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architectourism ISSN 1982-9930

Praça e Basílica de San Pietro, Vaticano. Foto Victor Hugo Mori

abstracts

português
A autora faz uma breve incursão no tema da inserção de novos elementos em contextos antigos. Exemplificando-a com resultados positivos dessa prática, conclui pelos préstimos desse exercício, tão necessário à conservação de bens e sítios históricos.

english
The author does an incursion on the theme of the insertion of new elements in ancient contexts. She exemplifies with good examples of this practice, and concludes stressing the benefits of this exercise to the preservation of the old buildings and histori


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LORDELLO, Eliane. Novos elementos em bens e sítios históricos. Breves reflexões a partir de viagens. Arquiteturismo, São Paulo, ano 11, n. 130.03, Vitruvius, jan. 2018 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/11.130/6842>.


Neste texto fazemos uma breve entrada no tema da inserção de elementos novos em contextos antigos, e as exemplificamos com resultados positivos dessa prática, tão necessária à conservação de bens e sítios históricos. Despretensiosamente, exemplificamos com fotografias de viagens, em que observamos bons exemplos dessa prática.

A iniciativa de inserção do novo em contextos mais antigos, eventualmente tombados, em quaisquer níveis (municipal, estadual, nacional), ou classificados como patrimônio mundial, foi analisada na bibliografia especializada e tem permanecido em debate ao longo da história da arquitetura, casos de Francisco De Gracia e Gordon Cullen (1). Em comum, estes autores têm a preocupação com as preexistências da paisagem construída e do tecido urbano. Suas metodologias são pontuadas por diversas hipóteses de inserção de novas construções em contextos antigos e/ou em conjuntos de interesse de preservação. Porém, enquanto De Gracia pontua hipóteses, Cullen oferece metodologia (2), lançando mão de métodos de apreensão do contexto, sendo o da Visão Serial o mais conhecido. Ambos os autores pautam diversos estudos, por parte de diferentes academias, no que diz respeito ao que é caro ao tema que ora analisamos: construir respeitando a preexistência, a originalidade e autenticidade do bem tombado ou identificado como de interesse histórico.

A propósito de metodologias que poderiam ajudar na concepção de um projeto a se inserir em um bem ou sítio histórico, cumpre lembrar metodologias que estão disponíveis aos pesquisadores de núcleos construídos, paisagens, e arquiteturas originais de tempos passados. Nestes estudos, palpitam as preexistências, senão vejamos: a Teoria dos Fatos Urbanos (Rossi, e outros); as que perquirem a cidade como obra de arte (Argan, e outros); as de morfologia (Sitte, Lamas, e outros); as perceptivas (Cullen, Gosling, Lynch, e outros), e as topoceptivas (Kolsdorf, e outros); a Teoria da Ordem Social do Espaço, dita também Sintaxe Espacial (Hillier, Hanson, e outros)

Por fim, vale observar que em diversos países a história recente da arquitetura registra casos exitosos de inserção de novos prédios em antigos contextos urbanos e paisagísticos, e até mesmo em relação direta com os bens tombados. Exploramos, a seguir, alguns deles.

O Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile. Trata-se de um caso de inserção de nova construção no mesmo terreno do Palácio La Moneda, sede da presidência do Chile. O novo prédio ali inserido, o Centro Cultural La Moneda, foi implantado a meio piso, sob o nível de acesso ao palácio presidencial. Sua intervenção no nível do acesso do palácio reduz-se a um espelho d’água.

Palácio La Moneda, Santiago, Chile: inserção do Centro Cultural La Moneda no subsolo do pátio do Palácio
Foto Eliane Lordello, janeiro 2012

O acesso ao Centro Cultural La Moneda é feito por uma rampa ao lado do espelho d’água que desce ao subsolo, na Avenida Libertador Bernardo O’Higgins. Há também uma entrada posterior, igualmente franqueando a construção no subsolo. Reproduzimos, na foto a seguir, o primeiro acesso que descrevemos acima. Na imagem seguinte, ilustramos o interior do subsolo.

Acesso do Centro Cultural La Moneda, Santiago, Chile: o desnível em relação ao Palácio La Moneda, deixa livre a apreensão do palácio presidencial
Foto Eliane Lordello, janeiro 2012

Interior do subsolo do Centro Cultural La Moneda, Santiago, Chile
Foto Eliane Lordello, janeiro 2012

Igualmente na capital chilena, destacamos a casa denominada La Chascona, onde viveram o poeta Pablo Neruda e sua mulher, Matilda Urrutia, dita La Chascona (A Descabelada). A esta casa, foi anexado um centro de recepção de turistas, com uma loja, um café, e apoio (copa, banheiros). A nova construção trabalha com diferentes planos de alvenaria, o que já estava em uso na casa original.  O anexo seguiu a composição volumétrica e cromática de La Chascona, e também as texturas adotadas na casa (as cores branco e azul, e base revestida em pedras). O resultado é uma construção compatível com a original, e que não a desmerece em nada.

La Chascona, casa do poeta Pablo Neruda, Santiago, Chile. Anexo ao fundo
Foto – Eliane Lordello, janeiro 2012

Outra inserção no âmbito da construção original é o caso da cúpula do Reichstag, em Berlim, Alemanha. Trata-se de uma intervenção bioclimática, em vidro e espelhos, que atua na captação das águas da chuva e também da incidência solar, coroando o pátio interno do edifício do Parlamento Alemão. Seu aspecto exterior é reproduzido na fotografia abaixo. Vale notar que a cúpula foi inserida em uma volumetria que admitia esta inserção tipológica. Mesmo sendo moderna, a cúpula inserida faz uma alusão a prédios de pátios internos cobertos por cúpulas, tão usuais nos originais do neoclassicismo e do ecletismo.

Reichstag, Berlim, Alemanha
Foto Eliane Lordello, outubro 2016

Em Nova York, Estados unidos, o emblemático Museu Guggenheim (concluído em 1959), recebeu um anexo em volume prismático, adicionado ao prédio original em 1992. Embora tenha suscitado controvérsias na época de sua construção, o novo prédio foi assimilado pela crítica de arquitetura. Considera-se sua inserção discreta, por seu recuo em relação ao edifício original, por sua volumetria prismática e sua composição plástica (cores, texturas). Resulta que o volume prismático não concorre com a edificação curvilínea do prédio original e adota, deste último, as cores e materiais.

Guggenheim, com anexo no volume prismático ao fundo
Foto Eliane Lordello, janeiro 2010

No Brasil, um caso exitoso de adição de novo prédio a um original preexistente que pode ser apontado é o do anexo da Academia Mineira de Letras, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ladeando o prédio original da Academia, a construção do anexo adota altura menor que a do prédio original, e dele reproduz, em linguagem moderna, uma abertura vertical, como se vê nas fotos a seguir.

Anexo da Academia Mineira de Letras
Foto Eliane Lordello, fevereiro 2010

Anexo da Academia Mineira de Letras, detalhe da abertura vertical do anexo, idêntica em proporções à do prédio original, mas em linguagem moderna
Foto Eliane Lordello, fevereiro 2010

Tendo apresentado um caso exitoso no Sudeste, passamos agora a um exemplo na região Nordeste. Em Pernambuco, na cidade de Olinda, classificada como patrimônio Mundial pela Unesco, uma chácara do século 19 foi apropriada como hotel por seus herdeiros. Chamou-se a este empreendimento Hotel 7 Colinas. O projeto adotado para tanto manteve o casarão do século 19, sede da chácara, transformando-o em um museu. Mantiveram-se também, neste ponto onde está o casarão, os jardins que sempre lhe ornaram, resguardando os pontos focais de sua observação pelos passantes e usuários (o casarão faz divisa com a Rua do Bonfim, central no sítio histórico de Olinda, que é, majoritariamente, residencial).

Tais jardins criam também um intervalo verdejante que separa o casarão das novas construções do hotel. Estas, por sua vez, adotam tipologia que em tudo remete às que circundam o hotel no centro do Sítio Histórico de Olinda. Volumes prismáticos, caiados, cobertos por telhas cerâmicas do tipo capa e canal formam os prédios de hospedagem no hotel. Suas aberturas são feitas por esquadrias coloridas; e elementos de vedação tais como guarda-corpos são configurados em treliças de madeira, como as tradicionais gelosias, tão caras ao período do Brasil Colônia.

Prédio de apartamentos no Hotel 7 Colinas, Olinda, Pernambuco
Foto Eliane Lordello, setembro 2012

Vista posterior do bloco da recepção, no Hotel 7 Colinas, Olinda, Pernambuco
Foto Eliane Lordello, setembro 2012

Projetar e construir respeitando as preexistências é uma prática de longo alcance no trabalho da memória em arquitetura. Constatar sua disseminação em diferentes cidades e países é um exercício gratificante para quem trabalha com memória e patrimônio. É também uma esperança para o porvir. Como há muito tempo já disse o poeta Murilo Mendes, “a memória não é uma construção do passado – é uma construção do futuro”.

notas

1
DE GRACIA, Francisco de. Construir en lo construído: la arquitectura como modificación. México, Nerea, 1992; CULLEN, Gordon. A paisagem urbana. Lisboa, Edições 70, 1984.

2
Cf. GOSLING, David. Gordon Cullen: visions of urban design. Londres, Academy Editions, 1996.

sobre a autora

Eliane Lordello é arquiteta e urbanista (UFES, 1991); mestre em Arquitetura, na área de Teoria e Projeto (UFRJ, 2003) e doutora em Desenvolvimento Urbano na área de Conservação Integrada (UFPE, 2008). É arquiteta e urbanista da Gerência de Memória e Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo.

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