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architexts ISSN 1809-6298


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Conheça a obra brasileira do arquiteto italiano Giancarlo Palanti, que havia atuado em seu país como redator das revistas Domus e Casabella, e professor do Politécnico de Milão. Participou do concurso de Brasília com Henrique Mindlin

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Meet the Brazilian work by the Italian architect Giancarlo Palanti, who had served in his country as the editor of Domus and Casabella, and professor of the Polytechnic of Milan took part in the competition from Mexico City to Henry Mindlin


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SANCHES, Aline Coelho. A obra de Giancarlo Palanti em São Paulo. Arquitextos, São Paulo, ano 03, n. 031.01, Vitruvius, dez. 2002 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03.031/722>.

A obra do arquiteto italiano Giancarlo Palanti em São Paulo apresenta algumas especificidades no contexto da produção de arquitetos estrangeiros no Brasil. Nas narrativas sobre a arquitetura moderna brasileira a participação de estrangeiros aparece de diversas maneiras. Em alguns momentos ela é singular. Uma rápida estadia no país é capaz de conformar os traços dessas histórias, como o caso de Le Corbusier no episódio do projeto do Ministério da Educação, em outros, ela quase não é citada. Em outros ainda eles são tratados como um grupo, como no caso dos arquitetos imigrantes que aportaram no Brasil no pós-guerra, a maioria deles bem situada profissionalmente em seus países de origem, que vinham para o país à procura de novos horizontes de vida e trabalho.

Muitos destes arquitetos chegaram ao país em um momento de consagração internacional de nossa arquitetura, impulsionada pela apresentação do pavilhão brasileiro em Nova Iorque, em 1939, ou pela mostra de arquitetura brasileira no MOMA em 42 (publicada através do livro Brazil Buids, architecture new and old), que exaltaria as adaptações da arquitetura brasileira às condições culturais e ambientais do país, em especial ao seu clima e paisagem natural. Livro e exposição viam aí um passo adiante em relação aos moldes fixados pelo racionalismo europeu.

Atraídos pela dinâmica econômica e cultural brasileira, muitos dos arquitetos imigrados fixaram-se em São Paulo e foram chamados a tomar parte da construção de programas que adquiriam um novo significado na cidade em expansão: os edifícios industriais, cuja produção exigia novas formas de organização e agenciamento do espaço, e os edifícios urbanos destinados à moradia e ao lazer da classe média. Surgiram novos prédios de apartamentos, teatros, salas de cinemas, museus, etc. onde os arquitetos participavam da construção das novas feições da metrópole. Esse processo foi promovido pelo mercado imobiliário, com os arquitetos modernos disputando diretamente o gosto do público para os novos lançamentos.

Dentro desse quadro que se insere a contribuição do arquiteto italiano Giancarlo Palanti (2). Nascido em Milão, Itália, em 1906, Palanti formou-se em 1929 na Escola Politécnica daquela cidade. Pertencente à segunda geração de arquitetos racionalistas do país, sua obra italiana abrangeu desde o desenho industrial até projetos urbanísticos, incluindo edifícios para habitação popular e participações nas Trienais de Milão. Inseriu-se no contexto milanês do período entre guerras, rico em conflitos e marcado por diferentes posições frente ao fascismo. Atuou como redator das revistas Domus (1932-1933) e Casabella (1933) e como diretor, junto a Franco Albini, da revista Casabella Costruzioni (1946). Foi professor do Politécnico de Milão entre 1935 e 1946.

Nomes importantes na construção da arquitetura moderna italiana foram seus parceiros de trabalho, tendo sido os mais constantes o de Franco Albini e de Renato Camus, com quem desenvolveu a maioria de seus projetos em equipe. Entre eles destaca-se o Conjunto habitacional "Fabio Filzi", em Milão, 1933, caracterizado por uma postura muito próxima à produção habitacional alemã do período.

Palanti teve papel destacado no desenvolvimento da museografia moderna italiana, primeiro através da montagem de stands em exposições comerciais ou políticas do período. A seguir através do Salão de Honra da VI Trienal de Milão (1936) em parceria com Edoardo Persico, Marcello Nizzoli e Lucio Fontana.

Junto a Giuseppe Pagano, Palanti retoma a radicalidade dos primeiros projetos, como na proposta "Milão Verde" (1938, com Pagano, Albini, Gardella, Minoletti, Predaval e Romano), onde desaparecem todos os flertes com a estética clássica que caracterizaram a arquitetura do período fascista. Próximo ao final da guerra passa a compor o MSA (Movimento Studi di Architettura – alternativa racionalista ao organicismo de Bruno Zevi) e o grupo italiano do CIAM, tendo participado com este, do plano diretor de Milão (Plano AR 1944-5).

Por motivos ainda pouco elucidados, em um momento de desilusão e mudança de rumos, Palanti emigra para o Brasil em 1946, onde se naturaliza, fixando-se em São Paulo. Logo que chega ao país, Palanti associa-se a outro italiano, Daniele Calabi, para desenvolver o projeto da Casa da Infância para a Liga das Senhoras Católicas.

Suas obras brasileiras entre o final da década de 40 e meadas de 60 envolvem desde o projeto de mobiliário para produção em série, passando pela organização de exposições, arquitetura de interiores, residências, projetos para edifícios de apartamentos e escritórios. São vários os projetos para indústrias, bancos, hotéis, cinemas e urbanismo, envolvendo desde a urbanização de fazendas para loteamentos até o projeto para o plano piloto de Brasília. Um conjunto de obras que participa expressivamente da construção de São Paulo naquele momento.

A grande maioria de sua clientela era do setor privado. Através dos sobrenomes pode-se  reconhecer vários italianos ou descendentes, entre os quais o Conde Attilio Matarazzo e o próprio "Circolo Italiano". Seus dois primeiros edifícios para Amina e Lívia Maggi eram destinados ao aluguel, o primeiro de escritórios e o segundo de apartamentos.

A maioria das construções verticalizadas, como os edifícios de uso misto ou edifícios de apartamentos, localiza-se na região central de São Paulo, envolvendo as áreas de Santa Cecília, da Praça da República, da Avenida Paulista, enquanto as residências ocupam os bairros novos como o Pacaembu, o Jardim América e o Jardim Paulistano. Em bairros como o Tatuapé, o Ipiranga e o Jabaquara encontram-se os edifícios assistenciais para a Liga das Senhoras Católicas. Nos arredores da cidade está a maioria dos 11 projetos de edifícios fabris.

O interesse comum em desenvolver um mobiliário moderno, produzido industrialmente, o leva a associar-se a Lina Bo e a Pietro Maria Bardi no Studio de Arte e Arquitetura Palma. Ali, Palanti e Lina realizam uma série de móveis e vários projetos de interiores entre 1947 e 1950.

Os projetos de móveis visavam a produção em série realizada através do recorte de chapas de compensado fornecidas pela indústria, de peças encaixáveis e desmontáveis, dos perfis laterais recortados como uma só peça.

O texto de apresentação dos mesmos, publicados no primeiro número da revista Habitat, dirigida por Lina Bo Bardi, relata a possibilidade de seriação e a preocupação com a simplicidade da estrutura. O desenho das formas simplificadas e sem ornamentação aparecem como manifestações do ideário de projeto do desenho industrial moderno, indicado pelas vanguardas européias. Ao lado desses pressupostos, vê-se nos móveis e no texto os temas das particularidades brasileiras encontrados na preocupação com a adaptação do mobiliário "ao clima e à terra" (3), com materiais nativos e com atenção aos modos de vida e de produção tradicional de objetos de uso cotidiano no Brasil.

Os arquitetos do Studio Palma afirmavam que era preciso evitar a produção de mofo, freqüente nos estofamentos aveludados da mobília burguesa cujo gosto voltava-se para os estilos importados, com móveis onde predominava a “ostentação”, o excesso de ornamentação, as madeiras estrangeiras e os tecidos quentes. Pretendia-se uma mudança em um gosto, ao menos de uma determinada classe, que não era moderno e não condizia com as condições climáticas do país.

Se alguns projetistas de móveis, como Joaquim Tenreiro ou Bernardo Figueiredo, iriam encontrar a solução para o móvel brasileiro no uso da palhinha e das madeiras sem estofamento das mobílias das famílias coloniais abastadas, não seria esta a referência predominante para os móveis dos arquitetos do Studio Palma.

A materialização desses projetos foi feita a partir de materiais do Brasil: as madeiras brasileiras – como a cabreúva e o jacarandá paulista, cujas características peculiares são exaltadas pelos autores – beleza das veias e das tintas; grau de resistência e capacidade – e os materiais que compõem espaldares e os assentos de poltronas e cadeiras, como os tecidos naturais, o sisal, o atanado, o couro ou mesmo a taboa (4). Neste projeto de desenho e produção do móvel moderno a atenção não está voltada ao mobiliário colonial mas no interesse pelo africano, pelo indígena, pelo sertanejo, pelas tradições do povo.

A fábrica de móveis Pau Brasil, fundada pelos mesmos sócios para produzir a mobília moderna projetada no Studio, durou apenas três ou quatro anos, graças aos obstáculos de comercialização e vendas dos móveis que eram aceitos por uma minoria. Apesar de curta, a experiência do Studio Palma é considerada pioneira na produção do mobiliário moderno no Brasil.

Dentro do próprio Studio, Palanti já realiza um projeto para a empresa Olivetti, da qual será o arquiteto exclusivo e realizará lojas em todo o país. Nessa produção Palanti pode retomar a proximidade com o design italiano, uma vez que essa empresa foi uma das suas mais importantes promotoras (5).

Pietro Maria Bardi colabora com textos para a Exposição de Desenho Industrial – Olivetti, realizada no MAM do Rio de Janeiro em 1958, com projeto expositivo de Palanti em colaboração com o artista gráfico italiano Bramante Buffoni e com o arquiteto brasileiro Henrique Mindlin. Na ocasião escreve sobre o projeto para os interiores dos escritórios Olivetti, projetado por estes arquitetos no Edifício Conde de Prates:

"A Olivetti no Brasil, como entidade produtora, além de contribuir ao progresso industrial e econômico de uma maneira sem dúvida benéfica, representa um passo decisivo na atualização, neste país, do desenho industrial ainda por demais deixado de lado ou então reproduzido por quem quer que seja. O primeiro anúncio desse passo é a própria instalação dos escritórios, como pode-se ver nestas páginas. O arquiteto Palanti tem desenhado, especialmente para este fim, uma série de móveis para os vários usos, segundo a sua própria linha, uma linha que nasce como conseqüência do antigo slogan de Sullivan, às vezes por demais esquecido: "Forms follows function" (A forma segue a função). Se os arquitetos soubessem restringir seu trabalho à essas palavras, tudo correria melhor" (6).

Dos temas das peculiaridades nacionais dos móveis do Studio Palma, restam nos móveis e interiores de Palanti, o uso de alguns materiais, como a mesa de jacarandá da Bahia dos escritórios da Olivetti, as folhagens tropicais freqüentes em seus trabalhos para essa empresa e os temas dos painéis de Bramante Buffoni para vários de seus projetos. Este artista gráfico italiano é o principal parceiro de Palanti na concepção das lojas Olivetti. Além dele, Palanti trabalha também, no Brasil, com outros artistas plásticos entre os quais, Roberto Sambonet e o escultor Bruno Giorgi construindo uma unidade entre artes plásticas e arquitetura.

Nesses anos Palanti desenvolve vários projetos para edifícios junto à construtora Alfredo Mathias, na qual ocupa o cargo de diretor da seção de projetos entre 1952 e 54. Com tais obras, Palanti cria algumas imagens características de São Paulo daquele período localizadas em pontos  importantes da cidade. É o caso dos projetos do conjunto de edifícios "Chipre" e "Gibraltar" e do Cinema Belas Artes, na esquina da Rua Consolação com a Av. Paulista, e da revisão do projeto do edifício de escritórios "Conde de Prates" no Vale do Anhangabaú.

Este edifício apresenta quatro fachadas envidraçadas, viabilizadas por um núcleo central de circulação e serviços, capaz de liberar todo o perímetro do entorno para divisão em salas comerciais. Ele coloca uma relação especial com a cidade ao acomodar-se ao desnível do sítio, estabelecendo um acesso pela parte baixa do Vale do Anhangabaú e outros dois interligados por uma galeria interna, que serve de hall ao edifício, abrindo-se para a Rua Libero Badaró e para o Vale com acesso pelo Viaduto do Chá. Na altura destas entradas há uma esplanada que contorna todo o edifício.

Outros projetos para a construtora são a Biblioteca Pública "Martinico Prado" em Araras, um grupo de edifícios de apartamentos econômicos, um condomínio no Guarujá e o Projeto para o Concurso para o Paço Municipal de São Paulo.

Entre 1954 e 56, Palanti trabalha com o arquiteto italiano Maurizio Mazzochi para a OTI (Organización Tecnica Internacional – arquitetos e engenheiros reunidos). A OTI foi uma organização dirigida por Mazzochi, com sede em Milão, que estabelecia escritórios técnicos de arquitetura em outros países, como Uruguai e Argentina, através de associações com arquitetos que constituíam delegações em seus países. Palanti seria o responsável pela delegação brasileira.

Dos projetos realizados em parceria com Mazzochi pode-se citar a residência para a Sra. Adriana Benedicts, projetada entre 1955 e 1956, no Brooklin Paulista Velho. Em todos os estudos do projeto percebe-se uma organização intimista, não realizada através de pátios, mas que promove, através da implantação e do agenciamento da planta, áreas íntimas diretamente relacionadas com jardins protegidos da rua.

Assim, sala de estar e jantar abrem-se para os dois jardins, frontal e posterior, unindo espaços cobertos e abertos e ampliando a área de sociabilidade da família como um espaço único que passa a ocupar toda a extensão do lote.

Individualmente, Palanti projeta nestes anos um edifício no Guarujá, onde ainda realizaria algumas residências e um hotel. Em São Vicente, projetaria um grande conjunto de três edifícios de apartamentos à beira mar, no qual percebe-se que o alcance do crescimento do papel da classe média e alta em São Paulo e os novos programas de lazer que ultrapassavam os limites da cidade.

Destaca-se ainda a residência para o Sr. Rodolfo Bonfiglioli, de 1955, na Chácara Flora. Localizada em um terreno sem as limitações do lote tradicional a casa configura-se em torno de dois pátios, um deles envolvido pelas áreas de serviço e o outro pela área social e por uma marquise. Enquanto os volumes se justapõem em formas ortogonais, elementos como a marquise, a piscina e os caminhos do jardim adquirem formas mais orgânicas.

Também aqui se integra a área de estar com dois espaços abertos ampliando os seus limites. Percebe-se que o interesse em configurar uma continuidade espacial entre áreas cobertas e abertas é grande, chegando ao limite de fazer com que o piso do terraço invada a sala de estar, e com que a laje do mesmo seja perfurada por uma árvore. Há a previsão de um painel na lateral do volume de serviços que configura uma espécie de pátio juntamente com o volume de estar e a marquise, cuja importância na composição está aí delimitada.

Por volta de 1952, inicia-se a associação com Henrique E. Mindlin que toma corpo entre 1954 e 56. Desta parceria surgiu o projeto classificado em quinto lugar no concurso para o plano piloto de Brasília, o projeto do Pavilhão do Brasil na XXX Bienal de Veneza, além de diversos projetos de residências, edifícios industriais, arquitetura de interiores, projetos de urbanização, edifícios mistos com galerias em áreas centrais da cidade e hotéis, estando a condução das obras de São Paulo a cargo de Palanti e as do Rio de Janeiro a cargo de Mindlin.

Em 1964, fundam junto a mais três sócios o escritório chamado "Henrique E. Mindlin, Giancarlo Palanti e Arquitetos Associados", primeiro escritório de arquitetura no país constituído juridicamente como uma empresa (7). Nele foram introduzidas bases objetivas para o desenvolvimento de um trabalho em equipe, dividido em duas sedes, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo.

Um edifício importante em São Paulo, fruto da primeira fase da associação, é o Bank of London and South America, de 1959, realizado em equipe com Mindlin, e a colaboração de Walmir Lima Amaral, Marc Demetre Fondoukas, Pedro A. V. Franco, Osmar Carvalho, Mário Ribeiro e Olga Verjovsky.

Fruto de um concurso interno do Banco, de acordo com Walmir Lima Amaral, o partido que havia dado a vitória à equipe, isto é, a localização da rampa de carros na lateral do edifício, teria sido sugerido por Palanti. Este recurso possibilitou o afastamento do edifício e a inserção de um jardim em uma zona árida da cidade, contribuindo para marcar o prédio diante do entorno em que se colocava.

A ampliação do espaço urbano acentuar-se-ia mais ainda através do recuo do bloco principal da edificação, possibilitando um amplo terraço a céu aberto no nível do refeitório dos funcionários, no 3º pavimento.

O agenciamento da planta seria retomado em outros projetos da equipe para edifícios de empresas e bancos. Trata-se da localização das áreas de destinação específica e permanente, isto é, prumadas de circulação, instalações sanitárias, cozinhas, etc. localizadas de um lado do edifício, no limite maior com o lote vizinho. Isto conferiu flexibilidade ao espaço remanescente que poderia ser agenciado das mais diversas maneiras, a partir de elementos de fácil instalação e remoção, de acordo com as necessidades do banco. A adoção desta solução levou a uma rigorosa modulação do projeto e dos detalhes gerais, dos pontos de luz e ar condicionado nos tetos, e tomadas e telefone nos pisos. Vale mencionar aqui que a tese de livre-docência de Henrique Mindlin, defendida na Faculdade Nacional de Arquitetura, tratava das prumadas de circulação vertical em edifícios altos.

A comunicação visual do projeto ficou a cargo do artista plástico Bramante Buffoni, que realiza um painel metálico no saguão térreo, reforçando a relação freqüente no período, e especialmente nas obras de Palanti, entre a arquitetura e as demais artes.

Destacam-se as inovações no sistema de comunicação interna, o detalhamento do projeto, a economia no processo de construção, resultado da colaboração entre a equipe e o arquiteto representante do Banco, Walter Morrison, que logo viria a se associar à equipe do escritório. Importa, portanto, para os arquitetos, a resolução de um programa complexo que se instalava na cidade e um relacionamento especial do edifício com o entorno urbano.

Em 1966, Palanti desfaz sua associação com Henrique Mindlin. Realizaria ainda alguns projetos até meados de 70, vindo a falecer em 1977.

Certamente a investigação sobre a obra de Palanti estende-se muito além dos limites aqui colocados. Importa perceber as contribuições esboçadas nesta breve apresentação da obra do arquiteto que envolve diversos temas, como a produção do mobiliário moderno preocupado com as peculiaridades brasileiras, o agenciamento das habitações para a classe média e alta, a produção das formas da cidade moderna vinculada às expectativas do mercado imobiliário, a integração entre as artes e as contribuições no desenvolvimento tecnológico de edifícios e programas complexos que começavam a surgir na cidade. Tudo isso vinculado à experiência e à formação italiana, à contribuição estrangeira mesclada aos conhecimentos e às condições de um novo país, que ressalta em obras e textos de arquitetura as suas próprias peculiaridades associadas à assimilação do conhecimento vindo do exterior.

notas

1
Revisão de texto apresentado no II Encontro DOCOMOMO Estado de São Paulo / II Seminário do Grupo de Trabalho Vale do Paraíba e Alto Tietê, Taubaté, 6 a 9 de novembro de 2002.

2
O período escolhido para este estudo abrange desde o momento em que Palanti chega ao Brasil até meados dos anos 60 quando São Paulo aparece na historiografia no que ficou denominado de Brutalismo e Escola Paulista. Vale mencionar que nosso interesse pela obra de Palanti parte de uma investigação maior, empreendida pelo Professor Associado Renato Anelli, sobre as "Interlocuções com a arquitetura italiana na constituição da arquitetura moderna em São Paulo", desenvolvida no Grupo de Pesquisa Arqbras, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da EESC-USP, com apoio do CNPq e coordenação do Prof. Associado Carlos Martins. Esta pesquisa centrou-se principalmente nas figuras de Rino Levi, Lina Bo Bardi, Daniele Calabi e, finalmente, Giancarlo Palanti.

3
Móveis novos; projetos de Lina Bo e Giancarlo Palanti, arquitetos. Habitat, n. 1, São Paulo, out./dez. 1950, p.53.

4
Quanto aos materiais, é preciso lembrar ainda que na produção do próprio Studio há móveis que não utilizam materiais brasileiros, como é o caso das cadeiras de tubos metálicos e chapa de alumínio projetadas por Lina Bo.

5
Entre as décadas de 30 e 60, o empresário Adriano Olivetti investiu no design de seus produtos e na re-estruturação da linha de produção de suas fábricas congregando o trabalho dos mais renomados artistas e arquitetos italianos. Olivetti encomendava também a estes profissionais as instalações produtivas e de suporte social dos operários, a elaboração de planos urbanísticos para a cidade de Ivrea onde se localizava as principais instalações da empresa, além de investir na elaboração de planos de desenvolvimento regionais para o Vale d'Aosta. Implementou-se assim a idéia de atuação do arquiteto desde o projeto de um objeto até o plano urbanístico, preconizada por Gropius. ver ANELLI, Renato Luiz Sobral. Interlocuções com a arquitetura italiana na constituição da arquitetura moderna em São Paulo. 195p. Livre Docência. Escola de Engenharia de São Carlos. Universidade de São Paulo, 2001, p. 62.

6
BARDI, Pietro Maria. "Uma arquitetura de interiores para a Olivetti". Habitat, n. 49, São Paulo, jul./ago. 1958.

7
NOBRE, Ana Luiza. "Documento – Henrique Mindlin, profissão arquiteto". In AU – Arquitetura e Urbanismo, n. 90, jun./jul. 2000, p. 77-81.

bibliografia complementar

ACRÓPOLE. A loja Olivetti em São Paulo. São Paulo, n. 220, fev.1957, p. 131-3.

ACRÓPOLE. Edifício Conde de Prates. São Paulo, n. 214, ago.1956, p. 377-79.

ARQUITETURA E ENGENHARIA. Brasília: plano piloto, 5º lugar. Belo Horizonte, n. 44, mar./abr. 1957, p. 25-29.

BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. Perspectiva, 2. ed., São Paulo, 1991.

DEBENEDETTI, Emma; SALMONI, Anita. Arquitetura italiana em São Paulo. Perspectiva, 2. ed., São Paulo, 1981 (1953).

Entrevista com Walmir Lima Amaral, Rubens Biotto e Pedro Augusto V. Franco, concedida a Aline Coelho Sanches e Jefferson Cristiano Tavares, 15 maio 2002.

FAROLDI Emilio; VETTORI, Maria Pilar. "Italia–Brasile: dialoghi di architettura". Abitare, n. 347, jun. 1998, p. 54-7.

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HABITAT. Desenho industrial. n. 5, São Paulo, 1951.

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HABITAT. Estante para livros. n. 2, São Paulo, jan./mar. 1951, p. 32-33.

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LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Arquitetura brasileira. Melhoramentos/Edusp, São Paulo, 1979.

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MÓDULO. Plano Piloto nº 24 – 5º Prêmio. n. 8, Rio de Janeiro, jul. 1957, p. 72-5.

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SANTOS, Maria Cecília Loschiavo. Móvel Moderno no Brasil. Studio Nobel/Fapesp/Edusp, São Paulo, 1995.

SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. Edusp, 2. ed., São Paulo, 1999.

YOSHIDA, C. B. Henrique Ephin Mindlin, o homem e o arquiteto. Instituto Roberto Simonsen, São Paulo, 1975.

arquivos consultados

Arquivo do arquiteto Giancarlo Palanti – Seção de Projetos da Biblioteca da FAU-USP, São Paulo.

Arquivo do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, São Paulo.

Arquivo do Escritório Henrique E. Mindlin e Arquitetos Associados, Rio de Janeiro.

sobre o autor

Aline Coelho Sanches é arquiteta e urbanista formada pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo; mestranda do Programa de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da EESC-USP sob orientação do Professor Associado Renato Luiz Sobral Anelli. Desenvolve este trabalho com o apoio da FAPESP

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