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architexts ISSN 1809-6298


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O Conjunto Indaiá é um empreendimento imobiliário típico dos anos 50/60 na orla marítima santista, mas com o diferencial de ter sido projetado por Helio Duarte e Ernest Mange

english
Conjunto Indáia is a typical real estate development in the years 50/60 in seafront Santos, but with the distinction of being designed by Helio Duarte and Ernest Mange


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NUNES, Luiz Antonio de Paula; DA PAIXÃO RAMOS, Dawerson. A proposta modernista de um edifício em Santos. Hélio Duarte e o Conjunto Indaiá. Arquitextos, São Paulo, ano 03, n. 031.05, Vitruvius, dez. 2004 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03.031/723>.

O Conjunto Indaiá é um empreendimento imobiliário típico dos anos 50/60 na orla marítima santista. Visava atender a uma demanda por imóveis de lazer, fruto de um processo de industrialização da capital, São Paulo, e regiões do ABC e Baixada Santista.

As características formais e programáticas desse conjunto colocam-no entre os principais exemplares da arquitetura modernista desse período na cidade de Santos. Seu estudo, por essa razão, torna-se importante do ponto de vista da historiografia da produção arquitetônica local.

Por outro lado, as relações que se estabeleceram entre a imagem do conjunto, mais especificamente do restaurante, e a imagem da orla da cidade é outro fator de interesse, na medida que o aspecto urbanístico da obra, enquanto “fato arquitetônico”, recebe uma valoração que merece um estudo apropriado.

Buscaremos contextualizar a obra em tela e analisar a evolução no tempo dessas características que o marcaram.

Anos 40/50. A modernidade santista

A partir de meados do século XX o panorama das edificações existentes na orla, antes constituída por chácaras de propriedade de comerciantes ligados ao café, se alterou quando o lazer na praia se tornou um acontecimento “moderno”, típico de uma sociedade urbanizada e que via na segunda habitação um símbolo de status.

A Via Anchieta, inaugurada em 1947, estimulava o desejo de se obter na praia o “refúgio” para esse lazer e o mar, antes visto apenas pelas suas propriedades terapêuticas, era agora também parte desse lazer. A economia se movimentava e vários empreendimentos foram lançados “graças à Via Anchieta que encurtou a distância entre o litoral e São Paulo, [...e] A praia do Gonzaga, principalmente, estava se tornando uma nova Copacabana ...” (2). Menotti del Picchia descreveu a Santos dos anos 40 de uma maneira toda peculiar:

“O que há de pitoresco na Santos de hoje é que a vida balneária não é mais apenas granfina: o pequeno burguês e o proletário já compreenderam que a vida pertence igualmente a todos, assim como a beleza, a saúde, o descanso e o sol. Certas zonas dão negro e mulato que parece estarmos em Tanganika ou no Sudão. Outras fazem brotar sírios da areia como se estivéssemos no Marrocos. Italiano, isso reponta em toda parte. Português é nativo da terra de Brás Cubas. Pelo que se vê, a praia santista é um colorido museu de raças onde, como em todo o agrupamento urbano, acaba dominando o judeu. Judeus de carne branca como requeijão e pêlos loiros – os polacos e os romenos – arrastando as gordas esposas pela mão e rumando para as ondas falando "yedich" ou recitando um fragmento da Torá. Santos, atração máxima das populações paulistas, amanhã será pequena para abrigar o mundaréu de turistas que ali irão gozar o "week-end..." (3).

Esse intenso desenvolvimento da indústria da construção civil, promovido pelo turismo, gerou também um certo grau de insatisfação. Por exemplo, a questão dos grandes edifícios era vista de maneira negativa: “substituindo casas mais baratas, prejudicam a população local” (4). Nesse texto era feita uma proposta para que a cada “arranha-céu” o incorporador fosse obrigado a construir um certo número de habitações populares, numa verdadeira “operação urbana”.

Sugeria-se um censo de propriedades das “pessoas de fora, que as conservam fechadas para raras visitas ou temporadas”, para forçar os proprietários a “cedê-las a quem precisa de moradia” (5), pois na visão de alguns santistas a “exploração da indústria das casas mobiliadas para temporada [e] o aspecto odioso da sublocação de cômodos [seria decorrência do fato das] pessoas de São Paulo comprarem todas as casas que aparecem a venda” (6).

A produção de edifícios residenciais altos era vista, por essa parcela da sociedade, como verdadeiros “cortiços verticais”, refletindo em debates sobre a legislação de uso do solo na Câmara Municipal, visando coibir sua construção, exceto à beira-mar.

No entanto, a indústria do turismo prevaleceu e no final dos anos 50 destacaram-se as obras de embelezamento e duplicação da avenida da praia, os jardins estenderam-se para a Ponta da Praia, um dos vetores de crescimento urbano, e passaram a caracterizar, com os canais, o desenho da cidade.

Arquitetos Modernistas em Santos. A presença de Hélio Duarte

Nesse cenário, muitos profissionais, de São Paulo e de Santos, tiveram papel significativo na participação dos debates relacionados com a ocupação do solo, seja pela forma plástica ou pelos aspectos programáticos, seja pela questão técnica envolvida, em especial devido às características do subsolo de Santos.

Podemos destacar, entre muitos, Ícaro de Castro Melo (7), que desenvolveu vários projetos, como a sede do Clube Atlético Santista em parceria com Oswaldo Corrêa Gonçalves (8), que por sua vez realizou, em 1950, uma exposição itinerante de Arquitetura Moderna pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB, onde constava, entre outros, o projeto do Edifício Sobre as Ondas, de 1946, em parceria com Jayme Fonseca Rodrigues, Zenon Lotufo (9), que foi chefe da Divisão de Obras Particulares da Prefeitura de Santos, participou da Associação de Engenheiros de Santos e desenvolveu projetos residenciais, os irmãos Mário e Otávio Ribeiro Pinto (10), que projetaram, entre outros, os Edifícios Anchieta (11) e Oceania (12), e também Artacho Jurado, que realizou em Santos, na década de 50 através da Construtora Monções, os edifícios Verde Mar e Enseada. Estes são marcos na orla e deixaram o estilo hollywoodiano de Jurado impresso na paisagem, podendo ser considerados símbolos da opulência de Santos.

“Desde o aspecto formal até serem marcos referenciais na paisagem, os edifícios de Jurado apresentam uma visão urbana. Ela se inicia no pavimento térreo, de uso coletivo e múltiplo, estende-se na implantação do corpo edificado e na sua relação com o entorno, para finalmente nas coberturas-mirante, presentear o usuário com um cenário real: a urbe” (13).

No entanto, essa visão pioneira do uso coletivo do térreo cabe a Heitor Duarte (14) e Ernest Carvalho Mange (15), que receberam o prêmio Governo do Estado de São Paulo da seção de arquitetura do 1° Salão Paulista de Arte Moderna pelo projeto do Conjunto Indaiá.

Essa proposta destacava-se da maior parte da produção arquitetônica de Santos da época tanto por seu programa para o térreo como pela ocupação menor do que a exigida legalmente, gerando implantação excelente em termos de ventilação e visuais. A possibilidade de se realizar obras que fugissem à mesmice comercial, pode ser encontrada em um texto de Hugo Segawa citando outros modernistas contemporâneos. Esse texto fala da produção do final do século XX, mas é perfeitamente aplicável à época:

"Há um entendimento (talvez um lugar comum) que associa a arquitetura de apartamentos residenciais (sobretudo os dirigidos para uma classe social mais privilegiada) como trabalho para profissionais comerciais [...] É perfeitamente possível fazer obras dessa natureza (e outras) com fins comerciais e com a dignidade arquitetônica: Lúcio Costa (no Parque Guinle), Rino Levi (inúmeros prédios em São Paulo), Acácio Gil Borsoi (diversas obras no Recife), entre muitos, são demonstrações concretas do potencial desse tipo de arquitetura residencial, inserida na rede imobiliária dita especulativa" (16).

Podemos dizer que o Indaiá teria sido uma dessas demonstrações. Para Geraldo Ferraz, poderia “ensinar a Santos a admirar as possibilidades da nova arquitetura. E isto tem um significado enorme para Santos, neste momento tão decisivo em que vivem a sua economia e o seu progresso, no organizado desenvolvimento industrial de suas áreas” (17).

Hélio Duarte se envolveu com o movimento moderno de arquitetura brasileira durante os anos 40 a 60. Sua contribuição mais expressiva para a arquitetura paulista se relaciona ao tema da arquitetura escolar, em especial o chamado “Convênio Escolar”, responsável pela elaboração de mais de uma centena de projetos de edifícios educacionais. Sua característica profissional foi sempre desenvolver trabalhos em equipe, e para isso contou com parceiros como Oswaldo Correa Gonçalves, Eduardo Kneese de Mello, Zenon Lotufo e Ernest Robert de Carvalho Mange, entre outros.

Sua preocupação fundamental era com espaços concebidos dentro da orientação doutrinária do educador Anísio Teixeira, buscando a criação de espaços democráticos e uma escola pública que fosse voltada para a formação integral do cidadão (18).

Segundo Geraldo Ferraz, “a importância excepcional do trabalho superintendido por Helio Duarte [...] como condutor do grupo que fizeram do Convenio Escolar de São Paulo uma das mais brilhantes conquistas da arquitetura funcional do país” (19) refletiu-se na concepção do espaço coletivo do Conjunto Indaiá.

O Conjunto Indaiá

O condomínio Indaiá, que compreende 3 blocos residenciais e um restaurante, possui características da arquitetura moderna brasileira com influência das obras de Lúcio Costa. De propriedade do Banco Hipotecário Lar Brasileiro, foi projetado por Hélio Duarte e Ernest Mange e construído entre 1952 e 1956 pela empresa Domingues Pinto, Passareli & Merlin Ltda., de Santos.

Situa-se em bairro nobre da cidade, na Avenida Vicente de Carvalho No. 31, em frente a praia do Boqueirão no meio da orla santista. Com 14.628,05 m2 de área construída total, ocupa 48 % da área do terreno de 5.034 m2.

O projeto original previa apenas dois blocos residenciais, "A" com 9 pavimentos e "B" com 15 pavimentos, ligados por galerias e implantados sobre um espaço comum, dedicado às garagens mas, principalmente ao lazer e aos serviços, como pista de dança, jardins, telefonista, cabeleireiros e barbeiros, uma lavanderia e o restaurante, que se localizava no bloco mais baixo.

Os anúncios de venda da época exploravam a possibilidade dos moradores se utilizarem desses serviços como em um hotel, de forma que ao voltarem da praia os apartamentos já estariam limpos e arrumados pelas camareiras e os garçons levariam a comida do restaurante até a unidade habitacional.

A tipologia construtiva do conjunto é característica do modernismo brasileiro de meados do século XX: edifícios em blocos prismáticos, retangulares e proporcionais, articulados entre si, destacando-se as longas esquadrias, a utilização de elementos vazados na área de circulação e de serviços, painel azulejado, utilização de pilotis nas entradas sociais, caminhos de acesso que permitissem ao pedestre descortinar a obra e aos veículos a chegada diretamente ao hall, além de um terraço-mirante, neste caso com espetacular vista da orla marítima.

O bloco vertical frontal se articula com o bloco mais baixo, onde fica o restaurante, à maneira das propostas de Lúcio Costa para o projeto do MEC ou para a Casa do Brasil, em Paris. A planta retangular do bloco mais baixo recebeu uma cobertura em laje de concreto levemente curva que se uniria ao bloco frontal por uma pérgula.

Seu formato peculiar trouxe ao imaginário popular a forma de uma baleia, nome que recebeu um tradicional restaurante que ali se instalou, e se constituiu, durante muito tempo, como marco arquitetônico da cidade, tanto assim que a referência mais comum da população ao conjunto arquitetônico continua sendo a forma da baleia.

De acordo, com Geraldo Ferraz, esse projeto era o ponto alto da seção de arquitetura do 1º Salão Paulista de Arte Moderna:

“... compreende o aproveitamento mais inteligente e mais orgânico de um trecho do terreno, [...], a partir das necessidades básicas de sua localização numa praia, de habitação, em que a parte recreativa – recreio ativo para crianças e adultos ocupando toda a área inferior – dá entrada às moradias em dois conjuntos, até a distribuição no espaço, conciliando os elementos de uma arquitetura que se liga fundamentalmente ao aproveitamento do abrigo e dos fatores biológicos imediatos, luz e ar, diante das águas do Atlântico” (20).

Os blocos residenciais constituíam-se de apartamentos de 2 e 3 dormitórios, organizados de forma a permitir que o bloco posterior, pudesse ter também a visão privilegiada do mar. Em 1953 um terceiro bloco, "C", constituído de apartamentos de dependência única, tipo quitinete, foi introduzido no processo de aprovação do projeto na prefeitura (21). Esse bloco, com frente para a rua Arthur Assis n° 35, é mais baixo, fica escondido da paisagem marítima nos fundos do lote, e possui uma distância em relação ao bloco "B" que feria a legislação, o que inviabilizou inicialmente sua aprovação.

Começava aí a descaracterização parcial do projeto premiado.

Apesar de várias alterações em termos de materiais e disposição de áreas comuns, o conjunto como um todo está bem conservado em seus aspectos construtivos, principalmente pelo cuidado de seus moradores. Dentre essas alterações as mais significativas foram as trocas de alguns painéis de elementos vazados de concreto por outros de cerâmica, com desenho diferente, e a substituição que vem sendo feita das esquadrias das quitinetes, originalmente de madeira por outras de alumínio.

Quanto aos aspectos programáticos do projeto podemos verificar que algumas propostas se perderam logo no início de seu uso. A introdução do bloco com quitinetes aumentou consideravelmente a densidade do conjunto. Os serviços de hotel nunca foram oferecidos, quebrando assim a tão propalada característica comunitária do projeto. O terraço-mirante é apenas uma laje impermeabilizada, com acesso relativamente difícil.

O salão de brinquedos para as crianças foi transformado em salão de festas e o jardim interno transformou-se numa área pavimentada com um pequeno canteiro no centro.

O bloco do restaurante tornou-se uma unidade autônoma, gerando uma divisão no terreno, objeto ainda de uma pendência judicial, e desvinculou-se do conjunto de edifícios inclusive formalmente. Não existe mais a pérgula, isolou-se o jardim frontal através de gradis metálicos e de muros na parte posterior. Incorporou ainda a “pista de dança” original passando a fazer parte do salão e há pequenas construções que descaracterizam parcialmente a lateral do bloco. Mas, é a convivência da discoteca com as residências que se tornou o maior conflito.

A imagem do edifício na cidade

Existem centenas de edifícios construídos na orla santista e, considerando o período em que a maior parte deles foi erigida, muito poucos chamam a atenção devido às circunstâncias históricas e sociais que envolveram sua construção. Porém, o Conjunto Indaiá distingue-se não só por sua qualidade arquitetônica, comprometida com um programa de necessidades e seus meios de edificação, mas também pela relação que estabeleceu com a cidade enquanto imagem.

Segundo Aldo Rossi, um requisito para a percepção e associação é a conquista de uma identidade, que torna o lugar distinto e inesquecível e faz com que a memória seja o fio condutor dos fatos urbanos (22). Nesse sentido, o Conjunto Indaiá caracteriza-se como um fato urbano singular, individualizado pela sua presença, configuração e posicionamento na cidade e, de acordo com Lamas, um elemento arquitetônico assim desempenha uma função que assume significados culturais e históricos além de sua função primitiva (23).

De acordo com Gordon Cullen, o contraste súbito o impacto visual é que dá vida ao percurso, pela via emocional, do caminhante pela cidade (24). Como no caso do Conjunto Indaiá cujo espaço interior do lote e a forma do edifício, mesmo que desfragmentado do conjunto, relaciona-se com as necessidades e associa a imagem a tudo que o rodeia, como a praia e os outros edifícios, tornando-se como que um ponto focal, associando o recinto, designado pela ocupação de seu espaço, convergindo-se a um símbolo vertical.

No local do restaurante já existiu um salão de exposição e uma confeitaria, mas foi o tradicional restaurante “Baleia” que se utilizou da curva da cobertura do bloco do restaurante como um verdadeiro elemento de “marketing”. Nos anos 80 “os santistas e visitantes foram privados de apreciar a harmonia das formas da edificação, oculta por um painel típico das padarias e pizzarias” (25), pela instalação da pizzaria "La Biondina", até que, em 1999, “uma reforma recuperou o desenho original, valorizando a instalação com um novo estabelecimento no local, o Café Moby Dick” (26). Essa recuperação da imagem do edifício foi reconhecida pela Câmara Municipal de Santos que aprovou por unanimidade, na sessão ordinária de 01 de março de 1999, o requerimento de autoria do vereador Fausto Figueira com votos de congratulações aos proprietários.

Tal intervenção, no entanto, não é uma unanimidade. Vista por alguns também como uma descaracterização, como o neon, que exalta a forma à noite, a inserção de outros símbolos com características kitch ou "pós-modernas", além da pintura das esquadrias do restaurante e seu uso como "discoteca" (27), que não seriam compatíveis com a formulação original do projeto nos traz a possibilidade de discussão do tema.

Conclusão

Afinal, qual é a importância do Conjunto Indaiá? Essa questão é fácil de responder: além de nos trazer a obra de um importante arquiteto do período, esse edifício representa uma das mais características propostas modernistas na cidade de Santos, e mostra também como desenvolvimento do mercado imobiliário, durante a própria construção, tratou de descaracterizar parcialmente o edifício.

É um exemplo acabado de como quando ocorrem mudanças, sejam nos hábitos e costumes, no modo de viver ou nas idéias dominantes, elas se refletem no conteúdo dos programas e necessidade, e em conseqüência, na organização e na forma dos edifícios.

Quanto às modificações da relação do edifício com a cidade, cabe lembrar que são conseqüências da vitalidade social e econômica das sociedades, que trazem uma nova carga cultural e significativa. O atual “MobyDick”, simula uma ilusão onde há uma certa exploração de associação da imagem, trabalha com a questão da metáfora, da memória coletiva e da identidade do “Baleia”, insinuando com sua silhueta que o atual representa uma releitura do antigo uso, gerando margem para sugestão e curiosidade.

Mas, se por um lado a intervenção atual recupera a idéia do marco arquitetônico como uma referência, como um objeto físico definido de maneira simples e singular usado como indicador de identidade, recriando um ambiente visual que se tornou parte integrante da vida dos habitantes e cuja força da imagem aumenta, de acordo com Kevin Lynch, quando o marco coincide com uma concentração de associações, por outro lado, o uso do solo não previsto inicialmente gera um conflito localizado (28).

Cabe uma avaliação técnica e uma pesquisa mais aprofundada que possam apontar soluções para esse conflito, ao mesmo tempo em que se preserve toda a qualidade, como vimos, contida nesse conjunto, seja do ponto de vista histórico, arquitetônico ou de significado urbano.

notas

1
Texto apresentado no II Encontro DOCOMOMO Estado de São Paulo/ II Seminário do Grupo de Trabalho Vale do Paraíba e Alto Tietê, Taubaté, 6 a 9 de novembro de 2002. Colaboração dos estudantes Ériko Oliveira; Ricardo Médici; Marcelo Coelho Campos; Marco Antonio Dobri e Silvia Domingues, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Cecília. Sobre arquitetura e urbanismo modernos em Santos, ver os seguintes títulos: 1) NUNES, Luiz Antonio de Paula. "Saber Técnico e Legislação - A Formação do Pensamento Urbanístico em Santos - 1895 - 1950". Dissertação de Mestrado apresentada à Comissão de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, fevereiro de 2.001; 2) ALVES, Jaqueline Fernández. "Arquitetura à beira mar - Santos entre 1930 e 1970". Dissertação de Mestrado apresentada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, Janeiro de 2.000 3) OLIVEIRA, José Eduardo (Orient.: Roberto Oliveira). "Arquitetura Moderna Santista". Trabalho Final de Graduação, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UniSantos, Santos, Julho de 1989. Sobre a atuação dos profissionais citados ver FICHER, Sylvia. "Ensino e Profissão - O curso de engenheiro arquiteto da Escola Politécnica de São Paulo." Tese de Doutoramento para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1989.

2
A Tribuna, 24 mar. 1947, p. 5.

3
PICCHIA, Menotti Del. "Santos e Prestes Maia", A Gazeta, São Paulo, 16 fev. 1949.

4
“Ainda o angustioso problema da casa para morar”. In A Tribuna, 31 mar. 1946, p. 7.

5
Ibidem.

6
A Tribuna, 09 nov. 1946, última página.

7
Engenheiro arquiteto pela Escola Politécnica em 1935.

8
Engenheiro arquiteto pela Escola Politécnica em 1941.

9
Engenheiro arquiteto pela Escola Politécnica de São Paulo em 1936.

10
O primeiro, engenheiro arquiteto pela Escola Politécnica, 1915, e o segundo engenheiro pelo Mackenzie, em 1915.

11
Cf. Acrópole, n. 72, abr. 1944.

12
Cf. A Tribuna, 11 nov. 1946.

13
LEME, Gegê. Santos, Jurado: a ilha e o novo. Prefeitura Municipal / Prodesan, Santos, 1996.

14
Hélio Queiroz Duarte, arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes, em 1931, foi responsável por um programa de construção escolar do estado.

15
Ernest Robert de Carvalho Mange, Engenheiro Civil pela Escola Politécnica, em 1945. Participou, com Oswaldo Corrêa Gonçalves, do programa estadual de construções escolares que Heitor Duarte era coordenador.

16
SEGAWA, Hugo. "Obviedade e mediocridade". In Revista Projeto, n. 141. São Paulo, maio de 1991, p. 63. Ver do mesmo autor Arquiteturas no Brasil – 1900–1990. Edusp, São Paulo, 1998.

17
FERRAZ, Geraldo. "Um Prêmio de Arquitetura – A habitação coletiva para Santos". In A Tribuna, Santos, 20 jan. 1952, p. 5.

18
Ver TEIXEIRA, Anísio. "Um presságio de progresso". In Revista Acrópole, n. 72, abr. 1944. Apud XAVIER, Alberto (org.). Arquitetura Moderna Brasileira – Depoimento de uma geração. Pini / ABEA / Fundação Vilanova Artigas, São Paulo, 1987.

19
FERRAZ, Geraldo. Op. Cit.

20
FERRAZ, Geraldo. Op.cit..

21
Pelo processo administrativo 8.551/52, de 04 de junho de 1952, o projeto foi aprovado em 24 de julho de 1952. Em 16 de novembro de 1953 foi solicitada a autorização para construção do bloco "C", indeferido inicialmente em 30 de janeiro de 1954 e finalmente aprovado em 11 de agosto de 1954 por despacho do próprio prefeito municipal, pelo critério de "equidade". O ano de conclusão da obra é 1956, conforme Carta de Habitação No. 482 de 24 de agosto de 1956.

22
ROSSI, Aldo. A arquitetura da cidade. Martins Fontes, São Paulo, 1995.

23
Cf. LAMAS, J. M. R. G. Morfologia urbana e desenho da cidade. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1999, 2ª ed.

24
Cf. CULLEN, Gordon. Paisagem urbana. Martins Fontes, São Paulo, 1983.

25
FIGUEIRA, Fausto. Requerimento 533, aprovado na Sessão Ordinária de 01 de março de 1999, da Câmara Municipal de Santos.

26
FIGUEIRA, Fausto. Op. Cit.

27
ALVES, Jaqueline Fernández. "Arquitetura à beira mar – Santos entre 1930 e 1970". Dissertação de Mestrado apresentada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, Janeiro de 2.000, p. 132.

28
Cf. LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. Martins Fontes, São Paulo, 1997.

sobre os autores

Luiz Antonio de Paula Nunes é arquiteto, mestre pela FAU-USP, onde desenvolve o doutorado, e professor de História e Teoria da Arquitetura e do Urbanismo na FAU-UniSanta, em Santos

Dawerson da Paixão Ramos é arquiteto, especialista em Engenharia Urbana pela UFSCar, onde desenvolve o mestrado e professor de Projeto Arquitetônico na FAU-UniSanta, em Santos

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