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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
O texto defende a incorporação do conceito de sustentabilidade pela arquitetura, considerando o grande impacto ambiental da urbanização

english
The article supports the incorporation of sustainability in architecture, considering the great impact of urbanization in the environment

español
El artículo defiende la incorporación del concepto de sostenibilidad en la arquitectura, considerando el impacto ambiental de la urbanización


how to quote

ROCCO, Euclydes. Por uma Arquitetura com “A” maiúsculo. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 061.00, Vitruvius, jun. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.061/448>.

Ou se incorpora o conceito de sustentabilidade à Arquitetura, ou ela não merecerá ser chamada por esse nome.

A duras penas fomos obrigados a assumir que muitos dos recursos naturais da terra são finitos. O interesse mundial pelas fontes produtoras de petróleo, pelas florestas geradoras de oxigênio e por grandes áreas com recursos hídricos são evidências de uma situação que, se por um lado é positiva ao provocar o preservacionismo, por outro é preocupante ao ensejar ações totalitárias, considerando-se que interesses globais sirvam de aval para interferência na autonomia das nações.

Os Estados Unidos, que desprezam as recomendações do Protocolo de Kyoto, preferindo entupir a atmosfera com gases tóxicos, se arvoram em defensores da humanidade quando dão indícios de quererem nos penalizar por desmatarmos a Amazônia.

Não que o governo americano tenha autoridade para nos chamar a atenção, mas que desmatamos, ah, desmatamos, mesmo! No Brasil, as tais propaladas "dimensões continentais", sob o aspecto de respeito ao meio ambiente, funcionaram de forma negativa. Temos terras abundantes, rios caudalosos e oceânicos, matas a não acabar mais. Ou melhor, não acabar mais até certo ponto. Conseguimos destruir mais de 80% da Mata Atlântica. E parece que a Floresta Amazônica já se encolhe... de medo!

Esse festival do machado aconteceu porque até metade do século 20 não nos preocupávamos nem com a degradação ambiental, nem com a escassez de terras para habitação e agricultura, nem com as várias formas de poluição. A idéia era que existia uma Mãe Natureza que tudo dava e tudo permitia. Com "a libertação feminina", descobrimos que a Mãe Natureza é uma mulher igual às outras, com uma TPM incontrolável. Ela arquiva as agressões e tem mais prazer em se vingar que em se defender. Não queiram vê-la com um ataque tsunâmico.

A Natureza exige reparação às agressões que se faz em seus inúmeros filhos: o ar, o solo, as florestas, as águas, os animais. Exige que tudo seja sustentável. Que cada coisa fique no seu lugar, exige a natureza, há milênios. Se você quebra o equilíbrio ecológico deslocando um simples caramujo de seu habitat natural, como aconteceu entre nós, há alguns anos, você infesta essa nova região com uma nova população que, por não ter predadores, passará a ser encarada como praga epidêmica. E tenha em mente: se você destruir a camada de ozônio que reveste o planeta, a Natureza lhe causará um câncer.

Seria oportuno, também, rever, de maneira prospectiva, o conceito de que "Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma", perguntando-se: "Transforma-se em quê?" E complementarmos essa indagação com outras: "Temos o controle de todo o processo dessa transformação?", "Interessa a nós o produto ou os produtos finais?"

Esse controle do processo produtivo já foi fundamental na raiz da Humanidade. De uma existência nômade e predatória, o homem ancestral pôde se fixar em núcleos socialmente organizados quando viabilizou sua subsistência através da agricultura, quando teve o domínio do plantio, da colheita e da estocagem, respeitando condições de micro-clima regional e atinando para a variação das quatro estações climáticas.

Instintiva e racionalmente vestia-se e procurava abrigos que lhe proporcionavam o conforto possível. Construções populares sempre serviram de campo de pesquisas para quem estivesse interessado em soluções práticas para questões relativas à tecnologia de construção e atendimento a solicitações de conforto térmico. Vemos isso nas grossas alvenarias das casas gregas, que, não sendo protegidas por beirais, recebem forte insolação, armazenando o calor que aquecerá os compartimentos interiores quando a temperatura noturna cair significativamente.

Longe daquelas variações bruscas de temperatura, as habitações de climas tropicais devem ser protegidas das fortes chuvas e da insolação intensa. As casas coloniais colocaram num telheiro a fonte de calor representada pela cozinha, procurando amenizar a temperatura interior com o deslocamento do fogão para um espaço aberto. Poderíamos lembrar, também, os pátios internos das casas mexicanas, com seu jorro d'água compensando a baixa umidade do ar.

O brise soleil, introduzido na arquitetura brasileira há quase meio século, foi marcante porque atendia nossas condições climáticas específicas. As enormes varandas dos palácios de Brasília retratam uma Arquitetura tipicamente brasileira.

Desconfio que muitos possam achar esses exemplos anacrônicos. Mas seria adequado considerar que as condições de nosso clima não se transformaram tão radicalmente nas últimas décadas a ponto de podermos abandonar as proteções contra a insolação intensa nas edificações – ou mesmo ignorar que essa questão deva ser levada em conta nos projetos.

Tenho visto, com freqüência, arquitetos não levarem em conta necessidades específicas de nossa realidade física. Também não sinto que estejam preocupados em considerar em seus estudos arquitetônicos as interferências das várias instalações técnicas, especialmente aquelas ligadas à engenharia. Projetar sem a preocupação com aspectos construtivos e de manutenção pode privilegiar a imaginação, certamente fundamental para o arquiteto, mas não exigirá do profissional a criatividade necessária, que é, em última análise, a viabilização de uma idéia, transformando-a numa obra estética e tecnicamente bem resolvida.

Como em outros setores da vida brasileira, muitos projetos de edificações também têm sucumbido à moda, ao modismo, que, muito freqüentemente, não primando pela objetividade, divorciam-se da verdadeira Arquitetura.

As peles de vidro, envolvendo enormes edifícios de escritórios, têm a intenção de espelhar – sem trocadilho – uma suposta pujança e um pretenso modernismo que não resistem a uma análise técnica mais cuidadosa, caso vistos sob a ótica da realidade brasileira. Não se ignora que vidros especiais refletem a radiação infravermelha, diminuindo o efeito negativo dos raios solares sobre o aumento da temperatura, mas essa opção tecnológica não tem o mesmo nível de eficiência que um sombreamento.

Se levarmos em conta que esses edifícios-estufa abrigam pessoas que trabalham usando ternos e gravatas, traje herdado dos europeus, não há como torná-los climaticamente confortáveis sem ar condicionado. Fecham-se as cortinas para que os raios solares não entrem, acendem-se as luzes porque se fecharam as cortinas e ligam o ar condicionado porque a temperatura está muito alta. É um encadeamento que só pode levar a um significativo acréscimo no consumo de energia elétrica.

Essas questões econômicas e de princípios arquitetônicos, contudo, quase sempre, correm à margem das prioridades dos empreendedores, dos proprietários e também usuários. O aspecto estético em si, desvinculado até da história de nossa arquitetura, privilegiam o consumismo e exacerbam a importância da imagem corporativo empresarial, excluindo soluções mais apropriadas em detrimento do ter semelhança com, fazer parte da casta tal.

Parece discutível que a globalização deva chegar a um ponto de lavar uma cadeia de hotéis ter como lema: "Viaje pelo mundo sem sair dos Estados Unidos". Em decorrência, me sinto no direito de supor que, caso alguém saia para fazer turismo pela África, vai encontrar, num dos hotéis dessa cadeia, a mesma língua, o mesmo mobiliário, a mesma comida e o mesmo clima que encontraria se tivesse ficado em Nova York. Seria justo, então, imaginar que um hóspede bem informado deveria sentar-se na cama e se perguntar: "Por que não fiquei em Nova York?".

Concomitante a esse consumo de ícones, ocorre a exigência de uma dinâmica na troca de aparências, transformando paisagens urbanas num video clip devorado e devorador. O princípio é: transforme-se para mostrar que está vivo. Sob esse prisma, não é desproposital afirmar-se que o design de estabelecimentos comerciais, principalmente, são obras descartáveis, cenários com prazos de validade pré-estabelecidos. Esse fato faz com que, muito freqüentemente, não seja exigida grande durabilidade dos materiais de acabamentos empregados nessas construções, nem que tenhamos que nos preocupar com sua deterioração precoce – mesmo precoce, esses materiais terão sua caducidade decretada pelo mercado, antes que a natureza se incumba de consumi-los. A essa nova abordagem de utilização de materiais de construção corresponde um aumento considerável de resíduos a serem processados. Tudo fica velho, pouca coisa fica antiga. Peças de mobiliário e complementos de decoração passam pelo mesmo processo de descartabilidade, se é que existe esse termo.

Se por um lado essa obsolescência precoce de materiais e formas pode parecer um desperdício, por outro incentiva a produção e proporciona aumento de empregos – fato importantíssimo que não pode e não deve ser ignorado. Além disso, favorece as pesquisas de materiais com custos reduzidos, considerando-se que sua durabilidade também será reduzida.

Grande parte da construção civil se vale do aço e do concreto armado para suas obras. Os túneis para mineração de ferro e calcário, as cavas para extração de areia e a exploração de pedreiras têm provocado danos relevantes na natureza, quer devido à sua tecnologia primitiva e rude, quer pelas cicatrizes deixadas nas áreas de influência, muitas dessas intervenções danificam de maneira substancial a paisagem provocando danos irreparáveis no ecossistema. Os relatórios de impacto ambiental, exigidos pelo poder público, são um grande passo para a recuperação dessas áreas degradadas, obrigando a que o exercício dessas atividades sejam exercidas de maneira sustentável, uma vez ser impossível, atualmente, pensar-se em que sejam proibidas, sem causar uma estagnação inimaginável na indústria da construção civil.

Ouso dizer que os processos que envolvem sustentabilidade pressupõem controle total de toda a cadeia em que um produto está envolvido. É uma forma de organização da qual o Homem não tem o direito ético de fugir. Nós que tivemos pais e/ou avós que se banharam nas águas dos rios Tietê e Pinheiros, podemos sentir profundamente nossa responsabilidade nos efeitos da degradação daquelas águas quando temos que explicar aos mais jovens o que aconteceu com aqueles rios. Quando se tem em conta que jogamos dejetos humanos na fonte de onde retiraremos água para beber, podemos ter uma idéia clara da batalha a ser travada para que o equilíbrio ecológico venha a ser satisfatoriamente respeitado.

Apesar dessas observações um pouco amargas sobre a situação atual, no que diz respeito às condições de nosso meio ambiente, vejo com muita esperança que nos últimos anos começou a fazer parte do dia-a-dia, de quase toda a população das grandes cidades, a preocupação com a qualidade do ar, com a preservação de recursos hídricos e com a necessidade de reciclar materiais e produtos. Não é pouco freqüente a denuncia de agressões ambientais. Ao lado dos cidadãos, colocam-se Organizações Não Governamentais – as ONGs – e órgãos governamentais que, apesar de parcos recursos, lutam, na medida do possível, em benefício da ecologia.

Muitas indústrias, assumindo seu compromisso preservacionista perante a sociedade, vêm tomando a iniciativa de controlar o caminho de seus produtos, do nascer ao renascer, com vistas ao bem estar dos cidadãos. Iniciativas como esta não apenas devem ser aplaudidas como difundidas para que mais e mais empresas se sensibilizem e venham participar, também, da luta pela melhoria da qualidade de vida.

nota

1
Palestra proferida no IAB-SP em 9 jun. 2005 por ocasião da divulgação da “Iniciativa Solvin”, promovida pelo da Solvay e IAB-SP.

sobre o autor

Euclydes Rocco, arquiteto pela FAU-USP, professor da Faculdade de Arqutietura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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