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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
A autora através do resgate da memória, do patrimônio, da cultura e da criação da identidade, identifica a contribuição francesa na cidade de Pelotas, desde o século XIX, influenciando artistas, arquitetos, escritores, músicos e a sociedade em geral


how to quote

PETER, Glenda Dimuro. Influência francesa no patrimônio cultural e construção da identidade brasileira: o caso de Pelotas. Arquitextos, São Paulo, ano 08, n. 087.07, Vitruvius, ago. 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.087/222>.

A cultura francesa sempre esteve presente na história do Brasil, principalmente após a chegada da Missão Francesa em 1816. Mesmo não tendo sido a principal colonizadora do nosso país e não tendo exercido grande influência política ou economia sobre o Brasil, a França contribuiu para a renovação das artes e para as mudanças dos nossos hábitos culturais e sociais, ajudando na construção da identidade brasileira. A França não dominou a economia do Brasil como a Inglaterra ou Portugal, mas foi responsável pela primeira colonização cultural do país, influenciando o comportamento das elites, determinando modelos de vida social e referências intelectuais, desde a filosofia até a moda, da gastronomia à literatura.

Na cidade de Pelotas, localizada no extremo sul do Brasil, a influência européia, principalmente a francesa, também foi bastante grande. Com freqüência, se faz referência a este fato na bibliografia histórica do Rio Grande do Sul. “É regra geral caracterizá-la através de conceitos como riqueza, opulência, refinamento, elegância, cultura e até aristocracia. A razão para isso é atribuída ao desenvolvimento nos seus arredores, da indústria do charque, durante o longo período que vai de 1779 aos primeiros decênios do século XX. As charqueadas, fazendo fortunas, condicionaram o florescimento de práticas e valores sócio-culturais que podem ser rotulados simplificadamente como de urbanidade e intelectualidade”. (1)

Mas a razão para o desenvolvimento cultural de Pelotas também está no fato de que, assim como os grandes centros urbanos da época, Pelotas buscava “europeizar-se”, dando importância ao comportamento educado, às boas maneiras, aos hábitos e costumes europeus.

O desenvolvimento da região no século XIX, o crescimento da cidade e o enriquecimento da sua elite (gerado pelas charqueadas que eram responsáveis pela economia) permitiram um grande avanço sócio-cultural da sociedade que ali vivia.

Essa aristocracia de charqueadores tinha vários momentos de ócio e lazer, visto que a safra das charqueadas era curta (de novembro a abril), e teve como resultado estilos de vida urbanos. “O culto às letras e às artes e, até mais do que isso, o requinte social ficaram como marcas genéticas, como emblemas dessa civilização”. (2)

Assim como acontecia em cidades européias, principalmente na França, Pelotas irradiava cultura, novidades e informações e recebeu um excepcional impulso em direção a um processo de modernização nas últimas décadas do século XIX, influenciada com certeza, pelos conceitos e idéias de Paris, que era considerada o centro de um imaginário social construído pela modernidade. (3)

Mas a população de Pelotas, tal como em uma grande cidade, e na própria Paris, poderia ser identificada como uma elite civilizada e aculturada, emergente e cheia de novos ricos, novos barões, novos bacharéis, mas onde também se percebia uma sociedade escravocrata rude e cruel. Pelotas era uma cidade de contrastes e diferenças sociais, onde a cultura européia ajudou a criar a identidade que hoje possuímos.

Todas essas transformações contribuíram não só para a “modernização” de Pelotas, mas também atraíram diversos imigrantes, muitos franceses, que desejavam satisfazer as mais variadas ambições pessoais.

Assim, a cidade de Pelotas guarda até os dias de hoje vestígios da influência francesa em seu patrimônio cultural. Seja na arquitetura, com os casarões em estilos neoclássicos e ecléticos, seja no urbanismo com as ruas centrais amplas, seja nos costumes com as confeitarias, na educação com suas três universidades, nas ruas através das relações sociais.

O objetivo deste trabalho é identificar como a França contribuiu para o desenvolvimento da cultura e hábitos pelotenses, desde o século XIX até os dias de hoje. Pretende-se analisar como a França influenciou artistas, pintores, arquitetos, escritores, músicos e a sociedade em geral.

Apesar de todos os problemas econômicos que tem passado nos últimos anos, Pelotas ainda é considerada um pólo cultural, herança dos tempos áureos de desenvolvimento e enriquecimento de sua sociedade.

Através deste estudo poderemos resgatar a memória e perceber que o patrimônio, a cultura e a criação da identidade dos pelotenses não estão baseados somente em características luso-brasileiras, como muitos pensavam e ainda pensam.

A herança francesa e a origem das influências

Há muito a ser observado nas trocas culturais entre a França e o Brasil. Desde a sua descoberta, o Brasil faz parte do imaginário francês. Antigas e estreitas são as relações culturais franco-brasileiras. Apesar de não ter uma porcentagem significativa na colonização do nosso país, a França contribuiu significativamente para a constituição da identidade da sociedade brasileira.

Sabe-se que os franceses foram quase simultâneos aos portugueses no desbravamento do Brasil. Já no ano de 1504, o capitão Binot Paulmier de Gonneville e sua esquadra passam seis meses convivendo com os índios carijós. Ao partirem levam consigo um índio que permaneceu toda a sua vida na França.

Desde a colônia França Antártica de Nicolas Durand de Villegaignon, fundada no Rio de Janeiro em 1555, que visava a construção de uma base naval e militar para reforçar o comércio com os nativos e atacar navios ibéricos, alguns livros de viagem revelam-nos certo pioneirismo da presença francesa no Brasil. Anos mais tarde, em 1612, foi fundada uma nova colônia no atual Maranhão e em 1743, uma expedição científica empreendida por Charles-Marie de la Condamine, descobre a borracha na Amazônia. Mas as lutas internas na França ao longo do século XVI comprometeram o processo de expansão e colonização na América.

A França descobriu a América pelo Brasil. Também através do Canadá, mas o Brasil é mais rico em símbolos e a partir do século XVI o mito do bom selvagem se universalizou, criando uma relação específica entre os dois países.

Mas não houve na história do Brasil, choque mais fantástico e anacrônico entre mundos de realidades tão diferentes quanto aquele provocado pela chegada da Corte portuguesa e dos estrangeiros, após a abertura dos portos em 1808. (4)

Após a invasão dos exércitos napoleônicos a Portugal, Dom João VI partiu para o Brasil Colônia juntamente com a sua Corte, vindo a instalar-se na cidade do Rio de Janeiro. Esse fato daria início ao distanciamento, mesmo que sem intenção, da colônia a sua metrópole lusitana, pois as próximas gerações não mais se subordinariam a Portugal com a mesma facilidade.

Na época de Luís XIV, o luxo da Corte, aliado ao prestígio da literatura e da filosofia, contribui para que a cultura da França se espalhasse pelo mundo ocidental.

Após a abertura dos portos, iniciou-se o intercâmbio do país com outros mais desenvolvidos que Portugal. “Devido ao isolamento imposto pelos colonizadores portugueses e também às dimensões continentais do país [...] quando, na Europa, o neoclassicismo já se implantara, o Aleijadinho produzia suas melhores obras, nas longínquas Minas Gerais”. (5)

Não eram apenas produtos industrializados que começavam a ser importados, mas também idéias, hábitos e costumes. As elites brasileiras passaram a demonstrar o desejo de constituírem uma cultura cosmopolita, correspondente ao que acontecia na Europa. A própria elite portuguesa manifestava a vontade de “europeizar-se”, e com a queda de Napoleão, os laços culturais entre França e Portugal foram retomados. “A cultura brasileira é uma cultura latina, e essa cultura latina é fundadora, distante do mundo britânico; não se queria portuguesa, porque os portugueses eram os colonizadores e era então necessário modificar a genealogia. É como sonhar com um pai mais prestigioso do que aquele que se tem. É o próprio romance familiar de Freud: o pai real era Portugal, pequeno país, retardatário, arcaico, então se sonha com um outro pai. Não se podia sonhar com um pai alemão, porque os alemães eram estrangeiros recentes. Era preciso sonhar com um pai que se parecesse um pouco com o verdadeiro; a França parece um pouco com Portugal (cultura católica, latina etc.), com a diferença de que a França, num dado momento, representava a modernidade”. (6)

Foram revogadas as leis que impediam a instalação de indústrias no Brasil e iniciada uma reestruturação urbana. Começavam as iniciativas educacionais, visando o desenvolvimento cultural da sociedade. Considerando-se que os jesuítas haviam sido expulsos, e com eles as iniciativas existentes para o ensino, foi proposta, em 1815 a criação de uma academia de Belas Artes, que também daria novos impulsos práticos coordenados para as diversas artes e ofícios.

Assim, no dia 26 de março de 1916, chegava ao Rio de Janeiro a chamada “Missão Artística Francesa”, composta por artistas plásticos, arquitetos, músicos, carpinteiros, serralheiros, e chefiada por Joachim Lebreton, que tinha como objetivo instalar o ensino das artes e ofícios no Brasil através da construção da Academia de Belas Artes. Nomes como o de Jean-Baptiste Debret, Grandjean de Montigny, Auguste Marie Taunay, Nicolas-Antoine Taunay, Segismund Neukom e Zephiryn Ferrez estavam presentes na missão.

O ministro D. Antônio de Araújo de Azevedo, conhecido como conde da Barca, era um diplomata português e profundo admirador dos ideais franceses. Foi ele quem teve a iniciativa de chamar um grupo de artistas e intelectuais diretamente da França.

Muitas contradições fizeram da vinda dos franceses menos uma “missão” e mais uma colônia de refugiados. A maior delas foi, talvez, o fato do grupo, frustrado pela restauração dos Bourbons na França encontrar-se justamente nos domínios de um rei exilado por conta de invasões napoleônicas. Como se não bastasse, o conde da Barca servia, apesar de suas idéias liberais, a esse mesmo monarca, ou seja, a um governo absolutista e intrinsecamente conservador. (7)

Independente dos fatos e circunstâncias que trouxeram os integrantes da missão ao Brasil, eles aqui encontraram uma natureza exuberante e ao mesmo tempo a violência de uma escravidão institucionalizada. Dá-se início a uma etapa na vida dos que por aqui viviam. Os artistas pintavam, desenhavam, esculpiam e construíam à moda européia. Na arquitetura obedeciam ao estilo neoclássico.

Em 12 de agosto de 1816, um decreto cria a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Para desenvolver o projeto do edifício da futura Academia das Belas-Artes, foi chamado o arquiteto da Missão, Auguste Henrique Victor Grandjean Montigny. Seu projeto foi apresentado a D. João VI, que imediatamente autorizou o inicio das obras, que foram paralisadas em julho de 1817, devido a morte do maior protetor da Missão, o conde da Barca.

Com a ocorrência desse fato, os franceses foram transformados em funcionários públicos e pouco aproveitados. Houve desentendimentos e eles espalharam-se pelo Rio de Janeiro onde, motivados pela paisagem luminosa e pela existência de uma burguesia rica e desejosa de ser retratada, continuavam seus trabalhos.

Grandjean de Montigny ajudou a organizar o ensino da arquitetura e das artes e a implantar o estilo Neoclássico no Brasil. É autor de vários projetos, principalmente no Rio de Janeiro, como a atual Casa França-Brasil, o Solar Grandjean de Montigny, a Academia Imperial de Belas Artes, o Chafariz da Carioca, entre outros. Muitos desses projetos, como a Academia em 1937, foram demolidos.

A Praça do Comércio, depois Alfândega e Tribunal do Júri, entre outros usos, atual Casa França-Brasil, foi o primeiro de seus projetos para a cidade, construída em 1820.  Foi o projeto introdutório do estilo neoclássico, e se prestou muito bem já que era um prédio público e monumental, e monumentalidade é uma característica desse estilo. Embora a Corte não pudesse se dar a excessos para a construção, o edifício deveria representar a modernidade e ser símbolo de poder, sendo o neoclássico o estilo perfeito, com suas "ideologia da ilustração", "classe" e "proporcionalidade" específicas e novas, levando o Brasil a ingressar oficialmente no estilo mundial.

Por outro lado, alguns mestres-de-obras e construtores, que utilizavam os métodos tradicionais de construção, chegaram a mover intensa campanha contra o refinamento de Montigny e seus novos princípios de aeração e higiene, que exigiam a modificação radical das plantas de arquitetura usadas na época. A Missão Francesa motivou reações extremas por parte dos artistas luso-brasileiros, que se viram fatalmente atingidos.

Jean-Baptiste Debret foi chamado de “a alma da missão francesa”. Pintou diversos retratos da família real, quadros históricos e gravuras, que são relatos dos costumes e vida no Brasil do século XIX. Além de pintor, Debret também foi desenhista, pintor cenográfico, decorador, professor de pintura e organizador da primeira exposição de arte no Brasil, em 1829. Junto com Nicolas-Antoine Taunay, foi o primeiro artista profissional a chegar ao Brasil desde o século XVII e a ocupação dos holandeses no nordeste.

Sua principal produção na sua temporada em território brasileiro (Debret permaneceu no Brasil até o ano de 1831) foi a obra intitulada “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, onde em suas viagens pelo país retratou em três volumes os indígenas, a sociedade do Rio de Janeiro e também assuntos diversos, entre os quais algumas aquarelas retratando a cidade de Pelotas. Essas imagens revelam um país exótico ao olhar europeu, marcando as diferenças entre as civilizações.

A Academia Brasileira de Belas Artes só foi inaugurada em novembro de 1826, e em 1829 foi realizada a primeira exposição oficial no Brasil.

Com a chegada da Missão Francesa em 1816, não foi apenas a arte neoclássica que atracou no Brasil, mas idéias de higiene e saneamento que iriam modificar o urbanismo das cidades, transformando o viver no Brasil Colônia. Independente da posição crítica diante da Missão, os artistas franceses que aqui estiveram, sob a liderança de LeBreton, deixaram grandes frutos em terras brasileiras.

A cidade-luz foi referência constante e direta para o desenvolvimento das artes plásticas, da arquitetura, da literatura, da gastronomia, da educação e também do setor industrial. Apesar da influência francesa ter chegado ao Brasil graças à Corte, foi realmente no final do século XIX e início do XX que essa presença se fez mais marcante.

Paris, o modelo para o mundo ocidental: Cidade & Sociedade

“O modelo parisiense, sob a forma de metrópole viajou o mundo no tempo e no espaço, participando das representações sociais construídas sobre a cidade moderna na América Latina”. (8) “A cidade é algo mais que o somatório de seus habitantes. É a ação do homem sobre o meio físico e também um retrato das relações humanas. Está em constante construção e reproduz uma paisagem transformada da natureza e a movimentação social sobre vários aspectos – econômicos, políticos, culturais - no espaço e no tempo. É na cidade, no espaço urbano onde se manifestam as permanências, as rupturas, as continuidades, as relações entre o antigo e o novo”. (9)

É para a cidade que todas as atenções estão voltadas, sendo ela objeto de discursos e olhares. Nela surgem os problemas e desafios do mundo.

O agrupamento em cidades é anterior a urbanização das mesmas. Elas vêm crescendo, desaparecendo, renascendo, transformando-se ao longo da história da humanidade.

Uma cidade é, antes de tudo, uma materialidade de espaços construídos e vazios, assim como é um tecido de relações sociais, mas o que importa, na produção do seu imaginário social, é a atribuição de sentido que lhe é dado, de forma individual e coletiva, pelos indivíduos que nela habitam. (10) “Os imaginários sociais são sistemas complexos, assim como os mitos, as utopias, as religiões, através dos quais a sociedade constrói uma representação de si própria”. (11) Assim, no final do século XX, elites e governos franceses se satisfazem com o orgulho das declarações que associavam a França, e a Europa em geral, ao progresso e civilização. A França é caracterizada como a terra do progresso, representando uma grande genitora universal, da família de Atenas e Roma.

Na passagem do século XVIII para o XIX, começou a se pensar em uma nova idéia de cidade. Não mais naquelas cidades fechadas, cercadas por muralhas e com ruas pequenas e estreitas, típicas dos tempos medievais. Havia o desejo de modificar e tornar as cidades abertas. “A concepção de cidade aberta, apoiada no movimento e na diversidade, é expressão tanto de um processo de transformação capitalista do mundo quanto de renovação cultural trazida pelo Iluminismo, que explicava a realidade sob novas luzes”. (12)

O espaço urbano europeu passou por processos de transformações, onde Paris foi a grande protagonista, servindo de modelo para o mundo.

Entre os anos de 1851 e 1869, Paris teve a sua área urbana totalmente reformulada através do conhecido e audacioso projeto dirigido por Georges Eugène Haussmann, no governo de Napoleão III.

“Ao longo do século XIX, Paris era o palco da modernidade, pois experimentou uma série de transformações como o aumento da sua população, o redesenho do seu espaço urbano, a mudança do seu regime político”. (13)

É considerada uma cidade moderna, centro da cultura e do progresso sócio-econômico. Há espaço para uma vida civilizada, com um alto refinamento de costumes e gostos, que proporciona a seus habitantes uma melhor qualidade de vida e acesso a atividades culturais e informações. “Porque Paris é um total. Paris é o teto do gênero humano. Toda esta prodigiosa cidade é uma síntese dos costumes e novos. Quem vê Paris crê ver [...] toda a história [...] Paris tem capitólio, o Hotel Ville, um Partenon, Notre Dame, um Monte Aventino, o faubourg Saint Antoine, um Asinarium, a Sorbonne, um Panteon, o Panthéon, uma Via Sacra, o Boulevard dês Italiens [...]. Tudo aquilo que está fora está em Paris.” (14)

A partir da matriz francesa, foram feitas, observadas e relidas várias cidades, que se iluminaram através da luz refletida por Paris.

O modelo Haussmaniano de reformulação urbana viajou no tempo e no espaço, e foi reapropriado em vários outros contextos. Segundo Pierre Pinon, ele não era um modelo “exportável”, pois nenhuma cidade reúne as mesmas condições de Paris. Possível de adotar, em outros lugares e momentos, seriam algumas idéias gerais, como grandes trabalhos urbanos capazes de mudar uma cidade. (15)

Para André Lortie “os projetos exportáveis são aqueles que se destinam a um lugar preciso. Em outras palavras, cidades ideais só possuem sentido com referência a cidades reais, que reprocessam discursos e imagens e reciclam as práticas de acordo com suas próprias necessidades”. (16) Não se deve deixar de pensar nas diferenças entre as cidades, mas também não se pode descartar a possibilidade de analogias.

Embora o modelo de urbanização não possa ser “exportável”, as idéias e o imaginário de uma Paris moderna foram importados por diversas civilizações, dentre elas a brasileira. A França foi uma referência unânime para todas as elites brasileiras. Segundo Rolland, isso se deve aos seguintes fatos:

“1) Entre as referências possíveis, Espanha e Portugal, antigas metrópoles coloniais, não poderiam, seja qual for a importância da herança, serem privilegiadas pelas elites modernas.

2) Embora tenham sido o primeiro espaço americano a aceder à independência no continente e seja uma república, os Estados Unidos, desde a metade do século XIX, fizeram prova de imperialismo na América Latina: embora se deva cuidar, sobretudo de não negligenciá-la ou de não subestimá-la, a referência tem, todavia, limites impostos.

3) O Reino Unido continua sendo uma monarquia e, a despeito de ter uma presença econômica notável e duradoura no continente, a referência possui limites evidentes em matéria política.

4) “A referência católica romana não é tampouco consensual na América latina no início do século XX”. (17)

Rio de Janeiro: em busca da modernidade

No Brasil, a primeira cidade a recusar seu passado colonial, foi obviamente o Rio de Janeiro, já que era a sede da Corte e a porta de entrada das novas idéias de progresso e modernidade. Foi a primeira cidade brasileira a se defrontar no espelho, segundo Pesavento (18), com crise de identidade.

A partir da década de 70 do século XIX, a elite carioca passou a contestar o padrão colonial e as questões urbanas. Em Paris, as bens sucedidas intervenções de Haussmann serviam de exemplo. Em 1874, foi realizada uma Comissão de Melhoramentos da cidade do Rio de Janeiro comandada por Pereira Passos. Embora o plano não ter dado certo, iniciaram os debates, incluindo a elite cultivada brasileira, sobre circulação, higiene e estética. Cada vez mais algumas práticas sociais eram condenadas, assim como os espaços freqüentados por pobres e escravos. A memória associada à cultura popular deveria ser extinta. A identidade desejada é à moda européia e para isso era preciso a consolidação das elites e a negação do povo.

A referência à França também atingia o imaginário mais popular. Estudos pontuais mostram no Brasil que mesmo na cultura oral dos que não escrevem, ou que escrevem pouco, e que não têm meios de se vestir à francesa, a França ocupa um lugar de exemplo e bom grado. (19)

Foi então que nos anos de 1902 a 1904, a ação de Pereira Passos em articulação com o governo federal, começou a emergir um novo Rio de Janeiro. Não foi a imagem refletida de uma Paris Hausmanniana, mas uma cidade imaginada e desejada plausível com as condições da paisagem brasileira, mas não podemos negar as influências francesas.

Assim como Paris, o Rio de Janeiro sofreu uma grande cirurgia urbana, realizada pelos produtores do espaço. O espaço urbano foi alterado e também as práticas sociais. A elite carioca freqüentava livrarias, cafés, confeitarias e óperas, onde conversavam sobre cultura, literatura e moda. Reuniam-se para observar o movimento e também para serem vistos. Grande parte dessa elite tornou-se jornalista ou escritor, afirmando a identidade nacional desejada. Seus textos possuíam expressões estrangeiras, principalmente francesas. A fascinação pela França fazia a viagem a este país quase que uma obrigação e muitos concluíam seus estudos por lá.

A França não serviu de modelo, na América Latina, apenas para os brasileiros. Para Sarmiento, historiador argentino, “a França e os franceses, suas idéias e suas modas, seus homens e seus romances são [...] o modelo [...] de todas as outras nações, e [...] o que nós consideramos imitação não é senão esta aspiração da natureza a aproximar-se de uma espécie de perfeição”. (20)

E para os brasileiros, não serviu de modelo apenas para o Rio de Janeiro, várias outras cidades sofreram influencias dos ideais franceses.

É o caso de Pelotas, cidade localizada no sul do Rio Grande do Sul, no extremo sul do país. Distanciava-se geograficamente dos grandes centros do país, mas não se distanciava dos ideais de se tornar civilização moderna e cosmopolita.

Pelotas, a Princesa do Sul

Não podemos negar a influência dos centros europeus sobre a cultura brasileira no século retrasado. Imitava-se o modo de vestir, de falar e os hábitos culturais, principalmente os franceses. Lia-se em francês e por muitas vezes se pensava também como europeus. Assistia-se a um crescer contínuo de modistas, de cabeleireiros, de alfaiates estrangeiros, e também de médicos, dentistas, arquitetos, professores, e ainda de confeitarias, restaurantes e hotéis. “Sabemos que a França não influiu em nossa gente somente por suas modas femininas, suas cocottes, seus perfumes; influiu por suas idéias, suas doutrinas políticas, seus poetas, seus livros; influiu pelo extraordinário, universal prestígio de sua Revolução”. (21)

O ato de “europeizar-se” era um mecanismo para diferenciar-se do meio rústico e rural. O gado foi a base da economia gaúcha durante um longo período da história do Rio Grande. Introduzido pelos jesuítas, atraiu os tropeiros que vinham de São Paulo e Minas para buscá-lo e levá-lo para aquelas províncias. Serviu, também, de esteio para a fixação de habitantes, na medida em que permitiu uma atividade econômica para os estancieiros que aqui se fixaram.

A economia foi ainda mais consolidada com o surgimento das charqueadas, que produziram o charque. Foi um produto que, num primeiro momento, servia como alimentação de escravos, e posteriormente, o seu comércio trouxe riqueza à região de Pelotas. As charqueadas começaram a surgir por volta de 1780, quando José Pinto Martins se instalou na cidade. Anteriormente, o charque já era produzido no sul do continente, mas de maneira artesanal e em pequena escala. No entanto, uma série de secas sucessivas no Nordeste, onde estava concentrada a maior produção de charque do país, criou uma oportunidade para o produto gaúcho, e o charque começou a ser vendido para todo o país.

A iniciativa da primeira charqueada foi o marco da arrancada decisiva para o crescimento da cidade, pois a prosperidade do estabelecimento, favorecido pela localização, estimulou a criação de outras charqueadas, dando origem à povoação. “Em Pelotas localizavam-se mais de 300 negociantes no ano de 1835, graças ao grande número de charqueadas situadas nos arredores. A vila se destacava pelo ativo comércio, luxo de suas casas, ruas bem construídas e intensa vida cultural”. (22) Sendo assim, os primeiros 35 do século XIX foram muito prósperos para Pelotas, que desde logo assumiu uma grande importância para a organização da economia da região. Os responsáveis por este desenvolvimento foram, com certeza, os abastados charqueadores.

Nicolau Dreys, em 1839, quando falava sobre a disposição dos charqueadores escreveu: “Eles quiseram que o lugar prosperasse, e o lugar prosperou; cada um deles tem ali sua casa urbana; e quando, nos domingos ou dias santos, a população das charquedas ajunta-se na cidade [...] é difícil fazer-se uma idéia do ar de vida e de opulência que respira então a cidade de Pelotas [...] senhoras que não cedem em elegância e boas maneiras às mais graciosas parisienses”.  (23)

Segundo Magalhães “a economia do extremo sul do Brasil estava polarizada em duas unidades que se complementavam, a estância e a charqueada, e uma sociedade em parte rural e em parte urbana, dominada por duas elites sociais típicas, cada uma com as suas características e as suas singularidades definidas. Esses estilos de vida e os sistemas de culturas da estância e da charqueada foram diversos e condicionaram diferentes formas de comportamentos”. (24)

Nas charquedas havia a dominação senhorial e muita dependência da escravidão, com uma grande distância entre os senhores e os negros. Já nas estâncias, isso não ocorria na mesma proporção e o trabalho era mais igualitário. Os estancieiros eram chefes militares e proprietários rurais. Lutavam e trabalhavam ao lado dos peões. Esse tipo de vida não lhes permitiu a mesma preocupação com refinamentos e cultura que possuíam os charqueadores. Nem mesmo os estancieiros mais ricos possuíam tempo ou disposição para esses pensamentos.

Como o trabalho nas charquedas era bem organizado e a safra acontecia entre os meses mais quentes, ou seja, entre novembro e abril, nesses intervalos sobrava tempo para o lazer. Assim, os charqueadores foram viver na cidade, desfrutaram de uma vida social e cultural intensa, obtida através do contato comercial com os grandes centros urbanos, realizados através dos meios de transporte existentes na área, o que também fez Pelotas se tornar uma cidade cosmopolita.

Carl Seidler (25) escreveu, em 1827, que tanto aqui quanto na cidade de Rio Grande existiam muitos europeus que possuíam importantes estabelecimentos e que certamente pela influência do seu dinheiro e da sua cultura, contribuíam consideravelmente para que os habitantes fossem mais civilizados e tivessem mais gosto pela vida social que nas outras regiões. A hipótese levantada por Magalhães é de que essa elevação dos padrões sociais irá resultar no aumento dos padrões culturais, atingindo o ponto culminante sócio-cultural a parir da segunda metade do século XIX. (26)

Com o tempo ocioso e o charque vendido a altos preços nos mercados, esses industriais vieram a fixar residência na vila, assim, os charqueadores e suas famílias transferiram suas residências para a zona urbana da cidade, a certa distância das charqueadas e estabelecimentos industriais. Desenvolveram uma cidade urbana, com espaços para a sociabilidade, onde era possível desfrutar de momentos de lazer, aprimorando-se a cultura e cuidando-se da mente e do espírito.

O teatro foi, dentre todas as expressões culturais, a que primeiro seduziu a população pelotense. A riqueza e o ócio fizeram que alguns moradores organizassem a construção daquele que é considerado um dos primeiros do Brasil e em funcionamento até os dias atuais. No dia dois de dezembro de 1833, dia do aniversário de Pedro II, foi inaugurado o prédio em frente ao chamado campo (onde futuramente irá ser construída a atual Praça Cel. Pedro Osório, no coração da cidade) sob a denominação de Sete de Abril. (27) “Essa foi a primeira iniciativa cultural e pode ser considerada precoce. Afinal, nesta data a cidade recém começava seu processo de urbanização da freguesia. É uma iniciativa que revelava desejo de conciliar sociabilidade e inteligência, como formas superiores de preencher o lazer”. (28)

O teatro contribuiu para a ampliação do gosto pela música, já que muitas das peças exigiam o acompanhamento de uma orquestra. Assim, a música se difundiu e começaram a acontecer concertos, saraus, corais religiosos, serenatas e acompanhamentos de enterros e missas.

Com a Revolução Farroupilha o crescimento da cidade se estagnou, suspendendo o progresso. Após a guerra, a cidade foi pouco a pouco recuperando o ritmo dos tempos de paz. Durante a década de 50 do século XIX, o crescimento da cidade deu um salto capaz de situá-la entre as cidades pequenas mais prósperas do país. Pelotas recuperou a sua economia e delineou a sua malha urbana.

A partir de 1860 já há indícios de outras atividades intelectuais que não as teatrais. Nesse período surgem as primeiras tipografias, jornais, manifestações artísticas, musicais, os primeiros gabinetes de leitura e as melhores escolas.

O culto pela literatura foi se tornando cada vez maior. A ele pode-se creditar uma grande manifestação de bairrismo pelotense, que passou a se autodenominar como “Princesa do Sul”. Com o passar do tempo toda a Província já identificava Pelotas por esse título, por sua grandeza nas artes, letras, música, arquitetura, pelos seus barões, suas damas, festas e doces, um reconhecimento pelo seu apogeu econômico.

Influenciadas pelos padrões europeus, surgiram nesta época várias escolas particulares e algumas públicas, que utilizavam a origem européia de seus professores como chamariz da clientela. “O fato de ser o francês a língua estrangeira mais exigida pela sociedade da época, fazia com que os mestres franceses fossem os mais requisitados”. (29)

Os colégios mais famosos e conceituados de Pelotas foram fundados por franceses, onde se praticava exercício de tiro, esgrima, ginástica e dança. Havia um colégio para só para meninas e também eram ministras aulas particulares nas residências, lecionando as primeiras letras, gramática, aritmética, geografia, história, matemática, latim, francês, artes, bordados, crochê, piano, pintura, boas maneiras e caligrafia.

Algumas famílias mais abastadas mandavam buscar professores europeus especialmente para ensinar seus filhos. Muitos professores e diretores de escolas eram franceses, também ministravam aulas particulares e preparavam os jovens para vestibulares na Capital. Francesas também eram as professoras de música, que contribuíam para a formação sócio-cultural à européia.

Nesta época, na segunda metade do século XIX, as charqueadas permanecem sendo as maiores fontes de renda da região, embora sofressem um processo de modernização estimulado pela concorrência platina, a proibição do tráfico negreiro e o estabelecimento de estâncias no norte da Província, que começaram a fornecer o gado para o abate.

Todos os charqueadores eram autênticos burgueses, cuja maior preocupação era acumular dinheiro. Na entressafra, embora eles desfrutassem de mais momentos de lazer, os negócios continuavam, diversificando as atividades exercidas na época. Surgiram as fábricas de sabão, velas e os curtumes, que utilizam matéria-prima não aproveitada nas charqueadas e ainda muitas olarias.

A desobstrução do canal São Gonçalo, em 1875, possibilitou a exportação direta do charque para os Estados Unidos e também para a Europa. Foi uma iniciativa dos charqueadores que buscavam ampliar seus negócios e aumentar seus lucros. Os navios que saiam daqui lotados de charque não poderiam voltar vazios. Os charqueadores possuíam agentes comerciais em diversos portos e esses navios retornavam com mantimentos, móveis, louças, livros, proporcionando um contato muito maior e permanente com os grandes centros urbanos.

Aqueles que possuíam maiores condições financeiras viajavam à Europa, não apenas para estudos, mas também a passeio. “De lá traziam, não só a elegante indumentária feminina de Paris [...], mas mobiliário e objetos de adorno doméstico da mais refinada arte, bem como telas e estatuetas de artistas de renome”. (30) Os que não viajavam, importavam. E importava-se de tudo, enxovais de noiva, objetos de cristal, jogos de chás, elementos arquitetônicos, estruturas de ferro...

A vestimenta constituiu um instrumento para a identificação ou formação de uma identidade. No século XIX, a moda ditada pela Europa e seguida pelas elites brasileiras, ostentava luxo e riqueza. A simples aparência classificava a sociedade, definindo maneiras de viver e estipulando comportamentos. A moda participa das remodelagens sociais, contribuindo para a definição dos modos de viver e influenciando condutas. “Na América Latina no final do século XIX, o modo de vestir europeu, principalmente o francês, demonstra riqueza e plenitude, determinando a entrada na vida pública e nos círculos da elite. A moda e o modo de se vestir estão relacionados com a cultura e classe social”. (31) Em Pelotas, os charqueadores eram pessoas simples e modestas na aparência, filantropos, beneméritos na assistência social e moralmente rígidos e severos, como os rio-grandenses de qualquer região, a única diferença é que o dinheiro lhe permitia o contato com a Europa e seus hábitos de cultura e lazer.

Poucos charqueadores obtiveram diplomas de curso superior. Seus filhos sim, por não se preocuparem com os gastos com a sua sobrevivência, dedicavam-se largamente aos estudos, às letras, às ciências e as artes. “De modo especial ao estudo do Direito e, dentro das letras, à recitação de discursos e à metrificação de versos compostos, sobretudo e respectivamente, para exaltar as virtudes da cultura clássica e Cortejar damas um tanto reservadas e muito requintadas”. (32) Mas embora os charqueadores e barões não possuíssem títulos acadêmicos, eram bem informados e muitos tiveram ocupações intelectuais, escreviam poemas ou, como o Barão de Arroio Grande, eram redatores de revistas.

Saint-Hillaire, sábio naturalista francês, esteve em Pelotas quando a cidade ainda era chamada de Freguesia de São Francisco, em 1820. Hospedou-se na charqueada de Antônio Gonçalves Chaves. Para ele, o anfitrião pareceu um homem culto, que sabia o latim, o francês, com leituras de história natural e que conversava muito bem. (33)

Os charqueadores e estancieiros faziam várias doações à cidade. João Simões Lopes possuía várias casas urbanas e, em 1875, doou um prédio para que se instalasse a Biblioteca Pública Pelotense. Eles forneciam também mão-de-obra escrava e alguns materiais para obras públicas. Alguns anos depois, a Biblioteca foi transferida para um prédio construído especialmente para essa finalidade. “Em 1878 o livro assumia, dentro do plano urbano, um lugar correspondente à posição que ocupava, fazia muito tempo, no interior das almas”. (34)

Pelotas, diferentemente de muitas cidades gaúchas, formou desde cedo uma sociedade urbana. Era natural que numa sociedade assim formada, os valores culturais fossem predominantes e o gosto pelas artes, letras e ciências maiores. O adiantamento cultural de Pelotas era tão grande que influenciava na vida de toda a província. Chegou a ser chamada de “Atenas do Rio Grande” . (35)

“Os hábitos gauchescos, entre eles o de tomar chimarrão e o vestir-se a caráter, bastante comuns nas cidades da Campanha, não chegaram a influir sobre o cotidiano dos pelotenses durante todo o século XIX. Em Pelotas, os costumes europeus é que sempre foram dominantes no comportamento coletivo”. (36)

Antes de 1860 já existiam algumas belas casas em Pelotas, muitas descritas pelos viajantes que por aqui passavam. Mas é a partir da década de 60 que vai começar a desenvolver-se um estilo arquitetônico na cidade, diferente das casas coloniais construídas até então. A construção da arquitetura de Pelotas obedeceu ao alinhamento ortogonal das ruas desenhado em planta por Maurício Inácio da Silveira, em 1815, onde se estabeleceu o primeiro loteamento da cidade. Este traçado se opunha aos modelos orgânicos de ocupação das cidades coloniais, o que demonstra que em Pelotas, desde os primeiros planos urbanísticos, já havia se assimilado os conceitos de modernização europeus. Em 1834, Eduardo Krestchmar seguiu este plano ortogonal e acrescentou mais ruas à malha urbana.

Conde D’EU, em 1865, fala sobre Pelotas: “Pelotas aparece aos olhos do cansado viajante como uma bela e próspera cidade. As suas ruas largas e bem alinhadas, as carruagens que as percorrem (fenômeno único na Província), sobretudo os seus edifícios, quase todos de mais de um andar, com suas elegantes fachadas, dão a idéia de uma população opulenta. Pelotas é a cidade predileta do que eu chamarei a aristocracia rio-grandense [...] Aqui é que o estancieiro, o gaúcho cansado de criar bois e matar cavalos no interior da campanha, vem gozar as onças e os patacões que ajuntou em tal mister”. (37)

As casas coloniais, rês ao chão, foram aos poucos sendo substituídas por construções mais vultosas. Algumas foram somente re-configuradas com novo estilo que estava tomando conta da cidade.

Para o trabalho braçal de construção da cidade, foi utilizada mão-de-obra escrava. Para os planos e projetos foram contratados, na grande maioria das vezes, profissionais estrangeiros. Foi assim com as plantas da cidade, projetos de ampliação da malha urbana, saneamento e transportes, além de projetos de prédios destinados à moradia, serviços, comércios, manufaturas e também prédios públicos. “Os tijolos e as telhas de barro, moldados pela mão cativa, seguiram a trama traçada e foram fazendo o casco da cidade”. (38)

O espaço urbano que se consolidou em Pelotas começou a ser traçado sobre o paradigma de modernidade, onde ficaram determinadas as leis que deveriam ser cumpridas, ajudando a compor uma cidade onde os valores estéticos eram baseados nos moldes europeus. Existiam regras e posturas policiais que determinariam a forma da cidade. Deveriam ser obedecidos recuos, alinhamentos, alturas, coberturas, materiais. Desde os tempos da freguesia, as leis municipais diziam que, dentro dos limites urbanos, não se poderiam construir edifícios em meia água, coberturas de palha e paredes exteriores de pau-a-pique ou estuque. Os profissionais estrangeiros tiveram, de alguma forma, contato com os tratados clássicos da arquitetura e do urbanismo na Europa, trazendo para cá o saber e tradição do ofício de construtor.

A esmagadora maioria dos prédios construídos na segunda metade do século XIX baseava-se na tradição clássica. Nomes como o de Roberto Offer, Carlos Zanota, José Vieira Pimenta, os franceses Dominique Pineau e Dominique Villard, Caetano Casareto, Guilherme Marcucci e principalmente o do italiano José Izella são encontrados nas autorias dos projetos da época.

Assim como os boulevards franceses, em Pelotas foi projetada e construída uma grande avenida arborizada, que aqui se chamou a princípio de Passeio Público e hoje é uma grande avenida e ponto de encontro na cidade.

A aristocracia ocupava a malha urbana projetada, enquanto os escravos libertos e os mais pobres começaram a aglomerar-se nas periferias do traçado original. Os terrenos mais valorizados situavam-se no entorno da Praça Cel. Pedro Osório, onde já estava localizado o teatro, a câmara municipal e onde se esperava construir a Igreja Matriz (fato que nunca ocorreu), e onde se construiu o Paço Municipal, a Biblioteca Pública dentre outros, e é neste mesmo local que atualmente se encontram os vestígios mais exuberantes do século XIX. Foram proibidos os cortiços na zona central da cidade, impedindo a moradia de trabalhadores e escravos libertos perto da elite.

Nesta época, na França, havia duas correntes arquitetônicas: a racionalista, onde a preocupação estava concentrada na função dos prédios e a utilização de novas técnicas construtivas, e a Historicista Eclética, que também utilizava novos materiais e técnicas, mas valorizava a riqueza e ornamentação das construções.

Vários são os debates sobre a nomenclatura da arquitetura pelotense da segunda metade do século XIX. Nascimento (39) a classifica como neo-renascentista, incluindo elementos barrocos aliados à construção típica local, ou seja, janelas de guilhotina coloniais aparecem ao lado de aberturas emolduradas por adornos e sacadas de ferro importados da França, criando uma arquitetura típica pelotense.

Santos (40) opta pelo conceito de Historicismo Eclético para defender o estilo arquitetônico de Pelotas desenvolvido no final do século XIX e início do XX, onde os arquitetos se voltam para estilos arquitetônicos do passado, buscando elementos ornamentais de linguagens variadas. Segundo Pattera, a arquitetura Pelotense ainda pode ser enquadrada na categoria de Pastiches Compositivos, já que muitos dos prédios foram sofrendo modificações ao longo dos anos, muitos mantendo até mesmo algumas características coloniais.

Segundo Weimer (41) não houve no Brasil um estilo neoclássico verdadeiro, já que a arquitetura sempre esteve impregnada de elementos ecléticos. A adoção do neoclássico como estilo oficial pelo Brasil Império, de fato, nunca impediu que se seguissem tendências ecléticas, principalmente na arquitetura residencial.

“Embora as tendências clássicas, nas fachadas das construções pelotenses permaneciam algumas características do período colonial, como construções geminadas, em fita, casas de porta e janela, de meia morada ou morada inteira”. (42) Apareciam ainda elementos neoclássicos como platibandas, frontões, capitéis gregos, e ainda outros elementos como cimalhas e gárgulas, característicos do Ecletismo em moda na França durante a Belle Époque.

Públicos ou privados, de grande ou pequeno porte, os edifícios da cidade, quanto à decoração, estavam repletos de analogias à arquitetura da Antiguidade. “O classicismo manteve-se nos desenhos das plantas e dos prédios urbanos, conservou-se na repetição dos motivos, persistiu nas tramas”. (43) Seja como for a classificação da arquitetura pelotense, a base foram os princípios clássicos universais. Foram usadas as ordens coríntias e compósitas, simetrias, repetições, paralelismos.

Até o final dos anos 80, o centro urbano já estava servido de abastecimento de água, de ruas alinhadas, calçadas e arborizadas, de praças, bondes, pontes e de projetos para a rede de esgotos.

Em 1873, Com a instalação dos serviços de água e esgotos, foram importados da França quatro chafarizes e um grande reservatório de água pela Companhia Hidráulica Pelotense. Visavam ornamentar os passeios, embelezar e abastecer a cidade. Na atual Praça Cel. Pedro Osório, foi instalado o primeiro chafariz, produzido por Durenne Sonnevoire, chamado de Fontes das Nereidas. O segundo em frente à Catedral São Francisco de Paula, o terceiro na Praça Domingos Rodrigues, na zona portuária e o quarto, depois de muita indecisão, foi instalado na Praça da Constituição, às margens do Arroio Santa Bárbara.

Mas é o reservatório situado na antiga Praça da Caridade a construção mais exuberante. Todas as peças são em ferro e foram montadas in-loco no ano de 1875. Durante muito tempo abasteceu o centro da cidade. Na época, foi um exemplo de modernidade e progresso, tanto pelo uso da técnica da construção em ferro quanto pela audácia de se importar um equipamento de grandes proporções. Ao contrário do restante do país, onde a maioria das peças de ferro provinha da Inglaterra, em Pelotas são oriundas da França e algumas da Alemanha, importadas a partir de 1850.

Na imprensa na década de 70, apareciam muitas queixas contra o governo geral. A sociedade reclamava da falta de atenção que a cidade estava recebendo. Pelotas não contava com nenhum edifício público que fosse obra do governo, não tinha absolutamente nenhuma construção que não tivesse sido construída pela iniciativa e anseio pelo progresso de sua sociedade.

No jornal Onze de Junho, dizia que “o desenvolvimento de Pelotas devia-se à dedicação honrosa dos seus industriais, e que graças à iniciativa dos naturais da terra a cidade pode ser modelada segundo o gosto da arte moderna e que com suas ruas rigorosamente paralelas, com seus elegantes palacetes, pode ser considerada um precioso exemplar para futuras povoações”.  (44)

Durante a década de 1880, a alta sociedade começou a freqüentar clubes sociais, à maneira dos clubes ingleses. Criam-se novas atividades econômicas, intensificam-se as operações de créditos e as transações bancárias, gerando um grande centro lucrativo na Província até os primeiros anos da República, alimentando o luxo rio-grandense.

No final da década de 1890, a indústria saladeril começou a entrar em declínio, principalmente por dois motivos: a Revolução Federalista de 1893 que inviabilizou o comércio de gado e por causa do surgimento dos frigoríficos. As atividades econômicas que substituíram as charquedas não tiveram força suficiente para sustentar os mesmos luxos e manter os mesmos padrões de vida da sociedade de outrora.

Ao longo da primeira metade do século XX, Pelotas começa a ceder espaço para outras cidades da região, e principalmente para a capital Porto Alegre, no que diz respeito ao culto às letras, artes e ciência. Por força da tradição, Pelotas consegue manter a imagem da cultura e da aristocracia, mas não mais a da opulência e riqueza. Nas primeiras décadas da Belle Époque, Pelotas revela grandes personalidades para o mundo intelectual, mantendo a sua imagem de capital da cultura e escondendo os problemas econômicos. “A partir de então, em termos culturais, sobreviverá em Pelotas o que se poderia chamar de miragem no declínio: uma espécie de mito, uma utopia, um auto-convencimento de que ainda se mantém a liderança intelectual”. (45)

Sal e Açúcar

Uma cidade pode ser considerada um paraíso e ser reconhecida pela irradiação de sua cultura e refinamento, pelo alto grau de “civilização”, mas por outro lado, pode esconder seu inferno, onde se encontram as barbáries, as diferenças sociais, as injustiças. Pode se olhar no espelho, e a imagem que é refletida nem sempre é aquela que se deseja.

E isso aconteceu em Pelotas, onde a cidade real era diferente daquela desejada e que permanecia no imaginário de sua população. Conhecida como a terra do doce, de opulência e cultura, de riqueza e luxo, representava um pouco da Europa no sul do Brasil e ao mesmo tempo escondia a salgada dor da origem de toda essa riqueza, que provinha da economia dos saladeiros e charqueadores que exploravam a mão-de-obra escrava. A civilização “se sustentava no suor do negro, na punição do escravo, na faca assassina, na degola do boi, no arroio tinto de sangue, no cheiro de carniça, nas mantas de carne sob o calor do sol”. (50)

Aqui vivia uma civilização do sal, mas que buscava de todas as maneiras adoçar a imagem refletida no espelho. Assim, “europeizar-se” era uma solução. A elite emergente buscava adoçar a mente e o espírito, além do adoçar realmente o paladar, dando origem a principal característica da cidade, que a faz ser reconhecida por todo o país. A imagem criada pela aristocracia permanece até hoje. Não é a toa que Pelotas é conhecida como a Capital Nacional do Doce.

Conclusão

Embora no final da Primeira Guerra Mundial a economia francesa tenha entrado em declínio, sua representação como centro cosmopolita permanecia no imaginário. Depois da Segunda Guerra, devido a diversos fatores, o Brasil começou a absorver a cultura dos Estados Unidos, que surgiu então como uma grande potência mundial. A chamada globalização passou a dar mais espaço para a cultura americana junto ao público brasileiro.

Mas globalização também facilita o contato da cultura e identidade brasileira com o resto do mundo. “O ano de 2005 é o ano do Brasil na França. Essa foi uma iniciativa dos governos dos dois países, organizado no Brasil pelo Ministério da Cultura e pelo Ministério de Relações Exteriores e na França pelo Comissariado Francês, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Cultura e da Comunicação e pela Associação Francesa de Ação Artística. Esse evento foi criado para que franceses e turistas de todo o mundo conheçam mais sobre a riqueza e diversidade da cultura brasileira. São mais de 300 projetos culturais e várias atrações turísticas e comerciais”. (51)

Após este período de influências e modelos franceses, o Brasil, apesar do apelo americano, começa a buscar a sua própria identidade, defendendo as suas raízes e conseguindo produzir uma cultura própria e original. Uma cultura que teve suas origens européias e africanas, mas que hoje em dia podemos chamar de brasileira e que tenta se mostrar para o mundo.

O mito da origem ainda está presente entre os pelotenses. A criação da nossa identidade social, cultural e intelectual foi plenamente influenciada pelos princípios europeus, e podemos dizer pelos franceses, e está baseada em duas palavras antagônicas: sal e açúcar. As evidências da cidade do passado não estão presentes apenas nos casarões que restam espalhados pelo centro urbano, ou nas charquedas que ainda estão de pé. O ensino da língua francesa não é mais obrigatório nos colégios, mas existem três universidades na cidade. O hábito dos cafés e confeitarias, dos cinemas, dos bailes nos clubes sociais, da busca pela cultura continua. Até hoje, na arquitetura, podemos observar elementos do neoclássico em construções contemporâneas, como que se buscasse no passado algo “luxuoso e pomposo” para o presente. Mas o passado também se mostra através da pobreza e na exclusão social, principalmente dos negros, que vivem nos bairros na periferia da cidade.

O processo de construção da identidade está intimamente influenciado pelo imaginário social.  A sociedade pelotense criou uma representação de si, utilizando o doce como referência. O doce é um símbolo da cidade, escondendo muitas vezes o sal e as injustiças. E é essa a imagem que permanece de Pelotas até hoje. Conhecida pela terra do doce, tenta esconder seu lado salgado. Em meio a crises econômicas, a sociedade que nunca se acostumou sem o luxo busca encontrar a sua própria identidade.

notas

1
MAGALHÃES, Mário Osório, Opulência e Cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890). Pelotas, EdUFPel: Co-edição Livraria Mundial, 1993, p. 9.

2
BOSISIO, Arthur; Mário Osório e Raul Lody. A doçaria tradicional de Pelotas. Rio de Janeiro, Ed. Senac Nacional, 2003, p.26.

3
PESAVENTO, Sandra Jatahy. O imaginário da cidade: visões literárias do Urbano – Paris, Rio de Janeiro, Porto Alegre. Porto Alegre, Ed. Universidade/UFRGS, 1999, p. 39.

4
BANDEIRA, Júlio. Missão Francesa: uma colônia de bonapartistas. In: Revista História Viva, 2005, N.9, p. 39.

5
SILVA, Geraldo Gomes da. Arquitetura do ferro no Brasil. São Paulo, Nobel, 1987, p.85.

6
RIVAS, Pierre. Disponível em: http://busca.estadao.com.br/ext/frances/dossiep5.htm. Acesso em 02/10/2005.

7
BANDEIRA, Júlio. Op. Cit. 2005, p. 40.

8
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Op. Cit. 1999, p. 90.

9
MEIRA, Ana Lúcia. O passado no futuro da cidade. Porto Alegre, UFRGS, 2004, p. 80.

10
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Op. Cit. 1999, p. 32.

11
MEIRA, Ana Lúcia. Op. Cit. 2004, p. 80.

12
PESAVENTO. Op. Cit. 1999, p. 38.

13
Idem, ibidem, p. 31.

14
HUGO, Victor, 1985, p. 130. In: PESAVENTO, Sandra Jatahy. Op. Cit. 1999, p. 79.

15
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Op. Cit. 1999, p. 90.

16
Idem, ibidem, p. 90.

17
ROLLAN, Denis. A crise do modelo francês - a França e a América Latina: cultura, política e identidade. Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 2005, p. 108-109.

18
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Op. Cit. 1999, p. 165.

19
ROLLAN, Denis. Op. Cit. 2005, p. 118.

20
SARMIENTO, Domingo F, 1956. In: ROLLAN, Denis. Op. Cit. 2005, p. 63.

21
FREYRE, Gilberto, 1948. In: SILVA, Geraldo Gomes da. Op. Cit. 1987, p.90.

22
MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 35.

23
DREYS, Nicolau, 1839. In: MAGALHÃES, Mário Osório. Pelotas a toda prosa – 1o volume (1809-1871). Pelotas, Armazém Literário, 2000, p. 92.

24
MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 52.

25
Carl Seidler era alemão e desembarcou no Rio de Janeiro em 1825 sem propósitos definidos.

26
MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 53.

27
GUTIERREZ, Ester J. B. Barro e sangue: mão-de-obra, arquitetura e urbanismo em Pelotas 1777-1888. Pelotas, UFPel, 2004, p. 155.

28
MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 140.

29
ANJOS, Marcos Hallal dos. Estrangeiros e Modernização: a cidade de Pelotas no último quartel do século XIX. Pelotas, UFPel, 2000, p. 138.

30
NASCIMENTO, Heloísa Assumpção. Nossa cidade era assim. Vol. 2. Pelotas, Mundial, 1994, p. 81.

31
ROLLAN, Denis. Op. Cit. 2005, p. 38.

32
MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 122.

33
SAINT –HILLAIRE, Auguste. Viagem ao Rio Grande do Sul, p. 79.

34
MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 257.

35
Idem, ibidem, p. 233.

36
Idem, ibidem, p. 134.

37
EU, Conde D’, 1936. IN: ANJOS, Marcos Hallal dos. Op. Cit. 2000.

38
GUTIERREZ, Ester. Op. Cit. 2004, p. 306.

39
NASCIMENTO, Heloísa Assumpção. Nossa cidade era assim. Crônicas publicadas na imprensa nos anos de 1980 a 1987. Vol. 1. Pelotas, Mundial, 1989, p. 81.

40
SANTOS, Carlos Alberto Ávila. Espelho, máscaras, vitrines: estudo iconológico de fachadas arquitetônicas. Pelotas 1870-1930. Pelotas, Educat, 2000, p 46.

41
WEIMAR, Günter In: SANTOS, Carlos Alberto Ávila. Op. Cit. 2000, p. 48.

42
SANTOS, Carlos Alberto Ávila. Op. Cit. 2000, p. 40.

43
GUTIERREZ, Ester. Op. Cit. 2004, p. 314.

44
Jornal Onze de Julho. In: MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 112.

45
MAGALHÃES, Mário Osório. Op. Cit. 1993, p. 297.

46
BEUX, Armindo. Op. Cit. 1976, p. 86.

47
OSÓRIO, Fernando. A cidade de Pelotas. Vol. 1. Pelotas: Armazém Literário, 1997, p.128.

48
BETEMPS, Leandro. Op. Cit. 1999.

49
Idem, ibidem.

50
BOSISIO, Arthur. Op. Cit. 2003, p. 26.

51
Informações obtidas no site oficial do Ano do Brasil na França - www.anobrasilfranca.com.br.

52
Prefeitura Municipal, edificado em 1880 com responsabilidade de  Romualdo de Abreu e Silva e o  Construtor Carlos Zanotta, e Biblioteca Pública, projetada por Izella e construída entre os anos de 1878 e 1888 por Mantel Jorge Rodrigues. Entre os anos de 1911 e 1913 a construção da Biblioteca foi ampliada para duas plantas por Caetano Casaretto.

sobre o autor

Glenda Dimuro Peter é Arquiteta e Urbanista formada pela Universidade Católica de Pelotas/RS em 2003. Especialista em Conservação de Patrimônio em Centros Urbanos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2005. Atualmente é Doutoranda do  Departamento de Arquitectura, Teoría y Composición Arquitectónica, no Programa Arquitectura, Patrimonio y Medio Ambiente: investigación, reflexión y acción, na Universidad de Sevilla/Espanha e aluna do Master en Ciudad y Arquitectura Sostenible, da mesma Universidade.

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