquitetônica, onde os elementos são prefixados, formalmente definidos,
mas onde o significado durante a operação tem o sentido autêntico,
imprevisto, original, da investigação", já que "cada
um pode reencontrar elementos fixos e racionais na própria história,
e acentuar o caráter peculiar de um lugar, de uma paisagem, de
um monumento" (19).
A intervenção
de Rossi sobre a cidade põe-se, assim, primariamente com um problema
de conhecimento do significado de uma civilização urbana e da
sua imagem, para posteriormente transferí-lo "analogicamente"
ao projeto. Isto significa que não existe uma instrumentalização
específica da projetação urbana contraposta àquela da projetação
arquitetônica, mas que em um movimento de ir e vir os elementos
do projeto arquitetônico se orientam – na experiência da projetação
urbana –, com a finalidade de relacionar o objeto-cidade, a manufatura-cidade,
a arquitetura da cidade.
A projetação
urbana vem a agir sobre dois planos distintos, mas correlacionados:
de um lado, em direção da projetação/ reprojetação dos nós constitutivos
da estrutura urbana (histórica); do outro lado, em direção a reprojetação
dos mecanismos constituintes da forma de parte isolada da cidade.
O procedimento
projetual, de que Aldo Rossi é um intérprete de grande sensibilidade,
também corresponde à figura retórica da metáfora na translação
de significado de um objeto a outro por "íntimas, mas variadíssimas
semelhanças". O novo (a invenção) torna-se, em tal caso,
metáfora do antigo, retomado – por analogia – por formas
estruturais, "formas tipológicas”, mais ou menos ancestrais,
conectadas com a cidade preexistente. Em seus projetos não são
propostas formas acabadas, mas "íntimas semelhanças"
derivadas das "formas estruturais": geometrias do lugar,
"geometrias da memória".
Todavia –
por considerações não somente dimensionais, mas também concretamente
de gestão – foi eclipsada qualquer ilusão utópica da “cidade toda
como arquitetura", ou melhor, de um "controle da forma
urbana operado globalmente com os instrumentos da arquitetura".
A "città
analoga" de Aldo Rossi introduz "um procedimento compositivo,
que é permeado de alguns fatos fundamentais da realidade urbana,
entorno a qual constitui outros fatos fazendo parte de um sistema
analógico" (20).
Para ilustrar
este conceito, Rossi refere-se ao famoso capriccio palladiano
de Canaletto: "os três monumentos paladianos constituem uma
Veneza análoga cuja formação é completada com elementos corretos,
ligados à história da arquitetura como da cidade (...). Tal operação
lógico-formal pode traduzir-se em um modo de projetação"
(21).
O novo, no
procedimento rossiano, é, sem dúvida novo, mas faz alusão ao já
conhecido através de sutis retomadas, que instaura uma continuidade
com o preexistente, filtrada pela memória, com uma interpretação
estritamente subjetiva, mas profunda, de cores, traços somáticos,
de matrizes tipológicas, de um ambiente urbano. Não tem necessariamente,
neste tipo de intervenções, a busca de uma continuidade morfológica
com aquilo que preexiste: a relação com as preexistências – como
já dizia Rogers – é uma relação de tipo figurativo, de uma sintonia
camuflada com os significados formais de um lugar e suas imagens:
é uma relação de certo modo literária, poética, assimilável à
interpretação (também literária e poética), que qualquer escritor
elabora sobre as peculiaridades das cidades, de maneira sintética.
Um exemplo acabado que ilustra esta relação é a síntese feita
pelos pintores mais amados e estudados por Rossi, como De Chirico,
interpretando as cidades da região padana, ou Sironi, as periferias
lombardas. Entretanto, apesar do estudo da cidade ser a base do
projeto, durante a fase projetual essa história é esquecida, uma
vez que os dados simbólicos, lingüísticos, figurativos da tradição
arquitetônica de uma determinada civilização histórico-geográfica,
torna material operado na impostação do projeto.
O procedimento
de Rossi está presente e encontra respaldo na definição, de 1978,
do recém-fundado Dipartimento di Teoria e Tecnica della Progettazione
Urbana do Istituto Universitario di Architettura di Venezia
(I.U.A.V.), que assumia como campo de estudo "a projetação
urbana - arquitetônica em relação a um contexto dado, interpretado
nos seus componentes de história, de morfologia, de funções”.
De fato, Rossi
somente assume uma cadeira como professor efetivo na Universidade
de Veneza, em 1975, depois de ter sido professor asistente de
Ludovico Quaroni, em 1963, na escola de Urbanismo de Arezzo, e
de Carlo Aymonino, no Istituto Universitario di Architettura
di Venezia. A partir de 1965 ensina na Università de
Milão, Zurique e em diversas Universidades dos Estados Unidos.
Nas palavras
de Gianugo Polesello, então diretor do departamento: "Afirmei
que a Arquitetura e o Plano já se contituem em domínios científicos
separados, tecnicamente definidos. Não pretendo aqui postular
uma reconquista da unidade entre Arquitetura e Plano (...). Afirmo,
porém, que o problema do town-design como disciplina ou como ciência
autônoma e separada, é restrito de significado, seja a respeito
aos resultados arquitetônicos, seja daqueles urbanísticos, do
plano. O problema não é aquele da coincidência entre Arquitetura
e Plano, que são mantidos autonômos e independentes do ponto de
vista técnico e teórico-científico, mas sim o da Projetação da
Cidade” (22). A “projetação urbana" “vem assim se qualificar,
não tanto como ‘disciplina’ em si mesma e ‘técnica’ específica,
quanto como tema, que tem por objeto a cidade e a sua definição
física e formal. A cidade é, assim, o objeto e o fim último da
projetação urbana. Ela pode usar, instrumentos do Plano (como
estratégia de reordenação e localização, funcional, econômico...)
e da Arquitetura (como técnica de intervenção direta na construção
da cidade)”.
Revisitar
as biografias científicas de personagens, trajetórias profissionais
como Rossi, assim como de outros arquitetos do cenário italiano
como Vittorio Gregotti, Gianugo Polesello, Giorgio Grassi, Carlo
Aymonino, Giancarlo de Carlo, Bernardo Secchi e Gino Valle, permite
explicitar de forma cabal uma relação entre teoria do projeto
e visão racionalizada da cidade e do território – que significa,
antes de tudo, considerar a possibilidade de uma dimensão discursiva
e operativa no fazer, sem criar simples (ou simplistas) procedimentos
de causa e efeito.
Notas
1
A “Leitura horizontal”, do ponto de vista metodológico, é capaz
de colher as convergências, contatos entre profissionais, participação
em trabalhos comuns, seja no âmbito acadêmico, seja naquele institucional.
(Relatório Fapesp – pós doutorado no Dottorato di Ecellenza ISAV–
Adalberto da Silva Retto Jr - 2007).
2
A “Leitura vertical” permite colher a contribuição efetiva do
autor interna a disciplina, tendo como base o escopo disciplinar
da História da Arquitetura e do Urbanismo, observados pela sua
densidade ou redução, na capacidade de expandir-se ou de se repropor,
a partir da aparição e de sua maturação, consistência, declínio
ou metamorfose. No caso específico dos textos, ganha particular
importância a averigüação dos canais de difusão ou tipologias
dos destinatários, pois de maneira rápida e essencial possibilita
visualizar a inserção destes na comunidade científica e na sociedade.
(A leitura horizontal e vertical faz parte das discussões metodológicas
para a construção de trajetórias profissionais no campo da arquitetura
e urbanismo e foram desenvolvidas, em um primeiro momento no âmbito
de duas disciplinas optativas intituladas “Escalas de modernidade:
um percurso na obra do arquiteto Fernando Pinho” (2001 e 2002)
e “Urbanismo em Questão” (1999). Recentemente enriquecidas na
construção da trajetória profissional do engenheiro Victor da
Silva Freire, durante pós-doutorado no Doutorado de Excelência
de Veneza e apresentadas no relatório Fapesp – pós doutorado –
Adalberto da Silva Retto Jr (2007).
3
Para alguns autores, no livro Autobiografia Científica existe
uma superação de uma interpretação evolucionista, que leva a pensar
uma divisão de sua produção em dois momentos: um Rossi de L’architettura
della città e outro de Autobiografia Scientifica. Apesar
disso, a teoria como construção lógica e objetiva, e a autobiografia
como necessidade de confronto com a dimensão subjetiva, são elementos
que permanecem ao longo da carreira do autor.
4
ROSSI, Aldo. A cura di G. Braghieri. Bologna: Zanichelli
Editore, 1989, p.11
5
TAFURI, M. - DAL CO, F. Architettura contemporanea. Milão:
Electa, 1988, p.382
6
Principais edições italianas e estrangeiras de L’architettura
della città:
Edições italianas
– Título: L’architettura della città. I, II, II edições
Padova, Marsilio Editori; collana <Biblioteca di Architettura
e Urbanistica> com direção de Paolo Ceccarelli, n.8. I edição,
maio de 1966; PP.217, 3n.n.; Il. no texto, 12; fora do texto,
,37; II edição, com um <Prefazione Allá seconda edizione>
do autor, abril 1970; PP.8 n.n.; il. como na I edição; III edição,
abril 1973; igual a precedente. A IV e V edições: Milano, Clup
(Cooperativa Libraria Universitaria Del Politecnico). I edição,
maio de 1978, curado por Daniele Vitale, com uma revisão das notas
e todas as introduções e apresentações do autor para as edições
precedentes; pp. 314; il. no texto, 103; fora do texto, 44; II
edição, junho de 1987, curada e com premissa de Daniele Vitale,
com atualização das introduções e apresentações do autor para
as edições precedentes e revisão das ilustrações; pp.348; il.
no texto, 162.
Edições espanholas
– Título: La arquitectura de la ciudad. Barcelona, Editorial
Gustavo Gili, S.A.; com <Prólogo a La edición castellana>
de Salvador Tarragó Cid (escrito em 1968); tradução de Josep Maria
Ferrer-Ferrer e Salvador Tarragó Cid; revisão bibliográfica de
Joaquim Romaguera e Ramió. I edição, na <Colección Arquitectura
y Crítica>, dirigida por Ignacio de Solá-Morales Rubió, 1971;
pp.239, 3 n.n., 4n.n.; il. no texto, 12; fora do texto, 37; II
edição, na <Colección Punto y Linea>, sem data (mas de 1976);
pp.239, 5 n.n.; il. no texto, 10; VII edição, 1986; pp.312; il.
no texto, 47, fora do texto, 37.
Edição alemã
– Título: Die Architektur der Stadt. Skizze zu einer grundlegenden
Theorie dês Urbanen. Düsserdolf, Bertelsmann Fachverlag (Copyright
de 1973, Verlagsgruppe Bertelsmann GmbH/Bertelsman Fachverlag,
Düssedolf); coleção <Bauwelt Fundamente>, dirigida por Ulrich
Conrads, n.41; com um <Nachwort zur deutschen Ausgabe> do
autor; tradução ao alemão de Arianna Giachi; pp.174, 2n.n.; il.
no texto, 12, e fora do texto, 37.
Edição portuguesa
– Título: A arquitectura da cidade. Lisboa, Edições Cosmos,
novembro 1977; direção e tradução de José Charters Monteiro e
José da Nóbrega Sousa Mantins; com <Introdução à edição portuguesa>
do autor; pp.260, 2n.n.; il.no texto, 12 e fora do texto, 8, 49.
Edição americana
– Título: The Architecture of the City. Cambridge, Mass,
and London, Engl., M.I.T. Press, 1982 copyright for The Graham
Foudation for Advanced Studies in the Fine Arts, Chicago, Ill.,
and The Institute for Architecture and Urban Studies, New York,
N.Y.; coleção “Opposition Books”, dirigida por Peter Eisenman
e Keneth Frampton; tradução de Diane Ghirardo e Joan Ockman, revisada
pelo autor e por Peter Eisenman; com um “Editor’s Preface” e “Editor’s
Introduction: The House of Memory. The Test of Analogie” de Peter
Eisenman; e uma “Introduction to the First American Edition” feita
pelo autor; pp.202, 105 il.
Edições francesas
– Título: L’architecture de la ville. Paris, L’Equerre,
1981; coleção “Formes Urbaines”, dirigida por Antoine grumbach
e Bernard Huet; tradução de Françoise Brun; edição inteiramente
igual a I edição Clup, Milano, 1978; pp.296; il.146.
Edição grega
– Título: H APXITEKTONIKH TH∑ ∏OΛΗ∑.
Salonicco, 1986; copyright para língua grega de Lois Papadopoulos,
Giorgos Papalistas, Sofie Tsitiridou; tradução de Vassiliki Petridou;
com uma “Nota a edição grega” do autor; pp.354; il.103, fora do
texto, 44
Edição húngara
– Título: A város épitészete. Budapeste, Budapesti Muszaki
Egyetem, 1986; tradução a partir da edição americana de masznyik
Csaba, com a colaboração de Moravánszky Ákos; pp.146; il. n.n.
In.:
II edição, junho de 1987, curada e com premissa de Daniele Vitale.
Edição brasileira
– Título: Arquitetura da cidade. Editora: Martins Fontes,
São Paulo, 1995; pp. 309; coleção a com prefácio de Daniele Vitale,
constando no final do livro da “Introdução à edição portuguesa”,
Nov.1977, e nota biográfica (sem autoria); Il. no texto, 145,
e 11 na “Introdução à edição portuguesa”.
7
Ver DE MICHELIS, Marco, “Ceci tuera cela” Parametro, n.
267, mar. 207, p. 19-23. Cit. RETTO JR, A.S. In.: Plano e arquitetura
/ plano com arquitetura. Indagações acerca das Lições de urbanismo
de Bernardo Secchi, Arquitextos, 083-02. Portal Vitruvius,
abril 2007.
8
Nas palavras de Rossi: "vede la città distinta in parti diverse
e dal punto di vista formale e storico costituenti dei fatti urbani
complessi. Poiché in un quartiere è preminente la parte residenziaIe
e questo con i suoi aspetti ambientali cambia notevolmente nel
tempo caratterizzando l'area su cui insiste, piuttosto che le
costruzioni, ho proposto di usare il termine di area-residenza.
(...) Ma le aree e l'area-residenza (...) non sono sufficienti
a caratterizzare la conformazione e l'evoluzione della città;
al concetto di area deve accompagnarsi quello di un insieme di
elementi determinanti che hanno funzionato come nuclei di aggregazione.
Questi elementi urbani di natura preminente li abbiamo indicati
come elementi primarii in quanto essi partecipano dell'evoluzione
della città nel tempo in modo permanente, identificandosi spesso
con i fatti costituenti la città. L'unione di questi elementi
(primarii) con le aree in termini di localizzazione e di costruzione,
di permanenze di piano e di permanenze di edifici, di fatti naturali
o di fatti costruiti, costituisce un insieme che è la struttura
fisica della città" (Rossi, 1966).
9
ROSSI, Aldo. L’architettura della città, Milano, Marsilio
Editori, I edição, 1966.
10
Quando Rossi cita o Plano como elemento primário, certamente relaciona-se
ao Plano Diretor da Cidade, que no contexto italiano da época
tem uma relação entre arquitetura e urbanismo.
11
BONFANTI, E. Elementi e Costruzione. Note sull’architettura
di Aldo Rossi, in Ezio Bonfanti, Scritti di Architettura,
a cura di Luca Scacchetti, Milano, Clup, 1981, pag. 286.
12
O livro de Emil Kaufmann, foi publicado pela primeira vez em Viena,
1933, propondo uma interpretação inédita sobre a arquitetura moderna
13
A parataxe, do ponto de vista estilístico, é um processo de dispor
lado a lado blocos de significação, sem explicitar a relação que
os une. O discurso descontínuo das linguagens pós-modernistas
torna a montagem um processo comum em que elementos isolados criam
novo sentido com a técnica da montagem, que é por excelência do
cinema, que trabalha com fragmentos e corte: uma imagem projeta
significado à outra. Dentro da mais clássica tradição retórica,
a figura da parataxe faz parte das figuras de linguagem que afetam
o aspecto sonoro ou gráfico das palavras, o aspecto semântico
das unidades, a disposição formal da frase ou o valor lógico e
referencial da proposição, operando funções de supressão, acréscimo,
substituição e permuta. Mais especificamente, os metataxes ou
figuras de construção, que atuam sobre a frase, a ordem das palavras,
a gramática, que agem no plano sintático e formal, alteram a estrutura
habitual da frase como elipse, zeugma, pleonasmo, assíndeto, polissíndeto,
hibérbato, inversão, hipálage, quiasmo, parataxe, silepse, anacoluto,
anáfora, aliteração, assonância, onomatopéia, oxímoro, tmese.
14
ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città,
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18
ROWE, Colin, Koetter Fred, Collage City, Milano, Il Saggiatore,
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19
ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città.
Op. Cit.
20
ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città.
Op. Cit.
21
ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città.
Op. Cit.
22
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Adalberto
da Silva Retto Junior, professor de projeto urbano e história
do urbanismo na FAAC – Unesp Campus de Bauru, pós-doutorado como
bolsista Fapesp, no Doutorado de Excelência SSAV/ Istituto Universitário
di Architettura di Venezia.
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