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ORTIZ, Victor Hugo Limpias. Cobija. Arquitetura e Urbanismo na Amazônia Boliviana. Arquitextos, São Paulo, ano 02, n. 019.02, Vitruvius, dez. 2001 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/02.019/820>.

Cobija é uma cidade boliviana muito especial, como a mais jovem e menos povoada de todas as capitais de Departamento e a única localizada em uma fronteira internacional, limítrofe com o estado brasileiro do Acre. Apesar de ter sido fundada durante o período republicano, passou por um processo histórico “colonial” como parte do Território de Colônias do Noroeste. Seu urbanismo e arquitetura são únicos no contexto nacional, e se ajusta melhor na tradição amazônica compartilhada com Brasil e Peru, do que na tradição urbana e arquitetônica boliviana.

A capital de Pando é cidade irmã de outras duas cidades, ambas brasileiras: Brasiléia e Epitáciolândia. Divididas pelo rio Acre e pelo riacho Bahia, as três compartilham seu destino, apartadas do mundo, em pleno coração do continente sul-americano. Juntas, sua população supera os 80.000 habitantes, e de fato, se complementam em diversos aspectos, conforme a oscilante realidade econômica. Mesmo que em ambos lados da fronteira cada país preserve suas características culturais mais relevantes, é evidente a existência de uma cultura sincrética fronteiriça.

Síntese histórica

A zona do Acre começou a ser ocupada por bolivianos, brasileiros e peruanos desde 1862, que chegaram atraídos pelos altos preços internacionais da borracha elástica, obtida do látex da Seringueira (Hevea Brasilensis). A exploração da borracha se converteu na principal indústria na mudança de século na zona, gerando uma prosperidade conhecida como “auge da borracha”. Este efêmero mas dinâmico período, ao mesmo tempo em que desencadeou graves conflitos internacionais (Guerra do Acre), fomentou o nascimento de novas povoações, a maior parte delas surgidas de barracas borracheiras. É o caso de Cobija, Riberalta e Cachuela Esperanza.

Durante a última década do século XIX, o extrator de borracha Nicolás Suárez construiu a Barraca Bahia às margens do rio Acre. O lugar era ideal como porto de embarque, já que desde este ponto o rio permite uma navegação livre de obstáculos até o Atlântico. Além disso, a retificação do leito fluvial libera o terreno de inundações e três riachos asseguram a provisão de água potável.

Em geral, se reconhece três períodos históricos. O período colonial (1906-1938) coincide com o auge e decadência da produção da borracha, com a cidade isolada do resto do país. Sua estratégica localização lhe havia conferido a condição de capital do Território Nacional de Colônias em 1915. Barcaças a vapor de até 450 toneladas chegavam diariamente ao porto conhecido como “Pérola do Acre”, devido ao fausto de suas festas e à vida alegre e relaxada. Posteriormente, a crise castigou a região, que só não se despovoou devido às esporádicas reações do preço da castanha e à subvenção e burocracia estatal.

O período da semi-integração (1938-85) se inicia com a criação do Departamento Pando. Graças ao transporte aéreo, se produziu um tímido e muito limitado processo de integração da cidade à macroestrutura nacional. Neste largo período se sucede um segundo auge da borracha, menos próspero e mais breve que o primeiro, enquanto continuam os vacilantes incrementos do preço da castanha. Desde 1960 se diversifica a economia com o inicio da produção agropecuária, assim como a produção de couros silvestres, cujos mercados europeus finalmente desapareceram nos anos 80. A dependência do Estado se incrementou com um aparato burocrático desproporcionado.

O período da plena integração (Desde 1985) coincide com a progressiva redução do aparato governamental, a mediana consolidação de uma rodovia até o interior do país, o fortalecimento significativo das indústrias madeireira e agropecuária, e do notável incremento no intercâmbio comercial com o Brasil. Tudo isso, além dos benefícios diretos e indiretos derivados da economia informal (contrabando) e do narcotráfico, termina desencadeando um processo de desenvolvimento não experimentado desde o auge da borracha. O fim de século implicou num crescimento demográfico importante, produto da migração das zonas rurais do departamento e também do interior do país. Ao iniciar o século XXI, se estima uma população superior aos 25.000 habitantes.

Urbanismo

O ex-presidente José Manuel Pando, como Delegado Nacional do Território de Colônias, decidiu fundar uma cidade no lugar correspondemte à Barraca Bahia, onde se deu a batalha decisiva pela possessão da região meridional da selva amazônica. Assim, em 9 de fevereiro de 1906, o coronel Enrique Fernández Cornejo, cumpriu a ordem, muito clara quanto ao modelo urbano a adotar-se.

Reservou-se para o Estado uma área de pouco mais de 300 metros de lado, na zona mais elevada e próxima ao porto da antiga Barraca. No principio, se traçou uma quadrícula regular constituída por quadras de 48 x 48 metros, cada uma subdividida em quatro lotes de 24 x 24 metros. Igualmente, se reservou importantes lotes para Nicolás Suárez como proprietário original.

Em 1908, as limitações próprias de lotes tão reduzidos, levou às autoridades a fechar algumas ruas para ampliar as quadras já abertas, modificando o traçado urbano original. Nesse mesmo ano se trocou o nome do povoado, chamando-o “Cobija”, em homenagem ao porto perdido no Pacífico. É provável que neste período o terreno reservado para o Estado se dividisse em seis quadras com as dimensões previstas por Pando.

No plano de 1909 já se antecipa o rol fundamental do crescimento urbano que haveria de desempenhar o antigo caminho para Porvenir, até o sul. Nesta via, a Casa Suárez tinha suas maiores possessões, e com o tempo, se converteu na principal avenida, hoje denominada “9 de fevereiro”. Ao estabelecer uma diagonal em relação ao traçado quadriculado original, a via obstaculizou a continuidade deste.

Após a designação de Cobija como capital de Pando, o coronel Félix Tejada inicia as obras paisagísticas que contribuiriam positivamente na redefinição da imagem urbana. As palmeiras reais são importadas e plantadas sistematicamente no Passeio Junín e na Praça Germán Busch. Posteriormente, se continuaria a obra paisagística com a Praça Potosí. O Passeio Junín, hoje Avenida Nicolás Suárez, se constitui em uma das mais bem sucedidas experiências paisagísticas realizadas na Bolívia.

A importância do transporte aéreo na frágil e desvinculada economia regional determinou que a construção da pista de pouso nos anos 40, consolide definitivamente  Avenida 9 de Fevereiro como eixo articulador da cidade, ainda que tenha obrigado o corte da mesma. Nos anos 70, na mesma avenida se levantou dois grandes centros escolares e entre 1978-82 se erigiu a sede da ex-Corporação de Desenvolvimento de Pando. Nos últimos anos o setor privado contribuiu para o fortalecimento da via com seus próprios investimentos, como o novo Mercado.

A expansão da área urbanizada levou à superação da barreira imposta pelo velho aeroporto, agora destinado a Centro Cívico Administrativo. Durante o processo se consolidou traçados circunstanciais, promovidos às vezes por investimentos estatais em habitação popular, e em outras ocasiões, por loteamentos clandestinos. Zonas abandonadas e baixas como Mapajo e outras áreas adjacentes ao riacho Bahia e ao rio Acre foram ocupadas.

A cidade ampliou sua área urbana em pelo menos seis vezes nos últimos 15 anos, ainda que a população só tenha aumentado três vezes no mesmo período de tempo. Esta diferença se deve ao grande número de lotes baldios inseridos na mancha urbana, que são mantidos como reserva pelos proprietários, uma atitude comum em várias outras cidades bolivianas.

O processo de expansão física da cidade enfrenta limitações em três setores, dois deles intransponíveis por tratar-se de limites internacionais. O centro histórico ficou no extremo norte da mancha urbana, que está limitada pelas águas limítrofes do Acre a norte e pelo riacho Bahia a leste. A oeste, o terreno do novo aeroporto internacional estabelece o terceiro limite. Desta maneira, Cobija se converteu em um centro urbano de expansão linear, orientado por sua histórica via para Porvenir.

O desenho urbano histórico da área central apresenta qualidades espaciais excepcionais. As reduzidas dimensões das duas praças centrais e a regularidade da linha de construção na zona central, contribuem para criar um entorno urbano na escala do pedestre, situação única no contexto nacional. Além da topografia ondulante e da exuberância do paisagem, o contraste entre a trama ortogonal inicial e as vias diagonais até o sul configuram um entorno urbano dinâmico e surpreendente. Enquanto as novas zonas aapresentam uma arquitetura variada que conforma uma imagem urbana dispersa, na área central se reconhecem conjuntos relativamente homogêneos de exemplos tipológicos coloniais. Estas características singulares determinam uma imagem urbana singular que fortalece o sentido de pertencimento da coletividade.

Arquitetura

Como qualquer grupo social dinâmico, os cobijeños estruturaram seu hábitat de acordo com os modelos culturais que lhes haviam sido mais próximos historicamente. Durante décadas, a carência de um intercâmbio cultural e econômico sistemático com o resto da República determinou a adoção precoce de tipologias arquitetônicas diferentes daquelas comuns a outras regiões do país. Finalmente, o largo processo de incorporação da região à superestrutura nacional acabou impondo na região a interpretação popular boliviana do Movimento Moderno arquitetônico.

A partir de uma conceituação tipológica globalizadora, que integra sob o conceito de “tipologia arquitetônica” a interpretação morfológica, funcional e tecnológica das edificações urbanas, se reconhece em Cobija sete tipologias arquitetônicas historicamente relevantes. Fica de lado um antecedente tipológico já desaparecido, correspondemte às primeiras moradias da Barraca Bahia, similares ao “pahuichi” oriental, próprio da tradição rural das zonas baixas da Bolívia.

Tipologia 1: volume com frente triangular

Esta tipologia tornou-se predominante em Cobija durante o período colonial. Tanto em forma isolada como formando conjuntos, este modelo se constitui na referência maior de identidade cultural para seus habitantes. É o fator diferenciador por excelência de sua arquitetura, e ao mesmo tempo, determina o caráter de sua imagem urbana no contexto nacional.

Basicamente, a tipologia se reduz a um volume de planta retangular, com cobertura de duas águas com frontão ou frente triangular nas duas frentes menores. Funcionalmente, é uma solução monoambiental com ingressos coincidentes com seu eixo maior. Tecnologicamente, se resolve com estrutura completamente em madeira, coberta com chapa galvanizada ondulada (telha metálica). Normalmente, os volumes se agregam perpendiculares à rua, com a frente triangular enfrentando a rua e o fundo do lote. Isto configura um perfil urbano caracteristicamente recortado.

A relativamente reduzida inversão total realizada em uma moradia pré-fabricada já montada, justificou a incorporação massiva do modelo em toda a região amazônica com ligeiras variações. As principais empresas borracheiras e comerciais destinavam estas moradias urbanas para seus proprietários e os funcionários europeus que contratavam para administrar sua produção e manter sua maquinaria.

A maior parte destas casas, com uma habitação, possui apenas um nível. A existência atual de divisórias móveis e panos pendurados sugere que são utilizados para separar ambientes. Entretanto, a existência de aparatos de ferro fundido para cozinha, que permitiam o uso de lenha sem riscos em interiores de madeira, não exigiu em princípio a construção de ambientes específicos para a cozinha. Ainda que a quantidade de casas de dois níveis seja agora reduzida, existem documentos que demonstram que seu número era significativamente maior até 1947, quando um incêndio destruiu um importante setor da cidade.

A parede triangular frontal define a morfologia geral. As portas e janelas apresentam desenhos estandardizados, com dois planos pivotantes, que nos casos do segundo nível são envidraçados. É muito comum o dintel superior, que às vezes apresenta formas ogivais com entrelaçamentos próprios da arquitetura vitoriana.

Tipologia 2: volume lateralizado

Esta tipologia apresenta também obras públicas e residências. Coincide historicamente com a anterior, e de fato, ambas correspondem a uma morfologia dominada por uma decoração de corte vitoriano. Sem dúvida, entre esta e a primeira existem algumas diferenças significativas. A relação com a rua é radicalmente distinta do caso anterior, já que esta tipologia resolve o volume lateralmente junto à rua, evitando a parede triangular frontal. Condicionado pela solução, o volume se abre em vãos a, cujo ritmo define fortemente sua morfologia, assim como seus detalhes.

Nesta tipologia se reconhece o uso de duas tecnologias diferenciadas: a madeira e o adobe. A maior parte dos exemplos identificados tem uso residencial, comercial ou misto e apresentam soluções de um nível. Entre as obras públicas que respondem a esta tipologia se encontra a Aduana Nacional, construída em 1919 em adobe.

Tipologia 3: volume com parede triangular centralizada

Esta tipologia histórica se vincula diretamente com as duas anteriores e pode ser entendida como uma síntese. Consiste basicamente em volumes relacionados com a rua paralelamente a seu eixo maior, em cujo centro ou extremos se localiza simetricamente uma ou três paredes triangulares. Resta somente um exemplo em pé desta tipologia: o já em ruínas Hospital Civil-Militar “Dr. Roberto Galindo”, que não se encontra no Centro Histórico, e que além disso apresenta galerias exteriores. Antes de sofrer importantes reformas, a sede da delegacia, ou Chalet “Yotala”, era o mais importante edifício vitoriano de Cobija e foi construído em 1918, completamente em madeira.

Tipologia 4: volume com galerias exteriores

Mesmo considerando que Nicolás Suárez fosse da região de Santa Cruz de la Sierra e a que a maior parte dos seringueiros viessem do oriente boliviano, a arquitetura com galerias exteriores até a rua não conseguiu alojar-se em Cobija. Apenas dois exemplos históricos existem atualmente, construídos com tecnologia diferenciada.

A Casa Suárez, residência e sede comercial do proprietário original de Bahia, é hoje a escola paroquial Maryknoll. Deve ter sido construída antes de 1920, já que seus vãos correspondem àqueles das casas em madeira desse período. Os corredores exteriores dão para três ruas e sua reduzida largura em realidade mais parece um mecanismo de proteção de suas paredes de adobe do que um espaço de vivência, como acontece no oriente. O uso da galeria exterior se limitou a alguns exemplos contemporâneos.

Tipologia 5: volume com elevação eclética

Esta tipologia, hoje exclusivamente pública, também incluiu obras residenciais no passado. Consiste em volumes convencionais em madeira ou adobe e coberta de zinco, adornados com elevações de adobe com decoração eclética. Atualmente, só restam a Igreja de “Nossa Senhora do Pilar” e o Quartel Militar do Regimento “Riosinho”.

Inaugurado em 1930, o templo principal de Cobija foi ampliado em 1977. A solução original contemplava uma nave salão com campanário de adobe adornado com motivos neogóticos. A ampliação converteu a nave original em transepto, enquanto que a nova nave se aproximava a uma esquina da praça principal.

Tipologia 6: volume com balcão saliente

Esta tipologia foi construída em Cobija por imigrantes de La Paz, os quais, tal como seus compatriotas de Santa Cruz de la Sierra e benianos, tampouco puderam impor seus próprios modelos residenciais na Amazônia boliviana. Assim, se limitaram a construir algumas edificações, das quais restam dois exemplares que permitem reconhecer o modelo colonial andino. Em ambos casos se tratam de edificações de esquina e de dois pavimentos, datando dos anos 40.

Tipologia 7: volume isolado

Esta tipologia coincide bastante com as obras construídas na segunda metade de século, no marco de um novo espírito caracterizado por novos materiais e formas. A atual Universidade Amazônica de Pando, ex-sede do Banco Central de Bolívia, obra edificada baseada num projeto do arquiteto Ivika Krsul, entre 1952 e 1955, se constitui em uma obra destacada do Movimento Moderno na Bolívia. Prolonga-se por duas ruas, frontal à Plaza "Potosí", combinando galerias exteriores com volumes maciços.

A mesma atitude se reconhece em obras contemporâneas. Aparentemente, o espírito isolacionista das correntes conservadoras do Movimento Moderno em arquitetura permanece vigente em Cobija. A respeito, saem da corrente algumas obras de espírito pós-moderno, como a nova sede da Ouvidoria Departamental e o megalômano Palácio da Justiça, ainda em construção.

Aparentemente, uma nova tendência regional está surgindo, graças ao trabalho ambientalmente consciente de Arturo Malala, que está construindo casas com materiais da região. A nova proposta estética e tecnológica apresenta um caráter mais "amazônico" e lembra o trabalho em madeira do arquiteto brasileiro Severiano Mário Porto. Sua própria casa é um excelente exemplo de adaptação tecnológica e expressividade regional, comprometida com a natureza e a cultura amazônica. Um exemplo curioso marcado pela mesma atitude regional é a “casa de Tarzan”, construída paulatinamente por um advogado, utilizando materiais de demolição e conseguindo uma expressividade notável.

A arquitetura, entendida como a máxima expressão material de uma cultura, encontra em Cobija uma expressividade única na Bolívia. Desprovida de obras monumentais, as ruas da cidade permitem reconhecer suas diferentes etapas históricas. A simplicidade de suas tipologias arquitetônicas não impede que estas sejam altamente significativas para os que vivem sua urbanidade, reforçando seu sentido de identidade coletiva.

Conclusões

Em proporção a sua população, nenhuma cidade boliviana mereceu durante este século o grau de atenção dispensada a Cobija. Isto determinou duas situações paradoxalmente contraditórias. Primeiro, a intervenção estatal permitiu à pequena cidade contar com um equipamento urbano comparativamente mais completo que qualquer outro centro urbano nacional de população parecida, superando em muitos casos, suas necessidades reais. Em contrapartida, esta massiva intervenção governamental tem conformado uma comunidade muito dependente do emprego público, que encontra sérias dificuldades para enfrentar uma nova dinâmica produtiva de caráter competitivo. Como conseqüência da redução do aparato burocrático e a diversificação da produção e os serviços, se transformou radicalmente a economia urbana. A economia de mercado encontra aos cobijeños em clara desvantagem em relação aos novos migrantes que diariamente chegam do interior do país, e exige deles uma mudança radical de comportamento, para não ficar à margem dos benefícios de seu próprio desenvolvimento.

É importante destacar que existe um tratamento paisagístico interessante, fundamentado em grandes palmeiras reais, ordenadas em tomando partido de perspectivas e aproveitando os acidentes topográficos urbanos. Neste sentido, se reconhece uma singular interação entre o fato arquitetônico, o urbano e o paisagístico, conformando uma imagem urbana global única na Bolívia.

A área central apresenta qualidades espaciais urbanas particulares, como conseqüência de um tecido de escala reduzida e uma massa edilícia compacta. De fato, se tem mantido conjuntos compactos de tipologias historicamente relevantes, que fortalecem o sentido referencial histórico da arquitetura.

Finalmente, o processo de renovação de suas tipologias históricas, que entrou em uma fase agressiva na última década, tem colocado em risco a preservação da identidade da imagem urbana. A deterioração natural das casas de princípios de século e a falta de conscientização sobre o valor simbólico das mesmas, contribuem para o processo.

Diante do mencionado, fica evidente que as autoridades da cidade de Cobija devem preocupar-se com a salvação do que resta de seu patrimônio. É imperativo iniciar imediatamente o processo de definição da área urbana que se constitui em Centro Histórico, estabelecendo políticas específicas de preservação e intervenção no patrimônio urbano, arquitetônico e paisagístico. Segundo, a identificação das obras arquitetônicas de valor patrimonial. Terceiro, a identificação dos espaços urbanos e conjuntos paisagísticos de valor patrimonial. Quarto, o estabelecimento do grau e do tipo de proteção para as obras arquitetônicas, os conjuntos urbanos e conjuntos paisagísticos considerados significativos e de valor patrimonial. Sexto, a identificação e estabelecimento de instrumentos legais, administrativos e financeiros necessários para efetivar as políticas de preservação do patrimônio.

Cobija, com sua exclusiva personalidade arquitetônica, sua peculiaridade urbanística e sua excepcional beleza paisagística, é a cidade boliviana de caráter urbano mais independente. Valorizar e preservar aquilo que a faz única e especial, é de interesse não apenas dos pandinos, mas de todos os bolivianos.

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sobre o autor

Victor Hugo Limpias Ortiz é arquiteto, mestre em Arquitetura, professor de "Arquitetura Boliviana" e "Arquitetura Contemporânea", diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Privada de Santa Cruz de la Sierra, UPSA.

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