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architexts ISSN 1809-6298


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O novo paradigma na arquitetura é o título da sétima edição do bestseller de Charles Jencks escrito originalmente em meados dos anos 70

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The new paradigm in architecture is the title of the seventh edition of the bestseller by Charles Jencks originally written in the mid-70


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BALTAZAR, Ana Paula. O novo paradigma na arquitetura: a linguagem do pós-modernismo. Arquitextos, São Paulo, ano 03, n. 025.06, Vitruvius, jun. 2002 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03.025/775>.

O novo paradigma na arquitetura (“The new paradigm in architecture”) é o título da sétima edição do bestseller de Charles Jencks escrito originalmente em meados dos anos 70, no começo do movimento pós-moderno na arquitetura. A linguagem do pós-modernismo (“The language of post-modernism”) passa a ser o subtítulo dessa edição recente, que além de ter passado por seis edições que contextualizavam a abordagem nos respectivos momentos, agora foi completamente reescrita e complementada com dois capítulos novos. É no mínimo curioso que o livro O novo paradigma na arquitetura seja uma revisão da abordagem de Jencks nos anos 70.

Vale a pena observar que o título dessa nova edição é o novo paradigma "na" arquitetura e não "da" arquitetura. Parece-me que há um certo cuidado na escolha da preposição, e desta forma Jencks não se compromete em dizer que há uma mudança do paradigma da arquitetura, embora ele nos induza a tal conclusão. O novo paradigma é na verdade o paradigma científico da complexidade (ciências da complexidade), que segundo Jencks é indubitavelmente um novo paradigma, e que vem sendo apropriado pela arquitetura de maneiras diferentes. Jencks não apresenta uma arquitetura do novo paradigma nem estabelece o novo paradigma para uma nova arquitetura, mas trabalha entre arquitetura e ciência, na margem do levantamento histórico e da previsão, colocando-se numa condição bastante confortável para desenvolver o argumento (como no caso do pós-moderno), sem comprometer-se em afirmações duvidosas, que ficam por conta do leitor.

O tema central da abordagem de Jencks ainda é a complexidade, que impulsionou o movimento pós-moderno desde a contra-cultura dos anos 60 e vem sendo discutida no urbanismo a partir do trabalho de Jane Jacobs e na arquitetura a partir do trabalho de Robert Venturi. Desta vez a complexidade é analisada em seu status de novo paradigma científico e Jencks nos apresenta um paralelo entre o paradigma científico Newtoniano e o paradigma arquitetônico modernista (mecanização do mundo, formas simples), sugerindo que seguindo o paradigma das ciências da complexidade logicamente um novo paradigma da arquitetura seria estabelecido (assumindo que se é que existe um novo paradigma, ele vem de outros campos fora da arquitetura). A demanda da complexidade na arquitetura e urbanismo é então analisada em paralelo ao desenvolvimento das ciências, e assim Jencks nos apresenta como tal demanda começa a ser respondida por uma série de projetos complexos ajudados pelo computador e (no meu ver) fazendo uso formal de metáforas vindas das ciências. Essa "nova" arquitetura é geralmente de forma curva, arqueada e fractal, e segundo ele é também mais voltada para o convívio, mais sensual e articulada que a arquitetura moderna que ela vem questionar.

Segundo Jencks, o principal ponto da nova edição é a identificação de sete tendências ou sete arquiteturas atuais que se apropriam das ciências, cujos precursores são arquitetos como Frank Gehry, Daniel Libeskind e Peter Eisenman. As sete arquiteturas contemporâneas identificadas com uma nova complexidade são: 1. Fractal (2), cujos exemplos são na maioria projetos de Libeskind e Eisenman usando fractais na geração de forma (planta, fachada, volumetria e padronização de revestimento); 2. Organitech, ecotech ou green architecture, cujo precursor é Ken Yeang com seus projetos de edifícios hightech com preocupação ambiental (outro exemplo dado é Norman Foster e o projeto polêmico para um arranha céu espiral em Londres); 3. Computer science, que é o uso da computação para gerenciar dados no intuito de integrar maior diversidade de fatores, nesse aspecto Jencks aponta Rem Koolhaas como grande exemplo da consideração e manipulação de dados para integração da cultura no espaço (outros exemplos incluem MVRDV e Ben van Berkel, e Jencks enfatiza principalmente os livros S, M, L, XL de Koolhaas e Metacity datatown de MVRDV); 4. Blob (dobra e blob), a tendência dos leitores de Deleuze, cujo maior expoente é Greg Lynn, e diversos escritórios tais como Will Alsop, Frank Gehry, Peter Eisenman e etc., vêm adotando; 5. Landforms, waves, cuja atenção é voltada para a complexidade de ondulação do piso, e aqui Jencks cita a estratégia adotada por Enric Miralles criando uma série de seções consecutivas em vez de trabalhar com curvas de nível (outros exemplos incluem Yokohama Port Terminal do FOA e um projeto de paisagismo do próprio Jencks); 6. New cosmogenic, que refere-se a aplicação dos modelos atuais de investigação do universo na arquitetura, diversos exemplos incluindo jardins do próprio Jencks e a obra de Neil Denari, cuja forma identifica-se com o modelo dobrável do universo (manyfold universe) proposto por Stephen Hawking no livro The universe in a nutshell; e finalmente 7. New form monumental building, cujo exemplo mais popular é o Museu Guggenheim de Frank Gehry em Bilbao.

Depois de apresentar as diversas investigações auxiliadas pelo computador, cuja maioria é formal, Jencks termina sua palestra com duas considerações. Uma primeira referente ao potencial do computador em permitir a emergência de formas não inteiramente controladas pelas mãos do arquiteto, o que Jencks acredita ser um passo em direção a um novo paradigma, questionando a explicação Cristã da criação do mundo, onde tudo teria sido criado a partir das mãos de Deus-arquiteto. E uma segunda deixando aberta a questão: "Isto é um novo paradigma?" Eu responderia que ainda não, essa elaboração formal das metáforas científicas que Jencks apresenta não é suficiente para definir um novo paradigma, mas aponta vários caminhos interessantes para futuros desenvolvimentos que possivelmente implicarão num novo paradigma. Se considerarmos que desde o Renascimento a arquitetura tem estado envolvida no mesmo mito, que segundo Maria Lúcia Malard é o "mito das aparências" (3), entenderemos que essas aplicações ou transposições da aparência dos modelos científicos para a arquitetura não apenas se enquadram no mesmo mito como também levam o mito das aparências ao extremo.

O trabalho de Jencks é precioso por levantar as diversas manifestações atuais das inovações do que ele chama de complexidade na arquitetura ajudada pelo computador, e ele mesmo admite a ênfase formal de tais arquiteturas, mas considera esse momento como uma possível sobreposição de paradigmas. Porém, o leitor deve estar atento para não tomar essas "inovações" além do limite delas mesmas (além do mito das aparências) banalizando o potencial do uso do computador e da complexidade da arquitetura (o que impediria uma real mudança de paradigma). Voltando a primeira das considerações finais de Jencks, "emergência" é sim um fator fundamental a ser trabalhado e potencializado pelo computador na arquitetura, mas não necessariamente deve ser restrita à geração de forma. Se considerarmos mais cuidadosamente o papel de Deus-arquiteto na criação do mundo, perceberemos que na verdade este arquiteto não criou o mundo como ele é hoje, ele teria criado os seres animados e os elementos, e a partir daí tem início um processo evolutivo baseado na inter-relação das diversas criações entre si, onde a principal "emergência" é da inter-relação e não da forma em si. Um exemplo de "emergência" na arquitetura além de geração da forma é o Fresh Water Pavilion do NOX (4), onde o computador é parte do objeto arquitetônico e o ambiente emerge (é completado e recompletado) a cada interação do usuário com o edifício. Nesse caso a "emergência" que o computador propicia é trabalhada no nível do evento e não da substância (5), e o arquiteto realmente abre mão de um controle total sobre a forma (aparência) final do objeto. Curiosamente esse exemplo foi omitido na palestra de Jencks.

Links interessantes

MVRDV - http://www.archined.nl/

Greg Lynn - http://www.glform.com/Daniel Libeskind - http://www.ooo.nl/libeskind/home.htmNorman Foster - http://www.fosterandpartners.com/Neil Denari - http://www.alsopandstormer.com/Will Alsop - http://japan.park.org/Japan/Sony/3DWorld/Neil_Denari/

notas

1
Charles Jencks apresentou o argumento de seu “novo” livro numa palestra na noite de lançamento do livro no RIBA em Londres no dia 11 de Junho de 2002. O livro The new paradigm in architecture: the language of post-modernism de Charles Jencks já está disponível pela Yale University Press (sales@yaleup.co.uk). Esse texto é uma discussão dos aspectos abordados por Jencks na palestra de lançamento do livro, e não uma resenha do livro, que é muito mais extenso que o recorte aqui apresentado.

2
Numa ocasião anterior, numa palestra focando urbanismo, o argumento de Jencks já era totalmente a favor do modelo fractal em substituição ao modelo modernista, mostrando algumas investigações de modelamento analítico do crescimento urbano, onde o fractal seria o único modelo capaz de representar a expansão urbana, e por isso a pesquisa nessa área começou a ganhar atenção, ainda que o fractal não tenha sido aplicado na projetação de nenhum espaço urbano. Para maiores informações das investigação de fractais no complexo urbano ver o trabalho do Professor Michael Batty do Centre for Advanced Spatial Analysis (CASA), UCL.

3
MALARD, Maria Lúcia. Modernismo e pós-modernismo: o mito das aparências em arquitetura. A autora escreveu esse livro na ocasião do concurso para professor titular do departamento de projetos da UFMG em 1995. Livro ainda não publicado mas disponível na biblioteca da escola de arquitetura da UFMG.

4
Uma das aplicações da computação nesse projeto é a leitura do peso do visitante quando este esbarra, pisa ou pula num dos sensores colocados no piso e dai este peso é calculado como se fosse uma pedra jogada na água e automaticamente projeta-se um gride no espaço traduzindo o movimento do visitante no pavilhão como uma pedra caindo na água.

5
Pierre Lévy no livro O que é o virtual? trabalha os conceitos de evento e substância, referindo-se respectivamente às relações entre virtual e atual (evento) e potencial e real (substância). O argumento deriva dos livros Diferença e repetição, de Gilles Deleuze, e Chaosmose, de Félix Guattari.

sobre o autor

Ana Paula Baltazar é arquiteta formada pela UFMG onde também completou seu mestrado em 1998. Atualmente é bolsista da CAPES fazendo doutorado na Bartlett School of Architecture na University College London. Desde 1993 vem desenvolvendo pesquisa no LAGEAR (Laboratório Gráfico para o Ensino de Arquitetura da EAUFMG). Em 1997 fundou juntamente com um grupo de arquitetos o IBPA (Instituto Brasileiro de PerformanceArquitetura) e vem investigando o potencial da performance como estratégia no processo de design arquitetônico. Desde 1999 é membro do London Virtual Reality Group. Tem apresentado e publicado diversos artigos no Brasil e no Exterior

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