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architexts ISSN 1809-6298


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Na segunda parte do artigo de Daniel J. Mellado Paz sobre o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, desenvolvem-se reflexões ainda sobre a obra construída do arquiteto, mas também sobre características da vertente arquitetônica à qual pertence


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PAZ, Daniel. Lele´s update. A apropriação da arquitetura como tecnologia e algumas reflexões sobre o tema – parte 2.. Arquitextos, São Paulo, ano 07, n. 076.04, Vitruvius, set. 2006 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.076/320>.

Na primeira parte do artigo foram descritas transformações, algumas de monta, em obras do arq. João Filgueiras Lima, o Lelé, na cidade do Salvador. Neste texto se desenvolverão reflexões mais gerais, ainda sobre a obra construída do arquiteto, mas também sobre características da vertente arquitetônica à qual pertence.

A rigor, quando Lelé nos brinda com uma obra que escapa ao habitual da construção civil, levantam-se os dilemas da transferência da tecnologia. Entre eles, e que interessa aqui, a permanência da arquitetura. Se há condição para se realizá-la – incluindo a questão do custo. Se há conhecimento para a mesmo. E se há vontade para tanto. Neste caso, se há a disposição para arcar com a possibilidade de procedimentos não-ortodoxos e mesmo custos maiores que os convencionais. Antes, se há a disposição para manter de fato a edificação como tal, o que vai de aspectos de ordem prática até de afinidade estética.

Deste último ponto, uma dúvida menor é se a poética de Lelé não é erudita demais para seus usuários (2), tema que não será desenvolvido neste artigo.

Quanto a questões ditas práticas, antes cabe assinalar duas alternativas: do usuário não saber lidar com a tecnologia (como não manter as peças responsáveis pela circulação do ar abertas, como não raro acontece) ou não ter seguido à risca o projeto arquitetônico e suas recomendações complementares (a eficiência da nebulização do prédio do TCU ainda é uma incógnita, já que nunca experimentada). A alternativa que resta é a da edificação, em si e seus sistemas, não serem eficientes para o que se pretende.

Aqui passamos para outro ponto crucial: a obsolescência.

Como obsolescência deve-se entender não somente o surgimento de sucedâneos mais eficazes, mas da própria mudança da natureza da demanda, em maior ou menor grau. No caso da Escola Oswaldo Cruz era preciso um laboratório de informática, por exemplo.

A mutação das demandas era algo previsto pelo arquiteto, dentro dos conceitos de extensibilidade e de flexibilidade, já desde o projeto do Hospital de Taguatinga, de 1968:

“As instalações em geral são aparentes ou correm por canaletas e galerias visitáveis. O sistema adotado se ajusta à filosofia da obra quanto à flexibilidade e extensibilidade, mas também visa criar facilidades para os serviços de manutenção” (3).

E retornamos ao motivo da escolha da obra de Lelé para este ensaio. Como aponta Heliodório Sampaio:

“Enquanto método de trabalho, a trajetória deste arquiteto volta-se para um domínio técnico de todas as etapas do fazer arquitetura: do programa à concepção espacial, do partido estrutural à racionalidade da obra, do detalhamento rigoroso das peças ao processo construtivo propriamente dito – incluindo materiais, mão-de-obra, manutenção e conservação - , coisa rara nos arquitetos contemporâneos em geral” (4).

E o fato de, ao trabalhar com pré-fabricação, lidar não só com o projeto da edificação mas de mobiliário e de suas peças componentes. E em uma trajetória onde os projetos arquitetônicos são ensaios tanto da pré-fabricação quanto do programa, a exemplo dos hospitais da Rede Sarah e dos Tribunais de Conta da União nos Estados. Existe nessa obra a idéia de evolução técnica. Com a palavra, o próprio arquiteto, em entrevista:

“Sem dúvida [o maior problema no centro cirúrgico], é o sistema de ar condicionado. Ninguém consegue limpar os dutos direito, mesmo com os robôs. No novo hospital da Rede Sarah no Rio, já projetamos os dutos correndo pelo teto e com a possibilidade de ser abertos para limpeza e desinfecção. (...)
Usamos a ventilação natural, pelas janelas, que têm até sistema de abertura motorizado. Na Rede Sarah trabalhamos em conjunto com os médicos e estamos sempre discutindo esses problemas” (5).

As passarelas pré-fabricadas, projetadas e produzidas pela FAEC – Fábrica de Equipamentos Comunitários (1986) e CTRS - Centro de Tecnologia da Rede Sarah (1988), passaram por nítido aperfeiçoamento. De um modelo para o outro, eliminou-se as seções de cone pontuando a abóbada de berço, ganhando em limpidez (Fig. 1 e 2), e o apoio uniforme tornou-se uma elegante rosácea, cujas aletas são denominadas, com justiça, de “pétalas” (Fig. 3 e 4). Creio que o apuro visual é também uma dos motores dessas transformações.

À medida em que muda os recursos tecnológicos, Lelé explora novas possibilidades plásticas. Suas primeiras obras são pesadas, em argamassa armada ou concreto aparente. Algumas usam a suspensão defendida por Vilanova Artigas (Fig.5):

“O que me encanta é fazer formas pesadas, chegar perto da terra e negá-la – como se fosse cair, vencida pelo peso. Mas não cai...” (6).

Suas obras mais recentes têm presença ostensiva de peças metálicas, muitas coloridas, ao cabo que explora cada vez mais a desmaterialização da obra, a aparente simplicidade, a síntese de elementos, a leveza dos componentes, de uma maneira que evoca Richard Neutra (7). Lelé é capaz dessa concisão até mesmo em espaços diminutos e habitualmente desprezados na concepção arquitetônica (Fig. 6).

A tecnologia progride, a poética altera-se.

“A técnica pode ter um progresso, a arte não” (8)

A obsolescência, portanto, refere-se apenas à técnica, não à manifestação artística.

Em Lelé, mais do que na produção contemporânea habitual, a forma arquitetônica é fruto de uma síntese entre estrutura, instalações, iluminação, ventilação, programa arquitetônico e poética. Esse é um modelo de atuação que remonta aos pioneiros do Movimento Moderno, e que é tomado como ideal, ainda que infelizmente raro.

Sua arquitetura é sistêmica, em dois aspectos. No primeiro, em si, onde nenhum componente (já que a obra tem partes construtivas claramente discerníveis) é exclusivo, mas faz parte de mais de um sistema, como o de ventilação e iluminação – o que já foi tratado e elogiado exaustivamente. Alguns sistemas chegam a ser redundantes, na expectativa de uma maior eficiência, como acontece na ventilação do Hospital SARAH em Salvador.

Isso se percebe com clareza no caso do TCU: a mudança no modelo de controle da temperatura afeta elementos em todas as escalas do prédio, tornando-os inúteis (como o espelho d´água), ou contraproducentes (como as frestas na laje do pavimento superior para captação de ar do térreo – Fig. 7), e afeta ainda a própria interpretação da tipologia (o vão livre interno, antes uma vantagem na aeração natural, agora limita as opções de refrigeração de ar) e da forma (o aparelho como uma excrescência em uma das fachadas).

O segundo aspecto é que essa arquitetura preconiza, propõe e precisa de um sistema maior. No caso, de uma fábrica de seus componentes, de uma demanda contínua dela, de preferência na forma de equipamentos públicos e de propriedade estatal.

Tratamos de um tipo de arquitetura industrializada, que já vem ocorrendo em outro nível, com a chamada “construção seca”. O problema é que o sistema produtivo que deveria vir a reboque da arquitetura de Lelé não se cumpriu. Infelizmente, lembrando ainda que este é um país (e no caso de Salvador, esta é uma cidade) pobre e com muitos problemas que podem ser minorados pela ação da arquitetura e do design.

Seja por falta de compromisso dos dirigentes políticos com essas demandas, seja por interesse de grupos econômicos ligados ao setor da construção civil – a quem não interessaria essa forma de ação pública, mais racional para a cidade e econômica para a sociedade – tal projeto não vingou. Heliodório Sampaio diz ainda:

“No caso da arquitetura e do urbanismo, voltados para as necessidades sociais, é insensato pensar em evoluir a tecnologia da construção como uma simples resposta do mercado. Sobretudo quando se sabe que o acesso à moradia de qualidade nas cidades, por parte da população pobre e desassistida, encontra no mercado imobiliário urbano formal um fator de impedimento e nunca um meio para viabilizar as suas demandas. Cumpre ainda hoje ao Estado, e não ao mercado, atuar diretamente na questão do acesso a terra e na promoção de pesquisa tecnológica, bem como na distribuição da renda” (9).

Não vingando o sistema da qual faria parte, suas obras começam a envelhecer em notória desvantagem com as demais. Não sendo fácil sua manutenção, a reposição de suas peças é ainda mais difícil.

Algumas considerações típicas de outras formas de construir não se aplicam ipsi litteris a essa modalidade. Uma delas expus em Notas sobre a polêmica da Prefeitura de Salvador (10): em algumas de suas obras não cabe a palavra “demolição”, e sim “desmontagem”, com alguns desdobramentos que não foram devidamente explorados.

Outra consideração é que o conceito de “manutenção” não se aplica à larga, já que a construção permite a retirada de suas partes. E, tão importante quanto, haveria um sistema produtivo que forneceria essas peças de catálogo a um custo baixo, dado a demanda supostamente elevada. É o que acontece com equipamentos eletro-eletrônicos – em um dado momento o custo de consertar uma peça é maior do que o de substituí-la.

Sobre o mesmo arquiteto, a polêmica levantada sobre a decisão judicial da retirada do Palácio Thomé de Souza em Salvador, embora extemporânea politicamente, junto com o avanço natural dos trabalhos do Docomomo levarão inevitavelmente a considerar suas obras como dignas de documentação e conservação. E o(s) fenômeno(s) que aponto aqui serão vistos com maior freqüência.

Para a historiografia das obras modernistas, o dilema reside em seu eixo. O ideário modernista põe como qualidade em sua agenda a tecnologia, em dois níveis. Um, o espaço arquitetônico como tecnologia, isto é, sua adequação e eficiência aos fins propostos – isso nos é mais conhecido como funcionalidade. E a outra nas tecnologias subsidiárias ao espaço construído: construção, iluminação, ventilação, etc.

Quando se inscreve dessa maneira, assina seu atestado de óbito, porque é próprio da tecnologia a obsolescência (e não da arte, como dito antes). Todo objeto, por funcional que seja na sua concepção, está condenado a tornar-se obsoleto. Aqui abstraio aspectos mercadológicos, tantas vezes apontados nas questões urbanas.

É fato que o valor de uso (ou funcionalidade) se modifica com o tempo – e cada vez em menos tempo. O movimento geral é de uma depreciação do valor. É possível que a tecnologia ou a mudança das ações calhem de ou dar nova vitalidade a uma edificação ou tê-la como palco ideal para abrigá-las (11); mas são casos bem mais raros.

Alçar a funcionalidade e a tecnologia como valor imediato é um risco de retirar da obra esse mesmo valor pouco tempo depois. Eles se perdem, ao passar dos anos, a não ser que se esteja construindo uma historiografia da técnica.

Lelé tratou de lidar com o advento das mudanças via extensibilidade e flexibilidade. Não logrou êxito, como visto na primeira parte do artigo, nem haveria como lograr, pela natureza mesma dos avanços tecnológicos, que não são somente incrementais. E a integridade de sua obra construída e sua dependência de um sistema exógeno à obra a tornam ainda mais vulnerável à obsolescência técnica.

A funcionalidade é fundamental para o momento em que se vive o edifício. Mas, como apontou Aldo Rossi em seu Arquitetura da Cidade, são por motivos mais transcendentes que se decide manter uma edificação (12). Sua funcionalidade pode ser recuperada ou re-desenhada, a partir dos novos papéis que assume e das tecnologias à disposição – mas será sempre uma ação posterior, e não a causa da movimentação.

Uma possibilidade está vinculada à historiografia da técnica: preservar algo que representou ou ainda representa um marco na história das inovações (13).

A dissociação arte-técnica pode ser negada pelas premissas do projeto, porém ressurge com força a partir do momento em que há progresso – não só das tecnologias embutidas dentro da edificação, mas também daquelas que a tangenciam, como acontece com os meios de transporte. Um sobrado colonial não perde seu valor artístico por não ter estacionamento.

A visão integrada da arquitetura ainda realiza outro tento: torna o fato técnico em um fato estético. Como se lida com as questões da obsolescência de uma tecnologia que também possui valor plástico?

Essa é a situação do Teatro Gregório de Mattos, parte do Projeto Barroquinha de Lina Bo Bardi, de 1986. Os dutos foram mantidos aparentes: conduítes elétricos, canos de água, etc (Fig. 8). Cada um de uma cor específica. Todos de ferro. As tubulações contra incêndio são meramente ornamentais – não estão, nem nunca foram, ligadas a uma caixa d´água. E os canos de água se enferrujaram, sujando a água (14). A simples mudança para tubos de PVC, ainda que pintados, podem comprometer a obra.

O argumento de Aldo Rossi é comprovado empiricamente e revela a importância dos valores ditos subjetivos. Porém, questões de ordem artística raramente são expostas explicitamente para a conservação de obras modernistas, passadas e recentes.

Gostaria ainda de uma última consideração.

Curiosamente, são aquelas obras onde a forma final se mantém independente das tecnologias; onde a infra-estrutura é relegada à condição de bastidor, inclusive na concepção projetual, definida posteriormente da forma e aspecto; polarizada em uma relação forma-estrutura e não em uma unidade; curiosamente é nesta que a forma final tem uma maior duração. Porque um esforço aposto, porque independente das resoluções, em certa medida, que podem, então, serem feitas sem ter em fito uma eficiência ou unidade (programáticas no modernismo de Lelé), mas de não comprometer a aparência.

Isto é, a falta da unidade indissolúvel entre aspectos visuais e técnicos permitem que os primeiros se mantenham malgrado mudanças (no final, muitas bem-vindas) nos processos tecnológicos que condicionam o seu ambiente.

Embora essa forma de fazer arquitetura particularmente não me conquiste, é algo para se refletir.

notas

1
A primeira parte deste artigo foi publicada nesta mesma editoria: PAZ, Daniel Melhado. “Lele´s update. A apropriação da arquitetura como tecnologia e algumas reflexões sobre o tema – parte 1”, Arquitextos n. 074, Textos especial n. 377. Portal Vitruvius, jul. 2006. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp377.asp>.

2
Há usuários dos prédios institucionais quem associam a plástica de Lelé a galpões industriais, com cunho negativo. De todos os modos, a depuração formal do arquiteto e sua exploração plástica de materiais ainda não-convencionais não agradam a todos – pertencendo a um conjunto de valores de viés modernista e reproduzido principalmente nas Escolas de Arquitetura, da qual compartilho. A dúvida é até que ponto o restante da sociedade o compartilha. A distinção entre o gosto e a artisticidade da obra é uma questão ausente nos currículos das Escolas de Arquitetura e que, ao meu ver, ajuda a desvendar o nó aí formado.

3
Esse mesmo conceito estará posto de modo explícito nas obras das Secretarias do Centro Administrativo da Bahia (Salvador, BA - 1973), Hospital Sarah Kubitschek Brasília – Doenças do Aparelho Locomotor (Brasília, DF - 1980), Associação Portuguesa (Brasília, DF - 1984) e Centro Comunitário de São Luís – CTRS (São Luís, MA - 1994). Cf: LATORRACA, Giancarlo (org). João Filgueiras Lima Lelé. São Paulo: Editorial Blau/ Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, 1999, p. 46.

4
SAMPAIO, Antônio Heliodório. Arquitetura e Cidade: o Lugar de Lelé na Relação. In: VII Seminário de História da Cidade e do Urbanismo – Balanço da Produção Recente e Desafios Atuais, 2002, Salvador. Salvador: PPG-AU UFBA/ ANPUR, 2002. 1 cd-rom.

5
MOURA, Eride. Entrevista. ProjetoDesign, São Paulo, n.280, jun. 2003. Disponível em: <http://www.arcoweb.com.br/entrevista/entrevista44.asp>. Acesso em: 3 abr 2006, 18:55:12.

6
”Uma lição de vida”. Projeto, São Paulo: Projeto Editores Associados, n.66, ago 1984. p. 75-78.

7
Esta é uma relação que cabe ser feita, entre a obra de Neutra e a de Lelé, especialmente sobre edifícios escolares, área em que ambos se aprofundaram.

8
VENTURI, Lionello. História da Crítica de Arte. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1984, 303p.

9
SAMPAIO, op. cit

10
PAZ, Daniel Mellado. “Notas sobre a polêmica da Prefeitura de Salvador”. Minha Cidade n.116, Portal Vitruvius, out 2004. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc116/mc116.asp>. Acesso em 30 mar. 2006, 23:00:20.

11
Sendo mutável, uma pergunta possível é: há possibilidade de se prever esta mudança, e tornar a edificação mais resiliente a esta? Foi um intento, ao menos teórico, na década de 70, ao advogar-se a flexibilidade interna e expansibilidade como qualidades de projeto. Mas nem mesmo estas táticas se revelaram infalíveis diante da mudança, que nem sempre se dá pelo aperfeiçoamento de uma mesma tecnologia (no que se tornaria sempre um tanto previsível) – a luz elétrica não é uma melhoria da vela, por exemplo.

12
ROSSI, Aldo, A Arquitetura da Cidade. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 2ed. Ele diz que: “Essa persistência e permanência [da arquitetura] é dada por seu valor constitutivo, pela história e pela arte, pelo ser e pela memória” (p. 56). E, por outro lado, descarta aspectos funcionais como o fundamento da permanência de uma edificação: “Além do mais, já procurei demonstrar que a função é insuficiente para definir a continuidade dos fatos urbanos e que, se a origem da constituição tipológica dos fatos urbanos é simplesmente a função, não se pode explicar nenhum fenômeno de sobrevivência: uma função é sempre caracterizada no tempo e na sociedade e o que dela depende intimamente não pode deixar de estar ligado ao seu desenvolvimento” (p. 57).

13
Esta abordagem, aparentemente neutra, revela o valor que nossa cultura dá ao modus operandi. Porém, indo mais a fundo, seus relatos freqüentemente se surpreendem com pioneirismos e principalmente com aqueles que transcendem sua época. Valoriza-se o arrojo da iniciativa, a ser imitado, e uma afinidade atemporal com nossa própria época, e mesmo com o futuro, com um sentimento visionário. É a razão do encanto com as obras de Isambard Brunel, Gustave Eiffel ou com Leonardo da Vinci – são homens “à frente do seu tempo”, e se duvidar à frente do nosso tempo. Há um gosto pelo futuro, oculto nessa admiração pelo passado. O foco não estará na arquitetura, mas na personalidade visionária do arquiteto. O que talvez não responda apropriadamente à questão: por que manter no ambiente urbano este ou aquele edifício? E por que mantê-lo o mais inalterado possível?

14
Segundo depoimento de Adilson Ferreiro (Chefe de Palco), João Marcelo (Responsável pela Galeria), Jorge Pessoa (Chefe de Palco) e Pedro Menezes (Chefe das Artes Plásticas), em 6 de maio de 2006. Eles apontam que os dutos azul-celeste são somente “para enfeitar” – não sabem dizer porque não foi feita a instalação completa. A única caixa d´água se relaciona com as instalações normais. No que diz respeito à preservação, situa-se dentro da poligonal do Centro Histórico do tombamento da UNESCO, sendo do IPHAN a responsabilidade pela aprovação das mudanças. No entanto, sua autoria obviamente destaca a sua importância.

sobre o autor

Daniel J. Mellado Paz é arquiteto e urbanista, formado pela Faculdade de Arquitetura da UFBA.

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