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architectourism ISSN 1982-9930


abstracts

português
Os autores oferecem ao leitor um roteiro para conhecer a cidade de Évora, na região do Alentejo em Portugal. Cheia de história e acontecimentos arquitetônicos, um passeio pela cidade, por seu traçado e seus monumentos, revela surpresas a cada esquina

english
The authors of the article offer the reader a roadmap of the city of Évora in the Alentejo region of Portugal. Full of history and architectural events, a town walk throughout its layout and its monuments reveals surprises in every street corner

español
Los autores ofrecen al lector un itinerario para conocer la ciudad de Évora, en la región del Alentejo en Portugal. Llena de historia y acontecimientos arquitectónicos, un paseo por la ciudad, por su trazado y sus monumentos, revela sorpresas


how to quote

WANDERLEY, Junancy; GAGNOR, Alessandro. Évora, cidade das musas. Arquiteturismo, São Paulo, ano 02, n. 013.02, Vitruvius, mar. 2008 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/02.013/1402>.


A cidade de Évora, na região portuguesa do Alentejo, fica a apenas 130km de Lisboa e a 63,5 km da fronteira espanhola. Tais distâncias são facilmente vencidas graças à boa qualidade das estradas e dos transportes públicos. Tombada como Patrimônio Histórico da humanidade desde 1986, foi apelidada de “cidade museu”. Enganam-se, porém, os que imaginam uma cidade estática e abandonada, que existe só para ser admirada. Évora vive.

Vai começar a conhecer a cidade? Se dirija à Loja do Turismo, na praça do Giraldo, dentro do sítio histórico, para pegar todas as informações sobre os atrativos culturais, concretos ou abstratos. Procure o mapa que destaca todos os pontos de interesse.

Évora, habitada desde o tempo dos romanos, é cercada por belas muralhas medievais. Antes disso, porém, durante as invasões bárbaras, a cidade esteve sobre domínio visigodo, sendo conquistada em 715 D.C. pelos mouros. Retomada pelos cristãos chefiados por Geraldo Sempavor em 1166, tornou-se durante a Idade Média uma das mais prósperas cidades do reino, principalmente durante a dinastia de Avis (1385-1580).

Em 1551 a universidade foi fundada pelos Jesuítas, e abrigou grandes mestres do saber. Em 1759 foi fechada por ordem do Marquês do Pombal, quando da expulsão dos Jesuítas, e reaberta apenas em 1973. O século XVIII marca o inicio do declínio da cidade de Évora. A testemunhar a dinâmica histórica e cultural das várias épocas, ficaram os vários e belos monumentos, edificados em diferentes épocas. A Praça do Giraldo, centro urbano de Évora aonde vêm se realizando através dos séculos os mais importantes eventos profanos ou religiosos, é ponto de encontro de estudantes, turistas, idosos e aposentados, e serve de ponto de referência para turistas, devido a sua localização.

Alguns monumentos da cidade não podem deixar de serem visitados. Do período romano restam inúmeros vestígios, com destaque para o Templo de Diana, bem em frente à pousada dos Lóios, e bem pertinho da antiga casa de Vasco da Gama, que hoje abriga a Fundação Eugênio de Almeida, responsável, entre outras coisas, por intenso trabalho na área do patrimônio histórico religioso de Portugal. A construção, na verdade um antigo Fórum, foi associada à deusa romana da caça originou-se de no século XVII.

A verdade é que a construção do século I foi erguida na praça principal da Évora antiga, então chamada de Liberatias Julia, e modificada nos séculos II e III. Évora foi invadida pelos povos germânicos no século V, quando o fórum foi destruído; mas as ruínas testemunham a solidez da construção romana, que ainda era usada como açougue do século XIV até 1836. Depois de 1871, as adições medievais foram removidas e o trabalho de restauração foi coordenado pelo arquiteto italiano Giuseppe Cinatti.

A Capela dos Ossos é outro dos mais conhecidos monumentos de Évora, localizado junto a Igreja de São Francisco. Foi edificada no século XVII por iniciativa de três monges cujo objetivo era transmitir a mensagem da transitoridade da vida, tal como se vê no célebre aviso que fica no portal de entrada: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. A capela, construída no local do primitivo dormitório fradesco, é formada por 3 naves de pouco mais de 18 metros de profundidade por 11 m de largura. A iluminação natural entra por três pequenas aberturas, deixando-nos ver todas as paredes oito colunas revestidas com ossos e caveiras. Aproximadamente 5.000 esqueletos foram usados para o macabro revestimento.

No Largo da Porta do Moura existe uma fonte renascentista de 1556, atribuída ao arquiteto Diogo de Torralva. O Mirante da Casa Cordovil é uma delicada obra do estilo manuelino-mudejar, contígua à moradia do cantor Manuel Severim de Faria, também autor de estudos dedicados aos descobrimentos portugueses. Na casa de Faria funciona a Academia dos Ambientes, dedicada a temas Históricos e literários.

A Catedral da Sé completou em 2007 os seus 700 anos, e o estilo de sua arquitetura é uma transição entre o romano e o gótico. Três monumentais naves formam o ambiente onde foram benzidas as bandeiras da frota de Vasco da Gama, o descobridor do caminho marítimo para as Índias, em 1497. Essa descoberta acabou com o monopólio veneziano das especiarias, muito úteis e caras numa época em que não havia geladeira para conservar os alimentos. O arco da capela é um raro exemplar de arquitetura hibrida plateresca, datado de 1529. A sua planta, assim como todas as sés de Portugal, mostram os mesmos esquemas tipológicos em desenho de cruz latina, orientada para nascente. Esta configuração prototípica, porventura mercê da sua inerente carga simbólica, propagou-se por toda Europa.

O Convento dos Lóios foi fundado em 1485 para panteão de Dom Rodrigo de Melo, guarda-mor do rei Dom Afonso V. Na capela do Santíssimo existe o tumulo do humanista D. Francisco de Melo, que foi companheiro, em cenáculo intelectual, do mestre André de Resende, Nicolau Clenardo, João Petit (bispo de Cabo Verde) e Chanterene, que lhe esculpiu o seu mausoléu no mais puro estilo da Renascença (1536). O edifício mantém trechos de arquitetura primitiva, do estilo hibrido gótico-manuelino-mudejar.

A Igreja do Carmo foi doação da coroa em 1665 à ordem carmelita. Dentre os restos do primitivo paço destaca-se a grade de ferro forjado, logo na entrada principal da igreja, e a imponente Porta dos Nós, símbolo da casa de Bragança.

A Universidade de Évora, fundada em 1559, serviu de casa e ofício a gerações de professores e personagens de grande projeção cultural e religiosa em Portugal. Outros destaques são o claustro renascentista e a sala dos atos.

O Templo do Espírito Santo, de planta maneirista, foi inspirado na Igreja de Gesú, de Roma, do arquiteto Vignola. A Igreja de São Francisco, capela dos últimos monarcas da Dinastia de Avis, é uma das mais extraordinárias igrejas de arquitetura gótica-manuelina do país.

Construída entre 1480 e 1510 pelos mestres de pedraria Martin Lourenço e Pedro de Trilho, e decorada pelos pintores Francisco Henriques, Jorge Afonso e Garcia Fernandes, está intimamente ligada aos grandes acontecimentos da época das expansões marítimas.

O Palácio de Dom Manuel, também conhecido por paço Real de São Francisco, também tem elementos do híbrido peculiar gótico-manuelino-mudejar e da renascença. No paço, Vasco da Gama foi sagrado comandante da esquadra do descobrimento do caminho marítimo para a índia. Hoje, funciona como galeria de exposições.

Outros tantos atrativos da cidade são as Termas Romanas , do século l , a Ermida de São Brás de 1483, o Mosteiro Calvário (1569-1570), o Aqueduto da Água da Prata (1531-1537), a Caixa D’água da Rua Nova (1536), o Museu de Évora, que está sendo restaurado, o Palácio dos Duques de Cadaval, a Biblioteca Pública, os Paços dos Condes de Basto.

A duas léguas da cidade, o Recinto dos Almendres é uma construção megalítica de 60m x 30m, que associa dezenas de monólitos integrados em dois espaços geminados. Também a apenas 12 km de distancia está o povoado de Arraiolos, que deu nome a um tipo de tapete ainda feito em Minas Gerais, sede do Castelo de Arraiolos. Mais dois castelos que valem a visita também ficam próximos: Évora Monte e Extremoz (este a apenas 32km de Évora).

Um hotel funciona dentro do castelo de Extremoz, bem como o ótimo restaurante “O Castelo”. Aliás, Évora, no Alentejo, fica na região portuguesa de melhor reputação culinária, e a poucas horas da magnífica Sevilha, cruzando a fronteira da Espanha. Como se pode ver, não faltam razões para se conhecer Évora.

São muitas as opções de preços e hospedagem. A pousada Diana, a 200m da catedral da Sé, dentro do sitio histórico, oferece diárias a partir de 30 euros. O majestoso Hotel & SPA do Espinheiro (antigo convento Jerônimo), onde se hospedou a seleção portuguesa antes da ultima Copa do Mundo, fica a 6 km de Évora, e cobra de 200 a 700 euros por dia.

É muito rara a aceitação de cartões de credito. Em compensação, existem caixas multibanco por todo lado, e funcionando 24 horas por dia, para os cartões Visa. Outra dica: não se preocupe em ter um carro para circular pela cidade, pois é fácil e prazeroso ir a todos os lugares caminhando, seguindo o traçado urbano medieval de suas ruas estreitas, tortuosas e com surpresas a cada esquina. Leve sempre uns euros no bolso, pois em todo lugar se paga para entrar, e um pouco mais se for fotografar. Atenção ao horário comercial, bem como ao de visita às áreas internas dos monumentos: começa às 9 da manhã, mas tudo fecha para almoço das 13 às 15 horas – menos os restaurantes, ora pois!

sobre os autores

Junancy Wanderley, arquiteto (FAUPE), artista plástico e fotógrafo, pós-graduado em Gestão e Controle Ambiental, pela Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco.

Alessandro Gagnor é jornalista e mestre em Antropologia (ambos pela UnB).

Junancy Wanderley
Foto divulgação


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