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Abordagem dos 75 anos de fundação da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. Resgatam a trajetória da instituição num período que se estende até 1964 e refletem sobre a evolução do ensino de arquitetura no Brasil


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ALVES PINTO DE OLIVEIRA, Cléo; PERPÉTUO, Maini de Oliveira. O ensino na primeira escola de arquitetura do Brasil. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 066.04, Vitruvius, nov. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.066/408>.

No último mês de agosto a Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais completou 75 anos de fundação. Esta data nos motivou a resgatar a trajetória da instituição e, por meio desta, refletir sobre a evolução do ensino de arquitetura no Brasil. O período aqui analisado corresponde à sua fundação – em 1930 – desenvolvimento e consolidação, até 1964, ocasião do Golpe Militar, que desmonta toda a estrutura já implantada.

O início

Até a década de 30, Belo Horizonte contava com pouquíssimos profissionais de arquitetura, ficando os projetos a cargo dos desenhistas ou copistas, que se baseavam nos modelos e padronizações tipológicas defendidos pela Comissão Construtora da Nova Capital.

Em artigo do jornal Estado de Minas, de 1934, é possível perceber a situação reinante na cidade:

“Na construcção de seus edifícios notáveis, um “que” de falta de gosto e de educação artística. A sua architectura não corresponde às suas necessidades de cidade moderna, falta-lhe a modelagem artística do architecto, os seus prédios não satisfazem em seu conjuncto, ressentem-se de falta de harmonia esthetica dando a impressão de que predominou a vontade exclusiva do proprietário leigo do que a arte de quem projetou. Há falta de luz e falta de linhas harmônicas e muita sobra de aberrações artísticas e amontoados de ornamentações sem nenhuma finalidade” (2).

Belo Horizonte contava até então com três cursos de nível superior – medicina, direito e engenharia. Estes cursos foram reunidos em 1927, naquela que foi uma das primeiras universidades do país: a Universidade de Minas Gerais. Diante da carência de outros cursos, um grupo liderado por Luiz Signorelli, um dos arquitetos mais atuantes no cenário belo-horizontino da época, se reuniu com o objetivo de “organizar uma escola de formação de técnicos da arquitetura e profissionais das artes auxiliares, como decoradores, escultores e pintores” (3).

Assim, em 05 de agosto de 1930, foi fundada a Escola de Arquitetura de Belo Horizonte, sendo a primeira escola da América do Sul desvinculada das Escolas Politécnicas e de Belas Artes.

A primeira geração de professores

A Escola de Arquitetura foi formada por profissionais de diferentes áreas – arquitetos, engenheiros, artistas, advogados e médicos – cada qual contribuindo com seu conhecimento específico para a formação do arquiteto generalista.

A maioria dos profissionais que fundaram a Escola de Arquitetura constituía-se por engenheiros que se encarregaram de lecionar as disciplinas técnicas e de cálculo. Porém, alguns deles, como Luiz Signorelli, arquiteto, e Aníbal Mattos, pintor, cursaram a Escola Nacional de Belas Artes, instituição tradicional e certamente a mais prestigiada do país em termos de formação artística. Nascida com a vinda da Missão Francesa para o Brasil e sob a influência direta de seus membros, pregava o academicismo nas artes, incutindo em seus estudantes o apuro do traço, das proporções e das ordens clássicas.

A primeira geração de professores apresentava uma forma de ensino tradicional, sem participação dos estudantes. O ex-aluno (de 1955 a 1959) e ex-professor Ronaldo Masotti atribui a didática adotada à formação própria da época: “Os catedráticos fundadores já eram idosos, já estavam de cabeça meio branca, tinham aquela postura dos professores de antigamente, de ficar num trono, num pedestal, os alunos abaixo. Não para punir ninguém, mas porque era assim” (4). Por outro lado, Masotti afirma que a formação dos fundadores era mais completa, tendo um caráter mais humanístico e que quase todos sabiam discutir assuntos variados, eram mais cultos.

No início, poucos professores inovavam nos métodos de ensino, avaliação ou mesmo temas para “Grandes Composições de Arquitetura”, disciplina que corresponderia atualmente à de “Projeto”. Segundo Raphael Hardy Filho, aluno entre os anos de 1931 em 1937 e ex-professor da Escola de Arquitetura, o tema mais original proposto em seu período de estudante consistiu na elaboração de um projeto para um farol em alto mar, sendo que muitos dos alunos sequer conheciam o mar (5).

De ex-alunos a professores

O perfil dos professores começou a mudar quando os primeiros alunos formados pela Escola retornaram à instituição para nela lecionarem. Entre eles estavam Shakespeare Gomes, Raphael Hardy Filho, Sylvio de Vasconcellos e Eduardo Mendes Guimarães.

Segundo Ivo Porto de Menezes, que estudou na Escola entre 1950 e 1954:

“Nós tínhamos as aulas práticas, de Projeto, geralmente com professores mais atualizados, mais novos. Tive excelentes professores nesse campo. Eram professores muitos deles ainda sem grande tradição de ensino e conseqüentemente mais liberdade. Por isto, os alunos tinham melhor acesso a eles para perguntar, para indagar e até ir a seus escritórios para conversar, inclusive sobre o trabalho que estavam executando” (6).

Entretanto, entre as duas gerações que formavam o corpo docente da Escola – fundadores e ex-alunos – existia um conflito no que diz respeito aos métodos de ensino e opiniões pessoais quanto aos rumos que a arquitetura vinha tomando. Enquanto os professores mais novos inclinavam-se para a arquitetura moderna, os antigos mantinham-se fiéis a estilos consolidados, como o Art Déco.

Esta diferença de postura pode ser percebida claramente em texto escrito pelo arquiteto e fundador Professor Luiz Signorelli:

“Aproveitando o ensejo de vos falar, confesso com sinceridade a reserva com que a princípio recebi os primeiros rebates da nova arquitetura, para com um tempo relativamente curto aceitá-la sem restrições. Diante de tão palpitante assunto devo dizer que manterei sempre como ponto de vista aplicar no moderno a proporção clássica nas suas manifestações, adaptando-as do nosso meio” (7).

Tal conflito estendia-se também às salas de aula. Ivo Porto de Menezes lembra de um episódio ocorrido na disciplina “Desenho Artístico”, lecionada por Raffaello Berti. Segundo Ivo Porto, o professor propôs como tema da prova o projeto de uma “Porta de Banco”. “O professor havia dito que ele não era moderno, não gostava muito da arquitetura moderna, era mais tradicional e quem fizesse moderno, daria zero” (8). Mesmo assim Ivo e alguns outros colegas não conseguiram seguir a orientação do professor e fizeram portas simples, com linhas mais puras. Pois foram estes alunos que conseguiram a nota máxima: “ele simplesmente viu nosso trabalho e deu valor ao trabalho, apesar de não ser dentro do espírito dele; ele não faria aquilo. Respeitou o nosso pensamento” – conta o ex-aluno.

Nos exemplares da revista Arquitetura – Engenharia, Urbanismo, Belas-Artes e Decoração, criada pelo órgão oficial dos alunos da Escola no ano de 1946, fica nítido esse período de transição no ensino e na produção arquitetônica. Na publicação eram divulgados projetos de alunos desenvolvidos nas disciplinas de “Grandes Composições de Arquitetura”, “Pequenas Composições de Arquitetura” e “Arte Decorativa”, as quais apresentavam orientações distintas (9).

Os trabalhos executados na disciplina “Arte Decorativa” seguiam uma linha tradicional, fundamentada no uso de elementos clássicos e proporção áurea. Certamente a formação artística clássica dos professores Aníbal Mattos e Raffaello Berti era responsável por este direcionamento e se refletia também nos temas propostos: “Um púlpito bizantino”, “Um púlpito romano”, “Portão de entrada para um parque”, “Túmulo”, “Altar neo-clássico”, entre outros.

Em relação aos projetos realizados nas disciplinas “Grandes Composições de Arquitetura” e “Pequenas Composições de Arquitetura” predominava a estética modernista, através do emprego de elementos como lajes planas e delgadas, telhados ‘borboleta’, rampas, brises e pilotis. Os demais projetos apresentavam características transitórias: utilizavam o vocabulário modernista mesclado a composições simétricas, baseadas na rigidez dos eixos e nas proporções clássicas.

O ensino

Além do embate entre estilos, nota-se também uma grande dissociação entre teoria e prática nas disciplinas. Tal fato era constantemente abordado pelos alunos da Escola de Arquitetura no jornal P.V. – Ponto de Vista, informativo de circulação interna publicado por um grupo de alunos nos primeiros anos da década de 50. Neste, as opiniões eram expressas de forma contundente:

“Achamos muito interessante o curso de maquetes que é ministrado na Escola de Arquitetura da USP. É ministrada também, aos sábados, uma aula prática de construção onde, sob a orientação de um mestre competente aprendem como se deve assentar bem um tijolo, fazer amarrações, colunas, etc. [...]. Ao contrário, vemos sair de nossa Escola muitos Engenheiros-Arquitetos que não sabem nada na prática, mas apenas na teoria, tomando verdadeiros “bailes” dos incultos pedreiros” (10).

Ainda, segundo Ronaldo Masotti, o curso de Arquitetura possuía um grave problema de integração entre as disciplinas, pois estas eram extremamente dispersas e não apresentavam nenhum tipo de relação.

Com o intuito de aprofundar tais questões, procuramos investigar a abordagem das disciplinas teóricas, técnicas, artísticas e de projeto na Escola de Arquitetura.

As disciplinas de projeto dividiam-se entre Grandes e Pequenas Composições de Arquitetura. Nestas, como relata Masotti, os alunos executavam trabalhos práticos muito abstratos, sem nenhuma contextualização e no último mês de cada semestre realizavam-se provas parciais nas quais os alunos tinham de um a três dias para elaborar, dentro de sala de aula, um projeto cujo tema era surpresa.

Quanto à avaliação, os alunos não tinham conhecimento sobre os critérios usados pelos professores para avaliar os projetos.

“quando a gente estava fazendo o primeiro ano de projeto, o pessoal falava: “Quando vocês fizerem o segundo – quem dava aula era o Shakespeare Gomes – vai ser ótimo porque ele comenta e corrige!”. Quando chegava lá, ele devolvia o trabalho e te anotava: “Planta: boa. Fachada: razoável”. [risos] Isso quando era bem longo! Assim, você aprendia porque tinha vontade de aprender” (11).

Não havia nenhuma instrumentação prévia dos estudantes em desenho técnico antes de cursarem as disciplinas de “Composições de Arquitetura”. De acordo com Masotti aprendiam-se as convenções de desenho arquitetônico em escritórios ou com alunos mais experientes.

Quanto às disciplinas técnicas, alguns ex-alunos consideram sólida a formação dada pela Escola. No caso da disciplina Física Aplicada, Celso de Vasconcellos Pinheiro relata:

“a nossa física chamava-se Física Aplicada. Não tinha aquele negócio de teorias e fórmulas. A gente estudava iluminação, condicionamento de ar, acústica. Estudava isso então saia com um conhecimento muito grande. Não com detalhes, mas a gente sabia o que era importante nisso. Se nós tivéssemos que fazer um projeto, saberíamos aonde buscar informações mais modernas sobre o conceito de conforto” (12).

As disciplinas artísticas possuíam uma abordagem clássica. As atividades realizadas em Desenho Artístico, segundo depoimentos, resumiam-se a executar desenhos de bustos de gesso existentes na Escola. Na disciplina Modelagem o enfoque não era muito diferente, uma vez que os alunos faziam cópias de modelos em argila. A queixa usual dos estudantes diz respeito ao fato de que essas disciplinas, por sua natureza criativa, pouco desenvolviam a criatividade dos alunos.

“Na escola da Universidade de São Paulo, notamos principalmente a eficiência do curso de modelagem (plástica) no qual não se aprende a modelar folhas, flores, bustos ou dentaduras, etc..., mas, dados diversos sólidos os alunos estudam a melhor disposição de volumes. Isto será de grande ajuda para seus futuros projetos. Hoje não mais necessitamos de esculpir figuras humanas ou flores em fachadas, para isso existe o curso de Belas Artes” (13).

Quanto às disciplinas teóricas ministradas na Escola, observam-se grandes diferenças de abordagem e metodologia de ensino.

A cadeira Arquitetura Analítica enfocava a evolução dos estilos arquitetônicos ao longo da história, atendo-se aos aspectos estéticos da edificação e ao emprego dos materiais de construção e revestimentos. Por meio das anotações de aula (14), percebe-se a orientação da disciplina, na qual se estudavam os estilos arquitetônicos detalhadamente, sempre seguindo uma ordem pré-determinada: começava-se introduzindo os aspectos sociais e físicos do local em questão, passando por elementos compositivos usados – como a descrição minuciosa das ordens clássicas – e por fim a análise de alguns edifícios significativos. O programa da disciplina restringia-se aos estilos antigos, enfatizando exageradamente alguns deles, como é o caso do gótico, que era subdividido em 6 categorias: francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e português.

Abordava-se a arquitetura moderna de maneira superficial. Em um dos cadernos de anotação de aula são expostos alguns preceitos teóricos, principalmente em relação a Le Corbusier e Walter Gropius. Há croquis de projetos de Rino Levi, Oscar Niemeyer e Afonso Eduardo Reidy, entre outros.

Parte da carga horária da disciplina Arquitetura Analítica era reservada para atividades práticas, orientadas por um Professor Assistente. Durante as aulas os alunos reproduziam pranchas da coleção inglesa Bunnister – uma compilação de livros e pranchas ilustradas com toda a história da arquitetura. Ronaldo Masotti relata que apesar dos estudantes considerarem uma inutilidade executar as cópias, nesta disciplina ele aprendeu a pregar o papel na prancheta, a usar esquadro e a escala.

Práticas como essas eram repudiadas pelos alunos, como registrado no jornal P.V.:

“Eu quero dar o grito de alarme. A Escola está anestesiando, sufocando e escravizando os alunos de arquitetura. Estão sendo transformados em autômatos reprodutores de fórmulas antiquadas e quinquilharias de arquitetura. É a campanha da imbecilização: tornar os alunos mais boçais e burros para que os professores possam brilhar e ter uma vida mais sossegada [...] Queremos a liberdade de procurar nos livros aquilo que a Escola não ensina ou ensina mal” (15).

Por outro lado, a disciplina Arquitetura no Brasil possuía um enfoque diferenciado. A cadeira era ministrada pelo catedrático Sylvio de Vasconcellos, considerado um dos mais competentes professores da época. Nesta, os alunos eram incentivados a ler, pesquisar e debater não só os assuntos diretamente ligados ao tema da disciplina, mas também quaisquer outros que se relacionassem a esses.

“A cadeira de “Arquitetura no Brasil” abria um painel amplo e livre aos fundamentos da arquitetura e, não raro, era a oportunidade de os alunos questionarem toda a ortodoxia acadêmica ministrada nas demais disciplinas. Não é demais afirmar que o Professor, então, conseguia uma atividade letiva de nível realmente universitário” (16).

Sylvio de Vasconcellos foi talvez o primeiro professor a inovar nos métodos de avaliação. Numa época em que esta era composta apenas por provas escritas e orais, ele propunha trabalhos com temas de livre escolha, desde que o assunto estivesse relacionado com o programa da disciplina. Segundo Ivo Porto de Menezes, os alunos deveriam elaborar uma pequena monografia e, apesar de terem que fazer a prova para cumprir as normas, a nota valia mesmo para o trabalho. Assim, este aspecto mostra que a inovação não aconteceu facilmente.

Uma grande dificuldade enfrentada pelos alunos em todas as disciplinas era a falta de livros-texto, que fazia com que eles dependessem muito das anotações feitas na aula. No 2º número do jornal P.V., de novembro de 1951, um dos alunos critica:

“Achamos que o professor poderia, na aula, aproveitar mais o tempo, fazer maiores comentários, ilustrar mais o assunto, tornando-a bem mais interessante e instrutiva. [...] Mesmo professores como Mazoni e Boltshauser ditam suas aulas. É pena, pois com a cultura e talento que têm, poderiam dar belas aulas, verdadeiras conferências Mas não, preferem perder um tempo enorme com tais ditados. Poderiam argumentar com a falta de livros práticos sobre a matéria; mas, como já dissemos, temos o recurso da apostila, que poderia conter o essencial do assunto. Francamente, não vemos nenhuma vantagem, mas só desvantagens nas aulas ditadas” (17).

Este problema foi minimizado na década de 50 com a implantação da Seção de Pesquisa, do Serviço de Foto Documentação e da Gráfica da Escola, criados pelo Professor Sylvio de Vasconcellos. Nesta última eram publicados e impressos livros escritos pelos professores, os quais serviam de base para o ensino das disciplinas e divulgavam o conhecimento produzido na instituição. Estes órgãos tiveram extrema importância não só na Escola, mas também no país, tendo atingido grande prestígio.

As conseqüências do Golpe

Entretanto, grande parte da estrutura de ensino e pesquisa montada principalmente a partir da segunda metade da década de 50, foi desfeita por ocasião do Golpe Militar de 1964. Alguns dos acontecimentos mais radicais foram o fechamento do Instituto Superior de Pesquisas para Planejamento, considerado subversivo pelos militares e o exílio do Professor Sylvio de Vasconcellos, que segundo o Diário da Justiça:

“facilitou, acompanhou, permitiu, tomou parte, consciente e deliberadamente, em todas as atividades comunizantes ou cubanizantes, dentro e fora da Escola que dirigia, tentando mudar a ordem política e social estabelecida na Constituição e a tomada de poder; [...] cartazes que ofereciam aulas de marxismo, também ostensivamente; duas vezes por semana, pelo menos, os favelados de Belo Horizonte iam para a sua Escola, para se doutrinarem com a pregação revolucionária, de origem espúria e estrangeira; tocavam-se discos cubanos, com hinos e discursos de Fidel Castro” (18).

O Golpe afetou profundamente não só a vida acadêmica da Escola, como também o ambiente intelectual devido ao clima de insegurança política instaurado.

Outro acontecimento que trouxe mudanças significativas para a Instituição foi a Reforma Universitária em 1969, principalmente com relação à departamentalização da Escola. Como conseqüência, o ensino de arquitetura passou a ser responsabilidade de dezoito departamentos pertencentes a sete Unidades Universitárias e assim, a Escola de Arquitetura passou a sediar apenas quatro deles, estrutura que se mantém até os dias atuais.

Balanço

Desde sua fundação a Escola de Arquitetura trilhou um caminho paralelo à evolução da própria arquitetura moderna brasileira, passando do academicismo ao experimentalismo modernista. As obras pioneiras de Lúcio Costa e Niemeyer, especialmente a partir do advento da Pampulha na década de 40, constituíram o grande referencial para as primeiras gerações de alunos daí egressos. A influência modernista, talvez por sua natureza doutrinária, ainda é latente no ensino ministrado na instituição, tendo os estudantes até hoje dificuldade de se desvincular de seus preceitos.

Nos 75 anos dessa que foi a primeira escola de arquitetura do país, cabe destacar o pioneirismo de seus fundadores. Sem tal iniciativa não teria sido possível o surgimento de uma arquitetura moderna autêntica no estado. Assim, muito do que a arquitetura mineira se tornou se deve aos profissionais que nela lecionaram e estudaram.

Contudo, as questões fundamentais expostas neste artigo permanecem, revelando que estas são atemporais: vivenciamos diariamente os mesmos conflitos das gerações passadas: a desintegração entre as disciplinas, a dissociação entre teoria e prática (continuamos tomando verdadeiros bailes dos pedreiros!) e a busca pela instrumentação nos escritórios de arquitetura.

O contato com essa trajetória nos provocou sentimentos distintos. Se por um lado nos entristecemos ao constatar que as grandes questões continuam as mesmas, por outro nos reconhecemos em todos que pela Escola passaram. Ao compartilhar esta história desejamos que a memória daqueles que a construíram não se perca. O resgate dos primeiros anos da Escola de Arquitetura constitui fator primordial para a construção da identidade da instituição, bem como para a consciência de sua trajetória e importância para a história do país.

notas

1
Este texto é fruto da pesquisa de iniciação científica “Arquitetura numa cidade moderna – ensino e produção (1930-1964)”, orientada pelo Professor Dr. Leonardo Barci Castriota e desenvolvida pelas bolsistas Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais no período de maio de 2003 a maio de 2004. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).

2
CASTRO, José. “Pelo Reconhecimento Official da Escola de Architectura”. Estado de Minas, Belo Horizonte, 16 jan. 1934.

3
FIGUEIREDO, João Kubitschek de. “A Escola de Arquitetura e sua história”. Arquitetura, Engenharia, Urbanismo, Belas Artes e Decoração. Ano I, set./out. 1946.

4
MASOTTI, Ronaldo. Ronaldo Masotti: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

5
HARDY, Raphael. Raphael Hardy: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

6
MENEZES, Ivo Porto. Ivo Porto de Menezes: inédito. Belo Horizonte, 2003. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

7
SIGNORELLI, Victor. Victor Signorelli: inédito. Belo Horizonte, 1998. Entrevista concedida para o Projeto Memória da Arquitetura e da Construção Civil em Belo Horizonte. Parceria entre CRAV- PBH, IAB/MG e UFMG.

8
MENEZES, Ivo Porto. Ivo Porto de Menezes: inédito. Belo Horizonte, 2003. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

9
Exemplares da revista Arquitetura – Engenharia, Urbanismo, Belas-Artes – década de 40 – Encontrados na Biblioteca Prof. Rafaello Berti da Escola de Arquitetura de Minas Gerais.

10
PONTO DE VISTA – P. V., 1952.

11
MASOTTI, Ronaldo. Ronaldo Masotti: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

12
PINHEIRO, Celso de Vasconcellos. Celso de Vasconcellos Pinheiro: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

13
P. V., 1952 (?). Exemplares do Jornal Ponto de Vista – P. V. – década de 50.

14
Cadernos de alunos da disciplina Arquitetura Analítica predominantemente da década de 50. Encontrados na Biblioteca Prof. Rafaello Berti da Escola de Arquitetura de Minas Gerais.

15
P. V., 1952 (?).

16
MASOTTI, Ronaldo. Ronaldo Masotti: inédito. Belo Horizonte, 2004. Entrevista concedida a Cléo Alves Pinto de Oliveira e Maini de Oliveira Perpétuo.

17
P. V., 1951.

18
DIÁRIO Oficial. Edital de Citação. Justiça Militar – auditoria da 4ª R.M. de 24 jun. 1966.

sobre os autores

Cléo Alves Pinto de Oliveira – Pedagoga, formada pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais em 2001 e estudante do 8º período do curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais

Maini de Oliveira Perpétuo – Arquiteta e Urbanista, formada pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais em 2005.

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