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architectourism ISSN 1982-9930

São Paulo. Foto Nelson Kon

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Buscando locações para um novo filme de ficção de longa metragem que pretende rodar em Salvador e no interior da África, o cineasta Renato Barbieri mostra no artigo a aldeia de Tiébélé, na fronteira-sul do Burkina-Faso com Gana


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BARBIERI, Renato. A África é o humano. Arquiteturismo, São Paulo, ano 01, n. 001.06, Vitruvius, mar. 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/01.001/1307>.


As fotos apresentadas são da aldeia de Tiébélé, na fronteira-sul do Burkina-Faso com Gana. Elas são parte de uma pesquisa que estou fazendo para o roteiro de um novo filme de ficção de longa metragem que pretendo rodar em Salvador e no interior da África. Os países que escolhi para esta pesquisa são o Mali e o Burkina-Faso. Tenho uma afinidade imensa com algumas regiões da África, em especial com a África sub-saariana. Já conhecia o Benim, onde filmei o documentário Atlântico Negro – Na Rota dos Orixás e é grande o meu interesse pelas nossas origens africanas. Os vínculos do Brasil com a África não se restringem aos países do mundo lusófono, como um certo senso-comum nos leva a acreditar, mas se estendem por toda a África Negra. Vieram para o Brasil, ao longo de 350 anos, milhões de africanos escravizados de todas as regiões. O Benim, por exemplo, é hoje um país que hoje pertence à francofonia, no entanto seus vínculos históricos e afetivos com o Brasil são imensos.

O mesmo ocorre com o Mali e com o Burkina-Faso. Embora sejam culturas e povos muito diferentes da nossa conhecida paisagem Ocidental, os povos desses países têm afinidades profundas com os brasileiros. As raízes são ocultas e estão nas profundezas... Mas o fato é que estamos entranhados de África.

A África normalmente é identificada por nós pelos flagelos da AIDS, das guerras e da fome. De certa maneira o jornalismo e o cinema chamados ‘eurocentricos’ são bastante responsáveis por essa visão. Isso porque estar aberto ao ‘outro’ é sempre mais difícil, mesmo quando o ‘outro’ está na gente. É preciso ver o ‘outro’ com uma certa dose de humildade, para descobrir suas conquistas, e não somente suas mazelas. Vamos nos lembrar que a humanidade ficou de pé foi na África e que muitas culturas e tradições africanas são milenares. Portanto é preciso também ter alguma curiosidade. E foi assim que cheguei à região de Tiébélé, com um misto de humildade e curiosidade. Os africanos logo reconhecem quem chega por lá e não se sente superior, e isso faz uma enorme diferença. É a partir daí que a África começa a abrir suas camadas e mistérios, seus véus e segredos milenares.Para nós brasileiros, que temos a África dentro da gente, fica tudo muito mais fácil. Eu já conhecia por imagens a arquitetura do povo Gurussí e poder um dia visitar a região de Tiébélé era para mim um grande sonho. Agora, graças aos orixás africanos e ao projeto que estou desenvolvendo, essa oportunidade me foi oferecida. O vigor da arquitetura, construída pelos homens (uma arquitetura de defesa), aliada ao vigor do grafismo, desenhado e pintado com terra da região pelas mulheres, é algo extraordinário e encantador. Essas são as chamadas ‘casas 8’. Elas têm uma divisão interna de 3 cômodos circulares com uma única passagem para o exterior de 50 centímetros de diâmetro. O pequeno muro que fica logo atrás da entrada tinha a função de proteger das flechas do inimigo. Se algum invasor quisesse entrar na casa teria primeiro de se abaixar para em seguida se levantar para ultrapassar o pequeno muro. Desse ponto ele não passava, pois logo atrás estaria o dono da casa com seu machado. Hoje esse muro baixou de 50 para 30 centímetros e tem a função de preservar a intimidade do casal. No ambiente da entrada fica o quarto-sala-cozinha do homem.

Esse ambiente dá passagem ao quarto-sala da mulher e dos filhos que, por sua vez, dá passagem a um terceiro ambiente circular que é a cozinha da mulher e dos filhos. A iluminação e entrada de ar desses dois últimos se dá pelo teto. O homem tem sua própria cozinha e também o seu próprio silos de grãos, que fica do lado de fora, na rua da aldeia, coberto por palhas e suspenso por uma base de madeira para ventilação. A cada ano, após o tempo das chuvas, as mulheres fazem novas pinturas nas casas.

Como tudo na África está ligado à religião e ao mágico, é de se pensar que estas casas são um rito de amor e preservação à vida, unindo o masculino ao feminino, a arquitetura ao urbanismo, a engenharia ao design, a arte à defesa.

sobre o autor

Renato Barbieri é cineasta e documentarista. Seus filmes são distribuídos no Brasil e em diversos países, em títulos como Atlântico Negro – Na Rota dos Orixás, A Invenção de Brasília, Malagrida, Félix Varela, Do Outro Lado de sua Casa, As Vidas de Maria, A Idade do Brasil, Moçambique, Terra de Quilombo – Espaços de Liberdade, Na Corda do Círio, Moçambique e A Liga da Língua.

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