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architexts ISSN 1809-6298


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ESPALLARGAS GIMENEZ, Luis. As quatro escolas do FDE em Campinas. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 064.02, Vitruvius, set. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.064/422>.

O destaque e a intensidade dessas escolas, em triste periferia desenganada pelo planejamento habitacional mais escasso, faz pensar como a profissão, num âmbito reduzido, mas exigente, se tornou necessário exercício de resistência.

As quatro implantações adquirem, por intermédio de processos formais simples e eficientes, notável ajuste urbano e exemplar estabilidade em exíguos terrenos de conjuntos habitacionais, além de alcançar completo sentido na sucessão e distribuição das partes de seus programas.

Com programas em comum, todos projetos parecem submetidos à mesma série de condições. Um sistema construtivo principal e isostático, com pré-moldados de concreto, combinado com estrutura secundária de perfis metálicos. Partidos compactos e fechados, protegidos e adequados ao clima cálido de Campinas e quadra poliesportiva coberta que possa ser utilizada pela comunidade através de acesso separado das salas escolares.

Conforme preconiza a teoria moderna, as dimensões modulares das estruturas de concreto pré-moldado exigem das plantas muita ordem e legibilidade. Estruturas pré-fabricadas que, com isenção feita aos arquitetos, foram executadas com excessiva tolerância dimensional e insuficiente controle de produção. O que explicaria porque os escritórios acataram a pauta estrutural na planta, e disso se beneficiaram, mas não confiaram o resultado ao ritmo e controle do sistema construtivo, para preferir a aparência, visto que a pauta rigorosa de eixos de viga e pilar que formam, constroem e tridimensionam os edifícios acabou sendo mascarada por uma pele de fachada, para assemelhar-se à estética mais atual dos tempos da virtualidade.

Com exceção do projeto do escritório MMBB (2), caso em que a decisão de apresentar a estrutura como forma final da escola parecia decidida pelo cobogó de elementos pré-moldados nos entrepanos, mas acabou subvertida por critérios de cor e pintura que iludem o entendimento em favor de grandes e pitorescos recortes coloridos. As cores fortes sobre os planos e elementos, presentes em todos projetos, parecem confirmar a tradição escolar da atitude paulistana inaugurada por Artigas e Cascaldi.

Os outros três projetos, quase em sincronia com estilemas contemporâneos, aplicam planos na face externa de concreto para desenhar – de olho na abstração mais perceptiva, mas menos sensitiva – em nome dos fechamentos leves, da iluminação difusa e do brise-soleil as superfícies extensas, imateriais ou texturadas. Requadros colados e expostos, mais apropriados para estruturas hiperestáticas em balanço, fazem pouco dos detalhes de proteção, estanqueidade, arremate e acabamento além de comprometer durabilidade e resistência. Detalhes melhorados caso contassem com providências especiais e fáceis – abas ou rebaixos – nos perfis e seções da estrutura pré-moldada para evitar tantos rufos costurados com rebite pop a agravar miséria e desalinhamento comuns nas obras públicas. Andrade e Morettin (3) exageram um pouco na falta de consistência construtiva quando envolvem um volume único com dois tipos diferentes de proteção leve e plásticos serrilhados nas fachadas, como diversas peles ou faces, a noventa graus, separadas por tosca cantoneira de aresta em chapa galvanizada fina. Como a manutenção desses edifícios inexiste e o vandalismo domina nunca seria demais especificar detalhes vigorosos.

Quadras poliesportivas cobertas e associadas ao corpo principal da edificação serviram como argumento principal para organizar as quatro escolas. O escritório UNA (4) coloca o piso da quadra sobre a cobertura do terceiro pavimento da escola e desenvolve o projeto mais sintético, preciso e vertical entre todos, inclusive monumentalizado, de propósito, por rasgos verticais e extremos a partir de finos pilares musculados com engenho por prótese de perfis metálicos para suportar flambagem. Inversamente, os arquitetos Vainer e Paoliello (5) prolongam a laje de cobertura para cobrir a quadra e conseguir a solução mais clara, compacta e certamente mais econômica entre as quatro. Um edifício estrito, com térreo bem formado e proporcionado, mas ainda a aperfeiçoar, como todo objeto moderno deve ser, para amenizar a insolação das salas e o resultado da fachada Norte, onde, no térreo, a escola está exposta ao passeio e estacionamento e apresenta caixilharia indecisa. A entrega do edifício no solo, sobre calçada estreita, corresponde ao padrão infame dos blocos habitacionais circundantes. O grande exemplo está ao lado, na aproximação da escola projetada pelo escritório UNA. Ao longo da parede paralela que entra sob a laje tornada marquise pelo alargamento da calçada que reconhece a aglomeração e as brincadeiras dos estudantes, chega-se ao portão coberto que permite reconhecer ao fundo a transparência do pátio coberto estendido ao jardim. De volta à simplicidade e generosidade da boa arquitetura.

Em outra planta irretocável, o escritório MMBB assume uma quadra coberta dentro do pátio formado por dois blocos paralelos e o risco acústico que essa conformação comporta. Isso vale para todas escolas se for confirmada a inobservância de medidas de isolamento e proteção acústica em projetos cuja premissa exige a justaposição do programa.

Já os arquitetos Andrade e Morettin arriscam a organização escolar mais controvertida ao colocar a quadra poliesportiva sobre a cobertura do pavimento térreo para organizar aquela parte do programa sempre em contato com o terreno e combinada com o pátio escolar aberto e coberto, ao mesmo tempo, relacionados com um vazio maior, transverso, vertical e ordenador que dá lugar à lâmina de salas de aula. Parecem trabalhar com dois princípios superpostos de organização que explicitam algum conflito e consomem quantidade de área construída para conviver. A obrigação em conectar o vazio vertical com o pátio horizontal sob pilotis aproxima espaços diversos. O primeiro torna-se atravancado e ilegível com as pesadas estruturas metálicas das escadas e elevador e o segundo parece confinado e escuro, pela profundidade que apresenta. Além disso a decisão de elevar a quadra, nesse terreno, obriga a construir a importante rampa externa – comprometer a afirmação do prisma único – para atender o requisito de uso independente da escola.

As plantas e os cortes destes projetos animam pela ausência de arbitrariedade e pela evidência de desenhos oportunos e exigentes que sobrevivem a meios e recursos restritos e a pequenos, porém suficientes, terrenos, como fica demonstrado. Os cacoetes repetidos devem ser entendidos como subterfúgio que os arquitetos utilizam quando não é confiável reconhecer valor nos verdadeiros e definitivos processos que envolvem a forma e a produção dos edifícios, enquanto não for aproveitada a competência formal do arquiteto para sintetizar e ajustar problemas de forma e, por isso, designá-lo para coordenar decisões sobre problemas físicos de um edifício. Por exemplo, a estrutura de concreto pré-moldada disponibilizada é tosca e primitiva, apenas dispõe do essencial na concepção e sofrível execução. É compreensível que o sistema só adquira interesse no caso em que se possam projetar peças bem-acabadas e perfeitas que incorporem mais detalhamento, possam condensar e ordenar o máximo de problemas num único sistema. Por exemplo, a relação entre o sistema de concreto pré-moldado e as redes de distribuição hidráulicas e elétricas poderia alcançar resultado definitivo e abrangente se, na estrutura, estivessem previstas e ajustadas. A insuficiente coordenação das especialidades e a conseqüente improvisação ficam evidentes quando se tolera que tubos e dutos aflorem do chão ao lado dos pilares para fixar caixas de passagem, torneiras e tomadas. Quando se vêem chumbadores metálicos parafusados sobre consoles de concreto, quando a forma das bases dos chumbadores metálicos é decidida por um projetista que apenas considera, no problema, sua facilidade.

A experiência do FDE mostrou-se positiva e as equipes de arquitetos demonstraram como é possível desenhar e construir se, mais além das medições e ingerências políticas, fosse possível canalizar esforços para o prazer de fazer sempre o melhor. Cabe agora ao FDE dar seqüência ao aperfeiçoamento desses protótipos para que se possa corrigir defeitos e acrescentar as melhorias e ajustes intuídos pelo processo e para que os acertos da arquitetura não sejam entendidos apenas como experimentalismos.

notas

1
Artigo publicado originalmente no número especial, dedicada ao Brasil, da revista suíça Tracés. ESPALLARGAS GIMENEZ, Luis. “Les quatre écoles de la FDE à Campinas“. Lausanne, Tracés, n° 15/16, ano 131, 17 agosto 2005, p. 19-24. O artigo de Renato Anelli, presente no volume, já foi publicado em Vitruvius. As partes deste número são os seguintes:

 

GUERRA, Abilio. "Arquitetura e Estado no Brasil / editorial". Arquitextos nº 64. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

OLIVEIRA, Olivia de; BUTIKOFER, Serge Butikofer. "Uma viagem pela arquitetura brasileira". Arquitextos nº 64.01. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

ANELLI, Renato. “Centros Educacionais Unificados: arquitetura e educação em São Paulo”. Arquitextos, nº 55.02. São Paulo, Portal Vitruvius, dez. 2004

 

GIMENEZ, Luis Espallargas. "As quatro escolas do FDE em Campinas". Arquitextos nº 64.02. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

EKERMAN, Sergio Kopinski. "Um quebra-cabeça chamado Lelé". Arquitextos nº 64.03. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

SALOMON, Maria Helena Röhe. "Programa Favela-Bairro: construir cidade onde havia casa. O caso de Vila Canoa". Arquitextos, Texto Especial nº 331. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

2
MMBB Arquitetos – O escritório MMBB foi fundado em 1991 pelos arquitetos Fernando de Mello Franco, formada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) em 1986, Marta Moreira, formada na FAUUSP em 1987, e Milton Braga, formado na FAUUSP em 1986. MMBB recebeu o prêmio Jovens Arquitetos 1995 do Instituto de Arquitetos do Brasil e Museu da Casa Brasileira, o 1º prêmio da categoria obras construídas do IAB em 1994 e o prêmio “Ex Aequo” da IV Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em 1999.

 

3
Andrade Morettin Arquitetos Associados Ltda – Vinicius Hernandes de Andrade, arquiteto formado na FAUUSP em 1992, professor da Universidade Brás Cubas desde 1996. Marcelo H. Morettin, arquiteto formado na FAUUSP em 1991. Andrade Morettin recebeu o 1º prêmio no concurso público nacional para um projeto de habitação social em 2004 e o 1º prêmio do concurso nacional pelo Plano Diretor de Restauração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1998.

 

4
UNA Arquitetos S/C Ltda – Cristiane Muniz, arquiteto formada na FAUUSP em 1993, professora da Escola da Cidade, São Paulo, desde 2004. Fábio Rago Valentim, arquiteto formada na FAUUSP em 1995, professor da Escola da Cidade, São Paulo SP, desde 2004 e da Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo SP, desde 2005. Fernanda Barbara, arquiteta formada na FAUUSP em 1994, professora da Universidade Braz Cubas, Mogi das Cruzes (1995/1996), da Fundação Armando Álvares Penteado FAAP, São Paulo, desde 2000 e da Escola da Cidade, São Paulo, desde 2005. Fernando Felippe Viégas, arquiteto formada na FAUUSP em 1994, professor da Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo desde 2005 e da Escola da Cidade, São Paulo, desde 2005. UNA ganhou o 1º prêmio do concurso público nacional de idéias para o Teatro e Laboratório de Artes Cênicas e do Corpo da Universidade de Campinas – Unicamp, Campinas, em 2002 e o 1º prêmio do concurso nacional de arquitetura para a criação do Espaço Cultural dos Correios, em 1999.

 

5
André Vainer e Guilherme Paoliello Arquitetos – André Vainer, arquiteto formada na FAUUSP em 1980, professor da Escola da Cidade, São Paulo, desde 2003. Guilherme Paoliello, arquiteto formada na FAUUSP em 1979, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas, Mogi das Cruzes (1993-96), e da Escola da Cidade, São Paulo (2002-2005). Vainer e Paoliello recebeu o prêmio da Bienal International de Arquitetura de São Paulo em 1992 e 1999, e o prêmio do Instituto de Arquitetos do Brasil em 2000 e 2002.

sobre o autor

Luis Espallargas Gimenez, arquiteto e professor da FAU PUC-Campinas e FAU Unip

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