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architectourism ISSN 1982-9930

Bienal de Veneza. Foto Helena Guerra

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Três novos projetos são as novas portas de entrada para os turistas que querem conhecer Viena.


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CAMPOS, Márcio Correia. Novas portas de Viena. Arquiteturismo, São Paulo, ano 07, n. 077.02, Vitruvius, jul. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/07.077/4791>.


Viena tem novas portas: o turista chega à capital da Áustria agora através de novos edifícios, caso ele não venha de automóvel. Importantes mudanças na malha ferroviária e na logística aeroportuária na Europa Central foram o mote para obras de ampliação e novas construções para o transporte de massa no país.

A maior das intervenções está em pleno andamento: no local da antiga Estação de Trens do Sul (Südbahnhof) está sendo construída a nova Estação Central de Viena (Wiener Hauptbahnhof), projeto gigantesco elaborado em parceria pelos escritórios Hotz, Hoffmann e Wimmer e que deve ter suas obras concluídas em 2015. No lugar de onde antes partiam trens para o Sul e para o Leste, em dois grupos de plataformas situadas em níveis distintos e, por isso, diretamente incomunicáveis, a nova estação já funciona parcialmente desde dezembro último, para onde se dirigirão no futuro todos os trens internacionais de alta velocidade com destino à cidade.

Nova Estação Central de Viena (Wiener Hauptbahnhof)
Foto Márcio C. Campos

Além da nova estação, cuja forma assume o arco que passa a unir os trilhos para o Sul e para o Leste, coberta por uma impressionante estrutura modular de base geométrica triangular, a área está sendo remodelada para dar lugar a centenas de novos apartamentos e um grande complexo de escritórios, criando ao redor da Estação Central uma nova centralidade na região. Para chegar ao centro da cidade e aos outros bairros, já está pronta a conexão imediata com a rede de metrô e com os três de subúrbio no subsolo, com estações renovadas. Mas, por enquanto, apenas as pessoas que cheguem a Viena com os trens regionais vindo da Eslováquia tem a Nova Estação Central como porta para a cidade. Destaque: pra observar a obra, foi criada uma plataforma de observação, o Bahnorama, que ao mesmo tempo é a obra de maior altura executada em madeira na Europa e que abriga no térreo uma exposição sobre o conjunto das obras em andamento.

Nova Estação Central de Viena (Wiener Hauptbahnhof)
Foto Márcio C. Campos

Para que os trens vindo do Oeste cheguem à Estação Central de Viena, foi realizado um grande túnel para estabelecer uma conexão subterrânea destas linhas com a nova estação. Por enquanto, eles continuam chegando à Estação do Oeste (Westbahnhof), um edifício dos anos 50, tombado pelo Patrimônio Histórico, cuja ampliação – que abriga um hotel, escritórios e dois andares subterrâneos de shopping center e estabelece uma conexão contínua com as estações de metrô – foi concluída há pouco mais de um ano após 4 anos de obras.

Estação do Oeste (Westbahnhof)
Foto Márcio C. Campos

Em um difícil concurso, marcado pelos limites impostos pelo Patrimônio e pela pré-existência do metrô, o projeto vencedor, de autoria de Neumann & Steiner desenvolve o longo eixo de lojas como ligação transversal entre os dois lados da estação original, que recebem distintas soluções volumétricas. Além da bem resolvida fluidez entre os distintos meios de transporte, destaca-se no projeto a solução do volume A, espetacular na forma, com um “cotovelo” suspenso no ar, articulado a uma base de lateral inclinada.

Tal solução volumétrica, que acaba por estender a fachada ao máximo em direção ao sul, traz a o volume A da ampliação para o ângulo de visão do eixo da principal rua de comércio da cidade, fazendo com que o letreiro instalado sobre o prédio, com o nome da estação, seja visto de uma grande distância por uma quantidade considerável de pessoas. Assim, o edifício comporta-se como porta também para quem deixa a cidade.

Wien Mitte The Mall
Foto Márcio C. Campos

Por fim, a terceira porta, recentemente inaugurada, o Wien Mitte The Mall, corresponde à chegada ao centro de Viena para os passageiros que se utilizam de transporte aéreo. Talvez este edifício, vizinho do Parque da Cidade (Stadtpark), na Ringstrasse, ou seja, muito próximo à Catedral de Santo Estevão, funcione como uma compensação arquitetônica à desastrosa ampliação do terminal de passageiros do aeroporto internacional da capital austríaca, unânime no recebimento de duras críticas. O edifício linear do terminal, com 450 metros de comprimento, dividido em estreitos corredores, acumula tantos problemas de uso (além de um escândalo relativo ao estouro do orçamento de obra), que torna menor qualquer elogio à sua bela fachada.

Entretanto, os passageiros que se dirigem ao centro da cidade do aeroporto usando o trem, desembarcam em um complexo formado de estações de trens e metrô, um shopping center com 30 mil m² e um edifício de escritórios, que ocupa todo um quarteirão e que forma com os prédios vizinhos, onde estão abrigados um hotel 5 estrelas e um complexo de cinemas, um verdadeiro nó urbano às margens do centro histórico da cidade.

Wien Mitte The Mall
Foto Márcio C. Campos

Após mais de vinte anos de discussões sobre como ocupar a área, incluindo vários estudos, uma polêmica com a Unesco e ao menos dois concursos de ideias, o consórcio formado pelos escritórios Ortner & Ortner, Neumann&Steiner e Lintl & Lintl foi encarregado com o projeto executivo, e finalmente em 2007 foi dado início à construção. O térreo do edifício reúne todos os acessos às linhas de trem e metrô, a maioria no trecho coberto dos pilotis, enquanto o acesso ao trem exclusivo ao aeroporto encontra-se no fundo do edifício, em seu interior, o que faz com que o recém-chegado à cidade atravesse todo este nível do shopping.

Organizado através de um único corredor para o qual se abrem lojas de grande porte, o edifício tem como grande destaque o seu hall, ao redor do qual estão dispostos os restaurantes em dois níveis, além de um supermercado. Atravessado por um vazio que rompe os três pisos e cobertura através de elipses distintas e excêntricas, a generosidade do hall garante uma escala apropriada de transição entre o exterior e o interior, aliado ao uso de grandes claraboias, que garantem em toda a área de circulação uma generosa iluminação natural.

Wien Mitte The Mall
Foto Márcio C. Campos

No eixo desta área de circulação, que atravessa em uma curva contínua de um lado a outro os andares destinados a lojas e restaurantes, encontram-se as escadas, situadas em aberturas mais uma vez de forma elipsoidal, gerando uma sequência espacial de conexão vertical muito bem encenada. O forro da área comum, composto por elementos cilíndricos vazados agrupados em módulos, é substituído por soluções individualizadas na área dos restaurantes, que por sua vez forma um espaço contínuo, sem separações por paredes.

No conjunto, os novos edifícios atuam como portas mais articuladas, fluidas, anunciando desde a chegada o quanto uma cidade como Viena está desenhada a favor dos seus usuários. Em termos arquitetônicos, um bem-vindo atualizado. Depois deles, a cidade.

Wien Mitte The Mall
Foto Márcio C. Campos

sobre o autor

Márcio Correia Campos, fã de Will Self, Haneke e Sou Fujimoto, é mestre em arquitetura pela TU-Vienna e professor na UFBA, e trabalha sobre arquitetura do século 20 e contemporânea.

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