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arquitextos ISSN 1809-6298

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Com relação a espaços verdes, Lisboa possui uma grande herança histórica: na esteira da Expo 98, a cidade vem criando novos espaços com abordagens e desenhos contemporâneos. Os Parques da Quinta das Conchas e da Quinta dos Lilases são discutidos no artigo


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SMANIOTTO COSTA, Carlos. De quintas a parques. Visitando os Parques da Quinta das Conchas e da Quinta dos Lilases em Lisboa. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 146.03, Vitruvius, jul. 2012 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.146/4429>.

Introdução

Desde 2006, tenho tido a oportunidade de visitar com frequência os Parques da Quinta das Conchas e Quinta dos Lilases, em Lisboa. Pelas suas qualidades e peculiaridades, estes dois espaços são usados para exercícios de leitura de espaço por estudantes de urbanismo. Seu uso frequente permite uma maior compreensão do seu contexto e de sua contribuição como espaços exemplares de estudos.

A observação dos parques nos mostra como a qualidade do desenho, bem como a sua manutenção, são determinantes para que esses espaços apresentem afluência elevada de usuários. Mesmo considerando que estas são uma das poucas áreas verdes disponíveis nas redondezas, o alto número de visitantes é o melhor atestado da sua qualidade.

Plano verde de Lisboa

Lisboa dispõe de um grande número de espaços verdes, parques e jardins públicos. A cidade tem uma longa tradição na criação desses espaços, que, no entanto, não é contínua. A urbanização da cidade e o desenvolvimento de áreas verdes nem sempre caminham juntos. Especialmente os bairros surgidos a partir dos anos 1960 apresentam grandes deficiências em espaços verdes vicinais (Smaniotto & Loupa 2009).

Na tentativa de reverter esta situação, foi aprovado em 1997 um documento estratégico: o Plano Verde de Lisboa. Com o respaldo deste Plano, que se ocupa do espaço não edificado da cidade e cujo nome oficial é "Proposta para a definição da Estrutura Ecológica Municipal", se pretende salvaguardar as áreas essenciais para a saúde urbana e definir uma estratégia para a criação e gestão dos espaços públicos na cidade (Telles 1997).

O Plano Verde, embora criado e veiculado como um documento independente, é um dos componentes do Plano Director Municipal (PDM) e, como este, está em processo de revisão. O PDM é definido como o instrumento fundamental de ordenamento do território municipal e do seu desenvolvimento econômico e sociocultural. O processo de revisão estava inicialmente previsto para 2008, porém problemas administrativos e políticos vêm protelando o seu desenvolvimento. No momento, segundo o site oficial do Plano Diretor (1), a versão final, já aprovada pelas entidades e órgãos competentes, tramita na Assembleia Municipal (2), entrando em vigor somente após a sua aprovação e subsequente publicação no Diário da República.

O novo PDM define quatro prioridades estratégicas para o desenvolvimento de Lisboa: 1) Afirmar a cidade nas redes globais e nacionais, 2) Promover a regeneração da cidade consolidada, 3) Promover a qualificação urbana, e 4) Estimular a participação popular e melhorar o modelo de governança municipal. Em relação aos espaços verdes, incluídos na terceira prioridade, o PDM prevê a reabilitação e revitalização do patrimônio paisagístico, a qualificação dos espaços não edificados e a conversão em áreas verdes de espaços com usos desativados.

Uma proposta para a criação da estrutura ecológica urbana

A literatura portuguesa (3) classifica o sistema verde e ecológico de áreas urbanas em duas estruturas hierarquizadas: a principal e a secundária. À estrutura verde principal correspondem áreas integradas ao sistema contínuo natural, que asseguram a ligação da cidade à paisagem envolvente. Estas áreas têm funções de proteção de ecossistemas e da paisagem e a promoção e intensificação das atividades biológicas no meio urbano. Para tanto, devem ser criadas condições que permitam a diversidade, continuidade e a dimensão apropriada dos espaços que constituem. A sua tipologia compreende desde espaços naturais a parques urbanos, áreas de desportos e outros espaços verdes de interesse municipal.

Aqueles outros espaços inseridos no contínuo construído, e primordialmente com funções lúdicas e de lazer vicinal, fazem parte da estrutura verde secundária. Trata-se de espaços adjacentes ou próximos às habitações, como, por exemplo, os parques vicinais, jardins e playgrounds.

Correspondente a essa classificação, a mesma literatura (4) recomenda um índice de 20 m² de espaço verde por habitante na estrutura principal e 10 m² por habitante na estrutura secundária. No total, seriam 30 m2de espaço verde por habitante.

Observando os dados de 2008, fornecidos pelo Departamento de Ambiente e Espaços Verdes, Lisboa conta na sua estrutura verde principal com o total de 1.163 ha, o que resulta em 20,6 m2/hab. Um bom resultado, que se aproxima das recomendações. Mas o quadro se reverte ao observarmos a estrutura verde secundária: o total de 221 ha resulta em somente 4,0 m2/hab. Um saldo muito aquém do recomendado.

Uma das características da cidade de Lisboa é a expansão urbana descontrolada; principalmente com a designação de vastas áreas destinadas à urbanização, muito maior que a demanda, tanto dentro do perímetro municipal, como na região metropolitana (5). O resultado é o fenômeno conhecido como urban sprawl, com vários efeitos negativos, dentre os quais a incessante expansão da cidade (tem muito urbano na redondeza), com a transformação do solo para fins urbanos e infraestruturas de transportes, a fragmentação de ecossistemas e habitats. A perda de espaços naturais causa a degradação do meio ambiente e a exaustão de recursos importantes para um equilíbrio ecológico-ambiental de toda a região (6).

Lisboa tinha até o início do século XX na sua periferia uma paisagem rica, predominantemente agrícola, caracterizada por povoados e vilas, e pelas típicas quintas – como são denominadas as propriedades rurais (sítios e chácaras). Essas quintas, com seus olivais, pomares, bosques, alamedas e extensas áreas para a cultura de hortaliças e grãos, formavam uma extensa rede de espaços livres ao redor da cidade (7). Em meio a uma urbanização extremamente rápida, com interesses econômicos acentuados e em detrimento da qualidade ambiental, a zona norte de Lisboa viu e está vendo desaparecer essas antigas estruturas rurais. A salvaguarda das quintas de serem carcomidas por uma urbanização desenfreada também é um objetivos propostos pelo PDM.

Dois espaços distintos compõem um complexo único

Na esteira da Exposição Mundial, que a cidade sediou em 1998, muitos novos parques e espaços verdes foram abertos ao uso público nos últimos anos. Assim também dois remanescentes das antigas quintas puderam ser preservados, e agora acrescidos de usos contemporâneos, formam, com 28,5 hectares (respectivamente com 24 e 4,5 ha), a terceira maior área verde da cidade. A Quinta das Conchas, com antigos pomares foi entregue ao público em 2005. Em 2007, o complexo foi ampliado com a intervenção na vizinha Quinta dos Lilases.

Os parques estão inseridos na chamada Alta de Lisboa, uma área localizada a nordeste do Centro, de urbanização em expansão e em permanente mudança. Em uma área cada vez mais adensada, estes parques se tornaram verdadeiros oásis.

O renque duplo de Palmeiras das Canárias (Phoenix canariensis Hort. ex Chabaud), que podem atingir a altura de 20 metros
Foto Carlos Smaniotto, 2009

Ambos os parques foram desenhados e construídos pela equipe da Divisão de Estudos e Projectos (DEP), órgão responsável por projetos de intervenção nos espaços públicos, subordinado à Direcção Municipal de Ambiente Urbano (8). A linguagem arquitetônica impressiona, tanto pela sua clareza e simplicidade, quanto pela sensibilidade e eficiência (9).

Os remanescentes da estrutura rural e agrícola foram integrados à arquitetura dos parques e enriquecidos com novos elementos. Os parques já contam com árvores suficientemente grandes para definir espaços diferentes, de servirem como pontos de referência, e ao mesmo tempo, terem impactos ecológicos significativos. Ricos em equipamentos e com características distintas, os dois parques oferecem uma variedade de usos e oportunidades que estimulam o lazer e a descoberta.

A arborização da Quinta das Conchas cria diversos ambientes propícios ao lazer contemplativo propiciando a interação social
Foto Carlos Smaniotto, 2009

Um ponto forte dos parques é a sua acessibilidade. Por se localizarem numa das principais saídas de Lisboa, eles estão muito bem servidos por transportes públicos.  Ao pé da Quinta das Conchas há uma estação de metrô, que inclusive lhe empresta o nome. Lisboa tem um plano arrojado para implementar uma extensa rede de ciclovias. Os parques estão inseridos no chamando percurso 4 da Rede de Percursos e Corredores para a Cidade de Lisboa, em desenvolvimento na DEP. Os parques, já que servem também para encurtar caminho e para permitir o acesso ao restaurante e ao café aí localizados,  estão abertos diariamente das 6h à 1h.

Parque da Quinta das Conchas

Segundo a descrição da Câmara de Lisboa (10), ao se conservar o relevo original, as linhas de água e as espécies cultivadas, o novo parque respeita as dinâmicas naturais.  Essa preservação se insere no contexto dos objetivos da cidade de Lisboa, que é incrementar a diversidade biológica dentro dos seus espaços verdes. Para tanto, servem-se de uma variedade de estratos vegetais, dos lagos e dos cursos de água. De acordo com a Câmara, o parque reflete a harmonia entre as necessidades humanas, a qualidade ambiental e a promoção da biodiversidade.

A qualidade da Quinta das Conchas  é determinada por vários aspectos. Trata-se de uma intervenção paisagística delicada, com uma linguagem arquitetônica simples e à primeira vista despretensiosa, revelando-se ao mesmo tempo poética e efetiva. Nesta aparente simplicidade, cria-se uma sequência de espaços internos interessantes e faz-se a conexão entre eles. O jogo de materiais, equipamentos e vegetação cria ambientes diferentes - alguns ensolarados e outros oferecendo sombras agradáveis.

O parque disponibiliza tanto uma zona aberta com grandes áreas gramadas, quanto um bosque com remanescentes da vegetação nativa e de elevado valor paisagístico. A conjugação entre áreas florestadas e os gramados faz sentido ao se considerar o clima temperado da cidade de Lisboa, com invernos amenos e chuvosos e verões quentes e secos.

Aspecto da arborização remanescente da quinta
Foto Carlos Smaniotto, 2009

Aspectos da área florestada
Foto Carlos Smaniotto, 2009

O parque é rico tanto em locais de estadia e espaços de contemplação e tranquilidade, quanto para atividades mais dinâmicas e ativas. Como exemplo deste último grupo pode ser mencionado o playground, com equipamentos para crianças e adolescentes. O mobiliário paisagístico é enriquecido com intervenções distribuídas pelo parque, como o palco para espetáculos ao ar livre, o edifício de apoio com recepção e área de exposições. Os banheiros públicos, o restaurante e a cafeteria são importantes infraestruturas para aumentar o conforto dos usuários. No verão, entre junho e julho, funciona um cinema ao ar livre - o Cineconchas (11), onde, com entrada franca, filmes atuais são exibidos, tendo como cenário o ambiente acolhedor do parque. Os 650 lugares oferecidos em 2011, na sua quarta edição, superaram largamente as edições anteriores.

O grande relvado oferece áreas para a prática de esportes informais e é constantemente usado para partidas de futebol - principalmente para imigrantes
Foto Carlos Smaniotto, 2009

Uma das características do parque são os cursos de água, que acompanham os principais caminhos internos, e que, para vencer a topografia acidentada, foram construídos em forma de cascata. Embora pensada para estar em movimento, na maioria das vezes a água permanece parada. O mesmo acontece com o chafariz, que, instalado num dos pontos mais altos do terreno, foi planejado como fonte inicial dos cursos de água. Os altos custos de se manter em atividade tais equipamentos inviabilizam seu efetivo emprego. O mesmo ocorre com a água necessária para a irrigação de áreas verdes, especialmente de extensos gramados nos meses de verão, que passa a ser um crescente fator de custo para a cidade.

A linha de água que acompanha o caminho principal do parque; formada em pequenas cascatas para acompanhar o declive to terreno
Foto Carlos Smaniotto, 2009

Desde a sua inauguração, poucas mudanças foram introduzidas no parque. Em 2011, alguns atalhos foram pavimentados para garantir comunicação fluida e direta - já que eles são testemunhos da maneira de como se usa o parque, inclusive como opção para encurtar distâncias.

Linhas simétricas e assimétricas se mesclam, criando diferentes configurações. Ao subdividir os espaços em áreas temático-funcionais, valorizam-se as atividades recreativas ao ar livre
Foto Carlos Smaniotto, 2011

Alguns atalhos foram pavimentados seguindo as mesmas características do projeto original
Foto Carlos Smaniotto, 2010

O muro que separa as duas quintas foi mantido e duas "entradas" foram criadas. Embora maciço, este muro não é visto como uma barreira, mas sim como uma clara transposição de ambientes
Foto Carlos Smaniotto, 2009

Parque da Quinta dos Lilases

Principalmente a Quinta dos Lilases guarda testemunho do patrimônio rural. Remodelada em 2006, ela conserva as qualidades e elementos que a caracterizaram, como, por exemplo, o bosque e um grande lago com duas pequenas ilhas arborizadas, apresentando a configuração das ilhas de São Tomé e Príncipe, ex-colônias portuguesas, onde os proprietários originais da Quinta fizeram fortuna. Separadas do parque público, ainda existem a casa senhorial e algumas edificações adjacentes.

Os canais de irrigação foram mantidos e acrescidos da nova rede viária rigidamente ortogonal, que contrasta com a estrutura arbórea dispersa. Os percursos no Parque são definidos por caminhos em saibro - que também se opõem aos pavimentados da Quinta das Conchas. O prado natural, rico em textura e cores, foi a princípio mantido - o que contrasta com as grandes áreas gramadas da Quinta das Conchas (veja Figura 8). O prado é uma reminiscência da charneca, como é denominado o habitat onde esta planta (Erica vulgaris) pode ser encontrada em profusão. Trata-se de uma vegetação predominantemente rasteira, que se desenvolve em terrenos áridos e pedregosos. Com grande diversidade, na primavera e no começo do verão, a vegetação é verde e abundante, mas nas estações secas (12), ela apresenta um aspecto desolado. Por isso, e por ter uma estrutura não muito convidativa para um uso mais ativo, o prado foi substituído em 2011 pela grama, apesar de não estar comprovado que a manutenção do gramado seja mais econômica, já que este provavelmente consome mais água que um prado natural. Talvez fosse o caso aqui de se criar medidas para informar a população, ensinando-a a valorizar a vegetação natural, já que segundo a recepcionista do parque, por causa do seu aspecto rústico muitas pessoas não apreciavam o parque. Em todo o caso, este tratamento paisagístico fez com que se perdesse uma composição vegetal heterogênea e rica, o que certamente traz impactos negativos sobre a fauna local.

Os canais de irrigação são aparentes e "dividem" os espaços internos. Aqui ainda se vê a vegetação rasteira posteriormente substituída pela grama. No verão, essa estrutura com os ramos secos e amarelados visualmente não é muito aprazível
Foto Carlos Smaniotto, 2008

Esta Quinta apresenta elementos arbóreos de grande interesse, com algumas espécies exóticas e de interesse botânico, como zambujeiros ou oliveiras-bravas (Olea maderensis), espécie endêmica das ilhas da Madeira e Canárias; alguns exemplares de Zelkova crenata, uma espécie proveniente das montanhas do Cáucaso; pela raridade chama atenção o carvalho-cinza (Quercus x turneri) e um choupo canadense (Populos canadensis), além de várias espécies de acácias. Junto ao lago há predominância de eucaliptos, alguns de grande porte. A esse patrimônio exótico somam-se outros elementos nativos como os choupos, freixos, ulmeiros e loureiros. Outros equipamentos como pérgolas e alpendres oferecem espaços com sobras para jogos e para lazer.

O relvado no Parque da Quinta dos Lilases na primavera de 2008, antes de ser substituído pelo gramado, em 2010
Foto Carlos Smaniotto, 2008

O relvado no verão com as plantas já ressecadas. Isso, para muitos, evoca um aspecto de negligência, embora essa seja a forma habitual de manutenção de um espaço natural
Foto Carlos Smaniotto, 2010

Em 2011 o gramado já produz o tapete verde do Parque
Foto Carlos Smaniotto, 2010

Perspectivas

Nos últimos anos, Lisboa vem ganhando novos espaços públicos - todos com um desenho moderno e rico em detalhes. Com uma grande variedade de ambientes e a complexidade de fatores espaciais e funcionais, os novos Parques oferecem muitas oportunidades de apropriação e uso. Outro fator que chama a atenção, além do desenho, é a sua boa qualidade de acabamento e construção - apesar de, lamentavelmente, alguns parques já apresentam vários sinais de deterioração, causados tanto por vandalismo como por excesso de utilização. Deixar que o aspecto de abandono impere nos parques e em outros espaços públicos demonstra o desinteresse, de despreocupação do poder público com o bem estar da população. Bons espaços públicos implicam num investimento permanente, que indubitavelmente se paga por serem um inegável fator de melhoria da qualidade de vida urbana. É amplamente reconhecido que parques, jardins e espaços verdes ajudam a melhorar a sustentabilidade das cidades e torná-las mais atraentes e saudáveis.

Por ser um espaço qualificado, tanto do ponto de vista das opções de lazer e recreativas quanto de seus recursos paisagísticos, os Parques das Quintas das Conchas e dos Lilases conferem ao Alto de Lisboa uma nova e particular identidade. Morar no Alto do Lisboa está se tornado um símbolo de status. Neste sentido, estes Parques, enquanto componentes indispensáveis da sociedade urbana contemporânea, foram concebidos e construídos a partir de uma pluralidade de intenções - sejam elas recreativas ou ecológico-ambientais. Porém, com eles, entre os grandes favorecidos contam-se os empreendimentos imobiliários vizinhos. Embora não existam dados empíricos em Lisboa, estudos realizados em Berlim (13) revelam que a mera proximidade de espaços verdes acaba agregando valor patrimonial a imóveis – tanto para a venda, quanto para aluguel. Essa valorização deveria, portanto, ser um bom argumento para empreendimentos imobiliários investirem mais em espaços públicos.

Um dos grandes beneficiários com a implementação dos parques são os inúmeros empreendimentos imobiliários vizinhos que ganham além de um panorama agradável com a valorização dos imóveis
Foto Carlos Smaniotto, 2008

De Lisboa, podemos ainda citar como outro bom exemplo da transformação de uma quinta em um parque: em outubro de 2011 foi concluída a segunda fase do Parque Urbano da Quinta da Granja. Este parque tem um projeto pioneiro, uma vez que inclui áreas agrícolas privadas, no interior de um espaço público. Também interessante aqui é a inserção de hortas públicas como um complemento de um parque urbano. E este Parque, além de conter equipamentos recreativos, é caracterizado pela existência de uma bacia de retenção, que permite sua utilização como área de lazer informal.

Quando da inauguração da 2ª fase da obra do Parque Urbano da Quinta da Granja, em outubro de 2011, foi entregue a primeira bateria de hortas urbanas
Foto Carlos Smaniotto, 2011

Quando da inauguração da 2ª fase da obra do Parque Urbano da Quinta da Granja, em outubro de 2011, foi entregue a primeira bateria de hortas urbanas
Foto Carlos Smaniotto, 2011

Esperamos que a cidade conserve e valorize as poucas quintas ainda existentes, já que elas não só representam uma extraordinária herança, tanto para preservar a memória, como desenvolver a estrutura ecológica da cidade - tornando mais agradável viver e trabalhar em Lisboa.

notas

1
Câmara de Lisboa, http://lisboaverde.cm-lisboa.pt, acessado 08.04.2012

2
Em Portugal, a Câmara Municipal é o órgão executivo municipal, tendo o seu presidente como seu chefe, cujos correspondes no Brasil são a prefeitura e o prefeito. A Assembleia Municipal é órgão legislativo municipal, que corresponde a uma câmara municipal no Brasil.

3
Ver, por exemplo: RAPOSO MAGALHÃES, Manuela. Espaços Verdes Urbanos. Direcção Geral do Ordenamento do Território DGOT. Lisboa, 1992, ou o próprio Plano Verde de Lisboa em Ribeiro Telles, Gonçalo. Plano Verde de Lisboa. Edições Colibri, 1997, Lisboa.

4
Idem. Ibidem.

5
Gonçalves, Jorge. “Que espaço para os espaços verdes públicos? Efeitos de uma política de requalificação urbana”. Anais do Congresso sobre Planeamento Municipal: Balanços e Desafios, 4 e 5 de novembro de 2010, 2010,IGOT, Universidade de Lisboa

6
Smaniotto Costa, Carlos, Loupa Ramos, Isabel. 'Lisboa Verde - Grünkonzept der Stadt Lissabon'. Stadt und Grün, 4, 2009, p. 50-57.

7
Ribeiro Telles, Gonçalo. Plano Verde de Lisboa. Edições Colibri, 1997, Lisboa.

8
Corresponde a uma Secretária Municipal encarregada do meio ambiente.

9
O fato dos parques não contarem com a assinatura de nenhum arquiteto paisagista famoso surpreende, pois o autor observa que geralmente obras desenhadas por órgãos públicos são bem menos expressivas.

10
http://lisboaverde.cm-lisboa.pt/index.php?id=4108

11
http://cineconchas.cinema.sapo.pt/

12
http://lisboaverde.cm-lisboa.pt/index.php?id=4109

13
Segundo o estudo de Gruehn & Hoffmann, o valor médio do m2 de um terreno situado a 800 m de distância de uma área verde sobe de 202 Euros a 484 Euros quando uma área verde está situada em um raio de 200m - gerando um acréscimo de 239%. (GRUEHN, Dietwald; HOFFMANN, Anne. “Mehrwert durch Grün”. Garten + Landschaft, 2011, p. 22-24).

bibliografia complementar

Visão, Lisboa: Câmara quer avançar já com espaços verdes e equipamentos em Alcântara, edição 15.06.2011.

sobre o autor

Carlos Smaniotto Costa (PhD) é graduado e doutorado em Arquitetura da Paisagem e Planejamento Ambiental pela Universidade de Hanover/Alemanha. Além de realizar vários projetos paisagísticos, ocupa-se como pesquisador com questões de desenvolvimento urbano sustentável, estratégias para a integração de espaços livres e preservação da natureza, e transformação da paisagem no contexto urbano. É professor de paisagismo e ecologia urbana, com atuação em ensino e pesquisa nos cursos de pós-graduação em Urbanismo da Universidade Lusófona em Lisboa.

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