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architexts ISSN 1809-6298


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CAVALCANTE GOMES, Elaine; SANTANA SIQUEIRA, Joelma. Sobre o vídeo "Mi multi es mi multi". Historia oral do Multifamiliar Miguel Amenán, 1949-1999. Arquitextos, São Paulo, ano 01, n. 005.06, Vitruvius, out. 2000 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.005/972>.

"Todo cambia
Para bien o para mal,
Pero todo cambia"
(Rosa Saragoza)

O Multifamiliar Miguel Alemán foi o primeiro grande conjunto construído na América Latina. Também chamado de Centro Urbano Presidente Alemán e projetado pelo arquiteto Mario Pani para ser uma cidade jardim vertical, destaca-se, ainda hoje, como um símbolo da modernidade, localizado no centro da cidade do México.

Mi multi es mi multi é o título inicial de um documentário sobre o Multifamiliar, produzido pelo Instituto Mora e Conacyt, do México, que possui o projeto História oral, cujo principal objetivo é a realização de vídeos sobre a história (memória) dos espaços construídos a partir de relatos orais transmitidos por pessoas usuárias dos espaços.

A importância do vídeo produzido pelo projeto História Oral está no modo como a história é reconstruída. Não se trata de buscar dados históricos registrados nos vídeos e documentos antigos apenas, mas de buscar, principalmente, o relato das experiências vividas pelos moradores e vizinhos do local.

A frase "mi multi es mi multi" foi tirada de um dos relatos que compõem o vídeo. Aparentemente sem sentido, no contexto em que foi empregada por uma das pessoas entrevistadas, apresenta-se como uma expressão usada para transmitir o apego que a moradora tem por seu prédio. Supomos que, para ela, dizer que meu multi é meu multi é dizer que seu prédio é tão importante que o melhor predicativo para ele é ele mesmo.

A multiplicidade de apartamentos existentes no Centro Urbano Presidente Alemán, 1080, no vídeo, assemelha-se à diversidade das fontes de dados que foram utilizadas para compor a história do Multifamiliar. O vídeo é composto de multi-relatos orais dos moradores em diferentes faixas etárias; fotos e trechos de vídeos caseiros, cedidos pelos relatores; relatos do arquiteto Mario Pani sobre o projeto do prédio e suas intenções ao projetá-lo; imagens antigas e recentes do prédio e do seu entorno, mostrando a evolução do Multifamiliar e da cidade do México nestes cinqüenta anos que separam a sua construção do momento em que o vídeo foi realizado; cenas de filmes que tiveram o Multifamiliar como cenário ou mesmo como ponto de partida para a ficção.

Diante da gama informações contidas no vídeo, a história do prédio não representa para o espectador uma verdade única e inquestionável sobre o Multifamiliar, mas uma multiplicidade de histórias e imagens contextualizadas por seus relatores. São histórias ditas por vozes, olhares e pensamentos diferentes, permitindo ao telespectador do vídeo o que se deve esperar desse tipo de trabalho: a liberdade dos que o assistem de construir sua própria idéia sobre o assunto, a liberdade de não serem teleguidado por idéias dicotômicas.

Daí, quando, ao final, ler-se que o documentário representa uma homenagem ao arquiteto Pani, pode-se ingenuamente pensar que é uma ironia, haja vista a lembrança da voz da senhora que desejaria ver as mães dos que projetaram o Multi morando ali para que sofressem com as conseqüências da economia de espaço, ou, ainda, haja vista a decadência atual do Multi. Porém, pensamos que não se trata de ironia nem de ingenuidade por parte de quem projetou o vídeo, mas da intenção de revelar as diversas vozes que compõem a história do prédio, pois também há vozes que relatam o contrário, como a da moradora que considera o Multi "uma mansão de ouro, tudo o que queres tem aqui".

A grande homenagem feita ao arquiteto Pani é a realização de um vídeo que conta a história do prédio tentando não maquiá-la, não manipulá-la, e trazendo a público o trabalho antecipador do arquiteto pela voz e memória daqueles que mais intimamente dele fizeram parte: o arquiteto, os moradores e a arte (o cinema).

Ao projeto História Oral não coube o papel de julgar o espaço construído nem o seu idealizador, mas sim o de servir de ponte de ligação entre o público e aqueles que detêm a história do lugar.

Como disse Rosa Zaragoza, tudo muda. Se para o bem ou para mal, o julgamento depende de quem o faz. O vídeo realizado pelo projeto História Oral contém relatos diversificados e possibilita julgamentos também diversos, mas não deixa dúvida quanto ao trabalho inovador e criativo do arquiteto Mario Pani.

ficha técnica

Mi multi es mi multi
História oral do Multifamiliar Miguel Alemán (1949-1999)

Realização
Projeto de História Oral do Instituto Mora

Produção
Instituto Mora e CONACYT

Realização, edição e musicalização
Graciela de Garay, Paris García, Carlos Hernández, Concepção Martínez, Patricia Pensado, Lourdes Roca

Investigação e entrevistas
Graciela de Garay, Concepção Martínez, Gerardo Necoechea, Patricia Pensado, Blanca Olivia Peña, Lourdes Roca

Fotografia
Carlos Hernández, Paris García, Humberto Galarza e Lourdes Roca

Música original
Jesús Escalante

Pós-producção
Carlos Hernández e Paris García

Sinopsis
Hoje, depois de 50 anos, três gerações de homens e mulheres recordam suas experiências como habitantes do edifício multifamiliar Miguel Alemán, primeiro grande conjunto habitacional de 1080 unidades construído na América Latina. O Centro Urbano Presidente Alemán, projetado pelo arquiteto Mario Pani como uma cidade jardim vertical, destaca-se como um marco da modernidade no centro sul da cidade do México e, depois de meio século, seus moradores e vizinhos o chamam como o "Multi".

Duração
57 minutos

México D.F., 1999

sobre os autores

Elaine Cavalcante Gomes é professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV Universidade Federal de Viçosa.

Joelma Santana Siqueira é aluna de Mestrado em Letras na UNESP, Rio Preto.

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