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architexts ISSN 1809-6298


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Na exposição Exposição HICAT, a prolixa utilização de termos pseudocientíficos parece estar destinada a amedrontar o leitor não expert com mensagens cifradas mas de singular banalidade


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VERDAGUER, Jaume Sanmartí. A arquitetura avança até o nada. Arquitextos, São Paulo, ano 04, n. 048.06, Vitruvius, maio 2004 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.048/586/pt>.

Terminou recentemente em Barcelona a exposição HICAT – Hiper Catalunya, Territoris de Recerca, Estrategias Multicapa (2). Esta mostra, aparentemente centrada sobre o fenômeno da urbanização e sua repercussão no território catalão, passou sem pena nem glória, apesar de estar servida com um aparato mediático de aparente atualidade.

O interesse que de início possa suscitar o propósito da mesma é evidente, uma vez que estamos assistindo na Catalunha a um fenômeno singular. Nos últimos vinte e cinco anos foi urbanizado tanto solo como o existente nos anos cinqüenta. Fenômeno atípico, que requer um estudo a fundo que explique as causas e preveja suas possíveis conseqüências.

Toda exposição que se preze deve comportar a edição de um catálogo, instrumento auxiliar para uma melhor e mais atenta compreensão de seus conteúdos. Neste caso, o catálogo vai acompanhado de um segundo e menor volume magicamente preso ao mesmo mediante uma capa imantada, no qual se expõe uma avalanche de dados em forma de gráficos e estatísticas, que se supõe conferir verossimilhança ao que vem na continuação.

O propósito de comentar criticamente tal produto editorial e a exposição que justificou sua razão de ser é sua direta relação com a criação do Centro de Arquitetura Avançada da Catalunha, o IaaC, em função de um apoio do Departamento da Presidência da Generalitat ao “coletivo” Metápolis, com um aporte inicial de um milhão de euros.

Diante da autoria comum da exposição e do catálogo e conhecendo a trajetória profissional dos dirigentes do IAAC, desde a Escola de Arquitetura de Barcelona e com o pretexto apresentado, devemos expressar nossa posição contraria à forma como se gerou e apareceu tal Instituto, e alertar sobre os previsíveis resultados do mesmo, desejando que esta tomada de posição seja entendida, por um lado como uma crítica para clarificar o confuso e contraditório panorama no qual se desenvolve nossa atividade de arquitetos, e por outro, para que os recursos públicos sejam aplicados com maior prudência.

Semelhantes eventos aumentam o desconcerto da cidadania em momentos nos quais determinadas arquiteturas, de particular que certamente ainda não definimos adequadamente, torna-se instrumento e chamariz para a atração de curiosos e turistas urbanos. Este fenômeno é independente do reconhecimento mediático que a arquitetura de qualidade sempre teve, criando-se felizes cumplicidades com os poderes estabelecidos que tem dado lugar a magníficos edifícios e conjuntos urbanos.

Com a chegada do novo século, a Catalunha receberá uma nova categoria arquitetônica: a avançada, que devemos intuir a partir dos materiais, e não edifícios, mostrados por seus promotores em mediáticas aparições que oferecem uma série de elucubrações visuais com adereços informatizados, mas que no fundo pouco contribuem a um objetivo tão nobre e interessante como o de pesquisar novos caminhos pelos quais a arquitetura do século XXI possa transitar sem descrédito e com o máximo proveito.

A prolixa utilização de termos pseudocientíficos, usados de um modo arbitrário e vazio de significado, parece estar destinada a amedrontar o leitor não expert com mensagens cifradas mas de singular banalidade, que também é bombardeado por uma série de imagens insistentes e estrategicamente saturadas, configurando um mundo de evidências suspeitas. A teoria dos fractais, a relatividade, o caos, a computação, a sinergia transversal, para citar alguns, são utilizados para fundamentar a necessidade de uma nova ordem: a Metápolis.

Não só é habitual que quem havendo transitado fugazmente pelas vias acadêmicas sem conseguir um reconhecimento como bons professores e não tendo realizado um doutorado consistente que os credite como pesquisadores, para mencionar os estágios iniciais de um currículo acadêmico, recorram tortuosamente a alguma estrutura periférica de gestão universitária para obter uma aparência de seriedade, ficando em segundo lugar a imprescindível qualidade da oferta acadêmica.

Celebramos que o Governo da Generalitat decida destinar recursos para a pesquisa no campo disciplinar da arquitetura e do urbanismo, mesmo que possa surpreender o momento no qual isso se materializa, uma vez que coincide com o final de uma legislatura e não se compreenda como uma iniciativa deste tipo não seja feita através do Departamento das Universidades e Pesquisa (DURSI).

Como é sabido, a docência e a pesquisa são os dois objetivos primordiais das universidades que desejam participar no Espaço Europeu de Educação Superior. O crescente papel da pesquisa, que conta cada vez mais com o interesse e compromisso da iniciativa privada, reverte na docência, fomentando-se uma sinergia que as enriquece.

O fomento da pesquisa em arquitetura e urbanismo foi sempre necessário, e é cada vez mais quando as contradições entre o poder e as responsabilidades dos países ricos vão constituindo uma sociedade cada vez mais próxima e informada. A reflexão disciplinar não deve ficar isolada no interior de uma bolha confortável e autocomplacente, mas deve materializar-se propondo soluções aos problemas que apresenta uma sociedade.

Se este trabalho é promovido pelo setor público, deveria recorrer-se às estruturas básicas da Universidade: as escolas de arquitetura e os departamentos pertencentes às mesmas, às quais a sociedade outorgou a responsabilidade da docência e da pesquisa, e ante à qual deve prestar contas, afinal é justamente ela quem, em última instância, aporta os recursos.

Esperemos que o novo Governo da Generalitat de Catalunha, eleito nos recentes sufrágios, suspenda a iniciativa nos termos atuais e lhe dê um novo enfoque, de modo que os cidadãos da Catalunha percebam que o rigor e a seriedade são os parâmetros de referência da pesquisa no campo da arquitetura e do urbanismo.

notas

1
Nota do editor: como o presente artigo é altamente polêmico, convidamos os membros de Metápolis, na figura de Willy Muller, para se manifestarem através de um outro artigo, apresentando seus pontos de vista.

2
A exposição aconteceu no Museu d'Art Contemporani de Barcelona – MACBA – no período de 18 de julho a 26 de outubro de 2003.

sobre o autor

Jaume Sanmartí Verdaguer é arquiteto e diretor da Escola de Arquitetura de Barcelona, Universidade Politécnica da Catalunha

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