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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Buscamos analisar o estádio de futebol como lugar de memória coletiva e terreno de desenvolvimento de uma práxis e identidade específicas e, dessa forma, entender o papel preponderante da ambiência na construção da noção de Lugar ‘futebolístico’.

english
We analyze the football stadium as a place of collective memory and development of a praxis and identity specifics and thus understand the predominant role of atmosphere in the construction of the notion of place of 'football'.

español
Analizamos el estadio de fútbol como un lugar de la memoria colectiva y el desarrollo de una praxis y identidad especificas, por lo tanto, entendemos el papel predominante de la ambiencia en la construcción de la noción de lugar ‘fútbol’.


how to quote

MELO, Natália Rodrigues de; DUARTE, Cristiane Rose de Siqueira. Para além das reformas. Reflexões sobre o lugar de memória do Maracanã pelo viés da ambiência. Arquitextos, São Paulo, ano 17, n. 199.02, Vitruvius, dez. 2016 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.199/6344>.

Os elementos arquitetônicos e simbólicos de um estádio (a forma de arena, a visibilidade de todos os pontos, a proximidade física, o campo magistral), a manifestação lúdica do futebol e as relações estabelecidas entre os torcedores constituem as imagens arquetípicas do ritual futebolístico, fabricando, também, a noção de Lugar e o favorecimento da construção de uma memória coletiva – por certo desenvolvida ao longo de muitos anos. Consequentemente, tal contexto possibilita a construção da identidade de muitas pessoas no principal equipamento dos jogos de bola e constitui a sua ambiência.

São os estádios depositários de história, significados e símbolos tão interligados que, permeados e conduzidos pela ambiência (aqui entendida como um campo moral, ético e social que define um grupo), tornam-se lugares de memória, principalmente no contexto brasileiro, marcado por uma necessidade premente de desenvolvimento desse esporte desde a mais tenra infância. Logo, partimos da hipótese que essa atmosfera é um elemento central e fundamental, numa aptidão dos lugares para a metamorfose.

Por essa razão, buscamos no presente artigo fazer uma reflexão acerca dos equipamentos de bola enquanto lugares de memória, mesmo após grandes reformas estruturais, e a ambiência como guia de todo esse contexto.

Como objetivo, buscamos analisar o estádio de futebol como lugar de memória coletiva e terreno de desenvolvimento de uma práxis e identidade específicas e, dessa forma, entender o papel preponderante da ambiência na construção da noção de Lugar ‘futebolístico’, ou seja, adotar a ambiência como algo precedente à estrutura física do edifício.

Para tal intento, nos apoiamos em uma revisão bibliográfica de aportes teóricos concernentes ao tema do presente trabalho, bem como entrevistas com alguns torcedores aficionados que compõem a parte mais interessada da ocupação do estádio, sendo interpolados a fim de detectar se o Lugar de Memória se manteve mesmo em um espaço completamente modificado físico e moralmente.

Justificamos a nossa escolha pela voga da constante discussão em torno dos estádios de futebol brasileiros sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as reformas sofridas em exigência a um padrão internacional que vem modificando drasticamente a conformação desses espaços e consequentemente dos lugares.

Como recorte espacial, escolhemos o estádio do Maracanã e nele utilizamos a análise das reformas sofridas desde à sua inauguração até os dias atuais, a fim de entendermos o papel da ambiência como precedente do valor físico do edifício.

A memória do lugar e o lugar de memória

Inauguração do Maracanã com jogo entre as seleções paulista e carioca, 17 de junho de 1950, com estádio ainda em obras
Foto divulgação [Suderj]

A memória é uma “estória” forjada que, como bem descreve Jodelet (1), sendo desenvolvida por maneiras de viver sem uma ruptura brutal, forma-se através de uma dialética do passado, presente e futuro, a qual o presente encontra fundamentação no passado. É um jeito de desenvolver contato com suas lembranças, tradições e costumes, sob determinada ótica. Estando, desta forma, estritamente conectada com a cultura e identidade de determinado povo, sociedade, grupo ou indivíduo e com sua relação com a cidade. A memória, segundo Jodelet (2) é viva e atual, em evolução e mutável, mas, ao mesmo tempo, vulnerável e propensa ao esquecimento.

Para entender o meio e a si, os indivíduos estabelecem um arranjo de elementos simpatizantes ou discordantes que situarão coerência e unidade para definir uma imagem ou impressão de algo ou alguém. Características essas que mudarão de acordo com o tempo, influências e/ou acontecimentos, mas sempre existindo e se baseando em ideais pré-estabelecidos, para se colocar em um lugar na sociedade, assim como o outro, e como é percebido e percebe este outro.

Logo, a memória é coletiva, como afirma Halbwachs, pois na individualidade ela existe somente quando é uma intuição sensível, ou seja, uma intuição imediata entre o sujeito e o objeto. No mais, a memória individual é construída a partir das referências e lembranças próprias do grupo, a partir de “um ponto de vista sobre a memória coletiva” (3). Como reafirma Jodelet (4) a memória passa a ser coletiva quando se transforma em um bem comum, tecida pelo interior do grupo.

Entretanto, Pollak (5) afirma que a memória é seletiva. Cada mente abstrai o que não a interessa, foca e registra o que mais lhe atrai, o que culmina em um juízo de valores, de fora para dentro e vice versa.

Ao mesmo tempo, é importante frisar que a memória é influenciável e mutante de acordo com os interesses e pontos de vistas em jogo e o tempo cronológico, ao contrário dos fatos históricos imutáveis e estáveis. Esses últimos sofrem transformação - mutação de acordo com cada interpretação do acontecimento tornando-se memórias. Isso porque a partir do momento em que o acontecimento ocorre já entra no imaginário e ao ser contado passa por um filtro que respeita determinado foco e se transforma em uma “estória” tramada.

“a memória não se acomoda a detalhes que a confortam; ela se alimenta de lembranças vagas, telescópicas, globais ou flutuantes, particulares ou simbólicas, sensíveis a todas as transferências, cenas, censuras ou projeções. A história, porque operação intelectual e laicizaste, demanda análise e discurso crítico. A memória instala a lembrança no sagrado, a história a liberta, e a torna sempre prosaica” (6).

Nesse processo, é possível perceber que, ao tratar dos estádios de futebol não se pode deixar de lado a sua ocupação por aqueles interessados no jogo de bola e como isso é alimento para a memória coletiva. Por meio do imaginário, da vivência pautada no ritual e o envolvimento em uma atmosfera de interesse comum, torna-se evidente a construção dessa memória coletiva e influenciável pela massa de torcedores.

Segundo Halbwachs não há memória que não aconteça sem um contexto espacial.

“é justamente a imagem do espaço que, em função de sua estabilidade, nos dá a ilusão de não mudar pelo tempo afora e encontrar passado no presente – mas é exatamente assim que podemos definir a memória e somente o espaço é estável o bastante para durar sem envelhecer e sem perder nenhuma de suas partes” (7).

Esse espaço, aqui sendo o estádio de futebol, uma vez experienciado e dotado de valor se torna Lugar, tendo a memória como um dos balizadores, pois a vivência do grupo nele se regula pela sucessão de imagens que lhe representa. Assim, em um processo circular, a memória auxilia na familiarização do espaço, tornando-o Lugar (8).

O Maracanã, com um público de 173.000 pessoas, vê o uruguaio Juan Schiaffino marcar contra o Brasil na final da Copa do Mundo de 1950
Foto Divulgação [AE/VEJA]

A partir desse entendimento, a memória cria e recria lugares, transformando-os, dessa maneira, em lugares de memória. “Os lugares de memória são, antes de tudo, restos. A forma extrema onde subsiste uma consciência comemorativa numa história que a chama, porque ela a ignora” (9). São impregnados de lembranças e heranças. Sopros que emaranhados e atrelados, depois de passar por processos identitários que definem imagens, importância e apegos sensoriais.

Segundo Bergson (10), a memória não está nos lugares e sim os lugares que fazem a memória trabalhar nas pessoas, instigando histórias recontadas. Assim, as pessoas são incentivadas pelos lugares a reconstruírem narrativas usando suas lembranças e esquecimentos, denotando, dessa forma, a condição de Lugares de Memórias. Isto somente é possível, pois é parte de uma ambiência que abarca o que está contido e é produzido pelos espaços urbanos.

A ambiência nada mais é que o sopro das relações, pois ela precede e condiciona o que está contido no espaço. Segundo Pinheiro (11), tudo o que nos rodeia é produzido por práticas sociais que, por suas atividades, definem o ambiente urbano. A ambiência, desta forma, funciona como um agente de ligação entre as diversas sensações experimentadas pelos usuários das cidades em uma dada situação.

A ambiência como conceito, vem sendo utilizada em detrimento de pesquisas do espaço meramente físico e funcional. Ela envolve as relações materiais em interação com a percepção, emoções e ações dos sujeitos, bem como suas representações sociais e culturais. Como afirma Augoyard (12), a ambiência é uma atmosfera material e moral que envolve um lugar e as pessoas que delem fazem parte.

Através da ambiência, as pessoas compreendem o espaço por meio de suas próprias experiências e das relações que estabelecem com os lugares, criando vínculos que podem transformá-los em Lugares de Memória.

Segundo Nora (13), os lugares de memória são aqueles onde a memória se cristaliza e se refugia. Ele surge quando a consciência de uma quebra com o passado se confunde com o sentimento de que a memória foi destruída, mas cuja destruição ainda permite a percepção da perda da memória. Lugares de memória existem porque não mais existem meios de garantir a continuidade da memória.

Portanto, lugares de memória se desenvolvem do sentimento que na memória espontânea, é preciso criar arquivos e tipos de organizações não naturais. A verdade sobre lugares de memória é que “sem vigilância comemorativa, a história rapidamente os varreria” (14). Por outro lado, se o que eles defendem não estivesse ameaçado, não existiria a necessidade de construí-lo, bem como se vivêssemos verdadeiramente as lembranças que eles representam, tampouco eles seriam necessários.

Ainda para Nora (15) um traço simples dos lugares de memória os separam de todo tipo de história ao qual estamos acostumados. Toda abordagem anterior da memória, científica ou histórica, se preocupou com a sua própria realidade imediata. Em oposição aos objetos históricos, lugares de memória não fazem referência à realidade, ou ainda, eles são sua própria referência. São “símbolos puros, exclusivamente auto-referenciais” (16). Entretanto, não se deve dizer que os lugares de memória não possuem conteúdo, presença física ou história. O que os torna lugares de memória é exatamente o que os faz escapar da história. Assim, lugares de memória se concentram em seu próprio nome bem como estão sempre abertos para uma grande variedade de suas possíveis significações.

Deste modo, a razão fundamental de ser de um lugar de memória é parar o tempo, é bloquear o trabalho do esquecimento, fixar um estado de coisas, imortalizar a morte, materializar o imaterial para prender o máximo de sentido num mínimo de sinais. Os lugares de memória vivem de sua aptidão para a metamorfose.

E através dessa aptidão pela metamorfose que a investigação do lugar de memória, no presente trabalho, remete ao estádio do Maracanã, uma vez drasticamente modificado. Acreditamos que a ambiência é preponderante nesse processo de construção do lugar através das relações, das experiências e das narrativas que balizam a memória, mesmo com as rupturas e com uma nova proposta de conduta diferenciada da habitual.

Afeto, apropriação e identidade

O jogo Brasil X Paraguai, nas eliminatórias da Copa do Mundo, com 183.341 torcedores, recorde de público no Maracanã, 31 de agosto de 1969
Foto divulgação [Arquivo O Globo/Veja]

Como enfatizou Tuan (17), para o espaço se tornar Lugar é preciso que haja um processo de familiarização. Nesse ínterim, os antecedentes seguem uma linearidade de afetação, identificação e apropriação por meio da experiência. Esses elementos se cruzam e entrelaçam e se baseiam no Outro que é que nos permite reconhecer o nosso Lugar e invocar uma memória coletiva importante em todo esse invólucro da ambiência.

Essa tríade é parte de uma categoria de análise que buscamos na investigação do estádio enquanto receptáculo dos sujeitos que o tornam lugar, não somente ancorado no espaço físico, mas em uma narrativa capaz de manter e propagar a importância desse equipamento de um dos esportes mais aclamados no mundo.

O Lugar, antes de ser de memória, é esse receptáculo dos sujeitos, das relações, envolto por uma ambiência que permite que essa memória seja trabalhada, possibilitando que ele seja superior e ultrapasse a história para deixar marcas importantes no eu, no Outro e no próprio espaço.

Alencar e Freire (18), ao tratar da questão da acolhida do lugar, expressam a questão do apego e deixam evidentes o quão vinculadas estão às sensações que a ambiência proporciona. Para eles, apego ao Lugar diz respeito ao vínculo afetivo estabelecido entre a pessoa e um ambiente, sem que seja necessário um processo de identificação prévio com esse. Para se estabelecer um desejo de proximidade com o meio, não é preciso se apropriar dele ou se formar a partir do mesmo uma identidade de lugar, mas sim comportar uma atitude ética de aceitação de sua diferença perante o outro e suas manifestações.

As teorias contemporâneas sobre o Lugar (19) atentam para algo mutável, ambulante, nômade. O Lugar é onde estou. E já que somos (todos) receptáculos de lembranças que construirão narrativas de lugares, o Lugar é justamente onde a relação de afeto se instituiu, mesmo que não fisicamente. Posso estar online, ou lendo um livro, ou socializando remotamente. Por isso a relevância de atentar para a narrativa do estádio e como isso é preponderante no entendimento do Lugar de Memória, pois, pela ambiência, existe a possibilidade da transmissão de elementos que simbolizam esse espaço e o torna propício para o apego, para o afeto.

Para tanto, uma vez afetado, o processo de identificação e apropriação é, na maioria dos casos, uma fatalidade, pois sem isso o Lugar não passa de um mero espaço de passagem ou um não-lugar, como afirma Augé (20).

Diante disso, torna-se importante o entendimento dos conceitos de identidade e apropriação. Primeiramente, a identidade, Segundo Pollak (21), é uma imagem que a pessoa adquire ao longo da vida, referente a ela própria, uma imagem que apresenta a outras pessoas, e uma imagem da forma como quer ser percebida. Porém, essa percepção é subjetiva e está atrelada ao processo de seleção da memória que se faz ao longo da vida, e, a partir disso, criam-se as próprias identificações e representações. No entanto, a identidade precisa de um espaço para se ancorar. Segundo Lynch, “os locais equilibrados e identificáveis são cabides convenientes nos quais se podem pendurar as memórias, os sentimentos e os valores pessoais” (22). É a identidade, portanto, constituída pela memória do lugar, que por sua vez é criado e recriado pela ambiência, uma vez que esse sentimento é despertado em função de vivências, que geram lembranças e, por fim, reconhecimento que gera a apropriação.

Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1975
Foto Fortepan / Kátai Gyuláné [Wikimedia Commons]

Estando envolto nessa atmosfera moral e material da ambiência, será possível criar identificação, mas não puramente pessoal, mas em razão do outro. De acordo com Pollak, “a construção da identidade é um fenômeno que se produz em referências aos outros, em referências aos critérios de aceitabilidade, de admissibilidade, de credibilidade, e que se faz por meio da negociação direta com os outros” (23).

Quando há essa formação identitária, ancorada na imersão do Lugar, a apropriação é consequência e praticamente condição sine qua non da identidade. Segundo Pol (24), a apropriação vem da necessidade do indivíduo de se diferenciar do outro, demarcando seu território e criando referenciais estáveis, que o ajudam na orientação e preservação de sua identidade. Para ele, existe a necessidade de compatibilizar o novo com estruturas mentais já apreendidas. Transformação do diferente em igual, do estranho em familiar, do outro em si mesmo.

Corroborando com assertiva, Alencar e Freire (25) afirmam que o ato de apropriar-se caracteriza-se como necessidade de o indivíduo não se perder e sempre procurar imprimir sua marca nas coisas, definindo seu território existencial, onde territorializar é um primeiro impulso, por querer marcar a diferença, a propriedade.

Esse território passa a ser dimensionado e valorizado nos significados próprios da condição humana, como afirma Lima (26) e, uma vez experienciado e, tornando-se “pausa em movimento”, segundo Tuan (27), propicia a formação do Lugar que está intimamente atrelado à memória, que é possibilitada pela ambiência.

Nesse ínterim, partimos para a investigação do Lugar de Memória atentando para os enfoques do afeto, da identidade e da apropriação a partir da ambiência de um estádio de futebol reformado e reconstruído: o Maracanã. Através da narrativa dos sujeitos, vamos nos orientar para entender essa atmosfera e buscar dimensionar todos esses sentimentos.

A atmosfera, o estádio, o Maracanã

Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, 05 de janeiro de 2003
Foto Peter & Jackie Main [Wikimedia Commons]

O estádio Mário Filho, comumente conhecido como Maracanã abriu suas portas em 16 de junho de 1950. Foi erguido para a Copa do Mundo de 1950, mas antes de abrigar os jogos das seleções, sediou a partida Seleção Carioca x Seleção Paulista. A iniciativa de construção do estádio, segundo Máximo (28), surgiu em decorrência da necessidade de um local mais amplo para os jogos do Mundial e, em tempo recorde, construiu-se o maior palco futebolístico do mundo.

Em 1999 o Maracanã sofreu a sua primeira grande reforma. As obras foram solicitadas visando o Mundial de Clubes da Fifa no ano seguinte. Segundo Ferreira (29), a maior alteração foi a colocação de assentos nas arquibancadas, dividindo-as em cinco setores separados por barreiras de acrílico com base de concreto. A reforma foi importante para separar as torcidas e cessar com as brigas na parte interna do estádio, mas fez a diferenciação de preços de ingressos, o que, por sua vez, não alterou os interesses dos frequentadores. As intervenções foram importantes para modernizar o estádio.

No ano 2000 o estádio foi reconhecido como patrimônio histórico e inscrito no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Foi alegado grande valor paisagístico atrelado ao valor etnográfico, assim, qualquer reforma a ser feita no local estaria vedada no que pretendesse a alteração no projeto original do imóvel, como a que foi feita no ano anterior ao reconhecimento (30).

No entanto, duas outras grandes reformas viriam a descumprir as premissas do tombamento.  Em 2006, o Maracanã foi novamente reformado para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Com essa alteração, orçada na casa dos R$ 304 milhões, houve a redução da capacidade do estádio, o rebaixamento do gramado e, principalmente, no fim da antiga geral, que segundo Ferreira (31) era o local onde os torcedores assistiam às partidas em pé e, no qual, eram cobrados os ingressos mais baratos. Em seu lugar, foi construído um prolongamento das antigas cadeiras azuis. Com isso, houve a drástica diminuição dos torcedores e a elitização do jogo.

A reforma seguinte seria a mais implicada. Para sediar a Copa do Mundo de 2014 a Federação Internacional de Futebol, Fifa fez algumas ponderações para que o Maracanã sediasse alguns jogos, inclusive a final do mundial, acarretando nessa reforma. Em 2010 o estádio começou o processo de adaptação aos requisitos da Federação e por isso demoliu grande parte de sua antiga estrutura. Como premissa da preservação manteve somente a fachada tombada, causando indagações da manutenção da essência do estádio e da ambiência do lugar.

Outra questão levantada sobre as reformas sofridas trata-se da permanência do Lugar de Memória. Segundo Nora (32), há três sentidos coexistentes nesse Lugar: material, simbólico e funcional. O material pelo conteúdo demográfico; o funcional pela cristalização e transmissão; e o simbólico “que (se) caracteriza por um acontecimento ou experiência vividos por um pequeno número uma maioria que deles não participou” (33).

Uma vez o estádio se tornando arena diante dessas reformas, nada sobrou do físico, exceto a fachada; a cristalização impregnada nos elementos físicos diminuiu drasticamente; e os símbolos atrelados ao espetáculo e à atmosfera do lugar ficaram sujeitados à um outro padrão e outra perspectiva.

Mas seria o físico ainda capaz de trazer à tona alguma lembrança? A atmosfera do lugar conseguiria ser a mesma de outrora? Haveria alguma identificação com o “novo”? Seria possível uma mesma apropriação?

Nesse ínterim, entrevistamos alguns torcedores aficionados que compõem a parte mais interessada da ocupação desse espaço, sendo interpolados a fim de detectar se o Lugar de Memória se manteve mesmo em um espaço completamente modificado físico e moralmente (34).

Entrevistas

Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, 11 de maio de 2008
Foto Micki [Wikimedia Commons]

Foram selecionados cinco torcedores/frequentadores (35) assíduos do Maracanã (36). Como se trata de uma pesquisa de tendências e não fatos objetivos, o número de informantes narradores não tem a necessidade de ser representativo da amostra, uma vez que a metodologia qualitativa trabalha com projeções (37).

A primeira pergunta da entrevista foi a frequência no estádio/arena. Todos os entrevistados disseram ir ao Maracanã pelo menos duas vezes por semana e o tempo de frequência varia de 10 a 50 anos. Embora a questão tivesse sido pontual e ninguém se interessou em delongar mais que o objetivo, foi possível perceber que existe um fator de memória impregnado e um apego ao Lugar, pois é o processo de familiarização com as constantes apropriações que transforma o espaço em Lugar e posteriormente em Lugar de Memória.

Por esse sentido de frequência, sem um maior detalhamento de sentimentos, que arguimos sobre a sensação de estar dentro do Maracanã. Nesse ponto reforçamos o que foi descrito acima, pois há um afeto na fala dos sujeitos que só existe quando há uma identificação, uma apropriação.

“É magico [estar no Maracanã], me arrepio todo, tenho muitas lembranças, ver o meu time de coração, as bandeiras tremulando sobre nossa cabeça, que festa linda, que emoção, amo o estádio, [a] sua arquitetura, e sua arquibancada tem uma posição privilegiada de ver o jogo” (I1, Marcos).

Sobre essa questão da identificação, Maffesoli (38) afirma que é um conceito da pós-modernidade, pois está ligado com a ambientação do tempo e do lugar para determina-la, fugindo do aspecto meramente individual, se balizando pelo grupo. Através dessa “visão de dentro”, como afirma Halbwachs (39), que gerará uma memória coletiva em íntima relação com um grupo de interesses comuns. Podemos observar isso novamente na fala de um dos entrevistados:

“[Eu me sinto] Muito bem, especialmente pelo sentimento de pertencer a uma comunidade com objetivos comuns, irmanada, sem distinção de qualquer espécie” (I2, Paulo).

Quando indagados sobre as reformas do estádio/arena a resposta foi quase um uníssono: todos acreditam que houve uma ruptura muito grande, uma enorme descaracterização, inclusive pela última mudança para a Copa do Mundo de 2014. Porém, e ainda mais surpreendente, é a retomada do Lugar de Memória, que muito mais que ligado ao elemento físico, está ligado ao funcional e ao simbólico da atmosfera do Lugar de Memória.

“Presenciei inúmeras reformas. As duas últimas reformas antes de ser transformado em Arena Maracanã resolveram todos os problemas. Acesso, conforto, organização, banheiros em grande quantidade e limpos, bares funcionando com uma qualidade bastante razoável.

A Arena Maracanã apesar da ótima estrutura (não muito melhor do que o que já tínhamos) descaracterizou o estádio. Ficou igual a qualquer estádio do Mundo e em um primeiro momento foi uma enorme decepção.

Mas, depois que a torcida chega e a bola rola isso se dissipa e volta a emoção” (I3, Bárbara).

Jogo Flamengo 2 X 1 Botafogo, final da Taça Guanabara de 2008
Foto Pedro Lopez [Wikimedia Commons]

Com relação à ocupação das torcidas após as últimas mudanças, os entrevistados enfatizaram o fator segregação. Porém frisaram que, depois do primeiro impacto com o diferente, conseguiram se familiarizar com o lugar e com a torcida. Com isso percebemos uma transcendência ao espaço, uma apropriação ao Lugar via uma atmosfera que paira e persiste para que não se perca o que é do ser, o Lugar dele, que invoca a memória a todo o momento, mesmo ainda com as feridas abertas, em uma narrativa constante para não se perder a referência.

Arguidos de como explicariam o Maracanã a alguém, é perceptível a presença dessa memória coletiva que não está em um só, mas na fusão do Outro, das tribos como bem frisou Maffesoli (40) em sua assertiva sobre a identidade a qual afirma não ser fixa, mas transmutada por meio da convivência com seu meio social. Podemos observar na fala de um entrevistado:

“Eu já tive a experiência de levar várias pessoas pela primeira vez no Maracanã. Não importa o quanto se esforce, não dá para explicar muito o que é o Maracanã. Agora, eu não levo as pessoas para o estádio. O Maracanã não é a atração principal. Eu levo as pessoas para a torcida do flamengo... o estádio é só um bônus” (I4, Rodrigo).

Fechando as perguntas, fizemos uma provocação de como imaginariam o estádio/arena após o Mundial. Os respondentes se dividiram entre aqueles que acreditavam que a grande massa tomaria conta novamente do espaço, como Rana, I5: “Acredito que não haverá grandes ou nenhuma mudança” e o informante I4; e os demais, I1, I2 e I3 que disseram que a especulação dos preços e o “bom comportamento do torcedor”, imposto pela reorganização do espaço, poderia afetar a retomada do Lugar.

Apesar das inquietações, foi possível notar um ponto em comum na fala dos sujeitos ao deixarem seus comentários finais, frisando e ratificando o que foi colocado sobre o Lugar de Memória e tudo o que é capaz de suscitar dentro da atmosfera do Maracanã:

“Tenho consciência de que emoções sentidas no passado [eu] jamais viverei no presente com este estádio, porem é sempre uma emoção quando entro dentro dele, é como se eu estivesse vivendo no presente com o passado em mente, algo mágico, sentir o calor das torcidas, dos gritos de incentivo ao seu time” (I1, Marcos).

A verdade é que os Lugares de Memória “sem vigilância comemorativa, a história rapidamente os varreria” (41).

Ponderações

Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, 21 de maio de 2008
Foto Rodrigo Soldon [Wikimedia Commons]

Ao analisarmos os relatos dos torcedores/frequentadores, percebemos que as rupturas causadas no estádio deixaram marcas importantes nos sentimentos dos aficionados, porém, eles ainda são capazes de se afetar pelo Lugar, reforçando a ideia de que a ambiência não só precede e condiciona o espaço, ela também se fortalece pela paixão pelo futebol. Isso possibilita a (re)criação de lugares para o acolhimento dos jogos e principalmente do público, responsável pela corporificação e relações com o espaço.

Mesmo após as reformas, o Lugar de Memória se mantém muito mais pelo movimento/envolvimento da ambiência que pelo espaço físico em si. Ele está ligado aos usos e rituais gerados pelo jogo de futebol e pela paixão suscitada pelo brasileiro que ocupa o espaço e se identifica como o palco de sua devoção, dentro de uma atmosfera penetrante e que transcende.

Muitas são às críticas aos estádios reformados para a Copa do Mundo de Futebol, como é o caso do Maracanã, que foi todo reestruturado para dar lugar a uma arena, atendendo a padrões de exigência internacional. Com isso, restou pouca referência material para a memória coletiva.

Por essa razão, escolhemos tratar do Lugar de Memória pelo viés da ambiência, que implica para além do físico, do funcional e do simbólico. É a ambiência a união desses fatores + às relações dos sujeitos + os aspectos sensíveis e tudo isso em um movimento ininterrupto, como uma força para gerar a energia necessária para o não apagamento.

A ambiência do Maracanã envolve os elementos arquitetônicos e simbólicos de um estádio – a forma de arena, a visibilidade de todos os pontos, a proximidade física, o campo magistral –, a manifestação lúdica do futebol – aqui encarada como uma prática de lazer exercida fora das obrigações sociais (42) – e as relações contínuas estabelecidas entre os torcedores.

Para muitos o futebol funciona como um elemento de religação, quase uma “religião” no sentido estrito da palavra acarretando na “coisa mais importante, a única que dá sentidos as suas vidas vazias” (43). Assim, o estádio consegue carregar, mesmo com as abruptas mudanças, uma atmosfera com aptidão para a metamorfose e a predominância do lugar de memória através de uma resignificação.

Por isso notamos que há uma identificação com as tribos e o espaço, mesmo com a tentativa da imposição de condutas e modos de convivência pela máxima do poder. Ademais, o processo de apropriação rompe uma resistência e faz para muitos adeptos a grande diferença de ver o futebol e mergulhar nele de verdade. Segundo Pol (44), a apropriação vem da necessidade do indivíduo de se diferenciar do outro, demarcando seu território e criando referenciais estáveis, que o ajudam na orientação e preservação de sua identidade. Para ele, existe a necessidade de compatibilizar o novo com estruturas mentais já apreendidas. E como afirma Michel Maffesoli (45), a identidade é um processo de compartilhamento de interesses comuns, pela natureza do grupo, logo, o estádio, mesmo que reformado, ainda é o lócus de vivências, de afeto e de encontros capazes de possibilitar a apropriação e a geração da identidade.

Considerações finais

Estádio do Maracanã após reforma para a Copa do Mundo de 2014
Foto Elizabeth da Silva Brites Santos [Wikimedia Commons]

Ao concluirmos a presente pesquisa, notamos que a ambiência é a tônica do Lugar de Memória. Ele só existe em função dessa atmosfera que precede e condiciona todo o espaço ritualizado e usufruído pelos frequentadores/torcedores. A ambiência é um processo de linguagem, na qual, mais que as relações e os aspectos sensíveis em um dado espaço, há um processo de transmissão verbal e simbólica como premissa da existência do Lugar.

Nora afirma que os lugares de memória não param no tempo, eles tem aptidão para a metamorfose e sofrem intervenção da história, do tempo, da mudança. “Lugares, portanto, mas lugares mistos, híbridos e mutantes, intimamente enlaçados de vida e de morte, de tempo e de eternidade: numa espiral do coletivo e do individual, do prosaico e do sagrado, do imóvel e do móvel” (46).

Porém, essas mudanças e intercalações, onde as alterações não deixam que o passado seja substituído, e sim somado, como verificamos no Maracanã que carrega inúmeros campeonatos, vitórias e derrotas, transmissões e permanências de paixões, gestos e sentimentos de toda ordem, só tem razão de ser uma vez corporificado e em relação com os mais diversos sujeitos.

Com isso, buscamos enfatizar que, por mais imposição que haja pelas reformas ocorridas, sempre haverá alguma maneira de reconstituir o Lugar de Memória. Isso acontece devido ao alto índice de afetação, identificação e apropriação pela ambiência que insiste em continuar ali, buscando resquícios em outrora, para manter o futebol como um dos mais valiosos bens culturais do nosso país.

notas

1
JODELET, Denise. A cidade e a memória. In: DUARTE, Cristiane et al. Projeto do lugar. Transcrito e traduzido por Walkirya Coppola e Cristiane Rose Duarte. Rio de Janeiro, Contracapa, 2002.

2
Idem, ibidem.

3
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo, Vértice, 1990, p. 55.

4
JODELET, Denise. Op. cit.

5
POLLAK, Michael. Memória e identidade social. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5, n° 10, 1992.

6
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História. São Paulo, 1981, Departamento de História PUC-SP, p. 9.

7
HALBWACHS, Maurice. Op. cit., p. 160.

8
TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo, Difel, 1981.

9
Idem, ibidem, p. 12-13.

10
BERGSON, Henri. Matéria e memória. Tradução Paulo Neves. 2a edição. São Paulo, Martins Fontes, 1999.

11
PINHEIRO, Ethel. A cidade no fragmento: lugar e poiesis no Largo da Carioca. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro, Proarq FAU UFRJ, 2004.

12
AUGOYARD, Jean-François. Vers une esthétique des Ambiance. In: AMPHOUX, Pascal; THIBAUD, Jean-Paul; CHELKOFF, Grégoire. Ambiances en Débat. Bernin, À La Croisée, 2004.

13
NORA, Pierre. Op. cit.

14
Idem, ibidem, p. 12.

15
Idem, ibidem.

16
Idem, ibidem, p. 27.

17
TUAN, Yi-Fu. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. Tradução Lívia de Oliveira. São Paulo, Difel, 1983.

18
ALENCAR, Helenira Fonseca de; FREIRE, José Célio. O lugar da alteridade na psicologia ambiente. Revista Mal-estar e Subjetividade, vol. II, n. 2, Fortaleza, Universidade de Fortaleza, 2007, p. 305-328

19
CUFF, D. Immanent Domain: pervasive computing and the public realm. Jounal of Architectural Education, Londres, n. 57, vol. I, 2003, p. 43-49; SOJA, Edward. Thirdspace. Journeys to Los Angeles and other real- and-imagined places. Cambridge, Blackwell, 1996.

20
AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas, Papirus, 1994.

21
POLLAK, Michael. Op. cit.

22
LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p. 128.

23
POLLAK, Michael. Op. cit.

24
POL, Enric. La apropriación del espacio. In: Iñiguez, Lupicínio; POL URRUTIA, Enric (Orgs). Cognición, representación e apropriación del espacio. Barcelona, Universitat de Barcelona, 1996, p. 45-62.

25
ALENCAR, Helenira Fonseca de; FREIRE, José Célio. Op. cit.

26
LIMA, Solange Terezinha de. Percepção ambiental e literatura – espaço e lugar no Grande Sertão: Veredas In: DEL RIO, Vicente; OLIVEIRA, Lívia (orgs.). Percepção ambiental: a experiência brasileira. São Carlos, Editora da UfScar/Studio Nobel, 1996, p. 153-172.

27
TUAN, Yi-Fu. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. Op. cit.

28
MÁXIMO, João. Maracanã: meio século de paixão. São Paulo, DBA, 2000.

29
FERREIRA, Fernando da Costa. Maracanã: de centralidade popular a arena para a sociedade do espetáculo. Anais do XIII Simpósio Nacional de Geografia Urbana. Rio de Janeiro, 2013.

30
GIRÃO, Claudia. Maracanã: destruir ou preservar. Projetos, São Paulo, ano 12, n. 133.08, Vitruvius, fev. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/12.133/4225>.

31
FERREIRA, Fernando da Costa. Op. cit.

32
NORA, Pierre. Op. cit.

33
Idem, ibidem, p. 22.

34
O presente trabalho foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da instituição supracitada e foi realizado de acordo com os preceitos éticos estabelecidos pela Resolução nº 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde sobre as normas regulamentadoras de investigação envolvendo seres humanos.

35
Embora todos respondentes tenham assinado o termo de consentimento livre e esclarecido, optamos por modificar os nomes a fim de preservar a identidade de cada um.

36
Os entrevistados foram aqueles que se dispuseram a responder perguntas dentro de uma pesquisa online. Foram selecionados somente aqueles que frequentaram assiduamente nos últimos 10 anos o estádio. As respostas aqui elencadas foram escolhidas de torcedores em um grupo maior de frequentadores que numa pesquisa preliminar não mostrou opinião formada para com as mudanças físicas sofridas. As perguntas foram direcionadas buscando versar pelas categorias memória, afeto, apropriação e identidade. Os entrevistados foram divididos por I1, I2, I3, I4 e I5 a fim de confrontar as respostas.

37
A metodologia qualitativa é indicada a tratar questões de cunho mais profundo, que uma abordagem quantitativa não faria. Por utilizar técnicas projetivas é possível fazer associações abstratas e inconscientes, bem como análise de fator emocional e latente, que não seriam reveladas em um discurso racional nem mesmo em índices estatísticos (CELANO, 2000).

38
MAFFESOLI, Michel. O tempo das tribos. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1997.

39
HALBWACHS, Maurice. Op. cit.

40
MAFFESOLI, Michel. Op. cit.

41
NORA, Pierre. Op. cit., p. 12.

42
DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. Tradução M. L. S. Machado. São Paulo, Perspectiva, 1973

43
WISNIK, José Miguel. Veneno remédio: o futebol e o Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2008, p. 42.

44
POL, Enric. Op. cit.

45
MAFFESOLI, Michel. Op. cit.

46
NORA, Pierre. Op. cit., p. 22.

sobre as autoras

Natália Rodrigues de Melo é doutoranda no programa de pós-graduação em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ e graduada em Turismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP.

Cristiane Rose de Siqueira Duarte é Professora Titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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