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BARNEY CALDAS, Benjamin. XVII Bienal Colombiana de Arquitetura. Arquitextos, São Paulo, ano 01, n. 007.06, Vitruvius, dez. 2000 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.007/946>.

Nos últimos dias, e pela primeira vez em uma cidade distinta de Bogotá, se inaugurou em Medelim este importante evento, que se poderia chamar de "a vida e a morte", em concordância com as circunstâncias do país. Muitas obras de qualidade, várias conferências, algumas exposições e um magnífico livro que não só colige o apresentado na mostra mas também traz textos dos mais destacados críticos e historiadores da Colômbia sobre sua arquitetura e suas cidades no último século.

O Prêmio Nacional de Arquitetura, oferecido não só para edifícios ou arquitetos mas também para historiadores, críticos e mestres e em geral para fatos significativos para a arquitetura e para as cidades colombianas, foi nesta oportunidade entregue, com grande acerto por parte do jurado, ao programa de parques da Prefeitura de Bogotá na figura de seu prefeito, Enrique Peñalosa. Foi um reconhecimento eloquente à arquitetura da cidade, à cidadania, à vida. À importância das cidades e sobretudo à qualidade de vida nelas, em um país que precisamente na segunda metade do século XX passou de rural a urbano. Enfim, um prêmio ao faoo muito pertinente neste momento na Colômbia de que as coisas estão mudando mais rápido com votos que escolhem e selecionam do que com balas que matam. Desafortunadamente o Prêmio Fernando Martínez Sanabria, prêmio ao projeto arquitetônico, se deu, não à muito respeitável arquitetura da morte (a arquitetura se fundou com a tumba e não com o templo e menos ainda com o palácio), mas sim à arquitetura do negócio da morte.

No Crematório de Medelim – o edifício premiado – as cinzas dos mortos não descasam em paz: há demasiado ruído, demasiada luz, demasiada frivolidade e falta muita intimidade, muita sacralidade e muita verdade: ali o único que parece morto é o próprio edifício, mesmo com todos os truques de revista para que pareça vivo. Mas arquitetura da morte é assunto sério: se não para os mortos, ao menos para os velhos: de arquitetos com muita experiência, capazes de ter enterrado o edifício para conseguir tudo o que lhe falta e conservar também a bela vista que para cidade e para o vale ao longe se tinha do singelo átrio da boa igreja que há anos se ergueu ali, e que haveria que respeitar simplesmente por estar antes e estar bem; capazes de terem conservado parte do bosque que havia ali. Arquitetos do tipo que praticam a arte de saber construir: se algum edifício tem que perdurar é o túmulo, mais do que a casa que tem que seguir os passos a uma vida que ineludivelmente conduz à mudança. Que pensariam os mortos deste crematório das fendas de suas urnas trocadas e mentirosas, vendo como se mancham mal seus muros, caem perigosamente suas placas e envelhecem mal seus tolos passadiços de vidro; nem sequer podem ver como se oxidam com o tempo seus ferros artificiosos pois o estão artificialmente de antemão, e sem dúvida terão temor dessas juntas de construção posteriores à arquitetura do edifício que se abrem evidenciando a falsidade de sua horizontalidade de moda. E que dizer do imperdoável erro de debilitar com inúteis tramas horizontais o forte efeito que prometia a rampa única ao longo de todos os seus níveis, talentosamente de acordo com o fato comprovado de que os mortos não caminham e seus parentes o devem fazer ao menos com uma mínima dificuldade? Para não dizer nada da lamentável capela (se é que se pode chamar assim) posta na metade da nave sem tom nem som.

A maior prova do desacerto do edifício premiado é que seus donos - que não são seus mortos nem seus parentes - o estão amesquinhando com más urnas para fazer mais rentável seu negócio, circunstância que não poderiam saber uns jurados aos quais lhes são desconhecidas as vidas dos edifícios que julgam mortos nas fotografias enganosas que lhes entregam, como costumam ser as "boas" fotografias de edifícios: sem gente, sem móveis e com os pisos molhados para que produzam momentâneos reflexos, que na realidade poucas vezes existem. Dói que arquitetos com indubitável futuro não se dêem conta de que lhes falta tanto passado; oxalá o prêmio nos os confunda mais e ao contrário os faça refletir.

Por certo havia outras obras que o mereciam se se as visse em função de seu aporte à reconstrução de nossas cidades, e estava também o Edifício de Pós-Graduação da Universidade Nacional, que se bem se pode alegar que não é das melhores obras de Rogelio Salmona, é sem dúvida um edifício muito melhor, em muitos sentidos, que o premiado, como o indica o fato de ter sido finalista na segunda versão do importante Prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-americana, enquanto que o crematório, que foi também proposto, nem sequer foi selecionado. Mas, em troca, seus planos e fotografias chamaram a atenção em outros eventos aos quais foi enviado a concursar, como a Bienal de Arquitetura de São Paulo 1999/2000. É o papel desvirtuante da representação que leva a valorar o que não deveria ter valor. É como se se tratasse de projetos de arquitetura e não de arquitetura; mostram-se os edifícios sem usar e sem contextos, sem envelhecer, sem vida.

Enquanto as bienais sejam como reinados de beleza, com freqüência se escolherão erros por seus momentâneos reclamos estéticos alcançados com silicone. Estes eventos devem servir para orientar nossa desorientada arquitetura, pois a maioria de seus profissionais na Colômbia abandonaram à sua má-sorte nossas cidades, tão necessitadas de coros mas tão cheias de solistas auto-proclamados. A solução é conhecida: os entendidos (muitos) propõem obras que conhecem bem, e entre todos selecionam finalistas que possam ser "vividas" com tempo por um jurado que poderá considerar sua história e as razões pelas quais foram propostas.

sobre o autor

Benjamin Barney Caldas é arquiteto e professor do curso de arquitetura da Universidad San Buenaventura em Cali. Foi finalista no II Prêmio Mies van der Rohe de Arquitectura Latinoamericana.

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