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architectourism ISSN 1982-9930

Villa Savoye, Poissy, 1928, arquiteto Le Corbusier. Foto Victor Hugo Mori

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CHIODETTO, Eder; PIRELLI, Giovanni. [re]forma. A arte pública de Marcelo di Benedetto. Arquiteturismo, São Paulo, ano 10, n. 111.05, Vitruvius, jun. 2016 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/10.111/6064>.


Os afetos, inevitavelmente, geram desejos de imortalidade. Vinícius de Moraes, o poetinha, no entanto, nos adverte sobre o amor, em seu Soneto de Fidelidade:

Que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure.

[re]forma, primeira individual de Marcelo di Benedetto, surge justamente a partir de uma reflexão sobre afeto e duração. Logo, assentam-se nas camadas de cimento, que se agarram ao suporte de madeira por meio de tramas de ferro, questões existenciais que perpassam os temores e a poética que embalam as espirais dos nossos ciclos de vida.

Inventada há quase 180 anos, a fotografia rapidamente veio suprir a lacuna, existente até então, de nos vermos representados na nossa história pessoal. Os álbuns de família se tornaram a forma mais imediata de legitimar a nossa existência constelada com gerações de familiares, amigos e lugares ícones que marcam nossa trajetória. Se a passagem do tempo é implacável, ao menos temos nas fotografias uma forma de tornar mais perene a nossa coleção de afetos.

Mas essa noção de perenidade que a fotografia nos dá não seria apenas mais uma ilusão de eternidade? É comum vermos em mercados de pulgas álbuns de família inteiros a venda. Em algum momento, para alguma geração, as fotografias de seus antepassados perdem seu lastro simbólico, deixam de fazer sentido. Assim como nós, as fotografias também passam. Seja pela soma dos tempos, seja porque também é composta por matéria orgânica que tende a se degradar em algum momento.

Consciente desse processo, Marcelo busca de alguma forma ludibriar, poeticamente, o fluxo inexorável do tempo. A partir de fotografias de família, várias delas de sua infância, o artista cria um sistema que, por meio da transmutação da matéria, visa perpetuar suas memórias afetivas.

Porém, ao agenciar entre a fotografia e o cimento possibilidades poéticas que vislumbrem o eterno - mesmo sabendo-o impossível - Marcelo não se limita a fazê-lo com o intuito de preservar apenas as suas próprias lembranças.

A transferência da fotografia para as placas de concreto ocorrem por meio do desenho formado pelo contorno das pessoas e da paisagem contidas na imagem. A moldagem concretada surge, então, sem as características pessoais dos personagens e seus cenários. Logo, a coleção de afetos que a obra de Marcelo intenciona preservar para além dos registros fotográficos, é coletiva, universal. Essas placas de cimento guardam, em sua estrutura brutalista, a delicadeza das relações que transcendem o tempo lógico com que tolamente tentamos desvendar os mistérios da existência.

[Eder Chiodetto]


Marcelo di Benedetto trabalhando, vídeo Irmãos Guerra

Marcelo di Benedetto é homem com fortes raízes fincadas em Maringá, Estado do Paraná, onde estudou arquitetura e mora sua família. Mas sua energia vital, incontrolável e transbordante, o levou – quase como um personagem de Mark Twain – para a cidade grande, onde fez artes plásticas. E na cidade Marcelo brincou. Seus trabalhos resultam da fusão entre as duas almas conflitantes, que se revela na escolha dos materiais, do concreto usado por seu pai construtor aos restos de objetos abandonados na rua, pedaços de memória da cidade jogados nas calçadas, nas caçambas. O concreto, vestígio de seu passado, é usado para conferir nova vida ás peças recolhidas pelas ruas de São Paulo. Assim, os encostos de cadeira, que eram lixo para alguém, se transformam em uma namoradeira e ganham nova vida.

Nos trabalhos figurativos, o elo com a infância distante e saudosa é evidente na escolha dos sujeitos das fotografias, que retratam cenas da vida cotidiana de sua família maringaense. No momento em que o artista transfere a imagem imortalizada da fotografia para o suporte de concreto e os traços fisionômicos que definiam a identidade das pessoas desaparece, seu álbum de família torna-se universal, um álbum de família de todos nós.

Em ocasião de sua primeira individual, junto com o corpo de obras apresentado dentro da Galeria, Marcelo começou um trabalho de intervenções públicas, onde as imagens de sua família preenchem buracos e ruínas pelas ruas da Cidade. Seguindo o mesmo intuito que leva à concepção de seu mobiliário, o artista desfruta de seu passado para conferir novo significado ao presente, se apropria do abandonado e do bruto para resgatá-lo.

[Giovanni Pirelli]

Exposição [re]forma, de Marcelo Di Benedetto
Foto divulgação

nota

NE – Texto curatorial da exposição [re]forma, primeira individual de Marcelo Di Benedetto, Galeria Nicoli, Rua Peixoto Gomide 1736, São Paulo, de 08 jun. 2016 a 22 jul. 2016.

A produção das intervenções pode ser acompanhada no site galerianicoli.tumblr.com.

sobre os autores

Eder Chiodetto e Giovanni Pirelli são curadores da exposição [re]forma, com registros de obras públicas dadas por Marcelo di Benedetto à cidade de São Paulo.

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