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architexts ISSN 1809-6298


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Os autores apresentam o projeto de renovação para a Nova Rua Xisi Bei, no núcleo antigo de Pequim, do escritório espanhol Nred, através do conceito de "reciclagem", recuperanado a área sem perder suas constantes fundamentais


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MASSAD, Fredy; GUERRERO YESTE, Alicia. Capacidade de reciclagem. Arquitextos, São Paulo, ano 08, n. 087.09, Vitruvius, ago. 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.087/224>.

Depois de muito tempo de depredação e descuido, e tendo-se perdido grande parte do traçado urbano original de Pequim, a preservação do centro antigo da cidade se constituiu recentemente um assunto prioritário para as autoridades locais e governamentais chinesas. Em 2006, o governo promoveu o desenvolvimento de indústrias criativas que ativassem essas áreas urbanas em declínio, que tiveram de enfrentar-se às dificuldades e limitações impostas pelas pretéritas restrições a qualquer tipo de renovação.

A equipe espanhola Nred (2), dirigida por Magüi González e José Antonio Sosa, foi uma das convidadas a desenhar uma proposta de renovação para a Nova Rua Xisi Bei, uma das vinte e cinco áreas protegidas do núcleo antigo de Pequim. Para os escritórios participantes o desafio desta proposta consistia em afrontar essas restrições e superá-las através de seu projeto, conseguindo definir uma proposta global para toda a área de Xisi Bei e uma solução específica para uma das nove parcelas em que a zona está dividida. Trata-se de uma iniciativa que não conta com referentes dentro do âmbito, senão de uma proposta que as autoridades propõem a partir de um olhar para estratégias ocidentais de renovação urbana. O concurso convocava a arquitetos europeus e asiáticos sob o lema “Regenerar, Restaurar, Renovar”. Entre os participantes se encontravam Rem Koolhaas, ASA Studio Albanese, Odile Decq, Studio Pei Zhu, NAP Architects.

Nred propuseram um projeto baseado num conceito que distingue sua prática arquitetônica, o de “Reciclagem”, no qual subjaz também sua concepção acerca da importância de ter em conta a paisagem urbana. Interpretam o conceito “reciclagem” como o ato de injetar nova energia no antigo, começar um novo ciclo, mediante um processo de integração. Sob este conceito desenvolveram projetos como a reabilitação das Casas Consistoriais, as intervenções no Gabinete Literário e no Teatro Pérez Galdós e a Casa Ruíz (todos eles em Las Palmas, Grã Canária).

Aquilo entendido como antigo neste processo de reciclagem proposto para Pequim são os hutong – as ruelas do centro antigo da cidade formadas por alinhamentos de siheyuan, habitações tradicionais com um pátio central –, a alusão aos elementos da paisagem natural, a disposição original do solo; e o novo é a energia que dinamiza a cidade contemporânea e sua vocação de transformação. Este conceito de reciclagem significa não se ater à conservação nostálgica e recreacionista de uma área viva da cidade, mas realizar uma leitura profunda dos traçados deixados pelo passado rural, não tão distante no tempo histórico de Pequim, que deu origem à urbanização desta área e mantendo as constantes vitais que com clareza foram ficando impregnadas nela. A atuação de Nred nasce recorrendo aos modos ancestrais de distribuição da terra definidos pelos usos agrícolas (a arquitetura geométrica do arroz, o padrão estriado dos campos de cultivo, as veredas, a orientação do sol), origem do tecido urbano, das casas de terra escavada… “Desejaríamos que o projeto tornasse visível aquela estrutura profunda, que construísse de novo aquelas tramas”, explicam. “O espaço urbano pode se redefinir e transformar-se colocando em evidência ordens ocultas quando se sobrepõem, sobre sua massa fragmentada e heterogênea, determinados momentos referenciais”.

A proposta surge de trabalhar com precisão para recuperar a área sem que se percam suas constantes fundamentais, recorrendo a conceitos capazes de traspassar culturas; enfrentando-se a uma forma de ser complexa de decifrar, à qual o presente globalizado nos coloca frente a frente. A intervenção de Nred vai além dos clichês de ação dos conceitos arquitetônicos que se aplicam nas metrópoles globais, dos que de fato partiam esta convocatória de desenvolvimento de idéias – sugerindo a possibilidade de fazer da zona um grande espaço comercial para assinaturas de moda de primeira linha – e recorre a desenvolver sua proposta a partir da aplicação de alguns conceitos de operação locais que lhes permitem articular um olhar poético, fruto do encontro sensível de uma cultura com os aspectos essenciais de outra.

O projeto de Nred é evidência da importância fundamental que ações arquitetônicas em pequena mas decisiva escala, podem ter nas grandes metrópoles asiáticas contemporâneas. O conceito de intervenção proposto por González e Sosa se destaca por evitar comprometer-se em acatar insensivelmente as dinâmicas do progresso, que no caso chinês resultam especialmente intensas, velozes e de conseqüências muito complexas – encarnando a forma de progresso que pode qualificar-se de ‘violência da modernização’, como expressa o poeta chinês Xi Chuan –. Evitam concentrar-se em produzir um novo âmbito urbano cuja única função se reduza a constituir uma área comercial, e com isso evitam fazer de sua intervenção a criação de uma capa protética sobreposta ao tecido da cidade. O resultado de seu projeto faz da Nova Rua Xisi Bai “uma seqüência de espaços públicos concatenados pela lógica de conservação e pelo desejo de gerar novos espaços sociais. Uma seqüência espacial composta de contrações e expansões, ao longo da qual se vão encadeando novos usos. Os novos centros criativos são espaços diáfanos, contingentes, espaços abertos onde ocorre a criação, a produção artística, a exposição, o comércio, onde caibam as lojas de marcas de primeira linha junto à produção artesanal ou à indústria da criação. Os volumes se ordenam seguindo a trama geométrica dos antigos cultivos de arroz, mas sua geometria, perfeitamente reconhecível, quer ser flexível, se adapta, se curva como se fosse modelada com as mãos, para ajustar-se sem violência à trama de casas existente”.

O resultado é a formação de uma intervenção não impositiva, mas potencialmente reativa: criam as condições para a emergência de um novo funcionamento que atualize de forma específica as estruturas e atividade desta zona de Pequim, porém não forçando-a a uma definição estabelecida e sim constituindo uma base que permita paulatina e fluidamente a renovação da área e articule sua integração ao tecido total da capital, logrando desta forma um sólido exercício de preservação e restituição da memória dentro de um âmbito urbano em processo de mutação.

notas

1
Artigo publicado originalmente em Diario de ABC, 11 ago. 2007.

2
Ver www.nred-arquitectos.eu

[tradução Ivana Barossi Garcia]

sobre o autor

Fredy Massad e Alicia Guerrero Yeste, titulares do escritório ¿btbW, são autores do livro “Enric Miralles: Metamorfosi do paesaggio”, editora Testo & Immagine, 2004.

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