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architectourism ISSN 1982-9930


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BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Conhecer São Paulo a pé. Arquiteturismo, São Paulo, ano 02, n. 013.07, Vitruvius, mar. 2008 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/02.013/1407>.


Quando você chega à estação de trens da CPTM e olha para o Rio Pinheiros, percebe para que lado ele corre? Este é uma das ilusões de ótica de São Paulo, mistério que pode ser desvendado. A que time de futebol de várzea pertenceu a área onde está hoje o Shopping Eldorado? (1) O encontro dos Rios Guarapiranga e Jurubatuba formam que outro rio? (2) A denominação Jardim América se deve ao bairro ser formado por ruas com os nomes dos países das Américas? Errou se disse sim, o motivo é outro. (3) Se quiser comprar estátuas de gesso, anões de jardim, Brancas de Neve horrendas, churrasqueiras, cegonhas e flamingos, onde vai encontrar? (4) O Externato Maria Montessori, atrás do campo do Juventus, que abriga órfãs, foi uma imponente mansão pertencente a uma família de italianos milionários. Que família era? (5) Que igreja da Mooca tem um estilo gótico/Bauhaus? (6) Qual o nome do edifício do Banespa no centro da cidade? Quem ele desbancou? (7) Por que é famoso o Edifício Sampaio Moreira, na Rua Líbero Badaró? (8) Onde há uma livraria e no fundo dela uma peixaria? (9) Em que praça há uma fonte rodeada de lagostas de bronze celebradas por uma música de Adoniran Barbosa. (10) O Bauru original inventado por Casemiro Pinto Neto onde foi criado? (11)

Há, no centro, um relógio com números e ponteiros verdes que é célebre? Onde está? Como se chama o bar em frente dele? Na esquina oposta havia um famoso ponto de encontros, celebrado até em música. Qual era? (12) Quem ainda se lembra da revendedora de carros do Primo Rossi? Alguma vez parou na Rua Florêncio de Abreu para ficar de queixo caído com a fachada da Casa da Bóia? Alguma vez passou pelas Grandes Galerias, pesquisou o que existe na fantástica e concorrida Galeria do Rock?

Perguntas estão respondidas num livrinho de pequeno porte, ilustrado, que entra em circulação na próxima semana, editado pela narrativa-um. Como narrativa e descobertas é o delicioso Dez roteiros históricos a pé em São Paulo, primeiro de uma série de cinco volumes. Confira se você, como eu, adora descobrir os ocultos de São Paulo. Apanhe o livro e saia a pé, para descobrir coisas que nunca pensou existir, para adquirir um conhecimento interno de São Paulo que nunca imaginou.

Para isso, dez pessoas bateram pé pela cidade. Michel Gorski nos conduz pela Avenida São João afora. Fernando Bonassi fala de um território que lhe é familiar, a Mooca. Carlos Lemos nos faz circular pelo centro histórico. Joffrey Lesser desvenda a Liberdade. Atravessamos o bairro do Ipiranga com Claudia Valladão de Matos, enquanto o Bom Retiro (que tem mudado tanto) é revelado por Roney Cytrynowicz. Já Mônica Musatti Cytrynowicz (o que ela será do Roney?) nos entrega de bandeja lagos e rios, do Pinheiros a Guarapiranga. Sim, tem o centro novo com seus segredos, objeto de Paula Ester Janovitch. Silvia Ferreira Santos Wolff sabe tudo do Jardim América, é uma especializada no bairro, nos dá os endereços, numa aula de arquitetura e história. Para finalizar, que tal um roteiro pelos territórios da morte? Ficou a cargo de Renato Cymbalista. Igrejas, cemitérios, criptas. Sabe onde ficava a forca de São Paulo? Sabe onde é a Rua da Boa Morte? E qual é o percurso dos mortos? Este é um aperitivo do cardápio. Raras vezes vi livro semelhante. Detalhado, cheio de dicas, informações surpreendentes, humor. Gente que andou a pé, porque a pé é que se conhece. Com ele na mão, saia com amigos mostrando uma cidade inesperada.

Como não gostar de guias e de roteiros? Eles nos permitem o sonho. 'Não vou, não posso ir, mas leio esses livros como se fossem romances, e deliro, sonho, me instalo nesses lugares.' Assim me lembro de Caio Furtado, uma figura mitológica desta cidade, culto, inteligente, um grã-fino que se autoproclamava decadente. Caio fez colunismo social certa época, de modo que eu o encontrava por toda parte. Gentil, educado, me contava coisas incríveis de Paris. Conhecia tudo, a história, os bairros, as ruas, quem morou onde, que rua se cruzava com qual, as boates, o Moulin Rouge, o Maxim's, falava de Notre-Dame, do Sena e de Napoleão. Eu, jornalista duro (Samuel Wainer nos pagava mal), ficava assombrado. Um dia, perguntei: 'Você deve ter ido a Paris mais de cem vezes, não foi?' Caio sorriu e achei triste aquele sorriso. 'Nunca fui, nunca tive como ir!' E eu: 'Então, como conhece tanto a cidade?' Outro riso. 'Pela melhor maneira de viajar e conhecer sem ir, sem ter dinheiro. Com os guias, os roteiros, os folhetos, os mapas, as fotografias, os postais, os ensaios. Tenho uma prateleira que ocupa uma parede inteira apenas sobre Paris. Posso te levar a qualquer canto, do Chateau de Vincennes a Clignancourt.' Caio morreu e nunca foi à cidade amada.

Respostas

1) Ao América de Pinheiros; 2) O Pinheiros; 3) Homenagem a dona América, mulher de Horacio Sabino, poderoso empreendedor que tinha sua casa em uma chácara onde hoje é o Conjunto Nacional; 4) Na Radial Leste; 5) Do conde Rodolfo Crespi; 6) Igreja de São Rafael; 7) Chama-se Edifício Altino Arantes. O Banespa desbancou o Martinelli; 8) Foi o primeiro arranha-céu da cidade construído em 1924; 9) Na Rua Galvão Bueno, Liberdade; 10) Praça Júlio Mesquita; 11) Ponto Chic, no Largo do Paiçandu; 12) O relógio do antigo Citibank, na frente do Bar Brahma, em oposição ao extinto (falecido) e famoso Jeca, na esquina da São João com a Ipiranga.

CYTRYNOWICZ, Roney. Dez roteiros históricos a pé em São Paulo. São Paulo, Editora Narrativa Um, 2008.

sobre o autor

Ignácio de Loyola Brandão é escritor e cronista. O presente texto foi publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 29 fev. 2008.

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