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architexts ISSN 1809-6298


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MARQUES, Sergio Moacir. Ainda sobre o XVII Congresso Brasileiro de Arquitetos. Arquitetura e urbanismo em face da Globalização (editorial). Arquitextos, São Paulo, ano 04, n. 038.00, Vitruvius, jul. 2003 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.038/664>.

Recentemente, passado o contentamento geral que parece ter predominado entre a maioria dos que estiveram no XVII Congresso Brasileiro de Arquitetos no Rio de Janeiro, li na revista Projeto-Design, nota, também favorável ao estado de espírito dominante no evento, destacando, porém, a pouca discussão havida a respeito do tema do encontro: a arquitetura e urbanismo em face da globalização (1).

Participei do congresso, como debatedor, em duas mesas redondas que justamente trataram dessa temática: Globalização e especialização: conflitos na prática profissional realizada no dia 30.04 às 14:00h na sala E3 e Globalização e especialização: conflitos no ensino da arquitetura realizada no dia 01.05 às 17:00h na sala F1 do Rio-centro. As mesas foram programadas prevendo a participação dos arquitetos Roberto Simon, Vice Presidente do IAB/DN, João Edmundo Bohn Neto, Presidente do IAB-SC, Eduardo Castells, professor da ARQ/UFSC, Miguel Angel Pousadela, professor da ARQ/UFSC e Edson da Cunha Mahfuz, professor da FA-UFRGS. Em que pese a anseolítica dispersão causada pela enorme simultaneidade de mesas, conferências e atividades e a ausência do Mahfuz, que abordou o tema recentemente em conferência no IAB-RS (2), o debate propiciou algumas questões de interesse.

Ambas sessões tiveram como pauta para discussão, documento produzido pelos arquitetos Roberto Simon e João Edmundo, responsáveis pelos debates, organizado em seis tópicos, sobre os quais teci alguns comentários levados à discussão. Comentários esses despreendidos de método e rigor, mas que diante da denunciada ausência, podem ter alguma utilidade.

O texto dos colegas pretendia estabelecer um marco geral para os trabalhos e “aprofundar polemicamente em questões que hoje desafiam o status quo da arquitetura como área disciplinar” de forma itemizada, em cima dos quais apresento minhas observações:

Globalização: exclusão x inclusão

Tema base para o debate caracterizando questão histórica macro e multidisciplinar, que envolve a consciência político-ideológica arquiteto de forma transcendental à atividade profissional específica, em que pese a interdisciplinaridade do problema em questão.

Creio que no que tange a arquitetura, é fundamental não perder de vista a medida quantitativa e temporal de ação que não extrapole os limites da atuação arquitetônica, a não ser que seja esta a intenção e o desejo. Nesse caso, porém a ação extrapola o conteúdo exclusivo da disciplina. Exemplo visível nas atividades de urbanismo x política urbana, participação popular x ação técnica, onde com freqüência as especificidades técnicas perdem-se dentre ações excessivamente ideologizadas.

De qualquer forma penso que “Muitos caminhos levam a casa do Senhor”. O problema de andar a reboque de um direcionamento histórico-estrutural hegemônico é a perda de caminhos alternativos, voltados à particularidades que também poderiam se apresentar como bem sucedidos. Por outro lado não se deve desprezar os avanços e o patrimônio intelectual/científico da humanidade. Creio, portanto que o caminho possível é o da construção de uma visão crítica com consciência ética em uma condição de equilíbrio entre o universal e o autônomo. “Cabeça de peixe e rabo de baleia”.

Inovação tecnológica: universalismo x regionalismo

Algum nível de globalização sempre existirá nem que seja exclusivamente por razões econômicas (no comércio entre os portugueses e as índias havia um, por exemplo). A questão está na índole e na medida. Sempre haverá um equilíbrio idealizado que sofre com a simplificação.

No Brasil, internamente na “cultura nacional” é verdade que a arquitetura carioca e principalmente a paulista sintetizaram, idealizaram e emblematizaram valores da arquitetura brasileira. A generalização e apropriação simplificada desses modelos em todas regiões, no entanto, trouxeram distorções semelhantes às discutidas hoje mundialmente, sob o ponto de vista cultural. Creio novamente no aumento de visão crítica e consciência ética. No mercado imobiliário avassalador não há ideologia arquitetônica que resista a vulgarização e a generalização simplificadora.

Inovação programática: generalização x especialização

Essa questão remete ao paradoxo do “ovo e a galinha”: As transformações relacionadas à evolução geram necessidades e dependência ou o de desejo de gerar dependência cria necessidades e conseqüentemente transformações?

Penso que a formação de base do arquiteto, na graduação está essencialmente relacionada ao projeto como processo intelectual de concepção frente a problemas diversos. Tanto conhecimentos de natureza teórica ou técnica, ou mesmo político-ideológica, concorrem na estruturação do cerne da profissão enquanto conteúdos contextualizados dentro de um treinamento relacionado ao projeto como o processo de ação. O projeto tem e sempre teve por natureza metodológica uma formação generalista e multidisciplinar que passa por um processo de síntese. A questão da especialização poderá existir ou não, dependendo dos fatores culturais e éticos, mas por trás sempre existirá uma condição preliminar que estabelece uma estrutura intelectual de cunho abstrato, não direcionado a uma ou outra área em particular, gerada pela especificidade disciplinar da própria arquitetura.

Portanto, em relação ao paradoxo exposto acima, nem uma coisa nem outra está completamente certa ou completamente errada: Ambas assertivas trazem realidades. Na área da informática, por exemplo, essa relação é muito nítida. A velocidade e quantidade de transformações se dão de forma a criar um tipo de dependência semelhante a um seqüestro. Por outro lado os avanços são reais e os ganhos ferramentais, palpáveis. Na construção também é verdade que a relação artesanal e primitiva das nossas condições trazem sérias limitações e problemas. A industrialização estabelece uma relação de qualificação.

Sempre houve mudanças de programas e a existência do surgimento de novos conhecimentos. A questão está na medida em que se dá o conhecimento especializado sem ameaçar a formação da especificidade do arquiteto: o Projeto.

Especialidades profissionais

Tenho um ponto de vista categórico em relação a essa questão: O caminho está em continuar a aprofundar o conhecimento do projeto de arquitetura como atividade intelectual e através de seu concurso conceptivo o enfrentamento das realidades diversas e dinâmicas, preservando em essência os valores específicos da arquitetura.

Ensino: visão globalizante x visão especializante

Não vejo problema em o arquiteto especializar-se ao longo de sua atividade profissional em face de preferências pessoais, aptidões, exigências do mercado, etc... Mesmo em ficar atento em relação a isso desde a graduação. Na minha opinião em qualquer dessas áreas de atuação ele necessitará, em sua formação, da habilidade de transformar conhecimentos diversos em uma síntese espacial gerada pelo processo projetual. Este conhecimento de natureza plural e específica simultaneamente, inerente à atividade do arquiteto transcende a questão. Remete o ensino da arquitetura a uma visão de especificidade. Mas especificidade sobre o processo de concepção que através do qual a globalidade está presente.

O ensino da arquitetura: por uma arquitetura média

A condição exposta acima coloca o ensino e o conhecimento arquitetônico em um patamar ou em uma profundidade mais atemporal e menos conjuntural. O projeto ou as experiências de projeto como conhecimento exploratório e investigativo de mudanças técnicas, idéias e reflexões teóricas, tendências estéticas, questões sociais, etc... Lugar de exame das questões contemporâneas.

Em uma reflexão de ênfase no ensino da arquitetura, penso em parâmetros qualitativos relativamente externos ao problema de globalização. A arquitetura brasileira por vocação constituiu uma cultura fortemente centrada na produção individual, na arquitetura autoral de forte traço pessoal, através de justas lideranças como Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas e outros. Arquitetos que ao sintetizarem um conjunto de valores nacionais através de uma obra marcada pelo virtuosismo pessoal geraram referenciais geniais voltadas a exepcionalidade. A globalização também tem revelado essa tendência. Disputas internacionais em estabelecer novos paradigmas estéticos através de projetos de forte carga excêntrica. Não há dúvidas em relação aos formidáveis avanços de qualidade arquitetônica provenientes desses exemplos emblemáticos, fruto de talentos e condições especiais. No entanto essa mecânica como paradigma exclusivo do ensino é danosa à nossa condição e produção arquitetônica.

Vivemos ainda em uma sociedade altamente heterogênea, de contrastes significativos. Não gozamos de uma base cultural comum que garanta um certo patamar de unidade e qualidade onde as manifestações sociais, artísticas e culturais se imponham como um denominador comum na cultura dominante, e na sociedade de maneira ampla, na arquitetura e no urbanismo recorrentes e no tecido da cidade. A cultura de exceção, de contrastes, prepondera e carecemos significativamente de uma elevação da qualidade média da produção arquitetônica. Da arquitetura que constitui o fazer massivo do espaço urbano onde se dará a maior parte da atuação profissional.

A arquitetura reveladora de uma cultura está tanto no conjunto de sua produção quanto nos seus representantes excepcionais, sendo que no primeiro segmento é onde efetivamente se determinam valores coletivos concretos como qualidade de vida, nível cultural, saúde, etc... Significa que o ensino deve, sem prescrever os excepcionais, que normalmente somam ao seu aprendizado, condições pessoais de experiências, talento, etc. afastar-se do modelo de resultados extremados, de uma produção qualificada de exceção dentre uma mediocridade predominante, para uma elevação do padrão médio. Uma arquitetura de visibilidade média produzida com boa qualidade mediana por uma esmagadora maioria de arquitetos para o fazer massivo da cidade, é a base mais sólida para os enfrentamentos da universalidade e da autonomia.

notas

1
Congresso Brasileiro de Arquitetos aprova criação do CAU. Projeto Design. São Paulo, n. 280, p. 10- 12, jun. 2003.

2
Conferência “Globalização e Arquitetura” promovida pelo IAB/RS em 06.08.2002 no Centro Cultural Conde de Porto Alegre.

sobre o autor

Sergio Moacir Marques é arquiteto (FAU-UniRITTER), mestre (PROPAR/FA-UFRGS), professor da FAU-UniRITTER e da FA-UFRGS, Conselheiro Estadual do IAB-RS e sócio da MooMAA – Moojen & Marques Arquitetos Associados

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