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Graziella Demantova e Emília Rutkowski discutem o que é sustentabilidade urbana, através da relação efetiva entre a sociedade e o meio físico-natural, buscando estratégias que promovam a conservação ambiental e o bem-estar humano


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DEMANTOVA, Graziella; RUTKOWSKI, Emília Wanda. A sustentabilidade urbana:. Simbiose necessária entre a sustentabilidade ambiental e a sustentabilidade social. Arquitextos, São Paulo, ano 08, n. 088.07, Vitruvius, set. 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.088/210>.

Hoje a sustentabilidade é ponto central nas discussões sobre o futuro das cidades, porque não se reclama apenas pelo direito à cidade, as reivindicações sociais e preocupações de estudiosos do espaço urbano, estão centradas também no direito às cidades sustentáveis.

Porém as questões que envolvem a problemática ambiental urbana, com exceção de algumas ações pontuais, ainda não apresentam soluções claras e consistentes na requalificação da qualidade de vida e dos espaços construídos. Apesar dos avanços no desenvolvimento de metodologias de avaliação de impactos ambientais e da crescente compreensão dos processos que causam degradação ambiental, ainda não existe um consenso sobre o que é a sustentabilidade urbana porque ainda falta o essencial, a compreensão do que ela é de fato e não o que deve ser.

Apesar da ampla divulgação da concepção de desenvolvimento sustentável (DS) a partir de 1987, com o Relatório Brundtland (“Nosso Futuro Comum” – WCED) onde foi definido que este é “aquele que responde as necessidades do presente de forma igualitária mas sem comprometer as possibilidades de sobrevivência e prosperidade das gerações futuras” (2), poucas foram as reflexões para melhor entender a efetiva relação da sociedade com o meio físico-natural. Como resultado, ainda existem importantes questões na discussão da sustentabilidade urbana que precisam ser respondidas para que seja possível melhor entender: para quem ela deve ser construída e como é possível incorporar a dinâmica social de uso e produção do espaço em estratégias integradas que promovam a conservação ambiental e o bem-estar humano.

Parece difícil ler, falar de DS nas cidades e não refletir com certo estranhamento quando pouco se fala das pessoas e do lugar onde residem e trabalham. Parece apenas interessar no debate a riqueza natural e nela não se incluem as pessoas. Como conseqüência, estudos e ações que têm como objetivo principal a promoção do desenvolvimento sustentável urbano acabam, muitas vezes, desconsiderando as relações sociais e o espaço no qual estas se reproduzem. Porém para Rodrigues “A aplicação ‘prática’ do(s) conceito(s) de Desenvolvimento Sustentável ou Sociedade Sustentável só podem ser exeqüíveis se concretizadas no espaço” (3).

Dentro desse contexto surge o questionamento: desenvolvimento sustentável para quem e onde? Para Henri Acselrad (4) o desenvolvimento sustentável é um objetivo que ainda não se conseguiu apreender, e por isso, segundo o autor, como é possível definir algo que não existe? O fato é que a partir da difusão do conceito de DS, diversos outros foram desenvolvidos para o tratamento da problemática ambiental, principalmente a urbana. Pelo fato de não haver um consenso sobre a definição do conceito, Ascerald provoca a discussão dizendo que as diferentes representações e valores que vêm continuamente sendo associados à noção de sustentabilidade “são discursos em disputa pela expressão que se pretende a mais legítima. Pois a sustentabilidade é uma noção a que se pode recorrer para tornar objetivas diferentes representações e idéias” (5).

Para Arlete Moysés Rodrigues (6) a agregação das palavras desenvolvimento e sustentável é um paradoxo. Isso porque quando se fala em desenvolvimento, o mesmo não tem limites tendo em vista que a cada estágio que se alcança, ainda se pode avançar mais. O paradoxo é que sustentável, segundo argumentação da autora, significa manutenção das condições.

Outra consideração feita por Rodrigues é a de que os recursos a serem preservados e/ou conservados são destinados à gerações futuras, deixando de atender as gerações presentes (7). Porém a manutenção de um ambiente ecologicamente equilibrado depende do uso que se faz do mesmo no presente. Não é possível preservar algo para o futuro, sem que exista envolvimento da sociedade presente, já que é esta que se relaciona com o meio, ou melhor, com o espaço, na construção do futuro desejado. Para Guillermo Folladori (8) “o conceito de sustentabilidade associado ao desenvolvimento sustentável inclui não só chegar às futuras gerações um mundo material (biótico e abiótico) igual ou melhor ao atual, se não, também, uma equidade nas relações intrageneracionais atuais“.

Para Folladori “Não se pode pensar a equidade se a sociedade é analisada como uma unidade. Tampouco, medir a equidade se são utilizadas medidas que ocultam as diferenças sociais” (9). Um dos problemas advindos da utilização dos princípios do discurso clássico de desenvolvimento sustentável, é que ao se pensar em uma geração futura, ela se torna abstrata, uma unidade desconhecida, homogênea, o contrário do que é necessário para discussão e proposição de medidas que melhorem o grau de sustentabilidade presente. Porém, as políticas, planos, programas, metodologias e instrumentos de ordenamento do território foram, na sua grande maioria, elaborados baseados no conceito de desenvolvimento sustentável de 1987 e suas derivações.

Dificultando ainda mais o entendimento da problemática ambiental urbana, muitas das análises ambientais do espaço urbano, utilizam instrumentais metodológicos e matrizes discursivas (10) de outras ciências como a biologia e a economia, que dificultam e até não permitem a compreensão real da complexidade que envolve a produção e organização espacial do espaço urbano, comprometendo assim a manutenção e/ou melhoria da sustentabilidade das cidades.

Além destas considerações, a utilização de apenas uma disciplina ou ciência como base teórica para a discussão da sustentabilidade já é um começo equivocado em função da natureza do conceito de sustentabilidade ser “forçosamente interdisciplinar”, dse acordo com o argumento de Folladori (11). Por isso é importante compreender que as variáveis críticas que controlam a saúde e o funcionamento de um ecossistema, contribuindo na manutenção da sustentabilidade, apenas podem ser determinadas integrando informações das ciências naturais e sociais.

Porém, ainda persiste a visão simplista sobre o espaço urbano, onde é analisada apenas a estrutura física contida dentro de limites administrativos (edificações, malha viária, acidentes geográficos, disposição espacial de usos do solo, redes de equipamentos de infra-estrutura e serviços urbanos sociais). Constata-se então a necessidade primeira de uma mudança da visão/ percepção sobre o que é o espaço urbano e das metodologias de análise espacial das cidades utilizadas. Tal atitude é necessária para que seja possível não mais olhar as cidades como sendo um espaço absoluto (estritamente físico), mas sim um espaço relativo (social e integrado aos recursos e processos ecológicos), no entendimento de que este é o caminho inicial para a construção de um processo de sustentabilidade urbana.

Assim será possível compreender que a sustentabilidade urbana, para além da qualidade e quantidade de recursos naturais, depende da qualidade e integração do espaço construído com os recursos naturais (adequação de formas e funções às necessidades sociais e características naturais). Roberto Luis de Monte-Mór (12) defende a idéia de que a sustentabilidade no espaço urbano tem relação direta com o grau de permeabilidade e integração entre o espaço natural e o espaço social, centrados na conservação das condições ecológicas adequadas às distintas comunidades.

Compartilhando a defesa da mudança de abordagem Prescott-Allen (13) afirma que para a realização de uma análise consistente da sustentabilidade é necessário conhecer a combinação de bem-estar humano e ecológico, indo de encontro ao entendimento de Monte-Mor acerca da sustentabilidade urbana. Para Prescott-Allen “uma sociedade está mais próxima de ser sustentável se sua condição (bem-estar) é alta, e o estresse (oposto do bem-estar ambiental) sobre o sistema ecológico é baixo” (14).

Com base nestas discussões é proposto que a sustentabilidade urbana seja construída através de uma simbiose entre sustentabilidade social (bem-estar humano alcançado pelo acesso indiscriminado aos serviços de ecossistemas ofertados – de provisão, de regulação, de suporte e culturais) e sustentabilidade ambiental (gestão adequada de ecossistemas).

Dentro desse contexto pode-se dizer que a promoção da qualidade de vida urbana depende muito, de acordo com Rogers, do entendimento de que as questões ambientais não diferem das questões sociais, porque na realidade “as soluções ecológicas e sociais se reforçam mutuamente e garantem cidades mais saudáveis, cheias de vida e multifuncionais” (15). Ou seja, é urgente o entendimento de que não é mais possível dissociar a questão ambiental da social nas discussões sobre sustentabilidade e problemática ambiental urbana.

No mesmo sentido, Anne Whiston Spirn (16) argumenta que os administradores e planejadores públicos devem compreender a cidade como parte da natureza, sem fragmentá-la. Devem projetá-la de acordo com os processos naturais, aproveitando as potencialidades da natureza “para a conformação de um habitat urbano benéfico”. Porém a mesma autora acrescenta, que o valor da natureza só será apreciado e incorporado no momento em que todo o ambiente urbano for considerado como um único sistema interativo (17).

Caminhando nesse sentido, algumas mudanças possíveis já foram delineadas e colocadas no documento Cidades Sustentáveis – Subsídios à Elaboração da Agenda 21 Brasileira elaborado no ano 2000. Nesta ocasião foram apontadas quatro estratégias de sustentabilidade urbana, com propostas de ação para cada uma delas, identificadas como prioritárias para o desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras:

  1. "Aperfeiçoar a regulamentação do uso e ocupação do solo urbano e promover o ordenamento do território, contribuindo para a melhoria das condições de vida população, considerando a promoção da equidade, a eficiência e a qualidade ambiental;
  2. Promover o desenvolvimento institucional e o fortalecimento da capacidade de planejamento e gestão democrática da cidade, incorporando no processo a dimensão ambiental urbana e assegurando a efetiva participação da sociedade;
  3. Promover mudanças nos padrões de produção e consumo da cidade, reduzindo custos e desperdícios e fomentando o desenvolvimento de tecnologias urbanas sustentáveis;
  4. Desenvolver e estimular a aplicação de instrumentos econômicos no gerenciamento dos recursos naturais visando a sustentabilidade urbana” (18).

Porém existem alguns entraves que dificultam o rearranjo espacial das cidades, segundo Krebs (19), em função da “obediência irrestrita aos princípios ditados pelo urbanismo funcionalista que ao fragmentar demasiadamente o espaço e o tempo urbano, de acordo com funções predeterminadas faz com que em muitas áreas da cidade certos equipamentos ou amenidades não façam o menor sentido, pois, pelas circunstâncias urbanísticas impostas ou inexistentes, carecem de usuários para delas se servirem”. Além disso a autora ainda aponta a questão da “carência de recursos financeiros para a realização de pequenas medidas de construção da urbanidade, reforçada por uma cultura segundo a qual somente grandes obras resolverão os problemas urbanos” (20).

Além da conscientização e clareza dos conceitos que fundamentam as análises espaciais do espaço urbano, se faz necessária a elaboração de novas estratégias para o desenho da paisagem que promovam arranjos espaciais (forma e conexão) capazes de manter a gestão adequada dos processos ecológicos (sustentabilidade ambiental) e a oferta indiscriminada de seus serviços à população (sustentabilidade social). Os planejadores, engenheiros, arquitetos e urbanistas, devem considerar em seus projetos a identidade natural e vocação do lugar (não só físico-ambiental mas social também), de modo a ajustar a cidade e seus espaços construídos na paisagem.

Para isso devem entender que o meio ecológico é um tipo de infra-estrutura existente que desempenha importantes e diferenciadas funções para a manutenção e melhoria da sustentabilidade urbana. Existem inúmeros serviços de ecossistemas que podem ser ofertados para ampliar a preservação ambiental nas cidades e promover o bem-estar humano, enquanto uma estratégia integrada de conservação ambiental, que resulta na necessária simbiose entre sustentabilidade ambiental e social.

De acordo com a Avaliação Ecossistêmica do Milênio – AEM (“Millennium Ecosystem Assessment” – MEA) (21) existem quatro categorias de serviços de ecossistemas que influenciam o bem-estar humano: serviços de provisão (alimentos, água, madeira e fibras); serviços reguladores (que afetam climas, inundações, doenças, resíduos e a qualidade da água); serviços culturais (que fornecem benefícios recreacionais, estéticos e espirituais); e serviços de suporte (formação do solo, fotossíntese e ciclo de nutrientes).

Dentro destas quatro categorias de serviços de ecossistemas existem muitos outros que podem ser derivados, principalmente se pensarmos no contexto urbano. Per Bolund e Sven Hunhammar argumentam que “Também existe a presença de ecossistemas naturais dentro dos limites das cidades. Os ecossistemas naturais urbanos contribuem para a saúde pública e para o aumento da qualidade de vida dos cidadãos urbanos, tendo como exemplo a melhoria da qualidade do ar e a redução de barulho” (22).

Além disso, se levarmos em consideração que “A maioria dos problemas urbanos são gerados localmente [...] o único jeito de lidar com esses problemas locais é através de soluções locais. A esse respeito, os ecossistemas urbanos são vitais” (23). Por esse motivo não devem ser padronizados os usos e desenhos (forma e conexão) dos projetos de reabilitação das estruturas ambientais pois em cada localidade existem diferentes tipos de serviços ecossistêmicos influenciando a qualidade de vida e a preservação dos recursos naturais e processos ecológicos.

Para Per Bolund e Sven Hunhammar “os serviços de ecossistêmicos gerados localmente têm tem um impacto substancial na qualidade de vida nas áreas urbanas e devem ser adicionados no planejamento de uso da terra” (24).

Em sua avaliação, os autores (25) definem sete tipos diferenciados de serviços de ecossistemas para as áreas urbanas, mas argumentam que ainda dentro destes possam ser derivados outros também importantes: (i) árvores urbanas, nas ruas (street trees), que são árvores posicionadas sozinhas, muitas vezes circundadas por pavimento em volta; (ii) gramado (lawns) e playground e outras áreas verdes manejadas; (iii) parques (parks), podem estar incluídos neste grupo campos de golfe por exemplo; (iv) florestas urbanas (urban forests) que são as áreas menos manejadas com árvores dispostas mais densamente do que nos parques; (v) terras cultivadas (cultivated land) e jardins que são utilizados para cultivar vários tipos de alimentos; (vi) terras alagadas (wetlands) de todos os tipos e pântanos e; (vii) lagos (lakes), mar (sea) e riachos (streams) que dizem respeito à áreas abertas de água.

Apesar da possibilidade de serem utilizados em todo tipo de cidade, os autores acham importante frisar que os benefícios e tipos de serviços variam em função do clima, tamanho das cidades entre outros fatores intervenientes. E ainda segundo eles, “É possível contudo, colocar mais ecossistemas urbanos ou elementos em alguma das categorias mencionadas acima”, por exemplo existem áreas dentro da cidade, como depósito ou áreas abandonadas de jardins que também podem conter populações significantes de plantas e animais e deve-se aproveitar tal potencial para a execução dos projetos.

Além de conhecer os tipos de serviços de ecossistemas que podem ser utilizados nas cidades de modo a ampliar a preservação ambiental e a qualidade de vida dos habitantes, é importante saber também como utilizá-los. Existem projetos de natureza e escalas diferenciadas que conseguem utilizar os valores ecológicos para o alcance de tais objetivos. Dentre eles destacam-se quatro principais: parkways (caminhos com largura considerável, com vegetação, contemplando diversas modalidades de transportes, conectadas aos parques), blueways (caminhos azuis, normalmente associados a cursos d´água, com passeio de pedestre e ciclovias), greenways (caminhos verdes que têm o mesmo sentido do primeiro, mas não necessariamente ligado a cursos d’água, possuindo a característica de conectar porções de terras lineares com usos múltiplos ao longo do percurso sempre com foco no bem-estar humano e na preservação ambiental) e a green-infraestructure (infra-estrutura verde que são porções de terra, desde de jardins de chuva até redes regionais de espaços abertos). Esta última categoria, ainda conecta um lugar ao seu contexto bioregional e integra funções ecológicas e sociais ao desenho da estrutura, auxiliando na promoção da sustentabilidade urbana. Alguns dos serviços de ecossistemas que podem ser obtidos com o desenho e implementação da infra-estrutura verde são: regulação micro-climática, redução de ruídos, drenagem de águas pluviais, tratamento de esgoto, e promoção de valores culturais e recreacionais.

Mas, ainda se faz necessária uma melhor compreensão do potencial de uso deste tipo de infra-estrutura e uma mudança de estratégia no desenvolvimento e execução de projetos que consigam alterar o funcionamento dos ecossistemas na melhoria ou manutenção da sustentabilidade urbana. A criação de caminhos verdes ou de infra-estrutura verde tem o potencial de ser uma ferramenta ecológica para a saúde ambiental, social e econômica, resumida no sistema natural de suporte de vida (26). O objetivo principal da criação de ambos é buscar o ajuste ideal entre recursos naturais e sociais, com estratégias de conservação adequadas ao lugar, de modo a promover o desenvolvimento necessário e equilibrado. As principais iniciativas nesse sentido vêm sendo realizadas principalmente nos Estados Unidos e na Europa com a criação dos caminhos verdes (greenways) ou da infra-estrutura verde (green-infraestructure).

É chegado o tempo dos estudiosos e profissionais do espaço urbano (elementos físico-naturais e sociais) compreenderem que a importância da manutenção e do equilíbrio do meio ambiente urbano não é conseguida apenas com práticas preservacionistas dos processos ecológicos e da biodiversidade,tão difundida com o conceito de desenvolvimento sustentável de 1987. Tal meta também não é alcançada com o embelezamento das cidades apenas com práticas paisagistas, quase sempre não funcionais. É preciso buscar o ajuste necessário entre recursos naturais e espaço construído (vivido) no atendimento dos anseios da sociedade pela produção de espaços que desempenhem usos adequados e promovam assim o bem-estar de seus habitantes.

Além da necessidade de se repensar e projetar o espaço urbano integrando os recursos naturais e sociais, pela mudança da visão de espaço absoluto até então adotada, se faz necessária também outra integração na esfera política, entre os instrumentos jurídicos ambientais e urbanísticos na tentativa de se alcançar a sustentabilidade das cidades.

Apesar de ambos os instrumentos possuírem objetivos essenciais para que se inicie o processo da sustentabilidade desejada, o primeiro tem como objetivo imediato à proteção e defesa do meio ambiente e o segundo a ordenação e planejamento do espaço urbano (27). Cada um tem especial participação no alcance da sustentabilidade social e da sustentabilidade ambiental apresentadas. A defesa e proteção do ambiente é exigência primeira para a gestão adequada de ecossistemas que possam ofertar serviços diferenciados na promoção do bem-estar humano. Porém ela só pode ser alcançada se a ordenação do espaço urbano for direcionada também para este objetivo.

Quando aqui se defende que a sustentabilidade urbana pode ser alcançada pela simbiose entre sustentabilidade social e ambiental, sugere-se então repensar e propor novas abordagens que fundamentem a elaboração de tais instrumentos de modo que os municípios efetivamente protejam e defendam não só a qualidade ambiental, mas também e de forma integrada, a qualidade de vida de seus habitantes pelo grau de bem-estar adquirido. E assim acredita-se ser possível reverter o quadro geral dos municípios brasileiros onde a produção do espaço ainda possui uma dinâmica independente dos planos e programas de desenvolvimento implementados (sustentáveis ou não), que se baseiam no que a cidade (28) deve ser e não no que ela é.

notas

1
O conteúdo desse texto é parte da fundamentação teórica elaborada para o exame de qualificação de doutorado apresentado à comissão de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC-UNICAMP), como parte dos requisitos para a obtenção do título de doutor em engenharia civil, na área de concentração de Saneamento e Ambiente, que foi aprovado em 13 de dezembro de 2006.O título da tese é: “As Redes Ambientais e a Sustentabilidade Urbana: diversidade e a conexão entre pessoas e lugares”.

2
BRUNDTLAND, Gro Harlem. Our common future (”The brundtland report”). United Nations, World Commission on Environment and Development, abr. 1987.

3
RODRIGUES, Arlete Moysés. “O meio ambiente urbano: algumas proposições metodológicas sobre a problemática ambiental”. In SILVA, José Borzacchiello da; COSTA, Maria Clélia Lustosa; DANTAS, Eustógio Wanderley C. (Org.). A cidade e o urbano: temas para debates. Fortaleza, EUFC, 1997, p. 101.

4
ACSELRAD, Henri. A duração das cidades: sustentabilidade e risco nas políticas urbanas. Coleção espaços do desenvolvimento. Rio de Janeiro, P&A Editora / CREA-RJ, 2001. p. 101.

5
Idem, ibidem, p. 101.

6
RODRIGUES, Arlete Moysés. “Meio ambiente e desenvolvimento”. In Curso de Gestão Urbana e de Cidades. EG/FJP WBI LILP ESAF IPEA Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho. Belo Horizonte – Brasil, 2001. Acessado em 08/11/2006 no endereço eletrônico: <www.eg.fjp.mg.gov.br/gestaourbana/arquivos/modulo07/mod7arq10.html>.

7
Idem, ibidem.

8
FOLADORI, Guillermo. “Sustentabilidad ambiental y contradicciones sociales”. In Ambiente & Sociedade. Ano II, n. 5, 2º, 1999, p. 32.

9
Idem, ibidem, p.19-20.

10
“As matrizes discursivas devem ser entendidas como modos de abordagem da realidade, que implicam diversas atribuições do significado. Implicam também em determinadas categorias de nomeação e de interpretação como na referência a determinados valores subjetivos”. SADER, 1988. Apud RODRIGUES, Arlete Moysés. “O meio ambiente urbano: algumas proposições metodológicas sobre a problemática ambiental” (op. cit.), p. 90.

11
FOLLADORI, Guillermo. Op. cit., p. 27.

12
MONTE-MOR, Roberto Luis de. “Urbanização extensiva e lógicas de povoamento: um olhar ambiental”. In Território, globalização e fragmentação. São Paulo, Hucitec, 1994.

13
Apud VAN BELLEN, Hans Michael. “Sustainable development: presenting the main measurement methods”. 2002. Ambiente Sociedade, v. 7, n. 1, Campinas, 2004. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/asoc/v7n1/23537.pdf>. Acesso em 13 nov. 2006.

14
Apud VAN BELLEN, Hans Michael. Op. cit., p. 85.

15
ROGERS, Richard; GUMUCHDJIAN, Philip. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona, Gustavo Gili, 2001. p. 32.

16
SPIRN, Anne Whiston. O jardim de granito: a natureza no desenho da cidade. Tradução de Paulo Renato Mesquita Pellegrino. São Paulo, Edusp, 1995.

17
Idem, ibidem, p.15

18
Agenda 21 brasileira, 2000, p. 15.

19
KREBS, Alzira Pereira. Legislação urbana e (des) construção da urbanidade: uma análise observacional dos efeitos das leis municipais na perspectiva de um técnico. Dissertação de mestrado em Engenharia de Produção. Florianópolis, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, 2002, p. 178.

20
Idem, ibidem, p.178

21
O objetivo desta avaliação é avaliar as conseqüências das mudanças nos ecossistemas sobre o bem-estar humano. Além deste, outro objetivo é o de estabelecer uma base científica para fundamentar ações necessárias para assegurar a conservação e o uso sustentável dos ecossistemas bem como suas contribuições para o bem-estar humano. Ela fornecerá importantes informações científicas à Convenção sobre Diversidade Biológica, Convenção sobre Combate à Desertificação, Convenção de Ramsar sobre Zonas Úmidas e à Convenção sobre Espécies Migratórias, como também para vários usuários no setor privado e na sociedade civil. A AEM foi realizada por 1.360 cientistas naturais e sociais de 95 países, revisada por outros 600 especialistas, composta por representantes de governos, empresas, ONGs, agências da ONU, acadêmicos e populações indígenas, o que representa o caráter científico desta avaliação. Esta foi Lançada pelo Secretário General das Nações Unidas, Kofi Annan, em junho de 2001 e finalizada em março de 2005. Para obtenção de maiores informações sobre a avaliação acessar o website da AEM: www.MAWeb.org.

22
BOLUND, Per; Hunhammar, Sven. “Ecosystem services in urban areas”. 1999. Elsevier, Ecological Economics 29 (1999) 293–301. p. 294. Disponível em: <www.urban.uiuc.edu/courses/up205/Sp05/AD4group4.pdf>

Acesso em 03 de maio 2007.

23
Idem, ibidem, p. 294.

24
Idem, ibidem, p. 294

25
Idem, ibidem, p. 293

26
BENEDICT, Mark A.; MCMAHON, Edward T. “Green infrastructure: linking landscapes and communities”. Washington, DC: Island Press. 2006.p.06

27
ROCHA, Julio César de Sá da. Função ambiental da cidade: direito ao meio ambiente urbano ecologicamente equilibrado. São Paulo, Juarez de Oliveira, 1999.

28
Entende-se aqui cidade não apenas como a sede do município, mas sim como o espaço urbano, constituído de elementos físico-naturais e a vida que os anima, que o produz e o consome.

29
Todos os desenhos de projetos de infra-estrutura e fotografias deste artigo são cortesia de Nate Cormier, ASLA, LEED AP, Senior Landscape Architect at SvR Design Company, natec@svrdesign.com.

sobre os autores

Graziella Cristina Demantova é Arquiteta e Urbanista (Puccamp, 1999), Mestre em Engenharia Agrícola (FEAGRI-UNICAMP, 2003), doutoranda na Faculdade de Eng. Civil, Arquitetura e Urbanismo (DSA- FEC-UNICAMP), pesquisadora do Laboratório Fluxus (DSA- FEC-UNICAMP) em dois grupos : APPs urbanas e Ordenamento Territorial.

Emília Wanda Rutkowski é Professora FEC/UNICAMP; doutora em Arquitetura e Urbanismo – FAU/USP; MSc em Limnologia – University of Sterling, Escócia; Bióloga – UFMG; coordenadora do Laboratório FLUXUS e chefe do Depto. de Saneamento e Ambiente – FEC/UNICAMP.

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