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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Leia o artigo de Bruno Padovano, arquiteto curador da 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que renunciou ao cargo pouco tempo antes da abertura da exposição

english
Read the article by Bruno Padovano, architect, curator of the 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, who resigned shortly before the opening of the exhibition. The author brings up a debate to be carried forward, after the event ends

español
Artículo de Bruno Padovano, arq. curador de la 8º Bienal Internacional de Arquitectura de San Pablo, que renunció al cargo poco tiempo antes de la apertura de la exposición. El trae a luz un debate a ser llevado adelante luego de ser cerrado e el evento

how to quote

PADOVANO, Bruno Roberto. Crise ou renascimento?. O papel do curador da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Drops, São Paulo, ano 10, n. 030.02, Vitruvius, dez. 2009 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/10.030/1819>.


Os acontecimentos recentes na organização da 8ª BIA, que me levaram a renunciar ao cargo de curador, trazem à tona uma questão de interesse mais amplo para a nossa classe e que seria importante colocar em debate através do Vitruvius, esse site tão respeitado em nosso meio local, como um “aperitivo” para um debate na sede do IAB/SP, que sugiro ocorra após a realização da Bienal.

Em um artigo que escrevi para o boletim do IAB ainda em 2008 (“Uma bienal verde ou democrática”) – quando a Bienal era ainda uma idéia e não sabíamos se iria se concretizar e de que forma –, sugeri que no lugar de mais uma edição do evento, o IAB/SP promovesse um debate público sobre as próprias bienais internacionais de arquitetura, para sabermos como deveríamos proceder, tendo ouvido a classe e colegas experientes na organização de edições anteriores e seus apreciadores e críticos. No entanto, esse meu apelo não foi ouvido e acabamos levando adiante a Bienal nos moldes habituais, com algumas inovações pontuais, mas de uma maneira que deve ser certamente discutida entre nós.

Ainda recentemente, o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria que questiona o poder dos curadores nos eventos culturais, entendendo-se que esse poder às vezes é exercido de forma bastante autoritária e questionável. Diria, nesse sentido, que, apesar dessa imagem pública de força, os curadores não são isentos de receberem pressões institucionais ou mesmo pessoais, e que sua força reside mais no respeito que seu trabalho anterior desperta entre seus pares do que em um poder contratual ou institucional. Isso pode levar a alguns equívocos, tanto por parte dos curadores, como de seus contratantes, ao menos que as normas do “jogo” sejam claras para todos os envolvidos.

Isso se faz particularmente necessário quando percebemos um claro processo de liberalização na organização desse evento, o que traz à tona questões organizacionais, éticas, legais e comerciais, a partir de um novo modelo de gestão, inaugurado nessa edição da BIA, de forma a meu ver ainda incipiente.

Mas vamos lembrar alguns antecedentes. No caso das bienais organizadas pelo IAB, os curadores das BIAs foram sempre aprovados pelo COSU, o conselho curador do instituto, a partir de uma solicitação do CoBIA – o Conselho da BIA, criado para dirigir o processo de curadoria da Bienal, com reuniões pré-agendadas no departamento de São Paulo, normalmente responsável pela realização da BIA.

Segundo o experiente colega Pedro Cury, no passado as bienais eram organizadas por um pequeno número de gestores, entre os quais o curador, os quais, através de um trabalho de voluntariado, se dispunham a dirigir todo o processo, sendo o CoBIA ouvido em ocasiões especiais, após a indicação e aprovação do curador pelo COSU.

Nessa edição essa indicação foi também realizada e aprovada pelo COSU, mas, se não me engano, o encaminhamento foi feito pelo próprio departamento de São Paulo, já que a composição do CoBIA estava ainda incerta. A minha aprovação foi concretizada no encontro de Ouro Preto, em maio desse ano, quando então dei início às minhas atividades, poucos meses antes da abertura da BIA.

Não dispondo de um termo contratual e nem funcional para meu trabalho, entendi que deveria convidar outros colegas da diretoria do IAB/SP e alguns membros do IAB sem essa função, para me ajudar, criando umas vinte curadorias que trataram dos assuntos mais variados, dentro do espírito de ampliar aquele caráter mais fechado de organização das bienais anteriores e para podermos ouvir as idéias e conselhos de mais participantes da curadoria. Meu papel seria de um curador geral e os demais curadores fariam parte desse time maior, que se reuniria semanalmente para tratar dos assuntos da Bienal.

Foi nesse momento que, no seio dessa mesma equipe, foi sugerida a contratação de uma empresa para realizar o trabalho difícil de gerenciamento da Bienal, em seus aspectos financeiros e executivos, o que resultou na contratação pelo IAB/SP de uma empresa apresentada pela nossa presidente Rosana Ferrari, a APÓ, que imediatamente se colocou a atuar na busca de recursos oriundos de patrocínios, sob a égide da Lei Rouanet.

Esse é o ponto interessante dessa BIA com relação às edições anteriores e que deve, a meu ver, ser objeto de uma avaliação pós-bienal, para ver até que ponto resultou em benefícios para a organização de um evento extenso e complexo como esse, ou não.

Ocupando uma boa parte do espaço originalmente administrado pelos curadores anteriores, a atuação bastante abrangente dessa empresa foi tornando um tanto ornamental meu papel na fase final da montagem da BIA, o que ocasionou minha renúncia, além dos conflitos institucionais que me pareceram insuperáveis entre o IAB/SP e a Direção Nacional, um assunto que estará sendo avaliado na próxima reunião do COSU em São Paulo, entre os dias 29 e 31 de outubro próximo futuro, dia no qual a 8ª BIA será declarada aberta.

Cabe, portanto, uma pergunta: seria o curador apenas o mentor intelectual e cultural de um evento tão importante para a nossa área ou deveria ser, sem perder essa função, também um administrador, apoiado por todo um grupo de colaboradores nos diversos aspectos de organização do evento, de todo o processo de execução da Bienal, com poderes inclusive sobre eventuais terceirizações operacionais de cunho empresarial, até a sua conclusão? Afinal, quem manda na Bienal, o IAB ou uma empresa por este contratada, no caso, através do departamento de São Paulo? Qual é o papel do CoBIA e do presidente do departamento de São Paulo em um novo modelo de gestão concebido dessa maneira mais empresarial?

Parece-me que um processo de gestão compartilhada, sempre sob os auspícios do CoBIA, do qual evidentemente a Direção Nacional do Instituto precisa participar, e especialmente uma clara definição das atribuições dos papéis do curador (ou equipe curadora) e dos terceirizados, que devem respeitar as decisões de caráter conceitual e cultural definidos pelo curador ou sua equipe, tornariam desnecessária a concentração na figura do presidente do departamento e enalteceria o papel do próprio CoBIA. Lembrando que é exatamente esse conselho que representa o interesse de todo o IAB na organização de uma Bienal, e que no caso dessa 8ª BIA tornou-se infelizmente inoperante, até pela pressão do tempo, curto demais para a organização de um evento dessa magnitude e complexidade.

Neste sentido, entendo que a crise vivenciada pela curadoria dessa edição da BIA, pode gerar, desde que se faça esse trabalho organizacional de forma a preservar os interesses do Instituto, um novo processo promissor, pelo qual o curador (ou equipe curadora) pode conservar o prestígio de sua ação conceitual e cultural, contando com um CoBIA efetivamente ativo no comando das atividades terceirizadas, que podem ser perfeitamente repassadas para uma empresa de prestação de serviços dessa natureza, aliviando a curadoria de muitas atividades complementares e não essenciais ao seu papel principal.

Poderemos, enfim, ver um renascimento do papel do curador, através de uma mediação que, ao reduzir com responsabilidade seus poderes operacionais, poderá garantir sua importância dentro de todo um processo de valorização da produção intelectual de nossa classe, expressa no principal evento público que a representa no plano social mais amplo.

sobre o autor

Bruno Roberto Padovano, arquiteto e professor da FAU USP, é ex-curador da 8ª BIA.

Bruno Roberto Padovano, São Paulo SP Brasil

8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
Foto Marina Amado

8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
Foto Felipe Contier

8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
Foto Marina Amado

Workshop sobre a cidade de Diadema no espaço da representação alemã da 8ª BIA
Foto Felipe Contier

 

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