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drops ISSN 2175-6716

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português
Vittorio Corinaldi comenta o artigo "Do Clube Atlético à Praça do Patriarca", publicado no jornal israelense Haaretz em 30 de maio de 2006, por ocasião da entrega do Prêmio Pritzker ao arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha

english
Vittorio Corinaldi comments on the article "From the Athletic Club to the Patriarca Square", published in Haaretz on 30th May 2006, when the Pritzker Prize was given to the Brazilian architect Paulo Mendes da Rocha

español
Vittorio Corinaldi comenta el artículo "Del Club Atlético a la Plaza del Patriarca" publicado en el diario israelí Haaretz el 30 de mayo de 2006, en ocasión de la entrega del Premio Pritzker al arquitecto brasileño Paulo Mendes da Rocha

como citar

CORINALDI, Vittorio. Prêmio Pritzker para Paulo Mendes da Rocha. Arquitetura brasileira reassume papel de lúcida vanguarda no panorama internacional. Drops, São Paulo, ano 06, n. 015.03, Vitruvius, jun. 2006 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/06.015/1685>.


O Prêmio Pritzker outorgado este ano a Paulo Mendes da Rocha pôs em foco uma das personalidades mais interessantes da Arquitetura Contemporânea.

Em Israel, o fato foi amplamente noticiado, e o jornal “Haaretz” – atualmente o mais sério aqui publicado – lhe dedicou uma reportagem especial.

Isto não é um fenômeno desprezível, pois a arquitetura brasileira (e em geral a latino-americana) não é freqüentemente lembrada na imprensa e nos meios profissionais locais, fortemente inclinados e influenciados pelo panorama europeu e norte-americano.

E quando sim lembrada, a figura logo indicada é a de Oscar Niemeyer, cuja obra é automaticamente associada a uma imagem superficial que se tem dessa arquitetura, imagem formada nos anos 50 do século passado.

Pessoalmente, vejo nesta premiação não só o reconhecimento de um grande valor artístico (que tenho a satisfação de ter conhecido de perto), quanto um motivo de reflexão  e otimismo sobre tendências atuais da arquitetura.

Acabo de regressar de uma viajem a Berlim, onde confesso que – mais do que a exuberante “explosão” arquitetônica que se seguiu à queda do Muro e à reunificação da Alemanha – atraía-me a constatação in-loco da destruição física e cultural de uma das mais vibrantes e  fecundas comunidades judaicas da Europa.

Mas mesmo dentro desta escala de preferências, não pude deixar de observar também o aspecto arquitetura moderna, seja nas suas origens históricas, seja nas manifestações atuais num de seus centros ativos de hoje.

Uma das mais comentadas dessas manifestações é justamente o novo Museu Judaico, de autoria de Daniel Libeskind, construído em anexo ao existente edifício barroco, que agora abriga dependências auxiliares do Museu.

Também presenciei dias atrás a uma palestra do arquiteto israelense Zvi Hecker, que em muitas de suas obras recentes em Israel e na Europa denota tendências semelhantes às de Libeskind.

Cito estes dois exemplos pois um e outro me provocaram profunda desilusão: porque vejo neles uma confirmação a mais de uma “enfermidade” presente em muitas das produções atuais da arquitetura: uma acentuação exagerada do “ego” do arquiteto, em detrimento do conteúdo da obra (que em casos como o do Museu Judaico, em especial mereceria ser tratado com mais modéstia e humildade, sem arbitrariedades formalistas e exercícios filosóficos de duvidosa relevância); uma quase doentia necessidade de impressionar pelo excêntrico, pelo irregular, pelo anticonstrutivo (características que hoje não são mais empecilhos práticos de execução, tornadas possíveis pelo desempenho quase ilimitado do computador).

Em contraste com este endereço, a obra de Paulo Mendes da Rocha ganha uma dimensão de seriedade, coerência e habilidade, sem perder nada em expressividade e originalidade criativa, e dentro de uma disciplina estrutural severa mas simples e arrojada.

Viciada no hábito de “catalogar” os arquitetos dentro de definições monolíticas, a crônica local classificou a figura de Mendes da Rocha entre os “Brutalistas”: colocação simplista que – sem ter nada de ofensivo e podendo até ser vista como um crédito de qualidade – desconhece e ignora a atuação deste arquiteto em numerosos projetos em que escala e texturas denotam uma preocupação por um relacionamento amistoso com o objeto da obra, com a pessoa dentro dela, com o ambiente ou com realidades pré-existentes que através de seu tratamento respeitoso e cuidadoso adquirem nova vida e novo vigor.

Espera-se que não seja demasiado otimismo afirmar que – com esta premiação sancionada em Istambul – a arquitetura brasileira reassume no panorama internacional um papel de lúcida vanguarda, que seus representantes de talento sempre mantiveram em reservado anonimato e em tímida postura, mas que merece ser reconhecida.

As obras de Paulo Mendes da Rocha mostram-se em contraste com ruidosas e pretensiosas exclamações de proveniência européia e americana, que são afirmações não de uma interpretação poética de necessidades objetivas, mas sim de um exibicionismo megalômane, posto a serviço dos grandes interesses do deus-mercado.

Vittorio Corinaldi, Tel Aviv, Israel

Artigo cujo título em português é "Do Clube Atlético à Praça do Patriarca", foi publicado em 30 de maio de 2006 [Jornal israelense Haaretz]

 

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