Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Abilio Guerra trata da exposição Coletivo - arquitetura paulista contemporânea, em cartaz no Centro Universitário MariAntonia da USP até 12 novembro, que reúne a produção de 6 escritórios de arquitetura da capital paulista

english
Abilio Guerra talks about the Exhibition Coletivo - contemporary architecture of São Paulo, in theUniversity Center MariAntonia of USP until November 12, which includes the production of 6 architectural firms in city

español
Abilio Guerra trata de la exposición Colectivo -arquitectura paulista contemporánea, en el Centro Universitario MariAntonia de la USP hasta el 12 de noviembre, que reúne la producción de 6 estudios de arquitectura de la capital paulista

how to quote

GUERRA, Abilio. Arquitetura para todos. Exposição Coletivo no Maria Antonia. Drops, São Paulo, ano 07, n. 016.04, Vitruvius, set. 2006 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/07.016/1695>.


Terminal da Lapa, São Paulo SP. Escritório Núcleo de Arquitetura
Foto Nelson Kon


Quase sempre segregadas em espaços e eventos especializados, com exceção de esporádicas presenças no Instituto Tomie Ohtake, as exposições de arquitetura em São Paulo raramente se apresentam para um público não especializado. Este é o caso da mostra “Coletivo: arquitetura paulista contemporânea”, que acontece no Mariantonia da USP.

A arquitetura é, dentre as artes plásticas, a que mais dificuldade tem em estabelecer um vínculo cultural com a sociedade, possivelmente por seu aspecto utilitário, visível nos artefatos arquitetônicos que habitam nosso cotidiano. Não é muito simples convencer alguém que deixa seu automóvel no estacionamento do Parque Trianon (MMBB Arquitetos, 1999), toma um ônibus no Terminal da Lapa (Núcleo de Arquitetura, 2003) ou usa as dependências reformadas da Faculdade de Medicina da USP (Andrade Morettin, 1996) que a arquitetura codificada em desenhos e maquetes possa ter algum interesse.

Há aqui uma preocupante alienação do cidadão em relação à qualidade de edifícios e espaços públicos que dão suporte material à sua vida cotidiana. Houvesse um maior envolvimento por parte da comunidade, projetos de enorme importância poderiam ser realidade hoje, como é o caso do centro cultural na Agência Central dos Correios (Una Arquitetos, 1997) e reurbanização do Largo da Batata (Projeto Paulista de Arquitetura, 2002). A realização do primeiro se arrasta há anos e é duvidoso que um dia ofereça todos os equipamentos previstos. O segundo, uma proposta de criação de amplos e qualificados espaços públicos em região congestionada, sequer é uma possibilidade, pois mereceu apenas o segundo lugar em concurso nacional cujo júri preferiu premiar, de forma injustificável, um projeto de edifício.

Nesse sentido, merece aplausos a iniciativa dos jovens arquitetos, todos graduados pela FAU-USP, em mostrar sua produção arquitetônica e urbanística em um espaço aberto ao grande público. Convidados pela instituição, são os próprios arquitetos os responsáveis pela seleção de obras e texto de apresentação. Reside aqui a maior restrição à exposição, que se ressente de uma curadoria mais autônoma, que poderia ter ampliado um pouco mais o número de arquitetos, optado por um arranjo temático menos confuso e evitado a presença de projetos de interesse mais restrito, como é o caso de residências unifamiliares.

Mas isso é de somenos se considerarmos que o visitante da exposição se depara com uma impressionante coleção de excelentes projetos de escolas e centros de pesquisa; conjuntos habitacionais de interesse social e reurbanização de favelas; praças e parques públicos; terminais do sistema de transporte coletivo; centros culturais e bibliotecas; equipamentos esportivos e de saúde. São obras que, mesmo considerando visíveis diferenças nas opções formais, se filiam à tradição moderna paulista, o que já é detectável em um dos primeiros projetos presentes na “linha do tempo” da exposição, o não construído Pavilhão do Brasil para a Expo 92 em Sevilha (Bucci e Puntoni, 1990).

Projeto que merece parágrafo á parte, por dois motivos sui generis. Primeiro, por ter interrompido involuntariamente a série de importantes pavilhões brasileiros em exposições internacionais, assinados por Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Sergio Bernardes e Paulo Mendes da Rocha, graças à crise dos anos Collor. Segundo, por assumir, em um período aonde grassava uma barulhenta crítica pós-moderna, uma retomada de um projeto cultural aparentemente combalido. Se naqueles anos agitados o projeto parecia refletir a agonia da arquitetura moderna brasileira, hoje assume o papel de projeto inaugural de um novo encaminhamento da arquitetura paulista.

notas

[artigo originalmente publicado na revista Bravo!, nº 110, out. 2006]

[publicação: outubro 2006]

Ficha da exposição

Exposição
Coletivo - arquitetura paulista contemporânea

Escritórios participantes
Projeto Paulista, Núcleo de Arquitetura, MMBB, Ângelo Bucci + Álvaro Puntoni, Andrade Morettin e Una Arquitetos

Data e local
01 de setembro a 12 de novembro
Centro Universitário Maria Antonia da USP
Rua Maria Antonia 294 Vila BuarqueSão Paulo SP
Fone: 11 3255 7182
Website: www.usp.br/mariantonia

sobre o autor

Abilio Guerra é professor da FAU Mackenzie e editor de www.vitruvius.com.br.

Abilio Guerra , São Paulo SP Brasil

Estacionamento Trianon, São Paulo SP. Escritório MMBB Arquitetos
Foto Nelson Kon

Faculdade de Medicina, São Paulo SP. Escritório Andrade & Morettin

Centro Cultural Correios, São Paulo SP. Escritório UNA Arquitetos

Reurbanização do Largo da Batata, São Paulo SP. Escritório Projeto Paulista

Pavilhão do Brasil na Expo de Sevilha. Arquitetos Angelo Bucci e Alvaro Puntoni

 

comments

newspaper


© 2000–2019 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided