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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
As varandas em ferro dão graça a antigas construções cariocas de estilo eclético no Rio de Janeiro. Este texto discorre sobre a história dos ornamentos em ferro na arquitetura, impulsionada pela pré-fabricação e catálogos do final do século 19.

english
The balconies in iron add gracefulness to old eclectic buildings in Rio de Janeiro. This article discusses the history of iron ornaments in architecture, driven by the pre-fabrication and catalogs in the late nineteenth century.

español
Los balcones de hierro dan gracia a antiguas construcciones de estilo ecléctico en Rio de Janeiro. Este artículo trata sobre la historia de los adornos en la arquitectura del hierro, impulsados por la prefabricación y catálogos de finales del siglo XIX.


how to quote

MORAES, Lucia Madeira. Sacadas cariocas. Varandas em ferro no Rio de Janeiro. Arquitextos, São Paulo, ano 18, n. 207.02, Vitruvius, ago. 2017 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/18.207/6662>.

Introdução: ornamentos no ecletismo

No século 19 a arquitetura era marcada por adornos aplicados a fachadas e interiores. Estes trabalhos eram considerados “artes menores” que não se equiparavam às grandes artes, como a pintura e escultura.

Estes enfeites eram elaborados artesanalmente em materiais como granito, mármore, alvenaria ou madeira, exigindo a dedicação de artífices talentosos e, portanto, tinham custo fora do alcance da maioria da população. O ferro possibilitou a imitação das formas clássicas, fazendo cópias mais baratas de elementos comuns deste período.

Por outro lado, a descoberta de grandes jazidas de ferro nas colônias e o domínio da técnica de fundição por países da Europa, deram grande impulso à indústria de elementos pré-fabricados de ferro fundido.

Como o ferro fundido não enferruja, revelou-se um material apropriado à utilização em países tropicais, resistindo à umidade do clima e até à maresia.

Criava-se assim um grande mercado. De um lado, as colônias que cresciam e de outro, fundições europeias interessadas em expandir seus mercados.

As exposições criaram o conceito de artes aplicadas à indústria, criando uma discussão de que a produção de uma obra exclusiva não era o único caminho para a expressão artística.

Os catálogos exibidos nas exposições ou editados pelas fundições, permitiram a importação de seus produtos e inspiraram a manufatura brasileira na criação de produtos similares.

A serralheria teve um papel destacado dentro do artesanato artístico. Os ferreiros constituíram uma importante categoria profissional na Europa a partir da Idade Média. Não é por acaso que Smith (ferreiro) é um sobrenome muito popular na língua inglesa. Pelo estilo e características do trabalho, os antigos serralheiros artísticos podiam ser reconhecidos e depois imitados.

No final do século 19 o estilo eclético começou a ser substituído por formas mais puristas e modernas. Os ornamentos produzidos em série já estavam desgastados e o ferro fundido caiu em desuso.

O que era banal naquela época se tornou raro nos dias de hoje e os ornatos do ecletismo dão o tom romântico característico das áreas preservadas de cidades das antigas colônias. No Brasil, além do Rio de Janeiro, estas construções podem ser encontradas também em São Luís, Salvador, Recife e Ouro Preto e outras cidades que foram centros comerciais no passado.

Rua da Carioca 8, Rio de Janeiro
Foto Lucia Madeira

Os bastidores da História: o Rio de Janeiro no século 19

Com pouco mais de 110 mil habitantes, no início do século 19, o Rio de Janeiro se tornara o mais importante centro econômico do país graças à função estratégica de seu porto. No plano político, em 1763, era a capital político-administrativa do Vice-Reino do Estado do Brasil, em substituição a Salvador.

A instalação da família real no Rio em 1808 acaba amplificando o papel economicamente e político da cidade.

Entre 1840 e 1860, com cerca de 150 mil habitantes, o foco nas novas propostas de intervenção se concentra na zona portuária.

Neste segundo momento de internacionalização da economia, a fachada marítima ganha notável importância nos projetos para a capital, passando a se valorizar bairros à beira-mar como Glória, Flamengo e Botafogo. A rápida organização de serviços de transportes coletivos a partir desta década acelera a criação nas cercanias da cidade de loteamentos em locais “salubres”; além disso, a criação de novos bairros nas montanhas, como Santa Teresa, Laranjeiras, Andaraí e o Alto da Boa Vista, acelera-se, estabelecendo novas conexões da cidade com a natureza.

Nesse período, o Rio de Janeiro recebe a influência do movimento reformista liderado sobretudo por Paris e Londres. As duas capitais adotam novas práticas de governança urbana que vão construindo a forma moderna destas cidades. Em Paris, as reformas são visíveis nas obras empreendidas por Haussmann. Em Londres as mudanças seguem uma série de leis que vão regularizando, a seu modo, a construção de edifícios e as relações das áreas livres — privadas e públicas — às questões sanitárias, de saúde ou de comodidade pública.

No início da década de 1870, o Rio de Janeiro, com uma população de 235.381 habitantes, continuava sendo, a capital do império e a mais importante cidade do país (1).

A esta altura, no Rio de Janeiro, os loteamentos haviam se multiplicado num ritmo acelerado e, com eles, as residências e os palacetes destinados às camadas mais abastadas situadas nos arrabaldes. A inauguração da primeira linha de tramway, em 1868, e o desenvolvimento de numerosas linhas ao longo da década de 1870 são o suporte de uma expansão horizontal.

Do ponto de vista historiográfico, deve-se separar as pequenas manifestações percebidas na arquitetura privada nas décadas de 1850 e de 1870 — que ora incorpora elementos de um ou de outro estilo histórico, de um segundo momento de construção de verdadeiros “lugares de rememoração” dessa ideia, nas décadas de 1880 e de 1890.

Em 1885, a população do Rio de Janeiro mais que dobrava, alcançando 522.651 habitantes em 1890.

Com a proclamação da República, as mudanças administrativas passam por ajustes próprios de um novo sistema de governo.

Para o Rio de Janeiro, talvez o século 19 tenha terminado em 1910. Pelo menos foi durante a primeira década do século 20 que a sua imagem como “grande capital sul-americana” ganhou visibilidade. De fato, a partir da posse do presidente Rodrigues Alves, em novembro de 1902, o Rio se tornou um grande canteiro de obras. Um conjunto de iniciativas visando à reforma da cidade ficaria a cargo do Ministério de Obras Públicas, sob a responsabilidade do ministro Lauro Muller. A realização de outros projetos seria empreendida pela municipalidade, tendo à frente o prefeito Pereira Passos.

Antigo Bar Flora, Rua da Carioca 3, Rio de Janeiro
Foto Lucia Madeira

Passos trazia um vasto conhecimento da cidade e começou sua administração organizando um amplo plano viário, que previa a abertura e o alargamento de inúmeras ruas no centro, rasgando o tecido urbano colonial, mas também em áreas de subúrbios e fez com que fosse considerado um “Haussmann” tropical.

Além das destruições em massa de quadras inteiras na área central, seu plano enfrentou questões ligadas à salubridade e ao embelezamento.

Complementando o conjunto de iniciativas do Ministério da Viação e Obras Públicas, o engenheiro Paulo de Frontin foi encarregado da abertura de um grande eixo norte-sul (a Avenida Central), ligando, de mar a mar, o novo porto à nova Avenida Beira-Mar, que a prefeitura construía (2).

Inaugurada em 1905, a avenida, com seus hotéis, cinemas, escritórios de grandes empresas, lojas e edifícios públicos, condensava a própria imagem da vida moderna com seu dinamismo e sua arquitetura cosmopolita. Ao findar a gestão de Pereira Passos, em 1906, o Rio de Janeiro com seus 800 mil habitantes era a capital da Belle Époque por excelência na América do Sul.

Os sobrados

Num tempo em que o transporte era escasso e as cidades procuravam ter o tamanho que as pernas alcançavam, as cidades eram construídas de forma compacta, com a máxima ocupação territorial. Daí surgiram as construções de fachadas estreitas e contíguas, com casas coladas umas às outras. Construções em centro de terreno eram características de chácaras, de casas de campo.

No Rio de Janeiro, os sobrados passaram a ser residência das classes mais abastadas desde o final do século 16. No pavimento térreo ficavam depósitos, cocheiras e os aposentos dos escravos e no superior, a moradia. No século 19, a área térrea era reservada ao espaço social e no 2º andar ficava área íntima com os quartos. Nas áreas comerciais, o térreo era destinado ao negócio.

Com o tempo e o adensamento das cidades, a falta de saneamento e as aglutinações ameaçavam a saúde de seus habitantes. A partir do fim do século 17, “circulação, embelezamento e higiene passam a constituir as três virtudes esperadas das cidades” (3).

No início do século 18 acreditava-se que as doenças eram transmitidas pelos miasmas, causados pela estagnação do ar. Buscando construções mais claras e ventiladas, é nessa época que cresce o uso de claraboias e de balcões no mundo ocidental.

Em 1763, quando o Rio de janeiro passou a ser a capital da Colônia, a cidade tinha ruas mal pavimentadas e sujas, por onde circulavam escravos transportando mercadorias, vendedores e quitandeiras, com cestos e tabuleiros. A pouca largura das ruas devassava o interior das casas e, para preservar a intimidade de seus moradores, as habitações traziam janelas cobertas por telas trançadas. Nas casas mais simples era usado um trançado rústico de origem indígena feito com fibra vegetal, as urupemas- também conhecidas por peneiros. Nas construções mais nobres, um ripado em treliça de madeira, de origem mourisca, os muxarabis ou gelosias. Estes fechamentos cobriam as fachadas e, as rótulas abrindo para fora, atrapalhavam os transeuntes.

Quando aqui chegou como Vice-Rei em 1769, Luis de Almeida Soares Portugal, marquês de Lavradio, pôs em prática um programa de reformas para dar uma aparência compatível com sua condição de capital da colônia. Lavradio calçou ruas, restaurou edifícios públicos, regulamentou alinhamentos e acabamentos de fachadas e mandou, tal como fizera em Salvador, arrancar todas as urupemas pendentes das paredes. Permaneceram as gelosias cobrindo quase todas as construções (4).

Em 1808 a chegada da família real transformou a cidade na nova Corte do Império Lusitano e, para dar ordem à cidade, foi criada a Intendência Geral de Polícia. Nomeado para esta função, Paulo Fernandes Vianna também foi encarregado de cuidar da urbanização da cidade, procurando dar-lhe aparência mais digna. Os imóveis com janelas e balcões cobertos por gelosias davam um aspecto sombrio às ruas, chocando tanto os recém-chegados portugueses quanto os diplomatas e comerciantes estrangeiros (5).

Em 1809, D. João, pressionado pelos ingleses, que tinham interesses comerciais com o Brasil, publicou uma lei com medidas para melhorar as condições de higiene e salubridade das cidades brasileiras. A pretexto de mudar o aspecto da cidade e possibilitar aos moradores verem e serem vistos pelo Soberano, Vianna proscreveu, em junho de 1809, rótulas e gelosias das janelas e balcões de todos os sobrados da cidade, num curto prazo. O Edital do Intendente dava apenas oito dias para que as janelas de rótula fossem retiradas e seis meses para colocação de “gradis em ferro ou balaústres que os imitem” (6).

O argumento apresentado pelo Intendente de não dever a cidade “continuar a conservar bizonhos e antigos costumes”, ou a versão de que as gelosias poderiam esconder criminosos eram desculpas para sua destruição imediata. O mercado brasileiro recém-aberto tornara-se o alvo prioritário do comércio britânico. O edital e o exíguo prazo de seis meses para a instalação dos gradis teria sido o resultado de forte pressão do cônsul geral britânico em defesa dos comerciantes de seu país. Propondo o uso do ferro e do vidro, o Intendente atendera as exigências britânicas fazendo escoar o encalhe desses produtos nos armazéns.

Os anos de permanência de D. João VI no Rio transformaram a vida da população na capital. A gelosia do balcão, foi substituída pelo gradil de ferro e pela esquadria com caixilho de vidro. A sacada, até então posto de vigília, permitia, agora, a exposição dos moradores, pois era dela que assistiam e participavam das procissões, das festas religiosas e dos muitos outros acontecimentos públicos. As pessoas agora além de ver, queriam também ser vistas. Participavam ativamente da vida urbana enfeitando suas sacadas com panos, bandeiras, flores e velas.

O Brasil assimilou rapidamente estas técnicas que permitiam a imagem de uma cidade salubre e bela. Porém, só no segundo ciclo de urbanização a arquitetura do ferro ganhou o seu verdadeiro impulso.

Em 1811 um decreto proibiu a construção de prédios de apenas um pavimento ou térreo na zona da “Cidade Nova“, para aproveitar melhor a ocupação dos terrenos. Aos poucos as construções baixas, onde a fachada comportava apenas a porta e no máximo duas janelas, foram dando lugar às edificações com dois andares.

Avenida Primeiro de Março 147, Rio de Janeiro
Foto Lucia Madeira

Um século depois, os proprietários dos sobrados se mudaram para áreas mais novas e os sobrados foram se tornando em casas de aluguel e estabelecimentos comerciais. Já em 1940 os sobrados eram moradia da população de menor renda, repúblicas de estudantes, pensões e muitos cortiços e até mesmo casas de prostituição. A classe média abandonou definitivamente os sobrados como moradia. É um período em que a má conservação e a especulação imobiliária fizeram desaparecer muitos sobrados. Com o tombamento gradativo de algumas áreas pelo Iphan, as demolições cessaram, mas o estado de abandono ainda coloca em risco muitas edificações. Mesmo políticas públicas de incentivo à conservação, com redução de impostos, não tiveram o efeito necessário.

A revitalização está ocorrendo gradualmente, pela transformação de áreas de sobrados em áreas de lazer. Depois de tanto tempo, os sobrados encontram uma vocação para a música, a gastronomia, a cultura e o turismo.

O ferro e o fogo

Inicialmente usado na arquitetura para fixação e fechos, só depois o ferro passou a ser utilizado como elemento decorativo em grades e balaustradas. O ferro, convertido em barras era dobrado formando curvas e outras formas, que iam sendo soldadas, formando desenhos.

Ferro forjado e ferro fundido são formas diferentes de moldagem do ferro e apresentam propriedades peculiares: enquanto o tratamento na forja aumenta a elasticidade do material, a fundição o torna rígido (7).

No entanto, o ferro forjado era considerado caro para atender a demanda a partir da metade do século 19. Os custos de produção relativamente baixos do ferro fundido em comparação com os custos da fabricação de ferro forjado foram fundamentais para crescimento do uso deste material em função decorativa.

O ferro fundido podia ser produzido em massa e, portanto, era muito mais barato. Sendo moldável, podiam ser elaboradas formas muito diferentes e igualmente bonitas e, para a maioria das finalidades decorativas, o ferro fundido forneceu uma solução mais rentável.

A produção comercial de ferro fundido começou no final do século 18. Era fabricado inicialmente em moldes de areia abertos no chão, às vezes diretamente do alto-forno, mas com o desenvolvimento da indústria, caixas de moldagem passaram a ser usadas. Os dois lados da caixa são reunidos e o ferro fundido é derramado no molde. Após o resfriamento, a caixa é aberta e é feita a limpeza e retirada do excesso de metal. Ainda hoje, as fundições artísticas em operação utilizam estes mesmos processos.

A inspiração da Europa Latina

Os romanos usavam varandas e terraços inspirados nos pódios e tribunas que permitiam observar os espetáculos. O termo Moeniano (318 a. C) designa a plataforma que permitia aos espectadores ver os jogos do fórum e passou a ser usado para todos os tipos de balcão a partir daí. O guarda corpo dos terraços italianos era denominados mignano (8).

Na Itália, as balaustradas têm raízes na arquitetura sarracena. Veneza, que recebia mais influência da Ásia, adotou em ferro os padrões geométricos da arte sarracena. As grades formadas por misturas de círculos, quadrados e trevos, que marcaram a arquitetura veneziana, logo se espalharam pela Itália, como na Florença, Siena e Verona dos séculos 13 e 14 e mais tarde copiados por toda a Europa.

Na França os desenhos geométricos, a base da arquitetura gótica, passaram a ser adotados nos ornamentos de ferro. Gradis formados por barras verticais ou diagonais, arrematados por ponteiras, se tornaram usuais na França do século 14. O uso constante de folhagem natural nos ornamentos de arquitetura foi a base dos ferreiros no período Gótico no século 15.

O Art Nouveau, estilo ornamental inspirado por formas e estruturas naturais, e o Art Déco encontraram no ferro um grande aliado e no período de 1890 a 1930 criando maravilhosos gradis nestes estilos.

A reurbanização de Paris, realizada por Hausmann em 1835, contou com a reprodução em série de ornamentos, graças a união da indústria com a arte, o que reduziu o tempo de realização das obras.

Neste período, a reurbanização francesa influenciou a modernização e embelezamento de cidades em diversos países que haviam conquistado sua independência.

As lembranças das invasões francesas no início da colonização e depois a invasão de Bonaparte à Portugal retardaram a chegada da influência francesa ao Brasil. Com a paz na Europa, os portos brasileiros se abriram em 1815 para o comércio com os franceses. Em 1816 D. João IV mandou vir uma missão de artistas franceses, dentre eles serralheiros.

Gradil na Cidade Alta, Lisboa
Foto Lucia Madeira

Já na região mediterrânea de Portugal à Espanha, a partir do século 17 o estilo de morar deixou de ser defensivo, recluso e se abriu para as cidades. Os balcões, espaços nem abertos nem fechados, que permitiam apreciar a vista, o movimento da cidade e se deixar ver, passaram a fazer parte da arquitetura da época. As varandas – do persa Baranda (“bar”, para cima e “anada” saliente) permitiam desfrutar do entorno sem precisar ir à rua.

Em Lisboa, o terremoto de 1755 levou a um grande esforço de reconstrução da cidade, que incluiu um concurso para execução de grades de ferro necessárias a este trabalho.

Como no Brasil, foi também a partir dos inícios do século 19 que esta arte mais se desenvolveu em Portugal, em parte pela criação em 1878 da Escola Livre das Artes do Desenho e pela influência dos trabalhos em ferro apresentados pelos espanhóis na Exposição Universal de Paris de 1900.

Inglaterra e Escócia – a força da indústria

Além das jazidas próprias de ferro e carvão, à medida que novas colônias europeias iam sendo descobertas, revelavam imensas reservas de minérios. A abundância de matéria-prima fortaleceu o crescimento da indústria do ferro, principalmente no Reino Unido.

O ferro fundido começou a ser utilizado na Inglaterra para a construção de grandes obras civis. Para aproveitar o parque industrial, as fundições começaram a dar outros usos a este material. Eram produtos inicialmente destinados a grandes composições, como reservatórios de água, quiosques, coretos, escadarias, galpões portuários e estações. Permitiam rapidez na construção e não exigiam mão-de-obra especializada. Estas estruturas eram transportadas, como um grande quebra-cabeça e vinham acompanhadas de manual que orientava a sua montagem. Com isso, o ferro fundido moldado com ornamentos trabalhados torna-se um componente presente nas construções do século 19.

A Escócia também se tornou um importante centro produtor de artefatos de ferro. No Brasil, a contribuição de MacFarlane e sua Saracen Foundry pode ser vista nos mercados de Belém e Manaus, no Theatro José de Alencar e na Estação da Luz (9).

O caráter mercantilista da Inglaterra foi o maior responsável pelo uso do ferro na arquitetura. Com grande produção as fundições procuraram expandir seus mercados para suas colônias e países com quem tinham parceria comercial. Empresas britânicas vendiam pré-fabricados em ferro fundido, despachando-os para todo o mundo. A produção britânica atingiu o pico por volta de 1890. As duas guerras mundiais impactaram fortemente no setor, com perda de clientes e mão de obra qualificada e com as fundições passando a produzir material para a guerra.

Diversos balcões, Victoria and Albert Museum, Londres
Foto Lucia Madeira

Fundição Artística no Brasil

Por razões de economia e segurança, o Brasil como colônia tinha limitações impostas por Portugal para instalar manufaturas. Para atender às necessidades de utensílios de ferro, onde o comércio português não estava presente, surgem as primeiras fundições do século 17, os “engenhos de ferro” (10).

Essa metalurgia se voltava principalmente para a fabricação de utensílios domésticos como ferros de passar, fogões, dobradiças e fechaduras.

Para lecionar artes e ofícios, a missão francesa que chegou ao Brasil trouxe um serralheiro, Nicolas Enout, e um ferreiro, Jean Batiste Level. Em 1858 foram criados cursos para artífices no Liceu de Artes e Ofícios, por Francisco José Bethencourt Silva.

Com o crescimento da demanda, as fundições que faziam utensílios domésticos passaram a produzir também ornamentos para arquitetura, réplicas dos modelos europeus e desenhos produzidos no Brasil.

Uma delas foi a Fundição Progresso, a fábrica L.B. Almeida de fogões e cofres Progresso, fundada em 1881. A fundição tinha no fogão Sereia o seu carro-chefe e mais tarde foi diversificando seus produtos, para atender a demanda por utensílios domésticos feitos de ferro. Como ornamentos arquitetônicos produziam mezaninos, peitoris, bandeiras de janela e de portões, cancelas, lanças para grades e grades e balaústres de ferro fundido.

Todas estas peças apareciam nos catálogos publicados em 1907 e 1926. A Fundição Progresso acabou deixando o tradicional prédio da Lapa, atualmente uma casa de espetáculos, e se mudou para um galpão de São Cristóvão.

Os reflexos da desvalorização do uso do ferro fundido aconteceram ao redor do mundo. Muitas construções foram derrubadas ou remodeladas, numa época em que estes elementos eram considerados vulgares. Apenas na metade do século 20 estas construções voltaram a ser valorizadas e criadas associações, para sua pesquisa e preservação.

Rua do Rosário 145, Rio de Janeiro
Foto Lucia Madeira

No Brasil não foi diferente. Até meados dos anos 1970, quando os sobrados começaram a ser tombados, os antigos gradis eram retirados nas demolições e vendidos a peso de ferro ou como peças decorativas avulsas, compondo jiraus, bancadas e varandas em construções novas ou em partes de mobiliário. Mesmo com o tombamento, não existem regras de preservação destas peças, que felizmente, resistem ao tempo, mesmo sem cuidados.

Apesar de gerar uma falsa sensação de solidez, o metal é muitas vezes frágil, especialmente quando enfraquecido pela ferrugem, escondida pela pintura, principalmente nas juntas, articulações e pontos de fixação.

Desenhando com ferro

Os ornamentos em ferro tiraram partido de sua maleabilidade para criar inúmeros desenhos a partir de formas básicas. Esses elementos se interligam com formas geométricas e figurativas compondo sílabas, palavras e poesia visual. Desde pequenos módulos que se replicam configurando padrões, ou estruturas mais complexas, as vinhetas, e até desenhos mais elaborados, composições que criam estampas únicas (11).

Os módulos básicos são repetidos, espelhados, entrelaçados em infinitas combinações. Podem formar padrões pela repetição, inversão, dobra e alternância de elementos dispostos em espaços simétricos, irradiantes ou convergentes.

As diferentes sacadas personalizavam os sobrados, cuja arquitetura já era limitada pela altura e largura dos lotes. A variedade de desenhos e estilos dos gradis de ferro, criados a partir de módulos básicos, permitia que o construtor fizesse composições que quebravam a monotonia das fachadas.

Rua Uruguaiana 100, Rio de Janeiro
Foto Lucia Madeira

Em um trabalho comparável à ourivesaria, com suas filigranas, a arte dos gradis se vale de inúmeras formas e fontes de inspiração:

  • formas abstratas e geométricas: espirais, gregas, arabescos, anéis, correntes, círculos, ovais, losangos, estrelas, quadrados;
  • formas da natureza: representam elementos vegetais ou animais estilizados, de acordo com a região onde surgiram. Também são representados elementos marinhos, conchas, a lua, o sol e as estrelas;
  • formas concretas: vasos, ânforas, letras e monogramas, liras, cruzes, flechas.

Quanto à composição, os desenhos mais encontrados podem ser classificados em: elementos modulados, redes, balcões e painéis.

Elementos modulados: formados por réguas planas formando gregas e arabescos, que são montadas verticalmente e arrematadas por um corrimão. É o padrão mais encontrado, devido à facilidade de moldagem e de transporte das partes moduladas.

Redes em ferro: são barras verticais soldadas, com graciosos entrelaçados, geralmente encabeçados por gregas, arabescos ou guirlandas. Este estilo lembra o provençal e as barras podem ter perfil cilíndrico, quadrado ou plano.

Balcões: são estruturas completas formando balaustradas, geralmente utilizados na janela central, que podem compor com elementos das sacadas das demais janelas, formando um conjunto harmônico. Podem ser encontrados, também, isoladamente, dando destaque à fachada.

Painéis: grandes composições em ferro fundido, geralmente formado por guirlandas que convergem para um elemento central: um buquê, uma ânfora ou vaso, um leão.

Composições: misturando peças simples com peças mais elaboradas, algumas especialmente desenhadas para entremeios e fechamentos, era possível montar composições totalmente diferentes umas das outras. Como notas musicais, as formas se uniam criando melodias singulares.

Outros ornamentos: para aumentar a ventilação e a iluminação, o ferro também era usado em gradis que permitiam aberturas nas portas, janelas e sótãos. O conjunto destas bandeiras de ventilação, retilíneas ou em semicírculo, com as varandas formavam graciosas fachadas.

Rua do Ouvidor 173, Rio de Janeiro
Foto Lucia Madeira

Um passeio pela cidade

Os sobrados com varandas em ferro são a marca registrada da Lapa, ponto de encontro da boêmia carioca. Estão também nos charmosos corredores comerciais do Centro da cidade, nas ruas da Carioca, Uruguaiana, Gonçalves Dias, onde emolduram pontos tradicionais como a Casa Colombo.

Para melhor conhecê-los, percorra o seguinte roteiro: Rua do Ouvidor; Rua da Carioca e Rua Uruguaiana; Praça XV e Rua do Mercado; Rua do Riachuelo e Rua do Lavradio na Lapa; Saúde e Gamboa.

Também podem ser encontradas belas sacadas remanescentes nos bairros de Santa Tereza, Laranjeiras, Botafogo, Tijuca e Rio Comprido.

Museu do Amanhã, Rio de Janeiro
Foto Thayane Dibb

Conclusão

Abandonados durante boa parte do final do século 20, muitos por estarem em regiões degradadas, os sobrados voltaram a ser preservados e revitalizados e criam uma atmosfera especial onde se encontram. A revitalização do Centro da cidade do Rio de Janeiro passa necessariamente pela preservação e uso destas edificações.

Por trás de uma varanda, não se pode imaginar o extenso caminho percorrido desde a descoberta de reservas minerais e a influência que receberam da colonização, das mudanças de costume, das questões sanitárias, dos interesses comerciais e das relações internacionais.

As sacadas em ferro traduzem de uma forma simples, a arte de desenhistas e artífices, que buscaram inspiração nas formas clássicas e da natureza, materializando-as num delicado trabalho, perpetuado no ferro.

A presença do ferro na arquitetura carioca refletiu diferentes momentos, ou atmosferas, de desenvolvimento, qualificação e embelezamento da cidade. Hoje, a preservação destes elementos representa o desenvolvimento e a qualificação do espaço urbano.

Emblematicamente, o ferro está presente no edifício que hoje simboliza o futuro da cidade, o Museu do Amanhã, concebido em uma estrutura em aço. Ele representa a evolução de uma lógica que já foi artesanal, mas que agora traz uma perspectiva de altíssima tecnologia mantendo, ainda assim, o traço artístico do arquiteto (12).

sobre os autores

Lucia Madeira Moraes é carioca, graduada em pedagogia pela UERJ, mestre em Administração pelo IBMEC, com expressiva atuação em gestão em empresas de Comunicação e na Fundação Roberto Marinho. É membro de Conselhos Trabalhistas e de Recursos Humanos, autora de artigos e palestrante nestas áreas. Transformou em pesquisa sua paixão pela arquitetura e história do Rio.

Margareth Aparecida Campos da Silva Pereira deixou Cuiabá para estudar no Rio, cidade que se tornou mais tarde em seu objeto de pesquisa. Arquiteta pela UFRJ, mestre em DEA e doutora em História pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, com pós-doutorado pelo Institut d’Urbanisme de Paris. É Professora Titular na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ.

notas

1
LOBO, Eulália Maria Laymeyer. História do Rio de Janeiro (do capital comercial ao capital industrial e financeiro). Rio de Janeiro, IBMEC, 1978, vol. 2.

2
Para uma visão mais aprofundada do período das reformas urbanas ver: BENCHIMOL, Jaime Larry. Pereira Passos – um Haussmann tropical. Rio de Janeiro, Biblioteca Carioca, 1995; DEL BRENNA, Giovanna Rosso. Rio eclético – guia para uma história urbana. Rio de Janeiro, Fundação Rio, 1981, nota 35; NEEDELL, J.A. Tropical Belle Époque — Elite, Culture and Society in Turn-of-the-Century Rio de Janeiro. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

3
RONCAYOLO, Marcel; PACQUOT, Thierry. Villes et civilisation urbain. Paris, Larousse, 1992, p. 19.

4
O cronista Joaquim Manoel de Macedo em seu livro “Memórias da Rua do Ouvidor” assim a elas se referiu: “Em vez de verdadeiros balcões tinham os sobrados engradamento de madeira, de maior ou menor altura, e com gelosias abrindo para a rua; nos mais severos, porém, ou de mais pureza de costumes, as grades de madeira eram completas, estendendo-se além da frente pelos dois extremos laterais e pela parte superior, onde atingiam a altura dos próprios sobrados, que assim tomavam feição de cadeias. Também nessas grandes rótulas ou engradamentos se observavam as gelosias, e rentes com o assoalho pequenos postigos, pelos quais as senhoras e escravas, debruçando-se, podiam ver sem que fossem facilmente vistas, o que se passava na rua. As rótulas e gelosias não eram cadeias confessas, positivas; mas eram pelo aspecto e pelo seu destino, grandes gaiolas, onde os pais e maridos zelavam sonegadas à sociedade, as filhas e as esposas”. MACEDO, Joaquim Manoel de. Memórias da Rua do Ouvidor. São Paulo, Saraiva, 1963.

5
John Luccock, representante comercial inglês, chegado ao Rio em 1808, ao escrever sobre a cidade relatou em suas “Notas sobre o Rio de Janeiro” que: “Emprestavam essas gelosias às fachadas das casas uma aparência carregada e suspicaz, tornando as ruas sombrias e indicando que seus habitantes eram pouco sociáveis; essa, pelo menos era a impressão causada sobre um espírito desacostumado delas”. Quando de seu retorno à cidade em 1813, Luccock surpreendeu-se positivamente com as transformações ocorridas. Para ele as casas “fizeram-se mais generalizada e simetricamente caiadas e pintadas; aboliram-se as feias gelosias e alguns balcões que ficaram, viam-se ornamentadas com plantas e flores”. LUCCOCK, John. Notas sobre o Rio de Janeiro. Tradução de Milton da Silva Rodrigues. São Paulo, Martins, 1942, p. 162.

6
Teor do edital: “Paulo Fernandes Vianna do Conselho de Príncipe Regente Nosso Senhor, Desembargador do Paço, e Intendente Geral da Polícia da Corte e do Estado e [...]. Faço saber aos que o prezente Edital virem que havendo-se elevado esta Cidade a alta jerarquia de ser hoje a Corte do Brasil, que goza a honra, e da ventura de ter em si seu legítimo soberano e toda sua real família, não pode,nem deve continuar conservar bizonhos, e antigos costumes[...], e sendo hum destes costumes que afeia o prospecto da Cidade, ea faz menos decoroza as presentes felizes circunstancias, o terem as janellas de suas Propriedades rotulas ou gelozias de madeira, que nenhuma commodidade trazem, e que estão mostrando a falta de civilização de seus moradores. Confiando de todos elles, que mesmo por marcar a feliz época em que entrarão a ver com os olhos o seu legítimo Soberano, que adoravão em seus corações, estarão promptos a dar provas não equívocas de seu contentamento [...],: Por tudo isto se declara, que desde já se devem abolir as rotulas das janellas de sobrados; que dezaparecerão no termo de oito dias; conservando-se as dos peitoris, daquellas que não tem grandes digo grades de ferro;e se faculta o espaço de seis meses para se porem estas, ou balaustres que as imitem; e dezaparecerem inteiramente todas as gelozias”. Paulo Fernandes Vianna, Rio de Janeiro 11 de junho de 1809. Arquivo Nacional, mss. Cód 323v1.ff. 88-89. Apud: MARINS, Paulo Cesar Garcez. Através da rótula. São Paulo, Humanitas/FFLCH USP, 2001.

7
Manual do Ferreiro. Biblioteca de Instrução Profissional, p. 3-4.

8
ANTHONY, Gérard. 2000 ans d’appuis – Du Maenianum au balcon. Paris, Editions H. Vial, 1999.

9
COSTA, Cacilda Teixeira da. O sonho e a técnica – arquitetura de ferro no Brasil. São Paulo, FAU USP, 1994.

10
LANDGRAF, F., TSHIPTSCHIN, A. e GOLDENSTEIN, H., “Notas sobre a história da metalurgia no Brasil (1500-1850)”. In VARGAS (org.), 1994, p. 107. Apud ABNT – História da normalização brasileira / Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, 2011. Os limites do “saber fazer” em um ambiente colonial são, contudo, bem delimitados, e o caso da metalurgia oferece um contraponto interessante. Nesse campo, sempre houve interesse oficial em conter a expansão da atividade, por razões econômicas e de segurança, e mesmo a Metrópole não tinha muito o que oferecer em matéria tecnológica.

11
“as superfícies ornamentadas das grades se dividem entre o desejo de ser fundo e de ser forma, a despeito da alegria, da melancolia, ou da ferocidade que evocam, e talvez por este motivo também desejem ser música”. GOULART, Fernanda Guimaraes. Urbano ornamento: um inventário de grades ornamentais em Belo Horizonte (e outras belezas). Orientadora Stephane Denis Albert Rene Huchet. Tese de doutorado. Belo Horizonte, UFMG, 2014, p. 29.

12
Foram também consultados os seguintes textos e documentos para a redação do presente artigo:

Anais do 1º Seminário Internacional de Obras de Arte em Ferro Fundido – Parques e Jardins/ Light, jul/97.

BANDEIRA, Julio; et al. A missão francesa. Rio de Janeiro, Sextante, 2003.

CZAJKOWSKI, Jorge (org.). Guia da arquitetura colonial neoclássica e romântica no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro, 2000.

FABRIS, Annateresa. (org.), Ecletismo na arquitetura brasileira. São Paulo, Nobel/Edusp, 1987.

GERSON, Brasil. História das ruas do Rio. Rio de Janeiro, Livraria Brasiliana Editora, 1965.

CZAJKOWSKI, Jorge (org.). Guia da Arquitetura eclética no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro/Casa da Palavra, 2001.

LENZI, Maria Isabel Ribeiro. Pereira Passos: notas de viagem. Rio de Janeiro, Sextante, 2000.

PEREIRA, Margareth da Silva. Rio de Janeiro no século XIX em Rio de Janeiro. In PINHEIRO Augusto Ivan de Freitas (org.). Cinco séculos de história e transformações urbanas. Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2010.

POUGY, J. Gradís de sacada do Rio antigo. Artigo. Rio de Janeiro, mimeo.

RODRIGUES, José Wasth. Documentário arquitetônico. Belo Horizonte, Itatiaia, 1979

ROHAN, Henrique de Beaurepaire. Relatório apresentado à Ilma. Rio de Janeiro, Câmara Municipal do Rio de Janeiro/Typ do Diario, 1843.

SILVA, Olavo Pereira da. Varandas de São Luís, gradis e azulejos. Série Roteiros do Patrimônio. Rio de Janeiro, Iphan, 2012.

STRZODA, Michelle. O Rio de Joaquim Manuel de Macedo – jornalismo e literatura no século XIX. Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2010.

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