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architexts ISSN 1809-6298


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O texto trata da Casa Fuke, projetada pelo arquiteto Flávio Kiefer, que reúne uma casa e dois ateliês dos artistas Mauro Fuke e Lia Menna Barreto, que escolheram viver longe da cidade


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KIEFER, Flávio. Casa Fuke em Eldorado RS. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 067.07, Vitruvius, dez. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.067/401>.

Casa Fuke nasceu de uma idéia de abrigo, como uma grande cobertura acolhendo uma casa e dois ateliês dos artistas Mauro Fuke e Lia Menna Barreto, que escolheram viver longe da cidade. Localizada em campo aberto, condicionada pelos poucos recursos financeiros e pela construção em etapas, o mais importante, em primeiro lugar, era garantir sombra e proteção contra as chuvas. A subdivisão funcional seria realizada aos poucos e a obra tocada pelo proprietário. O diferencial deste projeto era que o cliente sendo um escultor que projeta suas obras em 3D, tinha completo domínio do que estava sendo projetado. Era ele quem montava os renders do projeto a partir dos planos elaborados em cad.

A cobertura composta de arcos treliçados e telha metálica, comuns aos galpões industriais, foi uma solução rápida e econômica, lembrada a partir de uma experiência bem sucedida de reaproveitamento de um estábulo para uma casa. O desfrute de uma área seca maior que a projeção da casa é muito bom para quem mora no campo e tem que enfrentar um inverno frio e chuvoso como o do sul do Brasil. Esta grande nave, de 10 metros de diâmetro por 46 de comprimento, abriga uma construção linear: um arrimo de pedra grês a cada 4 metros sustenta lajes de forro pré-fabricadas. Os fechamentos, do lado norte, são esquadrias que aproveitam todo o sol bom e, do sul, paredes armário sintonizadas com o modo de viver japonês dos donos da casa.

A simplicidade da solução resultou em grande complexidade de desenho. A idéia, apesar de poder ser explicada com um único corte transversal, teve uma aplicação prática bastante complexa quando transposta para um terreno com forte declive coincidente com a orientação leste-oeste. O melhor aproveitamento do sol praticamente obrigava a alinhar a casa junto à divisa sul. O problema foi resolvido com a subdivisão da nave, desnivelando-a de tanto em tanto de acordo com o programa: casa, atelier 1 e atelier 2. O partido, quase banal, ganhou riqueza espacial e complexidade. Os arrimos divisores se tornavam paredes de fechamento dos oitões e, logo, também podiam substituir parte dos arcos. Entre a casa e o primeiro atelier, a garagem é localizada como um interstício. É o único trecho entre dois arrimos que não tem arco. Os desníveis fizeram surgir diferentes encontros da cobertura curva com os planos horizontais e verticais, gerando problemas arquitetônicos importantes. O corte da idéia original se transformou em 6 cortes diferentes! O exercício de projeto talvez tenha sido o de descobrir os limites da transgressão de uma regra sem feri-la mortalmente.

A única frustração foi que a prometida maquete de madeira jamais saiu da modelagem do terreno... O cliente-escultor preferiu trabalhar na escala 1/1. Vejamos sua versão:

Coisa de louco...
Artistas Plásticos?
Construir uma casa / atelier?
Projeto do Flávio?
Mestre de Obra? Mal sabe ler uma planta baixa ?
Sem provisão nem previsão de recursos?

.... ou era para acontecer
Em várias ocasiões, aconteceu de sem saber de onde arranjar fundos:
vender um trabalho inesperadamente,
um colecionador antecipar pagamentos,
ter “esquecido” de assinar vários cheques pré-datados,
aconteceu até de um fornecedor ser assaltado e o cheque ter de ser sustado, me dando mais alguns dias.

O Abacaxi não está comigo
O fato da minha atividade estar envolvida com criação, e de agora na construção delegar isto ao Flávio, me trouxe uma sensação quase sádica em pensar “O abacaxi não está comigo”. Quando o Flávio e sua equipe me apresentaram as primeiras plantas, tratei de modelá-las num software de modelagem 3D, a mesma que uso em meus projetos escultóricos. Este modelo em 3D foi sendo atualizado em tempo real, conforme a obra se erguia. E confesso, agora, que me dava prazer em descobrir elementos que não se encaixavam na passagem das plantas 2D para 3D.

Juarez, o caçador
Juarez, o mestre de obra, toda sexta-feira se metia nos matos da região para caçar e eventualmente pescar. Sempre de havaianas. Quando vi o prumo, o nível de bolha, a régua que trouxe....putz. Acho que começou sem saber o que estava fazendo. Pedia para desmanchar algo, levantar uma parede isolada de 8 metros no meio do terreno, não discutia. Mas nos entendemos bem. No final da obra trabalhou sem um dedo e com outro implantado pela metade, devido a um problema com a espingarda.

Morando
O centro de convivência da casa, composta pelo hall de entrada, cozinha, sala de jantar localizado no centro da construção, juntamente com a garagem, os quartos na ala leste e os ateliês na oeste definindo os respectivos usos, funciona perfeitamente. E uma orientação solar que permite dormir ao luar é muito agradável.

Morando mais tempo
Nestes tempos, escassos em referenciais, uma das características que ainda confere credibilidade às coisas é a permanência. Imagino as árvores crescidas, o piso marcado, a necessidade de algum corrimão...

Materiais
Nesta obra como em outros projetos, a união de uma peça de madeira com a alvenaria, da cobertura com a parede, da pintura que muda de cor no encontro da parede com o teto, não me agradam. Estes encontros de materiais distintos, solucionados com rodapés, mata-juntas e rejuntes, poderiam ocorrer de outra maneira. Aconteceram, por escassez de recursos, pouca capacitação da mão de obra ou falta de detalhamento no projeto. Pensando como artista plástico, imagino uma solução mais orgânica, com as peças se encaixando, a transição entre materiais mais suave, o que demandaria mais mão de obra e projeto.

Uma divagação
No futuro um equipamento fará uma projeção holográfica do projeto sobre o terreno. Poderia dispensar algumas ferramentas do Juarez.

Fim
Percebemos com rapidez os defeitos e as qualidades como obrigatórias. Penso nas tantas coisas que poderiam ter dado errado. Mas por sorte e competência dos envolvidos no projeto, deram certo. O balanço final é muito positivo.

ficha técnica

Local
Eldorado / RS

Data do projeto
2002

Data da conclusão da obra
2003

Área do terreno
1.800,00 m2 (36x50)

Área coberta
390,00 m2

Área construída
472,00 m2

Projeto e Execução
Arquitetos Flávio Kiefer (autor), Marcelo Kiefer (colaborador)

Projeto elétrico e hidráulico
Arcilda Zimmerman

Projeto estrutura metálica
RKS-Engenharia de Estruturas- Eng° João Kerber

Fotos
Fábio Del Re

sobre o autor

Flávio Kiefer, Arquiteto.

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