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architexts ISSN 1809-6298


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Fredy Massad e Alicia Guerrero falam sobre a arquitetura de Carme Pinós, que, segundo eles, propõe mediante sua arquitetura uma ênfase e arraigo na realidade


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MASSAD, Fredy; GUERRERO YESTE, Alicia. Arquitet(ur)a em essência. Arquitextos, São Paulo, ano 07, n. 073.02, Vitruvius, jun. 2006 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.073/344>.

Em Carme Pinós se desvela com claridade à irredutibilidade da definição de arquitetura, o fato de que existe um reconhecimento “do que é vitalmente ser arquiteto desde o que se fundamenta à realização e a interpretação sobre a própria identidade. Reconhece na lembrança de como sua imaginação infantil reorganizava um território para fazê-lo palco de jogos a origem da relação com o solo e a paisagem que definem sua forma de conceber a arquitetura. “Cada um é suas experiências, e as experiências são as que vão modelando sua sensibilidade, e é com a sensibilidade com a que cada um trabalha” sustenta Pinós através de sua compreensão do rol do arquiteto como o criador de cenários “para uma possibilidade futura”; pela convicção de que a arquitetura é “refúgio para as vivências” e de que deve projetar-se por uma intensidade mental sustentada no conhecimento das propriedades do espaço que induza a uma antecipada sensação quase corporal deste.

Desde sua perspectiva vital e mental, Carme Pinós propõe mediante sua arquitetura uma ênfase e arraigo na realidade, constituindo ao mesmo tempo a afirmação de que a realidade procede da capacidade de elaborar metáforas a partir do concreto e do tangível. Uma arquitetura que, ao ser compreendida como “um detonante de situações, de cruzamentos e de relações” e como a forma com a que um pensamento vai cursando seu desenvolvimento se une ao artístico e ao filosófico. O marcado componente emocional e a importante implicação emotiva em sua forma de encarar o projeto lhe levou a preferir assumir uma limitada quantidade de encomendas. E esta atitude resultou em edifícios formalmente complexos, profundamente meditados e elaborados, expressivos, que surgem da análise dos fatores concretos que os definem e que, uma vez construídos, são recipientes de um valor abstrato resultante de sintetizar poeticamente essas circunstâncias objetivas.

A consciência da vida, do instinto e das emoções como ferramentas do pensamento somadas à determinação em levar adiante uma busca honesta e rigorosa da própria forma de fazer, de olhar e entender assim como a um sólido e profundo conhecimento da natureza da arquitetura compõe a identidade de Pinós e a liberdade em seu compromisso com esta, afrontando a criação e a reflexão pela implicação do próprio espírito e do caráter sem uma estratégia pré-determinada. O único apriorismo é a própria visão e o próprio funcionamento ante o mundo. Pinós assume o fazer arquitetura desde uma atitude visceral. Empreende seus projetos consciente de que toda atividade é o desenvolvimento de um jogo em que as pautas são marcadas por ela, executa os primeiros movimentos e depois ocupa sua posição dentro de uma equipe cujo trabalho é desenvolver as idéias, descobrir e entender como reagir e construir em cada caso específico.

Em seus projetos sobejasse uma constante preocupação pela importância da presença e do deslocamento da pessoa nos lugares, pela repercussão de um edifício sobre o entorno e a vida humana, por conseguir que a arquitetura seja geradora de espaço para as relações humanas e não se reduza a proporcionar meras soluções técnicas a uma série de problemas. Em todas suas propostas, é patente a atenção sensível ao contexto durante todo o processo de concepção do projeto a fim de evitar que sua intervenção provoque rupturas ou alterações e lograr que a arquitetura seja um meio que provoque sensações mediante as que se redimensione a experiência da percepção dos atos de ser e estar. Sua arquitetura se materializa pela apreciação sensível das qualidades dos materiais, pelo interesse de que o construído seja expressão de estrutura, por uma ação sustentada em uma busca da precisão na representação das idéias e a convicção de que compete à arquitetura criar realidades físicas ao mesmo tempo em que sociais.

A Passarela de Pedestres de Petrer e o Passeio Marítimo Juan Aparicio em Torrevieja (ambos em Alicante) são exemplo da capacidade para integrar paisagem, matéria natural e arquitetura que definisse e distinguisse tão especificamente o caráter das obras que Pinós desenvolveu durante a década de oitenta junto a Enric Miralles – “anos de formação” que considera essenciais em sua trajetória – como uma capacidade de apropriação da topografia, tal como se fazia patente no Cemitério de Igualada, onde o arquiteto faz com que a arquitetura dialogue com a paisagem, “resemantizando” o lugar, como uma manifestação do empenho em ser capaz de estabelecer conexões com os componentes da realidade mediante a arquitetura.

Sua forma de pensar o edifício evita o contextualismo entendido como mimese deste com o entorno mas lê o contexto desde sua essência, desde as percepções profundas. Traduzir ruído ou movimento em arquitetura; conectar o ritmo do traçado de uma via férrea com o espaço de um parque –como no Parc de Ses Estacions, em Palma de Mallorca-; a decisão de uma colocação sólida e harmônica como exemplifica seu projeto do edifício da sede da Delegação Territorial da Generalitat de Catalunya em Tortosa (Tarragona) no centro antigo da cidade, priorizar as exigências de funcionalidade e bem-estar do edifício tanto como o valor deste como obra arquitetônica como propõem seus recentes projetos para um edifício em Florença e a Maison de l’Algérie, uma residência para estudantes, nos que o trabalho de arquitetura concede preeminência à consecução de bem-estar para os usuários das habitações através da relação com o exterior que lhes será proporcionada pelo edifício. Da estrutura da Torre Cube, concebida como uma máquina que contivesse poética e onde assim mesmo o fundamental fosse gerar um bom espaço de trabalho que derivasse das condições específicas e favoráveis de sua localização, surge a metáfora que compara o núcleo desse edifício a uma árvore, a um tronco, e o equilíbrio do resto é comparado a galhos, sugerindo a sensação de que a fachada vibrasse: metáfora que surgiria da posse intensa de uma predisposição e uma atitude sensual ante a experiência e a imaginação, longínqua ao intelectualismo.

O marcado espírito apaixonado que possuíam suas primeiras obras desenvolvidas cara a cara junto a Enric Miralles perdura na atitude de Carme Pinós. Segue acreditando em assumir e desenvolver uma arquitetura íntegra pela qual se poetize a realidade, na que se ilude recorrer a emplastros ou a artifícios porque quer ser uma prática realizada pela “própria sensibilidade da arquitetura”, por uma expressão de linguagem arquitetônica plenamente contemporânea, que depende diretamente de seu próprio ser e sua relação com a realidade e que hoje esta arquiteta controla com uma madura personalidade sobre todas suas dimensões.

notas

[Tradução Ivana B. Garcia]

1
Artigo publicado originalmente em ABC De las Artes e las Letras, 18 de fevereiro de 2006.

sobre o autor

Fredy Massad e Alicia Guerrero Yeste, titulares do escritório ¿btbW, são autores do livro “Enric Miralles: Metamorfosi do paesaggio”, editora Testo & Immagine, 2004.

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