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architexts ISSN 1809-6298


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ROTA, Italo; BALDASSARI, Alessandro ; CINACCHI, Paolo; VIVIANI, Susanna. Empoli. Mobiliário urbano para o centro histórico. Arquitextos, São Paulo, ano 01, n. 005.03, Vitruvius, out. 2000 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.005/969>.

Empoli é uma cidade muito viva, o que, neste final de milênio é a coisa mais importante; todos os problemas que podemos reconhecer são secundários, cujas soluções são imediatas. O centro histórico tem um bom estado de conservação, e as ampliações, mesmo que não possuem uma definição formal clara, são dignas. Aquilo que falta é um território reconhecível, comum e que seja difundido do centro ao limite da coletividade urbana de Empoli. São justamente as ruas e praças "novas" que sustentam esse defeito.

A relação entre os habitantes de Empoli e a própria cidade, sempre caracterizada por um forte sentido de identidade coletiva, deve ser salvaguardado da deterioração nas relações, das indiferenças e do frenesi. Algumas iniciativas estão obtendo um grande sucesso, justamente aquelas que estão criando momentos de agregação, e redescobrindo aqueles lugares que são freqüentemente atravessados por um grande fluxo apressado de "compradores", favorecendo um certo desenvolvimento. Os "locais" do Emporium, o "Giro d’Empoli", já estão muito limitados para acolher, de um lado, os compradores, e, do outro, os espaços de encontro e de diálogo.

Falta uma atenção ao vocabulário dos objetos, dos materiais e, sobretudo, uma hierarquia de uso e de estética entre as várias partes. O nosso projeto representa um método de abordagem a problemas que um concurso de idéias não pode certamente resolver. Para chegarmos a uma solução do projeto, dividimos em duas partes precisas as ações necessárias. O Centro Histórico propriamente dito (a Cidade Muralhada), onde propomos não somente um novo desenho, mas uma manutenção cuidadosa e extraordinária da pavimentação, como também a sua reconstrução quando faltar, um limpeza dos sinais informativos e de trânsito, uma reorganização dos espaços publicitários, a regulamentação estética das lixeiras, uma nova visão para a "Empoli noturna". Empoli de Noite, sempre iluminada mas não morta pelas "panelonas" que iluminam escondendo. Propomos uma iluminação "enluarada", realizada com holofotes não visíveis e com a instalação de postes "tipo Empoli", para iluminar as ruas e as fachadas, objeto que possui um desenho contemporâneo e que introduz às zonas de expansão. E, fora do centro histórico, Piazza della Vittoria, Via Roma, etc. Nestes lugares prevemos uma intervenção leve, que possa modificar sem alterar substancialmente a estrutura das ruas e das praças.

São três as novidades: uma estrutura viária dimensionada para os carros, um maior espaço para os pedestres e ciclistas, uma redução do estacionamento em várias zonas, novas relações entre usuários sem operações do tipo ilha para pedestres; a definição de uma gama de objetos "Empoli": frades-de-pedra, bancos, postes, típicos para essa Cidade. O poste de iluminação, elemento fundamental dessa família de objetos, é caracterizado por um globo feito em vidro verde de Empoli, realizado por indústrias locais, evocando a riqueza formal e tradicional do artesanato; a introdução de uma série de espelhos d’água, fontes com um desenho muito simples e seus respectivos jatos de água verticais, e que procuram apaziguar o horizonte urbano, fixando a composição das praças públicas.

As duas partes

Primeiro, a Cidade Amuralhada, constituída por aquela parte do centro histórico, circunscrita justamente pela terceira muralha.

Segundo, as Novas Ruas, representadas pelo sistema de viabilidade e por praças, e que se movem da estação ferroviária, alcançando a Piazza Guido Guerra, e, assim, o rio Arno.

No primeiro, muito bem caracterizado e bem conservado, se propõe uma intervenção de limpeza, e de uma posterior caracterização de todo o conjunto, com um restauro de todas as ruas dos pavimentos originais em pedra Serena, pedras recortadas e dispostas tradicionalmente à "spina di pesce", em tiras alinhadas e com devidas faixas laterais.

As intervenções necessárias na pavimentação existente, para termos um tapete de pedra por todas as ruas do centro histórico, são assim classificadas:

Intervenção 1: Pavimentação de novas áreas

Áreas selecionadas: as ruas principais que circundam o centro histórico, Via del Giglio, Via de’ Neri em parte, Via Spartaco Lavagnini, Via della Noce, Via G. del Papa, Via Ridolfi em parte; as recentes ruas realizadas na zona dentro das muralhas, Via L. da Vinci, Via Ferrucci, ambas em parte; as partes externas às muralhas, na qual se prevê a necessidade de uma conexão direta com a parte histórica, parte da Piazza Garibaldi, vizinha à Porta Pisana; tipo de intervenção: nova pavimentação com pedra serena, colocadas tradicionalmente em "spina di pesce".

Intervenção 2: Restauro da pavimentação existente, atualmente sob o asfalto

Áreas selecionadas: Via Chiara, Via Marchetti e área adjacente, Via Paladini, Via delle Murina em parte; tipo de intervenção: retirar o asfalto, restaurar partes que faltem na pavimentação original, lavrar as superfícies e preencher as juntas.

Intervenção 3: Restruturação da pavimentação existente

Áreas selecionadas: Piazza Farinata degli Uberti em parte, partes pavimentadas na Porta Pisana, parte da Piazza delle Stoviglie; tipo de intervenção: restauro das partes deterioradas, lavragem das superfícies, preencher as juntas.

Intervenção 4: Manutenção extraordinária das pavimentações existentes

Áreas selecionadas: Via de’ Neri em parte, Via Spartaco Lavagnini em parte; tipo de intervenção: lavragem das superfícies, preencher as juntas.

Intervenção 5: Manutenção das pavimentações existentes

Áreas selecionadas: Piazza Farinata degli Uberti em parte, Via del Gelsomino, Via Santo Stefano, Via del Giglio em parte.

O sistema que une a estação ferroviária à Piazza Guido Gerra e, dessa, ao rio Arno, é constituído pela Piazza Don Minzoni, Via Roma, Piazza della Vittoria, Via Tinto da Battifolle, Via Pievano Rolando.

Essa conformação atual parecer ter sido realizada entre o final do século passado e o início deste; as ruas são retilíneas, e suas larguras são sempre superiores a onze metros. O projeto propõe diminuir o leito carroçável e refazer totalmente a sua pavimentação, como também das calçadas e, assim, estabelecer um único nivelamento. Para a Via Tinto da Battifolle foi prevista uma largura para as duas pistas em 7 metros, ambas em um único sentido de trânsito: não será permitido o estacionamento e, para tanto, serão colocados frades-de-pedra. A iluminação será feita com postes colocados a cada quinze metros, e alternados em seus respectivos alinhamentos nos dois lados da rua.

A requalificação da Via Roma, extensão natural do "Giro d’Empoli", e especialmente as intervenções propostas para as duas praças, procura justamente um novo tipo de abordagem com as novas exigências de uma cidade que tende a ser o centro de um sistema de relações com as cidades limítrofes, sem modificar a função de eixo de comunicação entre o núcleo urbano principal e o seu rio, reconquistando espaços para os transeuntes e para os terraços dos cafés.

Para a Via Roma a largura do leito viário, em sentido único, será de 4,20 m., pois tal dimensão permite, além de um normal fluxo de veículos, a breve parada para carga e descarga de mercadorias, e a passagem fluida de ciclistas e de motocicletas; procura-se distribuir frades-de-pedra para desencorajar o parada proibida, e, nas vagas definidas, dispostas linearmente e demarcadas por áreas de pavimentação feitas em pedras mais escuras, temos o uso de grelhas metálicas para criar um signo de fácil leitura.

O projeto dos estacionamentos procura quebrar as antigas áreas destinadas para essa função em segmentos, não muito longos, alterando os lugares permitidos de parada e interrompendo-os onde for necessário para saídas de garagens ou outras funções. O desnível entre o leito carroçável, as áreas de estacionamento e aquelas para pedestre foi estabelecido minimamente, com uma borda de pedra muito sutil, e apenas funcional para a correta canalização das chuvas.

O esquema pensado para a Via Roma foi estendido também para os lados da Piazza della Vittoria. Essa, completamente redesenhada, engloba o espaço adjacente da Chiesa della Madonna del Pozzo, organizando nesta parte uma nova distribuição, caracterizada por um pequeno adro e por dois squares. A praça é retificada em relação à atual conformação: é previsto o inserimento de um espelho d’água, curvilíneo, e com jatos d’água, conjunto que abraça o monumento existente. A iluminação será resolvida com lampiões, equipados com difusores e com vidro soprado, definidos particularmente para caracterizar e identificar o lugar. O interior da praça será iluminado por quatro postes, de seis braços cada um, montados em bases de ferro.

O desenho da Piazza Don Minzoni engloba as duas estradas laterais, reconstituindo um espaço orgânico, e mantendo as espécies arbóreas existentes; na sua área interna é prevista uma fonte com jatos d’água, atravessada por duas passarelas que unem, justamente, os dois lados de passeio.

A praça, reconquistada para a cidade, para o comércio, representa o primeiro espaço já fora das muralhas, mas o primeiro lugar de troca de e para Empoli.

notas

1
Leia também em Arquitextos a série de artigos sobre as Praças Italianas, com editoria de Marcos Tognon:

AYMONINO, Aldo. "Praça para o bairro Decina em Roma". Arquitextos 004, Texto 004.03. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2000 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq004/arq004_03.asp>.

ZAGARI, Franco. "Restauro da Piazza Montecitorio". Arquitextos 006, Texto 006.03. São Paulo, Portal Vitruvius, nov. 2000 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq006/arq006_03.asp>.

GHIO, Ricardo. "O desafio da requalificação". Arquitextos 008, Texto 008.03. São Paulo, Portal Vitruvius, jan. 2001 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq008/arq008_03.asp>.

LETO, Maria Raffaella. "Piazza Aldo Moro". Arquitextos, Texto Especial n. 042. São Paulo, Portal Vitruvius, jan. 2001 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp042.asp>.

[editoria da série e tradução de Marcos Tognon]

sobre o autor

Aldo Aymonino é arquiteto e coordenador do projeto. Grupo de trabalho: Adriana Feo, Ezio Rizzutti, Giovanna De Sanctis Ricciardone (escultora); colaboradores: L. Agi, A. Baldoni, G. Catania, F. Gatti, M. Lo Russo, A. Mancini, G. Quaraglia.

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