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architectourism ISSN 1982-9930

Engenho Beija-flor na Serra do Itapeti. Foto Victor Hugo Mori

abstracts

português
Fordlandia, então, é a natureza como aquilo que simplesmente não existe sem a cidade, sem seu destruidor, sem seu oposto

english
Fordland, then, is nature as something that simply does not exist without the city, without its destroyer, without its opposite


how to quote

TEIXEIRA, Carlos M.. Fordlandia. Arquiteturismo, São Paulo, ano 04, n. 044.02, Vitruvius, out. 2010 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/04.044/3600>.


Fordlandia é um conceito elástico, um termo inclusivista onde todo o conflito entre construção e natureza é, ele mesmo (o conflito), um revelador de outras paisagens. Fordlandia é menos a perturbação de uma harmonia existente e mais o lado poético das catástrofes dos empreendedores, das descobertas abortadas, dos fracassos de conquistas da selva. É a revelação de desentendimentos, a denúncia e a exaltação como uma investigação do espaço impreciso entre valores opostos; a arquitetura e a paisagem como um esforço para enxergá-las acima de tudo como opostos oportunos, como arritmias para sempre dissonantes.

Sem denúncias por fazer: a situação atual de Fordlandia não corresponde a leituras do tipo “civilização contra natureza”, que é a mais imediata. Ou seja, Fordlandia é menos uma doença (ilustração das disfunções do tipo automóvel e engarrafamentos, alimentos sintéticos e câncer), e mais uma imagem útil para revelar a natureza de forma eloquente. Se a natureza é “um termo indefinidamente mutável, mudando assim como nossa concepção científica do mundo muda, e melhor vista quando significando um contraste com algo que não é considerado parte da natureza”, então precisamos de algo que possa ser considerado seu oposto para abordá-la. Por isso todo o lado (aparentemente) negativo de qualquer artefato, e por isso o desequilíbrio cidade/selva para enxergarmos a natureza como um conceito longe dos moralismos associado à ela.

Fordlandia, então, é a natureza como aquilo que simplesmente não existe sem a cidade, sem seu destruidor, sem seu oposto. Ou a natureza com seus vazios relutantes, resistências e resignações, atritos entre ocupação e expulsão; algo que sempre está reagindo a provocações externas. Conflitos que geram novas paisagens; a arquitetura sendo um agente provocador de novas e maravilhosas paisagens conflituosas por excelência. Exemplo de destruição e construção, nunca a simples conservação: é provável que os melhores futuros das cidades residam justamente na problematização do diálogo entre cidade e natureza – e não na mera naturalização da natureza.

sobre o autor

Carlos M Teixeira é arquiteto pela EA-UFMG e mestre em urbanismo pela Architectural Association. Publicou os livros “História do vazio em BH” (CosacNaify), “Espaços colaterais (cidades criativas)”, “O condomínio absoluto” (C/Arte), e é sócio do escritório Vazio S/A.

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