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architexts ISSN 1809-6298


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O objetivo desse artigo é analisar as passagens do romance La reine Albermale ou le dernier touriste, em que Sartre escreve sobre o caráter das águas da cidade italiana de Veneza, que foi compreendido como enigmático.

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The aim of this paper is to analyze the passages in the novel La Reine Albermale ou Le dernier touriste that Sartre writes about the character of the waters of the Italian city of Venice, which was understood as enigmatic.


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LIMA, Adson Cristiano Bozzi Ramatis. A água e as pedras. Algumas anotações à margem de La reine Albermale ou le dernier touriste. Arquitextos, São Paulo, ano 15, n. 178.06, Vitruvius, mar. 2015 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/15.178/5499>.

Toda realidade humana é uma paixão, já que projeta perder-se para fundamentar o ser e, ao mesmo tempo, constituir o Em-si que escape à contingência sendo fundamento de si mesmo, o En causa sui que as religiões chamam de Deus. Assim, a paixão do homem é inversa à de Cristo, pois o homem se perde enquanto homem para que Deus nasça. Mas a ideia de Deus é contraditória, e nos perdemos em vão; o homem é uma paixão inútil.
Jean-Paul Sartre. O ser e o nada

Era bem conhecido o desinteresse que o filósofo francês Jean-Paul Sartre nutria pela natureza, entendendo esse último termo em um sentido mais concreto e referencial, isto é, como um conjunto de paisagens e de acidentes naturais. No texto que Simone de Beauvoir escreveu a pedido da revista norte-americana Harper’s Bazaar, por ocasião da segunda visita do filósofo francês aos Estados Unidos, lê-se: “Ele detesta o campo. Ele abomina – e a palavra não é forte demais – a vida pululante dos insetos e das plantas verdes” (1). Essa aversão por parte do filósofo francês à chamada natureza não deve causar espécie, sobretudo se pensarmos que Sartre havia introjetado de maneira profunda e permanente o amor pelas cidades e pela vida urbana: na sua extensa obra, por exemplo, abundam menções às cidades europeias – e, principalmente, às cidades francesas e italianas –, e Sartre chegou até a escrever ensaios cujo temas eram exclusivamente as cidades norte-americanas, os conhecidos textos Villes d’Amérique e New York ville coloniale, publicados na coletânea Situations III.

Contudo, em um livro inacabado e publicado postumamente intitulado La reine Albermale ou le dernier touriste o filósofo francês se vê quase obrigado a tratar um tema que pertence ao vasto campo da natureza: o elemento água. Ora, afirmamos que ele foi “quase obrigado” porque o próprio tema de alguns dos capítulos desse livro o exigia: como escrever sobre a cidade italiana de Veneza sem escrever, igualmente, sobre a água dos inúmeros canais que moldam a sua paisagem? Assim, Sartre, como tantos outros escritores que, de alguma maneira e com graus diferentes de intensidade, abordaram essa cidade, escreveu sobre aquelas ruas líquidas que conduzem os navegantes de um palácio a outro. Ainda que tenha, em alguns trechos, tentado ampliar o tema – “a água em Veneza não é água, é mil coisas ao mesmo tempo” (2) –, é um fato inegável que, para além de qualquer interpretação simbólica ou metafísica que a sua prosa possa lhe conferir, a água permanece irredutivelmente um elemento da natureza.

Assim, o objetivo desse artigo é analisar as poucas páginas de um capítulo – que, como o restante desse livro lacunar, encontra-se em estado de fragmentos – para perceber como o filósofo francês abordou, na condição de romancista, a presença constante da água na cidade de Veneza. Na sua obra filosófica mais importante, O ser e o nada, Sartre escreveu, ainda que marginalmente, sobre o tema da água, no subcapítulo que antecede à conclusão, quando tratou as qualidades do Ser, servindo-se do elemento “viscoso” como objeto e exemplo (3). O nosso procedimento, então, será o cotejamento desse subcapítulo com o extrato do já aludido romance, com o objetivo de realizar uma hermenêutica desse texto literário. Acreditamos que esse objetivo seja pertinente porque lançará luz sobre a visão que um romancista e filósofo possuía de um elemento sobre qual já foi afirmado que ele “abominava”.

Veneza, Itália
Foto Silvana Romano

E, para finalizar, uma última observação de caráter metodológico: cotejaremos um extrato de um romance com uma obra filosófica, o que, em princípio, parece ser uma temeridade, dada as diferenças existentes entre esses gêneros literários, uma vez que, de um lado, temos conceitos filosóficos emitidos por um autor, e, por outro lado, há as observações proferidas por uma personagem. Contudo, a personagem de La reine Albermale (um “simples” turista francês na Itália, jamais nomeado ao longo do romance) pode ser compreendida como uma espécie de alter ego do autor – como, aliás, o são Antoine Roquentin de La nausée e Mathieu de la Rue de Les chemins de la liberté –, e, nesse sentido, tomando-se certos cuidados, acreditamos que a nossa abordagem seja pertinente, posto que Sartre servia-se da sua ficção (como os já aludidos romances) para iluminar a sua obra filosófica, estabelecendo, nesse processo, uma interessante dialética.

Toda a água de Veneza

Sartre iniciou o seu subcapítulo da seguinte maneira: “A água é feitiçaria. O espírito invertido. Uma inércia que tem poderes” (4). O caráter elíptico dessa narrativa, incomum nos escritos de Sartre, se deve, em boa parte, ao fato de que esse livro jamais foi concluído, e possui, certamente, um aspecto de rascunho, o qual ainda seria, provavelmente, burilado. Mas o que o filósofo francês pretendia evocar ao ter definido de uma maneira plural – e incomum – o elemento água? Ora, o nosso autor não fornece ao leitor elementos narrativos suficientes para a realização de uma interpretação que fosse, ao menos, próxima ao definitivo, mas podemos arriscar uma hipótese: se tomarmos o termo “espírito” em uma acepção mais imediata, isto é, como sinônimo de “razão”, e, portanto, como o princípio da racionalidade, veremos que a água, sendo o “espírito invertido”, é o princípio do incompreensível, do elemento que, sendo inerte e ao mesmo tempo ativo, é “feitiçaria”.

Restaria, ainda, elucidar as razões pelas quais o filósofo francês teria compreendido dessa maneira o elemento líquido. No parágrafo posterior o nosso autor afirma: “Ao mesmo tempo ela [a água] é o passado de Veneza” (5). Sabe-se que esta cidade foi fundada após o período que se convencionou chamar de “Queda do Império Romano” (embora esse acontecimento histórico seja mais complexo do que, normalmente, se concede) (6), em uma tentativa por parte dos seus futuros habitantes de se colocar ao abrigo das incertezas de um devir mais difícil, e o sítio escolhido foi as lagunas do rio Pó, que possuíam a vantagem de oferecer um ambiente protegido; seria a água, então, o elemento que iria conferir, ao menos em parte, essa proteção. Assim, podemos inferir com alguma segurança que o filósofo francês afirmou, na frase citada acima, que o elemento líquido se inscrevia, diretamente, no passado dessa cidade. E continua: “A água é, igualmente, uma ruína, mas ela não reenvia à Antiguidade como o subsolo de Roma, nem mais ao Quattrocento. Ela reenvia aos tempos da Barbárie” (7). Assim, o filósofo francês ligou a sorte da cidade de Veneza à presença da água: se ela prosperou e pôde continuar ligada, de alguma maneira, ao mundo romano, foi graças à escolha dos seus fundadores, que deixaram para trás a insegurança do continente e foram se instalar nas lagunas do Rio Pó: “Roma está morta, é a anarquia” (8).

Mas, de que maneira a alusão ao passado dessa cidade resolveria o enigma dessa água que é “feitiçaria”? Sartre, no seu métier de romancista, tratou de tornar a questão um pouco mais intrincada, e escreveu: “mas a venenosa Barbárie ainda está lá, é a água, a água morta e lisa que empurra os seus braços frios entre as construções” (9). Assim, a água, que possibilitou a existência de Veneza, é ainda a Barbárie da qual os seus futuros cidadãos procuravam fugir. Mas é lícito que nos perguntemos por que o nosso autor afirmou que o elemento líquido que ofereceu a sua proteção permaneceu associado à “Barbárie”. As razões talvez se encontrem nas primeiras frases citadas, que aqui repetimos: “A água é feitiçaria. O espírito invertido.” Ora, nesse ponto reside a duplicidade desse elemento: a água é, simultaneamente, segurança e morte, posto que, ao mesmo tempo em que protege os seus habitantes arruína as suas construções: “Encontrar-se-á um pouco desse passado nesses palácios limpos. [...] há grandes traços de fusain sobre as fachadas rosas, manchas verdes que cozinham lentamente, madeiras que brincam: a tudo isto eu não daria cem anos” (10). Essa visão pessimista sobre o futuro de Veneza tem as suas raízes no seu passado mais remoto: escolheram para fundar a cidade não a terra firme mas a maleável água, e essa decisão viria diariamente cobrar os seus tributos sob a forma de fungo e de apodrecimento. Além disto, ainda segundo Sartre, se a água é o “espírito invertido”, os futuros cidadãos de Veneza teriam fundado a sua cidade sobre aquilo que seria incompreensível e inapreensível, um elemento que é, simultaneamente, natural e sobrenatural: a “feitiçaria” já aludida pelo nosso autor.

Veneza, Itália
Foto Silvana Romano

Mas, para além do seu caráter simbólico, a água ainda é natureza, e Sartre tratou essa questão, como já escrevemos, no subcapítulo Da qualidade como reveladora do Ser do seu ensaio de fenomenologia ontológica O ser e o nada. Nesse texto o filósofo francês define a água como um em-si, isto é, como um fenômeno sem consciência, e que, nessa condição, seria contingente, desnecessário e supérfluo. Além disso, sendo um isto (11), a água é um conjunto de qualidades superpostas: “Cada qualidade do ser é todo o ser; é a presença de sua contingência absoluta, é a sua irredutibilidade de indiferença” (12). O filósofo francês indica, assim, o caráter de dependência do em-si – que no caso que tratamos é a água – que só é na medida em que é apreendido por um ser dotado de consciência, o para-si, e é justamente esse fato que explica o seu caráter contingente. Por outro lado, Sartre não exclui o simbólico do qual muitos istos estão impregnados, e sobre a qualidade (13) do “viscoso” ele afirma:

“O que se volta para nós, então, como uma qualidade objetiva, é uma natureza nova, nem material (e física) nem psíquica, mas que transcende a oposição do psíquico e do físico, e revelando-se a nós como uma expressão ontológica do mundo inteiro, ou seja, uma natureza que se oferece como rubrica para classificar todos os istos do mundo, trata-se de organizações materiais ou de transcendências transcendidas” (14).

Ora, se o viscoso, como qualidade, pode significar certos estados de espírito ou mesmo “organizações materiais” (15), o que dizer da água, que seria, igualmente, uma natureza nova? (16) Sartre a define de duas maneiras; inicialmente, como sendo inapreensível: “Há na inapreensibilidade mesmo da água uma rijeza implacável que lhe confere um sentido secreto de metal; em última instância, é tão incompressível quanto o metal” (17). A partir dessas frases compreende-se o caráter dúbio que Sartre conferiu, no romance La reine Albermale, à água dos canais de Veneza: a sua inapreensível superfície lisa pareceria sugerir a resistência do metal – ou, em última instância, a do granito – mas devemos admitir que se trata apenas de uma sugestão, ou, se preferirem, de uma maneira particular de compreender esse isto, e, assim, as construções dessa cidade italiana que estavam assentadas em uma “região de fronteira”, que não era nem pedra e nem água, correriam o risco de afundar como o fazem as velhas embarcações.  E, mais adiante, o filósofo francês conclui, conferindo uma outra espessura filosófica à água:

“pois a água é o símbolo da consciência: seu movimento, sua fluidez, esta solidariedade não solidária de seu ser, sua fuga perpétua etc., tudo nela me recorda o Para-si, a tal ponto que os primeiros psicólogos que sublinharam o caráter de duração da consciência (James, Bergson) compararam-na muito frequentemente a um rio” (18).

No seu tratado filosófico Sartre alude ao fato de que há uma associação entre o tempo (o qual, nesse caso, surge por meio do conceito de duração) e a água, uma vez que o primeiro teria se metamorfoseado, na pena de alguns filósofos, em rio; e eis que surge uma ligação entre a água de Veneza e o seu passado. Ora, no romance La reine Albermale a água dos canais que cortam essa cidade estaria ligada ao tempo da Barbárie, é uma água que dura: “A água reflete a decomposição do mundo romano, o medo e a fuga” (19). Assim, sendo presença constante na paisagem urbana veneziana, a água remeteria aos tempos do desaparecimento das estruturas sociais e administrativas do mundo romano, as quais alguns cidadãos recalcitrantes insistiram em manter, ainda que, para isso, tenham recorrido às águas das lagunas do rio Pó.

Últimas considerações

Ora, em se tratando de um autor a quem se atribuía uma aversão à natureza e aos ditos acidentes naturais, não é sem importância o fato de que ele tenha escrito com tanta insistência sobre a água de Veneza. Contudo, é mister reconhecer que não se tratava de uma “água qualquer”, mas da água dos canais de Veneza, que participava ativamente para a criação de uma paisagem urbana singular. E se assumirmos como correta a asserção de Sartre, segundo a qual “A água em Veneza não é água, é mil coisas ao mesmo tempo”, devemos, então, conceder que no curto extrato que analisamos a água dos seus canais é, simultaneamente, o tempo criador e fundador de cidades e o tempo que a corrói lentamente, segundo após segundo. A decomposição do mundo romano no Ocidente, que teria se dado com a deposição do seu último imperador, teria continuado com a gradual decomposição da cidade de Veneza, que em tempos remotos estava associada ao Império Bizantino: “É a água, grande e vaga melancolia nativa, essa linfa que corre entre os lagartos. E, no entanto, essa Natureza, contaminando as pedras dessa cidade impossível, contaminou a si mesma; Ella deixou de ser Natureza” (20). O nosso autor vai ao ponto de comparar essa cidade italiana às cidades norte-americanas que visitou em 1945, quando as percebeu como “frágeis e provisórias”, e que, nesse sentido, não ofereceriam nenhuma proteção em relação à natureza (21). Mas, para Sartre, nem só de água é feita Veneza:

“Veneza é uma arquitetura. Essa cidade construída de uma única vez sobre cento e dez ilhas, perpetuamente nos oferece impressões arquitetônicas como em uma mesquita (Córdoba) ou em uma catedral carregada. Corredores, naves, vestíbulos, coros” (22).

Veneza é água, mas é, igualmente, pedra, e caminhar nessa “cidade impossível”, então, seria como caminhar em um espaço fechado e labiríntico, na qual salões sucedem a salões e arcadas sucedem a arcadas. Para o filósofo francês, de tanto construir sobre o seu solo exíguo, os venezianos lograram realizar uma “imensa construção” com a dimensão de todo um arquipélago. Contudo, para Sartre, a cidade antiga, simultaneamente gótica e renascentista, escondia no seu interior uma faceta desconhecida, e, para além das naves e dos vestíbulos, há uma cidade moderna, o último segredo de Veneza desvelado pelo nosso autor: ‘”Há no interior um escritório, com mesas, utensílios diversos e luz de escritório: difícil de acreditar” (23). Sartre, então, aponta para particularidade de Veneza e dos seus inúmeros epítetos (24): há a “cidade-arquitetura”, assim como há a “cidade impossível da água que é feitiçaria”, mas há, igualmente, a “cidade dos escritórios modernos”, que é, certamente, menos turística, mas que não é menos “Veneza” que todas as demais.

Veneza, Itália
Foto Silvana Romano

notas

1
BEAUVOIR, Simone de. Jean-Paul Sartre: estritamente confidencial. Apud.:Cohen-Solal, Annie. Sartre 1905-1980. Paris, Gallimard, 2005, p. 463. Tradução nossa do Francês para o Português.

2
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 77. Tradução nossa do Francês para o Português.

3
Trata-se da secção III, do Capítulo 2 da Quarta Parte, e que possui o seguinte título: “Da qualidade como reveladora do Ser”.

4
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 78. Tradução nossa do Francês para o Português.

5
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 78. Tradução nossa do Francês para o Português.

6
Felizmente, a História costuma ser mais complicada do que como é ensinada nos manuais escolares, o Império Romano do Oriente, por exemplo, subsistiu até 1438, quando a sua capital, Constantinopla, foi tomada pelos Turcos Otomanos. Ora, quando Carlos Magno foi coroado Imperador do Sagrado Império Romano o Imperador Bizantino (termo derivado de “Bizâncio”, nome pelo qual a parte oriental do Império Romano foi designada pelos historiadores) considerou o fato uma “usurpação” dos seus poderes, uma vez que era ele, de fato, o Imperador Romano; e, se “queda” houve, ela ocorreu apenas na parte ocidental do Império. De qualquer sorte, remeto os leitores a um clássico: The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, do historiador Inglês Edward Gibbon (versões gratuitas no original podem ser encontradas em diversas bibliotecas eletrônicas, como o Project Gutemberg).

7
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 78. Tradução nossa do Francês para o Português.

8
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 79. Tradução nossa do Francês para o Português.

9
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 79. Tradução nossa do Francês para o Português.

10
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 79. Tradução nossa do Francês para o Português.

11
Ceci no original. Ver: SARTRE, Jean-Paul. L’être et le néant: essai d’ontologie phénomenologique. Paris, Gallimard, 2008, p. 649.

12
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução Paulo Perdigão. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1997, p. 736.

13
Sartre abordou essa questão, a saber, a qualidade do Ser, em um livro posterior: “(...) não existe qualidade ou sensação tão despojadas que não estejam impregnadas de significação. Mas o pequeno sentido obscuro que as habita, leve alegria, tímida tristeza, lhes é imanente ou tremula ao seu redor como um halo de calor; esse sentido obscuro é cor ou som. Quem poderia distinguir o verde-maçã da sua ácida alegria?” SARTRE, Jean-Paul. Que é literatura? Tradução Carlos Felipe Moisés. São Paulo: Ática, 2004, p. 10. Em O ser e o nada Sartre serviu, como exemplo, do limão: “O amarelo do limão, dizíamos, não é um modo subjetivo de apreensão do limão, é o próprio limão”. SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução Paulo Perdigão. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1997, p. 736.

14
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução Paulo Perdigão. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1997, p. 740, destaques do autor.

15
 “Em suma, para estabelecer clara e conscientemente uma relação simbólica entre a viscosidade e a baixeza pegajosa de certos indivíduos, seria necessário que captássemos já a baixeza na viscosidade e a viscosidade de baixezas.” SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução Paulo Perdigão. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1997, p. 738.

16
Sartre compara o “viscoso”, como uma qualidade de certos elementos (o piche, por exemplo), à água; contudo, talvez fosse mais coerente na sua exposição ter substituído esse último termo pela expressão “líquido”.

17
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução Paulo Perdigão. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1997, p. 742.

18
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução Paulo Perdigão. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1997, p. 740, destaques do autor.

19
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 79. Tradução nossa do Francês para o Português.

20
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 80. Tradução nossa do Francês para o Português. Destaque nosso.

21
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 80.

22
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 80. Tradução nossa do Francês para o Português.

23
SARTRE, Jean Paul. La reine Albermale ou le dernier touriste. Paris, Gallimard, 1991, p. 81. Tradução nossa do Francês para o Português.

24
O filósofo francês já havia descrito com epítetos uma outra cidade italiana: “Florença é cidade e flor e mulher, é cidade-flor e cidade-mulher e dozela-flor ao mesmo tempo”. SARTRE, Jean-Paul. Que é literatura? Tradução Carlos Felipe Moisés. São Paulo, Ática, 2004.

sobre o autor

Adson Cristiano Bozzi Ramatis Lima, arquiteto e urbanista, Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Espírito Santo, Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Autor do livro Arquitessitura; três ensaios transitando entre a filosofia, a literatura e arquitetura. Professor Assistente da Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Arquitetura e Urbanismo.

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178.06 literatura
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