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architexts ISSN 1809-6298


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O autor mostra a emergência de uma nova história cultural da arquitetura do século XIX e como esse fenômeno está contribuindo para a redescoberta da dimensão imaginária da arquitetura desse período


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PUPPI, Marcelo. A nova história do século XIX e a redescoberta da dimensão imaginária da arquitetura. Arquitextos, São Paulo, ano 05, n. 058.02, Vitruvius, mar. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.058/486>.

A história da história da arquitetura do século XIX é um objeto revelador. De um lado porque ela permite compreender melhor as fontes da nossa própria concepção histórica da arquitetura do período contemporâneo, concepção que foi moldada pelos primeiros historiadores do movimento moderno, os quais, como sabemos, estavam mais interessados em fabricar uma genealogia para as vanguardas do século XX que em compreender o passado. De outro lado porque os estudos recentes sobre a arquitetura do século XIX operaram uma viravolta metodológica de grandes conseqüências para a pesquisa em história da arquitetura e cujos resultados ultrapassam o domínio da própria história para participar plenamente do debate atual sobre o destino da arquitetura no século XXI. Invertendo o processo ocorrido nas décadas de 70 e 80, quando a reabilitação do historicismo do século XIX foi em grande medida promovida simplesmente para fundamentar a chamada arquitetura pós-moderna, a ampliação do conhecimento sobre o assunto está agora, ao contrário, contribuindo para a reflexão sobre a teoria e a prática contemporâneas da arquitetura. Longe de ser simplesmente o reconhecimento de um problema já superado, o estudo da evolução metodológica da historiografia do século XIX é portanto uma maneira de compreendermos melhor nosso próprio tempo.

Nosso objetivo aqui não é desenvolver um panorama completo dessa evolução, que será objeto de um estudo mais longo, mas apresentar o estado atual da pesquisa sobre a arquitetura do século XIX e salientar o potencial crítico e teórico dos métodos e dos resultados dessa pesquisa. De modo mais preciso, nosso objetivo é, primeiro, mostrar a emergência de uma nova história cultural da arquitetura do século XIX e, segundo, mostrar que essa nova história está contribuindo para a redescoberta da dimensão imaginária da arquitetura, redescoberta por sua vez capaz de modificar a própria concepção e fundamentação teórica da arquitetura e de originar, a curto e a médio prazo, novas práticas arquiteturais. O reconhecimento dessa nova história do século XIX e de sua contribuição para a compreensão da própria arquitetura contemporânea pode também contribuir, por contraste, para evidenciar o quanto os especialistas ainda são tributários de uma imagem distorcida e formalista do historicismo, tema que será desenvolvido no estudo mais longo sobre a evolução da historiografia do período.

A renovação metodológica dos anos 90

Os anos 90 assistem a uma segunda e muito mais radical ruptura metodológica na pesquisa sobre o historicismo do século XIX. A incorporação do período à história da arte nas décadas de 70 e 80 tivera duas conseqüências principais: a ampliação dos problemas teóricos da pesquisa e, mais importante, a consciência que a renovação metodológica tornou-se uma condição fundamental para a compreensão ela mesma do objeto. Do ponto de vista das questões teóricas, os historiadores trabalharam na direção de uma abertura cada vez maior ao contexto histórico: da ênfase dada no final da década de 70 por Middleton e Watkin (2) às doutrinas arquiteturais, passou-se uma década depois, com Van Zanten (3), ao estudo das relações entre essas doutrinas e as teorias científicas e sociais da época.

Do ponto de vista metodológico, foi ficando cada vez mais evidente a necessidade de se abordar o objeto de forma interdisciplinar, isto é, levando em consideração as demais áreas da conhecimento e estabelecendo as conexões entre o pensamento arquitetural e os esquemas cognitivos da época. A busca da interdisciplinaridade conduziu por sua vez à relativização dos métodos particulares da história da arte e à aproximação aos métodos mais complexos da história cultural, que é por definição uma disciplina interdisciplinar. Enquanto nas décadas de 70 e 80 a arquitetura do século XIX fora incorporada à história da arte, na década de 90 os pesquisadores propõem-se a inseri-la no território mais vasto da história cultural, dando um segundo e decisivo passo para o aprofundamento de sua compreensão. Longe de ser um simples efeito de moda intelectual, essa inserção e o deslocamento metodológico que ela implica foram fruto do próprio alargamento dos problemas teóricos da pesquisa e terminaram por modificar significativamente o conhecimento sobre o período.

A própria emergência da história cultural já constitui um deslocamento metodológico no conhecimento da história geral. Tomando como referência a definição do historiador francês Roger Chartier, a história cultural pode ser definida como uma história das representações, isto é, a história da maneira como os indivíduos e a sociedade concebem (representam) a realidade e de como essa concepção orienta suas práticas sociais. Segundo Chartier, o método da história cultural significa a substituição da tradicional história social da cultura, que privilegia as chamadas estruturas econômicas e sociais na análise da produção material e cultural das civilizações, por uma história cultural do social, que ao contrário considera o imaginário social como a fonte das ações individuais e coletivas, materiais e culturais. Esse verdadeira ruptura metodológica no estudo da história implica igualmente a redefinição do próprio conceito de cultura: esse conceito não se limita mais à chamada cultura intelectual e artística, mas passa a englobar toda a produção social, no sentido preciso de que tudo é cultural, isto é, de que toda prática individual ou coletiva tem uma matriz cultural e só pode ser compreendida como produto de uma determinada representação do mundo. A expressão “o mundo como representação” sintetiza justamente para Chartier o método da história cultural (4).

O programa de inserir a arquitetura no território da história cultural tem portanto conseqüências fundamentais. Vale a pena transcrever, a esse respeito, um balanço do resultado das pesquisas realizadas na década de 90 e que resume as comunicações apresentadas em um colóquio reunindo os especialistas no assunto. “O estudo da arquitetura do século XIX atingiu um estágio no qual se opera uma virada metodológica; duas gerações de historiadores e de críticos da arquitetura reabilitaram esse século que havia sido reduzido a uma caricatura pelas polêmicas do modernismo arquitetural. Esta reabilitação desembocou em uma representação muito mais complexa das questões teóricas e em uma redefinição formal do período. Nestes últimos anos, vários pesquisadores – sobretudo os historiadores mais jovens atraídos pelo século XIX – começaram a pôr uma série de questões cada vez mais interdisciplinares, procurando situar os principais temas e desafios do pensamento e da prática arquiteturais no contexto das preocupações culturais e epistemológicas mais vastas do período. Ao invés de uma época de revivalismo banal, o século XIX poderia agora ser caracterizado como um dos períodos de experimentação mais dinâmicos da história da arquitetura, um período que explorou continuamente o próprio estatuto epistemológico da arquitetura enquanto disciplina, um período que pôs em questão sua própria autonomia procurando novas alianças ou inspirações em outra disciplinas, sejam modos de interrogação ou sistemas de classificação” (5). Completando as observações acima, pode-se acrescentar, primeiro, que no conjunto esses estudos já constituem uma nova história da arquitetura do século XIX e, segundo, que o período tornou-se um caso exemplar na pesquisa em história da arquitetura, tanto do ponto de vista metodológico quanto do ponto de vista do conhecimento produzido sobre essa história. De período desprezado a uma das épocas mais dinâmicas, complexas e esclarecedoras da história da arquitetura, eis em suma a fortuna crítica do século XIX.

O sinal mais evidente da constituição da nova história cultural da arquitetura é a emergência de novos objetos de pesquisa. Conseqüentemente, o panorama desses novos objetos representa muito melhor o trabalho da década que a apresentação um a um dos autores e obras publicadas nos anos 1990. Três novos objetos se destacam nesse conjunto: a ligação entre a teoria da arquitetura e as ciências da época; a relação entre o pensamento arquitetural e as teorias históricas contemporâneas; a influência do pensamento utópico sobre a teoria e a prática dos arquitetos. Os paralelos existentes entre a teoria da arquitetura e os modelos de interpretação do real formulados pela ciência constituem de longe o objeto mais novo e mais revelador dos resultados obtidos pelos novos estudos sobre a arquitetura do século XIX. De modo mais preciso, as principais pesquisas se dedicaram a estabelecer a relação entre a teoria racionalista e as ciências biológicas, mostrando que a cultura arquitetônica esteve como nunca aberta às questões científicas e tecnológicas de seu tempo. Não se trata aqui de refazer a genealogia da modernidade insistindo na influência da industrialização e dos novos materiais sobre a forma arquitetônica, mas, ao contrário, de compreender e demonstrar que a arquitetura rompe os limites de seu território disciplinar para procurar participar das transformações culturais mais gerais e mais profundas da época e por sua vez contribuir, usando diferentes estratégias técnicas e estéticas, para a realização do potencial dessas transformações (6).

A ambição de contribuir para a realização do potencial material, artístico e intelectual da época nos conduz ao segundo objeto, a apropriação pelos arquitetos das teorias históricas contemporâneas. Esse novo objeto desvendou igualmente aspectos até então praticamente ignorados da teoria e da prática do período, e isso é tanto mais surpreendente que a história é uma preocupação evidente dos arquitetos no século XIX, sejam eles ecléticos ou racionalistas. Mas a história tinha sido até então considerada um refúgio formalista dos arquitetos para defender a autonomia do seu trabalho contra as ameaças das transformações técnicas e sociais do presente. As novas pesquisas revelam exatamente o contrário, isto é, que o mergulho na história visava justamente inserir a arquitetura no fluxo do tempo que conduzia ininterruptamente a humanidade para o futuro. Como participar das mudanças bruscas e aceleradas da história sem compreender o sentido desse fluxo, sem saber de onde viemos e para onde estamos sendo levados? São essas interrogações que as teorias históricas e filosóficas contemporâneas procuravam responder, e são essas respostas que os arquitetos buscam nessas teorias que eles incorporam às suas próprias reflexões. Através da reconstituição dessas mediações, foi possível demonstrar que na teoria e na prática arquiteturais do período a visão histórica não era um fim, mas, uma vez mais, um meio essencial para, primeiro, compreender uma realidade dinâmica e, segundo, para assegurar a possibilidade da arquitetura participar ativamente desse fluxo cada vez mais dinâmico. Em suma, esse novo objeto contribuiu para revelar que o historicismo do século XIX foi uma concepção inteiramente nova e original da arquitetura, uma concepção que visava ultrapassar os limites tradicionais da autonomia disciplinar para inseri-la plenamente no dinamismo técnico e cultural da sociedade moderna (7).

O terceiro objeto, a relação entre o pensamento utópico e a arquitetura, é o mais recente e permite dar um passo ainda mais longo que a revisão histórica já proporcionada pelos dois outros novos objetos. O tema não é propriamente uma novidade no domínio da arquitetura, pois, como se sabe, as vanguardas do século XX têm um forte componente utópico, e o assunto já foi objeto de alguns poucos estudos (8). Mas não se trata de mesma utopia, isto é, não se trata da mesma abordagem do problema. Nos livros de história da arquitetura e do urbanismo moderno, que lhe seja atribuído um valor positivo ou negativo, a influência da utopia é considerada do ponto de vista exclusivo da forma. Ou melhor, parte-se do princípio que a única relação possível entre a utopia e a prática arquitetônica está no plano da forma, restringindo-se drasticamente dessa maneira o âmbito do problema. Na perspectiva da história cultural, a questão toma dimensões bem mais amplas e mais profundas. Longe de se limitar à prefiguração espacial da sociedade do futuro, aspecto certamente mais visível mas que é apenas a ponta do iceberg, o pensamento utópico aparece como um projeto de transformação radical do imaginário social, e isto através da instauração de uma nova relação entre teoria e prática, ou, nos termos da própria história cultural, entre as representações mentais e as práticas sociais. Trata-se portanto não da simples redescoberta de um velho tema, mas da constituição de um novo objeto de pesquisa capaz de lançar novas luzes sobre a história da arquitetura, tanto do período em questão como também do século XX.

Apesar do caráter aparentemente abstrato do objeto, a abordagem da história da arquitetura a partir da questão do imaginário social mostra na prática um grande potencial teórico. Primeiro porque as próprias teorias científicas e históricas que alimentam no século XIX a concepção da arquitetura estão fortemente impregnadas pelo pensamento utópico, razão pela qual o estudo da influência da utopia contribui para aprofundar ainda mais a compreensão da relação entre a teoria e a prática arquiteturais e os modelos epistemológicos de interpretação da realidade formulados no período. Segundo porque através desse estudo é possível verificar e estabelecer concretamente as mediações entre os esquemas cognitivos da época e a formulação de um novo conceito de arquitetura, documentando e esclarecendo seus fundamentos. Terceiro porque essa perspectiva revela o papel mais profundo atribuído à intervenção arquitetônica na sociedade industrial, a saber, que essa intervenção pretende agir mais no plano do imaginário ele mesmo que no plano puramente técnico e funcional. Trata-se aqui da descoberta de uma dimensão até hoje completamente ignorada da cultura arquitetural do século XIX, e ainda pouco conhecida no que se refere tanto aos demais períodos da história da arquitetura quanto ao presente. Quarto porque, em conseqüência, o estudo da dimensão utópica ou imaginária da arquitetura mostra todo o potencial cultural atribuído à sua prática pelos próprios arquitetos da época contemporânea, primeiro pelos historicistas e racionalistas do século XIX e em seguida pelas vanguardas do início do século XX (9).

Tudo somado, os três novos objetos revelam um século XIX até então completamente desconhecido dos historiadores da arquitetura. Ao invés de um intervalo irrelevante, formalista e acadêmico na história da arquitetura, surge um período dinâmico e complexo, voltado à “contínua experimentação sobre a própria natureza da arquitetura, sua capacidade de representar e de comunicar, e mesmo sua capacidade de afetar e modelar o comportamento” (10). A nova história cultural da arquitetura, cuja emergência, vimos, é fruto da complexidade aos poucos descoberta do século XIX, tornou-se um campo de prova da renovação metodológica da pesquisa em história da arquitetura, e apresenta-se hoje como um dos canteiros mais produtivos e fecundos dessa pesquisa (11). Não é exagero dizer que os estudos sobre o século XIX são hoje um modelo metodológico para a prática da história da arquitetura, e particularmente no que concerne a pesquisa sobre a arquitetura moderna e contemporânea. E mais ainda, esses estudos podem também contribuir para a formulação da nova concepção da arquitetura que está emergindo no início do século XXI, após os sinais cada vez mais evidentes das insuficiências dos ideais moderno e pós-moderno.

A redescoberta da dimensão imaginária da arquitetura

No balanço final do percurso que fizemos acompanhando a evolução metodológica da historiografia da arquitetura do século XIX, pode-se dizer que, no estado atual desse processo, a situação inverteu-se completamente em relação ao modo como esse passado foi considerado ao longo de quase todo o século XX: se entre 1930 e 1980 sua abordagem decorreu pura e simplesmente de uma estratégia destinada a promover os princípios da arquitetura moderna e pós-moderna, e cujo resultado foi a construção e a difusão de uma imagem completamente distorcida do período, hoje é a história do século XIX que, ao contrário, é uma fonte teórica potencial para a compreensão da arquitetura do presente. Ou, em outros termos, as questões que os arquitetos do século XIX se puseram e as respostas por eles encontradas para dar conta de uma sociedade dinâmica e complexa são ainda plenamente atuais e têm muito a nos ensinar sobre o papel da arquitetura em nosso próprio momento histórico. Certo, a reflexão teórica sobre a arquitetura contemporânea não começou nem se limita, longe disso, aos resultados da pesquisa sobre o século XIX, mas os problemas desvendados por essa pesquisa constituem hoje, sem dúvida, uma das fontes mais ricas para o esclarecimento dos objetivos teóricos e práticos da arquitetura em uma era na qual o imaginário ele mesmo da sociedade está em plena transformação.

A nova história cultural do século XIX mostra justamente que a nova concepção historicista da arquitetura fundamentava-se na possibilidade e na capacidade da arquitetura de interagir com o imaginário coletivo. Na perspectiva do século XIX, a interação profunda da arquitetura com a cultura de seu tempo pressupunha que sua própria teoria se elevasse ao nível dos ideais e dos esquemas cognitivos elaborados pelas ciências mais avançadas de seu tempo, naturais e históricas. Isso não significava entretanto que a nova arquitetura deveria transformar-se ela mesma em uma ciência, mas, ao contrário, que essa era uma condição essencial para que ela pudesse contribuir segundo sua natureza artística para o florescimento do potencial da sociedade moderna. Alimentando-se dos modelos de interpretação do real elaboradas pela ciência contemporânea, a arte e a arquitetura em particular tornavam-se, aos olhos do historicismo, capazes de ultrapassar os limites da própria razão para atingir, através da imaginação estética, um novo patamar da consciência da natureza e da sociedade, isto é, uma consciência a um só tempo racional e intuitiva do mundo, uma nova consciência que seria finalmente capaz de transformar, aperfeiçoando-a, a sociedade.

Mergulhando em uma realidade dinâmica e complexa para compreendê-la, o historicismo do século XIX visava portanto aperfeiçoá-la liberando todo o potencial material e intelectual da época. Visava porém regenerá-la não por meio da forma, da técnica ou da funcionalidade, mas agindo diretamente sobre o imaginário coletivo: desse ponto de vista, a imaginação estética, e apenas ela, teria o poder de estimular e transformar o imaginário, iniciando uma reação em cadeia suscetível de conduzir a uma nova consciência do mundo e, conseqüentemente, a uma nova ordem social mais elevada, mais justa e mais perfeita. Que no século XIX a imaginação estética se manifeste na forma de uma imaginação histórica, isso era fruto de uma estratégia para potencializar o poder de ação da arquitetura sobre o imaginário coletivo e faz parte do contexto cultural da época. Seguindo nisso a lição do historicismo, no século seguinte as vanguardas substituem a força evocativa da imaginação histórica pela evidência demonstrativa da imaginação técnica, mas ao preço de reduzir paradoxalmente o papel cultural da arquitetura. Na época atual de incertezas, a redescoberta da dimensão imaginária da arquitetura pela nova história cultural do século XIX pode ser assim uma contribuição valiosa para uma compreensão mais profunda tanto dos fundamentos da arquitetura quanto do caminho para assegurar sua interação com o fluxo da história.

notas

1
Este texto constitui a parte final de um artigo mais longo e cuja publicação deve ainda demorar. Como a parte final do artigo é relativamente independente e trata de questões atuais que interessam tanto à metodologia de pesquisa em história da arquitetura quanto ao debate sobre os fundamentos teóricos da disciplina, pode ser útil publicá-la separadamente.

2
R. Middleton e D. Watkin. Neoclassical and 19th Century Architecture. Londres, Academy Editions, 1980. A obra foi publicada pela primeira vez na tradução italiana, com o título Architettura dell’Ottocento, Milão, Electa, 1977. Traduzido para o francês com o título Architecture Moderne. Du néo-classicisme au néo-gothique. 1750-1870, Paris, Berger-Levraut, 1983.

3
D. Van Zanten. Designing Paris. The Architecture of Duban, Labrouste, Duc and Vaudoyer. Cambridge (Mass.), MIT Press, 1987.

4
Para a definição do método e dos problemas da história cultural, ver R. Chartier, Au Bord de la Falaise. L’Histoire entre Certitudes et Inquiétude, Paris, Albin Michel, 1998, e particularmente o capítulo “Le monde comme représentation”, pp. 67-86.
5
Coletivo, L’Architecture, les Sciences et la Culture de l’Histoire au XIXe Siècle, Saint-Etienne, Publications de l’Université de Saint-Etienne, 2001, texto da contracapa. Os trabalhos reunidos nessa obra formam um verdadeiro panorama da evolução recente da pesquisa sobre a história da arquitetura do século XIX.

6
Sobre a relação entre arquitetura e ciência no século XIX, ver C. Van Eck, Organicism in Nineteenth-Century Architecture, Amsterdam, Architectura & Natura Press, 1994; L. Baridon, L’Imaginaire Scientifique de Viollet-le-Duc, Paris, L’Harmattan/U.S.H.S., 1996; M. Bressani, Science, Histoire et Archéologie. Sources et Généalogie de la Pensée Organiciste de Viollet-le-Duc, Tese de Doutorado, Universidade de Paris-Sorbonne/Paris IV, 1997.

7
Sobre a relação entre arquitetura e teoria histórica, e também para a nova abordagem do historicismo, ver B. Bergdoll, Léon Vaudoyer. Historicism in the Age of Industry, Nova York, The Architectural History Foundation; Cambridge (Mass.)/Londres, MIT Press, 1994; M. Bressani, Science, Histoire et Archéologie. Sources et Généalogie de la Pensée Organiciste de Viollet-le-Duc, op. cit.; Coletivo, L’Architecture, les Sciences et la Culture de l’Histoire au XIXe Siècle, op. cit.; R. Dubbini (org), Henri Labrouste 1801-1875, Milão, Electa, 2002.

8
Sobre a dimensão utópica das vanguardas, ver F. Choay, O Urbanismo. Utopias e Realidades, São Paulo, Perspectiva, 1979; e M. Tafuri, Projecto e Utopia. Arquitectura e Desenvolvimento do Capitalismo, Lisboa, Editorial Presença, 1985.

9
Sobre a influência do pensamento utópico na teoria arquitetural do século XIX ver M. Saboya, Presse et Architecture au XIXe Siècle. César Daly et la Revue Générale de l’Architecture et des Travaux Publics, Paris, Picard, 1991; B. Bergdoll, Léon Vaudoyer. Historicism in the Age of Industry, op. cit.; e principalmente A. Picon, Les Saint-Simoniens. Raison, Imaginaire et Utopie, Paris, Belin, 2002, pp. 223-296. A tese de doutoramento do autor, em fase de conclusão, é também uma contribuição ao estudo da dimensão utópica da arquitetura no século XIX.

10
B. Bergdoll, European Architecture. 1750-1890, Oxford/Nova York, Oxford University Press, 2000, p. 3.

11
Sobre o estado dos problemas e métodos de pesquisa em arquitetura, ver A. Picon, “Architecture, sciences et techniques. Problématiques et méthodes”, Les Cahiers de la Recherche Architecturale et Urbaine, nos 9-10, janeiro de 2000, pp. 151-160. No Brasil, por enquanto apenas a história urbana beneficiou-se diretamente da renovação metodológica na pesquisa sobre o século XIX. Ver Heliana A. Salgueiro, La Casaque d’Arlequin. Belo Horizonte, une Capitale Éclectique au 19e Siècle, Paris, Éditions de l’École des Hautes Études en Sciences Sociales, 1997, texto ainda não traduzido para o português.

sobre o autor

Marcelo Puppi é professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina, Mestre em História da Arte pela Unicamp e doutorando pela Universidade de Paris 1/Sorbonne. Publicou Por uma História Não Moderna da Arquitetura Brasileira, Campinas, Pontes/CPHA-IFCH-Unicamp, 1998

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