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architexts ISSN 1809-6298


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CARMASSI, Massimo. Fermo. Projeto de recuperação urbanística da área entre a Piazza Azzolino e o estacionamento Orzolo. Arquitextos, São Paulo, ano 01, n. 007.01, Vitruvius, dez. 2000 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.007/941>.

Na belíssima vista panorâmica do lado norte de Fermo, assim como se pode admirar da colina à frente, emergem com uma evidência negativa os dois recentes edifícios que delimitam a Piazza Azzolino em relação ao vale: um bloco de grande mole destinado a escritórios e um mercado.

Essa dissonância em relação ao contexto é determinada pela volumetria excessiva, mas sobretudo pelas características das superfícies externas dos edifícios, muito diversas daquelas alvenarias lisas e monocromáticas em tijolos de Fermo, apenas ritmadas por modestas aberturas retangulares.

Abaixo, o estacionamento Orzollo, recentemente concluído, é pouco visível de longe, e mesmo sendo muito útil e bem elaborado, parece que é menos usado do que se previa, dadas justamente as dificuldades do difícil acesso dos pedestres ao centro histórico bem mais acima.

A necessidade de realizar um eficiente sistema de relações entre estacionamento e centro, e assim recuperar também a integridade paisagística original, estimulou um reestudo da Administração municipal sobre toda a estrutura urbana da área e, consequentemente, em valorizar as notáveis potencialidades funcionais e ambientais.

A propriedade pública do mercado, de alguns edifícios e da Piazza Carducci, hoje um estacionamento, constituem a base estratégica da intervenção.

O projeto geral de recuperação urbanística propõe uma solução positiva para quatro problemas funcionais muito importantes para a cidade:

1) A realização de um terminal de ônibus, com relativos serviços de comunicação com o estacionamento Orzolo.

2) A realização de uma subida, tanto à pé como por elevadores, que permita o acesso rápido entre o estacionamento e a Piazza Azzolino, não esquecendo as cotas intermediárias.

3) A restruturação dos edifícios que delimitam o lado norte da Piazza Azzolino, requalificando o espaço urbano e obtendo funções mais remunerativas, que viabilizem os custos a serem sustentados pela operação.

4) A recuperação do volume aterrado entre a Via S. Anna, a Piazza Carducci e do edifício de propriedade municipal (hoje uma tipografia) para obter um estacionamento e um mercado público que possa substituir aquele atual, além de um amplo espaço para atividades comerciais.

* * *

1) O projeto do terminal a ser realizado através de um financiamento regional é o resultado de uma comissão, e é descrito em um memorial específico.

2) O dispositivo de subida foi descrito com um breve e agradável percurso que permitirá alcançar a Piazza Azzolino, partindo justamente do terminal de ônibus na cota do estacionamento Orzolo.

O projeto se baseia na utilização exclusiva da propriedade municipal, e particularmente de um pequeno edifício que se eleva para a Via S. Anna, e de um correspondente pátio, aterrado, que resvala a Via Ficcadenti ao norte.

O ingresso do percurso é constituído por uma ampla galeria, imediatamente perceptível na passagem externa que atravessa o terminal na sua parte mediana. Um espaço abobadado, em alvenaria em tijolos, possibilita ultrapassar a Via Ficcadenti e assim alcançar um ambiente, cuja correspondência com o pátio do edifício vizinho é exata, todos de propriedade municipal. Tal ambiente é iluminado por uma clarabóia de ferro e vidro, colocado na cota do aterro, e, assim, não se modifica a estrutura atual, além de ser facilmente reconhecível, convidando os usuários para acessar os elevadores.

Procurou-se sempre ter cuidado para obter espaços com características análogas àquelas dos percursos do centro – sem ângulos mortos – pois esses poderiam, de um certo modo, repelir os usuários, algo que acontece freqüentemente em símiles realizações, com prejuízos na utilização das novas estruturas.

Para isso, imaginamos um duplo percurso muito simples, seja em termos funcionais que perceptivos.

A escada se inicia imediatamente do hall de entrada em correspondência ao terminal de ônibus, e prossegue com rampas inclinadas modestamente, tangenciando a parede oeste que é, por sua vez, oportunamente modulada pelo desenho de uma doce curva, até alcançar a cota da Via S. Anna; estamos na loggia de ingresso do mercado municipal, após ter superado e edifício de propriedade da Prefeitura e a rua. Deste modo, todo o percurso se desenvolve protegido, coberto, com uma boa iluminação.

O projeto transforma o edifício municipal em uma verdadeira porta de acesso à cidade, ao norte. Essa é constituída por duas paredes de cimento armado revestidas por tijolos, adjacentes aos edifícios limítrofes, interligados por balcões, pelas coberturas transparentes em vidro e ferro e pelas traves de apoio da passarela que une a cota mais baixa da saída do elevador com a Piazza Carducci.

O bloco do elevador é constituído por um invólucro transparente em ferro e vidro, apoiado em um dos lados do edifício, bloco que abriga as cabinas também transparentes com os seus respectivos sistemas mecânicos.

Desse modo, os usuários poderão apreciar, durante a subida no elevador, uma rica variedade de pontos de vista até a cota mais elevada, e, dali, admirar a vista norte da paisagem de Fermo.

Os elevadores permitem alcançar diversos níveis: o mais baixo corresponde à Via Ficcadenti, e se conecta através de um balcão que se comunica diretamente com a rua, sob a proteção de uma loggia; a cota intermediária corresponde à Via S. Anna, e temos novamente um balcão, realizado no interior do edifício municipal; o nível mais alto corresponde à Piazza Carducci, que terá um acesso garantido por uma ligeira passarela.

A transparência das superfícies de cobertura, como também o vazio que temos no edifício municipal, conferem à subida a máxima discrição possível, e uma boa integração com o contexto.

Todas as alvenarias, os pavimentos, a escada, serão construídos completamente com aqueles tijolos, plenos de cor e análogos aos tijolos com a qual é construída toda a cidade, em tal modo que se obtém um laço psicológico com o contexto histórico.

Dada a conformação dos acessos ao percurso, seja na subida que na decida, teremos um resultado ágil no fechamento durante as horas noturnas, com simples portões.

Pela Via S. Anna o percurso de subida pode prosseguir, após ter atravessado o mercado, pela torre transparente, em forma de paralelepípedo, e que contém dois elevadores, até a Piazza Azzolino.

Como alternativa, se pode alcançar aquela cota mais alta através de duas rampas de escadas, largas e cômodas, realizadas na parte mediana do complexo, e, que também permitem o acesso à cota intermediária da Piazza Carducci.

A realização do segundo trecho da subida entre a cota da Via S. Anna e aquela da Piazza Azzolino exige uma intervenção exclusiva na parte oeste do complexo, compreendendo a tipografia municipal, uma parte do bloco aterrado e o edifício que abriga um laboratório e demais serviços da Unidade Sanitária Local.

A realização do inteiro percurso de subida poderá, assim, ser realizado sem interferir nas propriedades privadas.

Os pontos 3 e 4 devem ser descritos juntos, pois fazem parte de um complexo funcional denso de relações, mesmo se são realizados em lotes e com promotores diversos.

3 e 4) Sendo um dos objetivos principais da Administração pública a recuperação da qualidade ambiental do lado norte do centro histórico, foi dada uma grande atenção ao projeto dos edifícios principais que delimitam justamente o lado norte da Piazza Azzolino.

Um dos problemas era reduzir o atual e excessivo impacto volumétrico desse conjunto, eliminando o último andar destinado a escritórios, e, no dividir o bloco do mercado em duas partes distintas.

Assim temos três edifícios com uma volumetria mais modesta e com uma forma de paralelepípedo elementar, separados por dois amplos vãos que permitem uma maior transparência da praça em relação às vistas de longe, da campanha ao redor de Fermo.

Para melhorar o efeito de absorção no contexto, os dois novos edifícios que substituem o atual mercado são constituídos como blocos murais em tijolos a vista, características símiles dos volumes que constituem, também em tijolo, o centro histórico, sempre ritmados por uma grelha concisa de janelas retangulares. Para obter um resultado análogo com o edifício que é destinado a escritórios, é necessário, entretanto, substituir o atual revestimento dos anos Sessenta com um outro, em tijolos, e que seja também articulado com o ritmo dos edifícios vizinhos, sem modificar, se necessário, a estrutura dos espaços internos; seria também uma ocasião para transformar esse edifício, aproveitando-o melhor.

As comunicações verticais entre os dois novos edifícios são garantidas por um bloco de escadas comum, com dois elevadores, em uma planta elíptica, substituindo também a escada externa atual que será demolida para obter um espaço externo mais agradável.

Uma série de corredores criados no interior do terraço terraplenado, construídos em concreto armado e revestidos com tijolos, promove uma comunicação entre os dois edifícios, nas suas respectivas bases. Grandes aberturas, envidraçadas, e em forma de arcos sobrepostos, vão permitir aos corredores uma vista rumo ao vale e, contemporaneamente, aliviar a massa das paredes que sustentam esse piso terraplenado.

Os dois espaços que se elevam rumo a Piazza Azzolino, compostos como amplas loggias, assim como aqueles, no térreo, que se estão voltados para a Piazza Carducci, são destinados a atividades comerciais. Os dois andares intermediários são para escritórios.

Além dos dois blocos com elevadores, um externo e um interno, a comunicação entre os três principais níveis – Via S. Anna, Piazza Carducci e Piazza Azzolino – são garantidos por duas grandes escadarias e por uma longa e doce rampa.

Uma das escadas redefine o limite oeste da Piazza Carducci, junto com a rampa de acesso à garagem subterrânea que se comunica com a Piazza Azzolino, e na qual se procura diminuir a pendência. A outra permite alcançar a Piazza Azzolino no lado leste: se inicia com uma pequena praça colocada entre o novo mercado e o centro comercial que estão na espessura do terraço terraplenado, e permite a comunicação entre a Via S. Anna e a Piazza Carducci. Daqui, uma segunda rampa, construída em plena aderência com o edifício da Unidade Sanitária Local – que será restruturado para isso – continua, com uma certa distância do edifício atual, até a Piazza Azzolino.

A cobertura em forma de terraço desse edifício da Unidade Sanitária, e que constitui atualmente o lado nordeste da Piazza Azzolino, foi modificada, ampliada, aumentando o papel dessa construção na cena em relação à vista da campanha de Fermo, além absorver a torre de vidro com elevadores. Essa nova cobertura, que é ampliada na sua parte norte, e recupera a volumetria perdida com a demolição daquele andar do bloco vizinho de escritórios; concluindo, foi projetado nessa cobertura um teatro com arquibancadas, para espetáculos à céu aberto, ou mesmo como um sugestivo belvedere.

Todas as partes aqui descritas, e que compõem o novo quadro urbano, são construídas com superfícies externas em tijolos, um modo para obter-se um efeito neutro e monocromático que, além de favorecer uma assimilação pelo contexto, contribuirá para determinar um lugar agradável e facilmente reconhecível.

A fachada norte da Piazza Azzolino assumirá uma aspecto particularmente mais ordenado e funcional, adequado para posicionar-se com os edifícios antigos que estão à sua frente.

A altura dos edifícios, desde a base onde encontramos as novas loggias, é escalonada segundo a inclinação da praça, cujo perfil altimétrico é ligeiramente modificado para proporcionar uma circulação mais ágil dos pedestres.

Contemporaneamente, os amplos vãos entre os edifícios e o teatro a céu aberto aperfeiçoam a função de terraço belvedere que a praça, hoje, já possui.

O volume aterrado, como já dissemos, é a base dos edifícios apenas descritos, além de originar o piso da Piazza Carducci, e cuja função, hoje, é de um estacionamento; propomos aqui várias funções. Como vimos, ele é dividido em duas partes por uma pequena praça que recebe a escada para subir dos outros níveis. A parte oeste, menor, de frente ao edifício da tipografia municipal, será transformado em um grande espaço coberto para mercado, substituindo o atual.

Na extremidade norte do mercado foram deslocados um bloco de serviços e o acesso aos elevadores, iluminados por uma ampla clarabóia.

A parte oeste do volume terraplenado, maior que aquela já citada, corresponde aproximadamente à escarpa de terra que configura a frente sul da Via S. Anna, e definimos aqui um grande espaço comercial em dois níveis, com um estacionamento para 88 automóveis. A necessidade de ajustar essas funções entre elas, e fornecer-lhes condições de iluminação, aeração e acessos positivos, induziu a uma definição rica e agradável da estrutura arquitetônica.

Inicialmente era necessário garantir uma boa relação do complexo com os edifícios na Via S. Anna, para evitar um contraste inoportuno. Para isso, pensamos no afastamento da nova fachada em relação à rua, realizando uma longa e ampla rampa que permita subir, comodamente à pé, até a Piazza Carducci. A rampa, que é um verdadeiro e próprio caminho alternativo, é sustentada ao norte por um robusto muro triangular, aberto para a Via S. Anna com três arcos rebaixados, retomando um tema compositivo presente em várias partes do conjunto. A saída maior constituiu a saída do estacionamento subterrâneo, cujo acesso é permitido por uma rampa exatamente embaixo daquela superior para os pedestres.

O grande espaço comercial é assinalado na parte externa com uma grande galeria envidraçada, e que se posiciona justamente entre a rampa e a grande parede com três arcos; essa, além de ser um dispositivo de acesso principal da Piazza Carducci através da escada, e da Via S. Anna, comporta-se como um sugestiva vitrine – uma imagem que é súbito reconhecível e que ilumina os interiores sem perturbar o contexto.

O complexo dispõe naturalmente de um grande depósito e de serviços higiênicos. O estacionamento subterrâneo, que constitui a base do complexo comercial, é organizado segundo o ritmo das colunas de apoio, e procura-se obter um número satisfatório de lugares, assim como espaços e larguras para as relativas manobras e percursos necessários. O acesso ao estacionamento foi colocado em tal modo para não obstruir a praça e não comprometer a sua natureza adequada aos pedestres: essa se inicia com uma rampa coberta por uma estrutura de vidro, colocada entre a rua e a escada de acesso à Piazza Azzolino, e continua por uma rampa espiral, até à extremidade oeste desse bloco subterrâneo.

A nova Piazza Carducci, justamente na cobertura de todos esses ambientes citados até agora, mesmo com as dimensões mantidas no seu perfil altimétrico, e aproximadamente a mesma área – apenas reduzida na superfície que correspondente à pequena praça na altura da Via S. Anna, e que a divide em duas partes – terá um aspecto mais urbano, digno de uma conclusão do Centro histórico de Fermo rumo ao norte.

Esse espaço será delimitado, de fato, com edifícios e elementos arquitetônicos em tijolos, cuja natureza, mesmo sendo novos e modernos, não se destacará muito das partes antigas do centro; o pavimento da praça será também de tijolos, obtendo assim um caráter sóbrio e acolhedor.

As poucas partes em vidro, a torre de elevadores, a galeria envidraçada, as duas clarabóias, não fazem outra coisa senão exaltar a natureza sólida das paredes de todo o complexo.

Os aterros no lado leste da atual praça serão absorvidos por uma ampla escadaria, com uma inclinação modesta, enquanto que uma fonte deverá adornar a parte sudeste.

Enfim, uma série de árvores de médio porte, de três metros de altura e com um tronco regular, contidas em vasos quadrados, serão dispostas nas bordas da praça. Um longo banco de pedra servirá de acabamento para toda a parede que delimita a galeria.

Dada as características do lugar, os andares inferiores dos edifícios que formam o lado sul da praça poderiam acolher atividades recreativas, como bares, restaurantes, etc.

Para concluir o projeto desse grande complexo, será possível melhorar muito a estrutura funcional dos espaços sem alterar as suas dimensões, não esquecendo a possibilidade de obter francos rendimentos, adquiridos com uma qualidade, no seu todo, capaz de transformar um lugar marginal e pouco agradável em um dos pólos de referência da cidade, entre os mais freqüentados e apreciados pelos seus cidadãos.

notas

[Tradução Marcos Tognon]

referências bibliograficas

TOGNON, Marcos. "Arquitetura contemporânea italiana: Massimo Carmassi", in: Óculum 7/8. Campinas, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, abr. 1996, p. 98-103.

sobre o autor

Massimo Carmassi é arquiteto, urbanista e professor livre-docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Ferrara. Foi titular do Ufficio Progetti da cidade de Pisa (1974-1990). Participou como convidado especial em várias mostras coletivas e individuais. Mereceu várias publicações monográficas: Pisa: il recupero delle mura urbane, AU 1985; Il restauro architettonico per le grandi fabbriche, Turim 1988; La morfologia urbana di Cisanello: lettura critica, Pisa 1987; Del restauro. Quattordici case, Electa, Milão, 1998. Esteve em Campinas em 1998 a convite da revista Óculum.

 

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