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architectourism ISSN 1982-9930

Vista panorâmica de Miami, Flórida, Estados Unidos. Foto Victor Hugo Mori

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Mais que uma conferência de CAD européia, este ano o evento foi uma demonstração da liderança da ETH-Zurich no cenário internacional da pesquisa em planejamento urbano...


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CELANI, Gabriela. eCAADe 2010 – Future Cities. Uma viagem de pesquisa a Zurique. Arquiteturismo, São Paulo, ano 04, n. 045.01, Vitruvius, nov. 2010 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/04.045/3657>.


O tema da 28ª conferência Education and Research in Computer-aided Architectural Design in Europe (eCAADe), realizada de 15 a 17 de setembro de 2010 em Zurique, foram as Cidades do Futuro. Este ano o evento foi hospedado pela prestigiosa ETH-Zurich – a Universidade Técnica de Zurique, mais especificamente no Information Science Laboratory (HIT), um edifício inaugurado em 2008, projetado pelos arquitetos austríacos Baumschlager & Eberle, que abriga uma série de grupos de pesquisa multidisciplinares ligados ao uso das tecnologias da informação, incluindo o Future Cities Laboratory. O edifício encontra-se na Cidade da Ciência, instalada no campus ETH-Hönggerberg.

Banner do congresso na entrada do HIT
Foto Gabriela Celani

Segundo seus organizadores, o objetivo da eCAADe deste ano foi discutir o estado da arte das ferramentas, métodos e teorias que darão suporte ao processo de projeto das cidades do futuro. O tema do congresso está diretamente relacionado às atividades atuais de seu organizador, o Prof. Gerhard Schmitt, que coordena a criação do maior centro de pesquisas sobre as cidades do futuro em atividade neste momento, em parceria com o governo de Singapura.

Head apresenta uma comparação entre o espaço necessário para acomodar o transporte público e o individual em uma cidade
Foto Gabriela Celani


Os palestrantes principais do eCAADe deste ano foram Dietmar Eberle, arquiteto, sócio da Baumschlager & Eberle e professor do Departamento de Arquitetura da ETH-Zurich, Peter Head, engenheiro, Chairman of Global Planning da empresa inglesa Arup, e Chye Kiang Heng, diretor da School of Design and Environment da National University de Singapura. Com um tom bastante otimista, ao contrário do que se costuma ver nas conferências que abordam esta temática, as palestras tiveram como foco a sustentabilidade em diferentes escalas e níveis de abstração, indo respectivamente do edifício à cidade e de casos concretos, já realizados, aos métodos de pesquisa que embasarão o projeto das cidades do futuro. Pode-se dizer que os suíços estão muito confiantes quanto à sua capacidade de lidar com os reveses das mudanças climáticas e com os problemas urbanísticos já instaurados, e que já começaram a desenvolver as ferramentas adequadas para lidar com a situação. Trata-se de uma nova commodity: a exportação do conhecimento aliado à alta tecnologia, já disponível para comercialização em forma de consultoria e de soluções turn-key, e que terá Singapura como primeira grande cliente.

A palestra de Eberle, no Siemens Auditorium, um espaço flexível, projetado por seu escritório de arquitetura
Foto Gabriela Celani


Eberle falou sobre a necessidade de projetarmos edifícios pensando não apenas nos próximos vinte ou trinta anos, mas nos próximos cem anos. Para isso, é preciso imaginar a possibilidade de mudanças no programa arquitetônico, nas atividades desenvolvidas, no abastecimento de energia, e nos padrões de uso do espaço de uma maneira geral. Usando como exemplo o edifício em que a conferência foi realizada, projetado por seu escritório, o arquiteto apresentou alguns detalhes quase imperceptíveis que resultaram em grande economia de energia. Apesar do aspecto quase modernista do exterior, as varandas que contornam todos os pavimentos possuem larguras variáveis, calculadas de modo que o sol não incida diretamente em nenhum ambiente, e o edifício possui sensores que controlam a ventilação natural.

O arquiteto falou também sobre a importância de ampliarmos a tolerância de nossa zona de conforto, que na Suíça costuma se situar entre os 22 e os 26ºC (portanto bem mais estreita que a utilizada no Brasil), de modo a economizar energia com calefação e refrigeração. Dentre os mecanismos citados por ele para aumentar a eficiência energética dos edifícios há alguns muito simples (e talvez até óbvios, mas nem sempre seguidos), como utilizar esquadrias herméticas, mas que podem ser abertas pelos usuários, evitar o uso indiscriminado do vidro, criar sistemas que bloqueiam automaticamente a calefação ou a refrigeração quando as janelas estão abertas, sombrear e isolar as fachadas, e utilizar forros sempre que possível, evitando a necessidade de aquecer ou refrigerar áreas desnecessariamente.

No segundo dia da conferência, Peter Head, diretor da área de Planning and Integrated Urbanism da Arup (a qual inclui Development Planning, Economics & Policy, Integrated Urbanism, Transport and Environmental Consulting e Sustainable Development) apresentou um cenário mais amplo. Head falou sobre a necessidade de os países menos desenvolvidos passarem diretamente da fase agrícola para a fase ecológica, sem passar pela fase industrial, que teve efeitos devastadores nos países mais desenvolvidos. Os países já industrializados, por outro lado, precisam passar rapidamente para a fase ecológica por meio do retro-fitting de seus edifícios e cidades. Os projetos de retro-fitting urbana da Arup tomam como ponto de partida dados coletados por meio da aplicação de questionários em diferentes cidades para conhecer os padrões de uso dos espaços públicos e os motivos que levam a população a usar diferentes meios de transporte. Head mostrou, inclusive, um exemplo de estudo piloto realizado no Rio de Janeiro. O engenheiro apresentou um gráfico que relaciona a densidade urbana ao consumo de energia com transporte, evidenciando que a partir dos 75 habitantes por hectare é possível atingir um bom equilíbrio.

O diretor da Arup mostrou ainda dados alarmantes sobre a decrescente produção per capita de alimentos no mundo e falou sobre algumas das ações fundamentais para adaptar as grandes cidades às novas demandas: uso misto do solo, transporte público, uso de materiais locais ao invés de concreto e aço, produção de alimentos no espaço urbano, integração das áreas rurais e urbanas, produção de energia a partir do lixo, e, sobretudo, uso intenso das tecnologias da informação para otimizar o uso dos recursos disponíveis. Por meio de animações mostrando simulações em computação gráfica, Head ilustrou esses conceitos. Como sugestão de retro-fitting dos bairros de subúrbio americanos, por exemplo, em que há baixíssima densidade e uso exclusivamente residencial, além de uma dependência absoluta do automóvel, foram apresentadas imagens em que linhas de transporte coletivo eram instaladas, as calçadas eram alargadas, as garagens das casas transformavam-se estabelecimentos comerciais, e os grandes jardins eram substituídos por plantações. Head terminou sua apresentação dizendo que “a city is more than a place in space – it is a drama in time”, enfatizando a necessidade de adaptação das cidades à nova realidade.

O professor Heng mostra alguns dos projetos que já estão sendo elaborados para garantir o crescimento sustentável de Singapura
Foto Gabriela Celani


A apresentação do Professor Chye Kiang Heng enfatizou a metodologia de pesquisa que está sendo utilizada no Center for Sustainable Asian Cities (CSAC) em Singapura, que tem como objetivo desenvolver o conhecimento que irá subsidiar o crescimento sustentável das cidades asiáticas. A metodologia do CSAC baseia-se no estudo de casos das principais grandes cidades do mundo, como Nova Iorque, Londres, Berlin, Shangai, Johannesburg, Cidade do México, Mumbai e Delhi. Além disso, está sendo estudada e recente urbanização acelerada de determinadas regiões da China, como o delta do rio Pérola, em Shenzhen. Os casos analisados darão subsídios para a definição das conseqüências ambientais e sociais de diferentes padrões de densidade urbana, para a compreensão do micro-clima das cidades, para a modelagem de sistemas de transporte urbanos, e para o entendimento sobre como os espaços urbanos são utilizados pela população nas áreas mais adensadas.

Heng apresentou uma série de ferramentas computacionais de armazenamento de informações e simulação que estão sendo utilizadas pela equipe de pesquisa em Singapura, incluindo programas que analisa o desempenho térmico dos edifícios e software de computer fluid dynamics (CFD) que analisar a ventilação e dispersão de poluentes. Foram apresentadas também novas ferramentas desenvolvidas pela equipe, como um sistema de banco de dados em que diferentes soluções urbanas estão sendo catalogadas, juntamente com suas análises ambientais, para servirem como repositório de soluções na fase de projeto, um programa que prevê o impacto do uso da vegetação nas temperaturas do micro-clima urbano, e um algoritmo genético que combina diferentes tipologias construtivas para tentar descobrir como utilizar maiores densidades sem prejuízos ambientais. O objetivo final do CSAC é desenvolver soluções sustentáveis para áreas de grande densidade urbana, não apenas para tornar viável o futuro da pequena ilha de Singapura, mas também com o objetivo de exportar esse conhecimento aos seus vizinhos asiáticos. Heng encerrou sua apresentação enfatizando a necessidade de organização de equipes multidisciplinares para um planejamento eficiente das cidades do futuro.

Os temas de todas estas apresentações podem parecer repetitivos e pouco originais nestes tempos em que não se fala de outra coisa a não ser de sustentabilidade. Mas o que me chamou a atenção neste congresso foi o grande investimento que está havendo nos países mais desenvolvidos no sentido de preparar um lastro científico para fundamentar os futuros passos do planejamento urbano. Trata-se de uma união de esforços entre o governo, as universidades e as empresas, com um objetivo comum. Está claro, desde já, que planejamento urbano não se faz mais apenas com boas idéias e um belo traçado. É preciso muita pesquisa e o envolvimento de toda a sociedade.

As sessões de apresentação de artigos do congresso incluiu temas tradicionais do eCAADe, como gramática da forma, modelagem paramétrica, programação de CAD e fabricação digital, mas este ano diversos autores apresentaram também bons exemplos de projeto baseado em performance, com a utilização de pacotes comerciais isoladamente ou com sua integração através do uso de linguagens de programação. Um dos patrocinadores do congresso organizou uma mesa redonda sobre as novas tendências no ensino do CAD, para a qual fui convidada. Nessa discussão, chegamos a nos perguntar se os sistemas CAAD já não teriam atingido um nível de importância na educação do arquiteto tão alto que já não faria mais sentido falar em um currículo de CAAD (e nem sequer em um congresso de educação em CAAD).

Parede construída pelo robô do DFab, semelhante à que foi exposta na Bienal de Veneza de 2008
Foto Gabriela Celani


Aproveitei a visita à ETH para conhecer outro laboratório interessantíssimo, o DFab, que desenvolve pesquisas sobre fabricação digital, mais especificamente sobre o uso de robôs na construção, permitindo a materialização de formas algorítmicas, definidas por funções matemáticas. O DFab é coordenado pelos Professores Gramazio e Kohler, ex-orientandos do Professor Schmitt. Fui recebida pelo arquiteto Silvan Oesterle, que trabalha na equipe, e que me apresentou ao simpático robô e me mostrou diversos protótipos construídos por ele, a partir de códigos programados por alunos da Faculdade de Arquitetura e pelos demais pesquisadores do grupo.

Dfab: O robô em seu ambiente de trabalho
Foto Gabriela Celani

O robô pode ser programado para assentar tijolos, colar ripas de madeira, cortar isopor, furar chapas de compensado, etc. Para isso, a equipe desenvolve diferentes ferramentas que são acopladas à sua “mão”. Um dos trabalhos mais divulgados da equipe foi uma instalação de paredes curvas produzidas pelo robô na Bienal de Veneza de 2008, intitulada Structural Oscillations. Parte do financiamento do DFab vem de empresas de materiais de construção tradicionais, como tijolo e pedras, que desejam agregar valor a seus produtos desenvolvendo novas maneiras de empregá-los.

Duas colunas de tijolos construídas pelo robô do Dfab e expostas no campus da ETH. Da esquerda para a direita, Silvan Oesterle (ETH), Gabriela Celani (Unicamp) e José Beirão (TUDelft/UTL)
Foto Maja Zeller

Para encerrar, com chave de ouro, a visita a Zurique, visitei o pavilhão projetado por Le Corbusier para abrigar a coleção de suas obras de arte (o Heidi Weber Museum, que infelizmente se encontra fechado por um período indeterminado), e duas exposições temporárias relacionadas ao modernismo: uma exposição de fotos de René Burri no Bellerive Museum, e uma de Charlotte Perriand, no Museum für Gestaltung.

O Heidi Weber Museum de Zurique, projetado por Le Corbusier e inaugurado em 1967, logo após sua morte
Foto Gabriela Celani

A primeira apresenta fotografias de Le Corbusier trabalhando em seus ateliers da Rue Nungesser-et-Coli e da Rue Sèvres, em Paris, reunindo-se com os monges dominicanos que lhe encomendaram o projeto de La Tourette, cenas do dia a dia da vida na Unité d’Habitation de Marseille, e o processo de construção e a inauguração da capela de Ronchamp. Um dos painéis explicativos da exposição diz o seguinte:

Le Corbusier, Sainte Marie de la Tourette, 1959 Fonte: Museum für Gestaltung Zürich, Grafiksammlung / Jacqueline Greenspan
René Burri / Magnum Photos

“As fotos de Burri não mostram apenas a qualidade espartana do ambiente de trabalho de Le corbusier, o que contribuía para sua concentração, mas também o grande caos cotidiano do atelier. As fotografias provam que, mesmo para um gênio como Le Corbusier, o projeto não parecia fluir de maneira tão fácil” (1).

Inauguração da Capela Notre-Dame-du-Haut, Ronchamp, 1955 Fonte: Museum für Gestaltung Zürich, Grafiksammlung / Jacqueline Greenspan
René Burri / Magnum Photos


A exposição Charlotte Perriand – Designer, photographer, activist, apresenta uma síntese da obra da designer francesa que foi companheira de Pierre Jeanneret, sócio de Le Corbusier, e que colaborou em diversos projetos dos famosos arquitetos. A exposição inclui fotografias, fotomontagens, mobiliário, projetos arquitetônicos e outras manifestações artísticas de Perriand. Uma das peças mais interessantes da exposição é a maquete da enorme fotomontagem para o Pavillon de l’Agriculture, desenvolvida em colaboração com Fernand Léger e instalada ao ar livre na exposição de Paris de 1937. Mais informações e imagens sobre a exposição podem ser vistas na Dezeen.

A parada final em Zurique foi a estação Stadelhofen, projetada por Santiago Calatrava e inaugurada em 1984. A estação fica entre uma antiga estação existente e um grande muro de arrimo. A visita ao local revela a habilidade do arquiteto em transformar o grande desnível em um espaço público hierarquizado: uma pequena praça tranqüila na parte superior, uma agradável promenade coberta por uma pérgula com trepadeiras e com uma vistas para a cidade na parte intermediária, a eficiente estação de trem no nível da rua, e uma conveniente área de serviços no subsolo. Os acessos ao pavimento inferior possuem sistemas de fechamento que, quando abertos, funcionam como elegantes canopis (se não fosse pelos cilindros hidráulicos aparentes seria impossível perceber que se trata de fechamentos). O projeto tem alguns momentos de simetria, característicos da obra de Calatrava, mas o fato da estação ser um anexo a um edifício existente faz com que o arquiteto abra mão de suas obsessões para adaptar-se ao contexto. Como resultado, a estação tem uma escala agradabilíssima e integra-se ao tecido urbano de maneira fluida, sem interromper sua continuidade.

Science City

Diagrama mostrando a relação entre os diversos campi, laboratórios e centros de pesquisa descritos a seguir
Foto Gabriela Celani

A Cidade da Ciência é um campus high-tech que tem como objetivo promover a integração entre a ciência, a indústria e a comunidade, sendo ao mesmo tempo um modelo de espaço sustentável e de universidade do futuro. Trata-se de um local ideal para o surgimento de novas idéias e conceitos, que inclui não apenas laboratórios avançados, mas também áreas de convivência, esportes, habitação, e até mesmo restaurantes e bares que garantem momentos de total descontração. O campus foi idealizado pelo Professor Gerhard Schmitt, e começou a ser criado em 2003. Schmitt recebeu, por sua iniciativa, o prêmio European Cultural Award for Science (2) de 2010, concedido pela European Foundation for Culture Pro Europa.

Science City: Vista do edifício HIL, que abriga o Institute for Technology in Architecture (ITA) e a Faculdade de Arquitetura, através do pilotis do edifício HCI, onde se encontra o FIRST Center for Micro- and Nanoscience
Foto Gabriela Celani


Branco Weiss Information Science Laboratory

O Laboratório de Ciências da Informação da ETH, ou simplesmente HIT, como costuma ser chamado, começou a ser planejado em 2004 e foi inaugurado em 2008. O edifício, com 11.600m2, custou, ao câmbio de hoje, o equivalente a 110 milhões de Reais (aproximadamente R$9.500,00/m2), mas 40% desse custo foi proveniente de fontes externas à universidade. O centro tem capacidade para acomodar 700 estações de trabalho, e incorpora os mais avançados conceitos de uso de energia, operabilidade e sustentabilidade.

HIT: O átrio central, um espaço de convivência com uso especializado em cada nível. No terceiro andar, por exemplo, há uma pequena copa e espaço para a realização de coffee-breaks
Foto Gabriela Celani

Segundo a ETH, o HIT é o local “onde o conhecimento high-tech para o futuro será desenvolvido e testado”, refletindo “o mais avançado conhecimento técnico e arquitetônico”, e sendo “um dos únicos edifícios desse tipo existentes na Europa” (3).

O Value Lab em uso
Foto divulgação [ETH Life http://www.ethlife.ethz.ch/archive_articles/081021_HIT/HIT_mehr3?hires]

O edifício abriga diversos grupos de pesquisa, incluindo equipes dos institutos de Física Teórica, Astronomia, Biologia e da Escola de Arquitetura. Alguns dos espaços são de uso comum a todos esses grupos, como o Siemens Auditorium, um espaço flexível, com divisórias móveis, que se converte em espaço de convivência quando não está sendo utilizado, e o Value Lab, um ambiente para o desenvolvimento de projetos colaborativos a distância.

O Professor Gerhard Schmitt na inauguração do Value Lab
Foto divulgação [ETH Bibliothek http://cc.e-pics.ethz.ch/]


Value Lab

O Value Lab, descrito por seus criadores como como o “espaço de trabalho do futuro”, possui uma parede inteira coberta por touch screens, além de uma enorme mesa também sensível ao toque, em que é possível manipular imagens. Nas demais paredes podem ser projetadas imagens dos colaboradores remotos. De acordo com o Professor Gerhard Schmitt, um dos idealizadores do laboratório, “isto é apenas o começo” (4).

Singapore ETH Centre

O Singapore ETH Centre (SEC) é uma espécie de filial da ETH em Singapura, que conta com o apoio e financiamento do governo local, através da National Research Foundation (NRF). O contrato para a criação do SEC foi firmado em março de 2010 entre o presidente da ETH-Zurich e o secretário do primeiro ministro de Singapura (5). O centro tem como primeiro diretor o Professor Gerhard Schmitt, que já foi diretor da Escola de Arquitetura, Vice-presidente de Planejamento e Logística, e Diretor de Relações Internacionais da ETH.

Future Cities Laboratory

O Future Cities Laboratory, que começou a funcionar no início deste mês (setembro de 2010), objetiva desenvolver pesquisas interdisciplinares sobre tecnologias que permitam que as cidades do futuro sejam sustentáveis dos pontos de vista ambiental e econômico, tendo em mente o fato de que neste século mais da metade da população mundial passou a viver nas cidades. O laboratório se divide entre os campi da ETH da Suíça e de Singapura (Singapore ETH Centre), mas possui toda a infra-estrutura necessária para garantir o trabalho conjunto das equipes situadas nos dois países. Os trabalhos são desenvolvidos em estreita colaboração com pesquisadores da National University of Singapore e da Nanyang Technological University de Singapura.

A partir de 2011, o projeto contará também com a participação do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que, assim como a ETH, instalará uma equipe local em Singapura (o Singapore-MIT Alliance for Research and Technology – SMART Centre), em um novo campus de 60.000m2 – CREATE Campus (6) – que está sendo criado pelo governo local especialmente para abrigar grupos de pesquisas de diversas universidades e empresas estrangeiras.

notas

1
Fonte: Folder da exposição René Burri – vintage – Le corbusier, do Bellerive Museum.
2
Fonte: http://www.ethz.ch/media/detail_EN?pr_id=981, acesso em 20 de setembro de 2010.
3
Fonte: ETH-Zurich http://www.ethz.ch/media/pressreleases/2008/detail_EN?pr_id=840, acesso em 20 de setembro de 2010.
4
Fonte: ETH-Zurich http://www.ethlife.ethz.ch/archive_articles/081021_HIT/index_EN acesso em 20 de setembro de 2010.
5
Fonte: ETH-Zurich http://www.ethlife.ethz.ch/archive_articles/100319_Future_cities_singapur_mm/index_EN, acesso em 20 de setembro de 2010.
6
Ver http://www.nrf.gov.sg/nrf/otherProgrammes.aspx?id=188

sobre a autora

Gabriela Celani é arquiteta e mestre pela FAU-USP, e PhD pelo MIT, onde foi orientanda e assistente de pesquisas de William Mitchell e de Terry Knight. Desde 2004 trabalha na Unicamp, onde criou o Laboratório de Automação e Prototipagem para Arquitetura e Construção (LAPAC) e o grupo de pesquisas Teorias e Tecnologias Contemporâneas Aplicadas ao Projeto. É membro do conselho editorial da revista International Journal of Design Computing (IJAC) e dos conselhos científicos do Design Computing and Cognition (DCC), do SIGRADI e do ECAADE. Foi uma das criadoras da revista Pesquisa em Arquitetura e Construção, PARC, e do Escritório Modelo de Arquitetura (EMOD) da FEC-UNICAMP. É autora do livro CAD Criativo (Elsevier, 2003) e da tradução do livro A Lógica da Arquitetura, de William Mitchell (Editora da Unicamp, 2009).

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