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architectourism ISSN 1982-9930


abstracts

português
Neste artigo, Lucia Maria Borges de Oliveira relata seu percurso pelo norte do Vietnã (outras partes virão em breve), desvendando uma nova fronteira turística; o Sudeste asiático

english
In this article, Lucia Maria Borges de Oliveira talks about her trip around northern Vietnam (other parts will come soon), unveiling a new tourist border, the South East Asia

español
En este artículo, Lucía María Borges de Oliveira relata su recorrido por el norte de Vietnam (otras partes vendrán en breve), revelando una nueva frontera turística: el sudeste asiático


how to quote

BORGES DE OLIVEIRA, Lucia Maria. Sudeste asiático: um desejo antigo. Arquiteturismo, São Paulo, ano 02, n. 020.06, Vitruvius, out. 2008 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/02.020/1469>.


Acho que a vontade de conhecer, ainda que de raspão, Camboja, Laos e Vietnã, existia desde décadas atrás. Só não tinha muita consciência disso. Na verdade, conhecer é, neste caso, uma palavra pretensiosa. Ir até lá, digamos, estar lá era um desejo antigo e esquecido. Pareciam lugares remotos até a decisão de me incorporar à viagem que iam fazer alguns amigos. Hoje, continuam presentes, e posso dizer que encararia outra vez com o maior prazer tantas horas de vôo e de espera em aeroportos. No Laos e no Camboja, estivemos apenas pontualmente, em Luang Prabang e em Siem Riep/Angkor. No Vietnã, nos demos a oportunidade de percorrer as regiões norte, centro e sul. No norte do Vietnam, Hanói (nossa porta de entrada naquele país, mas não só por isto impressionante), Sapa e a baía de Ha Long. É a esses lugares que quero voltar um pouco neste momento.

A busca por algum hotel barato em Hanói que constasse nos guias de turismo que tínhamos em mãos não deu em nada. Dormimos as primeiras noites num túnel do tempo. Bem localizado, como pudemos ver no dia seguinte. Dans le “Quartier des trente-six guildes”, como querem os franceses, ou “Old Quarter”, como nos guias de língua inglesa.

Ruas animadíssimas, um grande mercado urbano, muita gente circulando, próximo ao Lago Hoan Kiem, que tem um parque maravilhoso ao redor, cheio de namorados e de velhinhos fazendo tai chi, um templo horrível e um ótimo bar para tomar uma cerveja no fim da tarde, próximo ao Jardim Indira Gandhi, fronteira com o antigo bairro chic francês, cheio de monumentos coloniais  (incluindo o hotel onde esteve hospedado Robert Capa antes que uma mina terrestre o explodisse em 1954), e um trânsito enlouquecedor de motos.

Para atravessar as ruas há que ir devagar, bem devagar. Se correr, é atropelamento certo. Aprendemos colando nos vietnamitas, imitando seus passos, seguindo o ritmo, observando como as motos desviavam. Andar rápido só no caso raro de encontrar uma faixa de pedestre, porque o tempo de travessia é curto, e as motos esperam impacientes para o estouro da boiada. Só não tivemos coragem de cruzar a via expressa que poderia nos levar às margens do Rio Vermelho. Aquilo, só nascendo e sendo criado ali.

A reclamação generalizada sobre a lei que o governo central queria ou quer impor sobre as dimensões do corpo das pessoas para o uso de motos é compreensível. É o meio de locomoção mais popular, substituindo a bicicleta, lenta, hoje, em relação ao pique das grandes cidades vietnamitas. E o povo é pequeno, franzino. Os antigos túneis de Cu Chi (em outra região), ou o que restou deles, por exemplo, o atestam. Como o turismo é hoje uma grande fonte de renda do país e os túneis eram estreitos, perfeitos para o seu propósito original durante a guerra com os Estados Unidos, foram refeitos em tamanho maior para que por eles pudessem passar turistas ocidentais.

Voltando a Hanói, fios para todo lado. Energia elétrica toda aérea, e muito, mas muito fio mesmo. Interferindo fortemente na paisagem urbana. Aliás, em tudo. A arquitetura, uma maluquice. Numa parte da cidade, está preservada a arquitetura francesa, com aquele monte de fios ao redor, dando o sabor local. Em outras partes, se pode ver a forte influência chinesa, e há também uma mescla entre uma coisa e outra. Elementos pré-moldados de estilo neoclássico ou o que seja, são utilizados à exaustão nas construções mais recentes e em reformas, o que resulta em imagens inenarráveis.

O famoso Pagode de 1 Pilar nos pareceu um fiasco, mas no mesmo Parque Bach Thao há uma happy hour ótima, muito freqüentada, outro lado da cidade, outro público. E o banheiro feminino é uma atração à parte, meio mictório, tipo banheiro turco com as divisórias só à altura da mulher agachada. Infelizmente não pudemos ver Ho Chi Min. Estava na Rússia fazendo manutenção.

Hanói foi a nossa base na região. Mudamos para um hotel mais confortável, onde deixamos nossa bagagem para as viagens a Sapa e Ha Long. Um caos a estação de trem, mas encontramos nosso vagão e acordamos no início da manhã em Lao Cai para ir a Sapa. Ou melhor, depois de esperar muito em Lao Cai, sob os protestos de todos, mas principalmente de uma jovem francesa, fomos levados à feira de Bac Ha, coloridíssima, e à fronteira com a China, uma bobagem. Depois, finalmente, Sapa. Pacote errado, hotel errado. Dormíamos num hotel, comíamos em outro, e só ao final nos demos conta de que nosso hotel deveria ter sido um terceiro. Mas se a dormida não foi tão boa, a comida foi um espetáculo.

Região de cultivo de arroz, principalmente, e também de chá verde, ambos eram absolutamente deliciosos. Jamais comi arroz branco tão saboroso. O controle para o acesso às montanhas de Sapa, aos pés do Phan Si Pan, ponto mais alto do país, e ao vale Muong Hoa, parece ser rígido. Quem não tem pacote e/ou não tem guia, tem problemas no posto policial que controla a estrada. Quando passávamos por ali, a mesma jovem francesa e seu namorado discutiam com os policiais.

O transporte nos levou até um ponto ainda alto, pouco distante. A partir dali, caminhamos. A visão do vale é de perder o fôlego. Mas a gente precisa dele. Duas minorias étnicas habitam o vale: H’mong, cuja cor de vestimenta é o negro, e Dzai, que usam o vermelho numa espécie de turbante. As mulheres de ambas as etnias já nos esperavam para acompanhar-nos e, claro, tratar de vender seus produtos artesanais. Na descida é quando se pode observar melhor os terraplenos e o sistema de irrigação, genial. Entre os patamares de água e arroz, as casas.

Materiais variados, mas chama a atenção o uso do bambu. Farto pelas florestas naturais, o bambu é usado sem o menor pudor nas estruturas de pontes e casas, nos alpendres, nas cercas, portas, janelas, tudo. Chamo de falta de pudor o uso de pregos, e não só de encaixes e amarras. Com perícia. Além do mais, não é difícil a sua substituição, está ao alcance, sem custos, ainda que a cura exija de dois a três meses de molho em algum rio, conforme determine a família que o colhe e que o usará.

No meio dos arrozais, búfalos, patos e outros bichos. Todos os animais, tudo que se move, se come. Menos os búfalos. São animais de trabalho, de tração. O tamanho dos gafanhotos é incalculável. Fritos, seriam uma iguaria. E por aí vai. Não como, não comi, mas não é difícil de entender.

Algo como uma prefeitura e a escola, além do comércio com os turistas, reúnem os dois povos. Na escola o marcador do tempo –  aula, recreio, saída – é um grande tambor. A bandeira vermelha com a estrela amarela hasteada num bambu altíssimo. Todo um dia de caminhada e a gente nem sentiu. Só depois.

Voltamos a Sapa e voltamos a Hanói. O passo seguinte foi o porto de Ha Long, para embarcarmos num passeio pela louca baía cujas ilhas rochosas foram espalhadas pela fúria de um dragão (No caminho passamos pela ponte que substitui o ferry boat de “O amante”).

Não dá de acreditar na quantidade de barcos no porto. Nenhum privado. Nenhuma lancha, nenhum iate, nenhum barco que não seja destinado ao turismo oficial.

Sair do porto e começar a entrar por entre aquelas rochas impensáveis, as embarcações de todas as cores, as velas no delta do rio Vermelho, singrando o mar cor de esmeralda do golfo de Tonkin, não tem explicação.

Aquela beleza toda não pode ser traduzida em palavras. Nem aquele modo de vida. Acho que mesmo as imagens possíveis não chegam a corresponder à realidade.

Uma noite no barco, uma noite na ilha de Cat Ba. No caminho, grutas, vilarejos, casas isoladas e mercados flutuantes, passeios de caiaque para quem quisesse e pagasse. Já na ilha, uma excursão ao nada num parque nacional, onde encontramos um argentino que nos propôs dançar um samba na subida do morro.

Praia, relax. Peixe mais fresco do mundo. Pedimos num restaurante da orla da pequena cidade de Cat Ba um peixe na brasa, o cara trouxe o peixe vivo e matou e limpou ali do lado da mesa. Quase virei vegetariana no Vietnã.

Voltamos ao porto de Ha Long, serpenteando. Que viagem! E, depois, a Hanói. Podemos dizer que estivemos 3 vezes em Hanói!

E morro de vontade ir novamente. Saber mais sobre esse povo miúdo que ganhou todas as guerras que enfrentou.

sobre o autor

Lucia Maria Borges de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro em 1951. Tem residência fixa em Brasília desde os anos 60. Arquiteta pela UnB, atua na Secretaria de Engenharia do Senado Federal. Morou temporariamente a trabalho e/ou estudo em João Pessoa, Belo Horizonte, Cidade do México, Manágua e Barcelona

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