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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Ellen Assad parte da citação da definição de Heinrich Wolfflin (do livro "Conceitos fundamentais da história da arte") de forma aberta para discorrer sobre a mesma em sua aplicação arquitetônica, como uma forma de interferir no mundo

english
Ellen Assad starts from the quotation of the definition of Heinrich Wolfflin (the book "Fundamental concepts of art history") to openly discuss it in its application on architecture, as a way of interfering on the world

español
Ellen Assad parte de la citación de la definición de Heinrich Wolfflin (del libro "Conceptos fundamentales de la historia del arte") de forma abierta para discurrir sobre la misma en su aplicación arquitectónica, como una forma de interferir en el mundo

how to quote

ASSAD, Ellen. Apologia à forma aberta. O projeto arquitetônico como evento ou uma forma aberta de ver o mundo. Drops, São Paulo, ano 09, n. 025.06, Vitruvius, dez. 2008 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/09.025/1778>.


Ajustado
Foto Francisco Neto


Heinrich Wolfflin define por “forma fechada aquele tipo de representação que, valendo-se de recursos mais ou menos tectônicos, apresenta a imagem como uma realidade limitada em sim mesma, que, em todos os pontos, se volta para si mesma. O estilo de forma aberta, ao contrário, extrapola a si mesmo em todos os sentidos e pretende parecer ilimitado, ainda que subsista uma limitação velada, assegurando justamente o seu caráter fechado, no sentido estético” (1).

Na arquitetura não existe uma verdade reflexo de uma estrutura eterna e fechada do real, mas sim uma mensagem construída cada vez que o arquiteto é chamado a dar uma resposta. Em cada intervenção é necessário um diálogo entre o pré-existente, o presente e o desejo de futuro. O olhar fixo no presente empobrece, o arquiteto corre o risco de estar preso a um jogo de repetição, um eterno retorno.

Cada lugar exige um novo posicionamento, um olhar não impositivo. O ato do arquiteto implica em criar sobre o futuro, atuar, arriscar. Mantendo apenas o que nos foi dado nada mudará, mas se impusermos formas prontas e genéricas, não haverá renovação. Neste sentido, a tradição deve representar sempre um desafio à inovação e não alguma coisa a ser respeitada.

Para cada contexto deve haver a busca de novas soluções e não a aplicação de tipologias prontas. Captar o que é necessário fazer em cada momento e em determinado lugar sem uma prévia matriz de definição. Não se faz arquitetura sem considerar as diferenças nos meios de produção, na tecnologia, nos materiais, na mão de obra e principalmente na observação do que está latente em cada lugar.

Arquitetos necessitam de bons ouvidos, devem fugir da surdez ótica. Um projeto envolve sempre uma dimensão arqueológica que diz respeito à maneira como uma obra se insere num determinado lugar concreto.

Projetar implica em revelar, e, por isso, é uma forma de conhecimento que não se baseia numa trama estática de verdades, mas num processo constituído de forma aberta.

A forma aberta diz respeito ao público, ao coletivo, a uma política de desenvolvimento sustentável da cidade, onde a questão dos bens públicos, incluindo aqui o meio ambiente, não signifique à privatização do poder político, muito menos a substituição da lógica política pela lógica empresarial ou a degradação do interesse social em prol do interesse privado.

Deve existir o diálogo entre a cidade, as práticas sociais e o meio ambiente; não se trata aqui de pura relação com a natureza, trata-se principalmente da coerência na utilização dos recursos naturais e dos recursos humanos, entendendo o território em termos produtivos mais vinculados à noção de capital social. Aqui mais uma vez, existe a necessidade de individualizar cada intervenção, adaptá-las a cada condição e contexto, a cada condição climática, com o intuito de buscar um design eficiente e ao mesmo tempo moderado no uso de materiais, energia e espaços.

Agir no mundo de forma aberta pressupõe levar em conta os direitos da maioria. Os bairros fechados e as favelas são sintomas de uma sociedade que não adimite diferenças. Shopping centers, edifícios que tentam sintetizar as cidades em suas funções, cidades cosntruídas para o funcionamento de veículos individuais; caracterizam um estilo de vida que resulta em alto consumo de superfície, energia e água. Esse modo de vida deve ser revisado.

A forma aberta não é simplesmente uma relação custo-benefício, mas uma forma de interferir no mundo para que esse possa ser mais equilibrado e mais justo. É oposta à robotização do gesto arquitetônico, robotizar é repetir, agir repetindo o gesto anterior infinitamente, arquitetura não é repetição, é gesto novo a cada projeto, projetar é eleger, preferir, selecionar, um jogo de “prende e solta” como diria um professor, batalha que se inicia em cada novo cliente, terreno, projeto.

A forma aberta é generosa. Um projeto generoso é aquele que se deixa adequar, que pode ser adaptado à mudança de uso, que se transforma com a mudança do sol, dos ventos ou do caminhar dos homens.

notas

1
WOLFFIN, Heinrich. Conceitos fundamentais da história da arte. São Paulo, Martins Fontes, 1989.

sobre o autor

Ellen Assad é arquiteta e urbanista, formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), pós-graduanda em Estratégias de Comunicação e Gestão da Imagem, professora substituta curso de Comunicação Social (UFES).

Ellen Assad, São Paulo SP Brasil

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