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drops ISSN 2175-6716

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Exposição de Lina Bo Bardi na 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza 'People meet in architecture'

how to quote

ANELLI, Renato. Lina Bo Bardi em Veneza. Drops, São Paulo, ano 11, n. 036.01, Vitruvius, set. 2010 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/11.036/3555>.



Lina Bo Bardi traz à mostra People meet in architecture alguns de seus projetos mais bem sucedidos na criação de lugares para a vida cotidiana. São obras que se destacam por combinarem uma forte presença urbana com a acolhida às pessoas no seu dia a dia.

Os desenhos aqui reunidos demonstram que tal característica não é casual e sim resultado de estratégias de projeto. Neles vemos as grandes formas intensamente povoadas por crianças brincando, gente conversando entre bichos, plantas nativas, obras de arte e mobiliário. Situações que ocorrem ao abrigo da antiga fábrica transformada em centro de lazer, da grande laje do vão livre do museu ou dos casarões históricos restaurados na Bahia.

Não se trata de mera ilustração apresentando o projeto, como é usual na arquitetura. Surgem ainda no momento de concepção, como a verificar se as formas projetadas podem contribuir para a vivência das pessoas.

Nesses desenhos Lina Bo Bardi lança mão da sua experiência com o arquiteto italiano Gio Ponti. Como nos projetos desse arquiteto, os desenhos são fartamente acompanhados de escritos que tornam a arquitetura uma narrativa da vida que ali se desenrolará. São como lembretes para ela mesma, de como certos aspectos do projeto deverão ser desenvolvidos ao longo do projeto e da construção.

O traço, aparentemente simples e propositalmente despojado, se opõe ao desenho virtuoso, que segundo ela, abafa a imagem e se sobrepõe à idéia. Prefere seguir o desenho de Le Corbusier, com seu traço limpo e que ela denomina de desenho intelectual. No entanto, são desenhos que possuem algo de infantil, não no sentido da ingenuidade da criança, mas no da sua espontaneidade.

Há algo das artes decorativas na concepção de móveis, comunicação visual, objetos, detalhes construtivos e até mesmo na vegetação. Funcionam como as ornamentações clássicas, que traziam a geometria das grandes formas à escala humana. Entretanto, reconhece que essa aproximação não é um problema de escala e sim de cultura.

Homenageia Yves Klein e Mayakovsky ao desenhar a floresta de paus-de-sebo, postes de madeira presentes em festas populares brasileiras, rompendo com separação entre cultura popular e erudita.

Dispõe as obras de arte do MASP em suportes e paredes transparentes para aproximá-las dos visitantes e inseri-las na vida da cidade.

Reproduz construções e decorações africanas na Casa do Benin, centro de valorização da cultura da principal etnia dos ex-escravos da Bahia, exatamente no local onde eles eram torturados até o final da escravatura.

Atitudes carregadas de uma densidade política rara à ação cultural contemporânea.

Lina Bo Bardi (Roma, 1914 – São Paulo, 1992). Formada em Roma em 1939, emigra para o Brasil em 1946, após atuar em Milão durante os anos de guerra. Junto com seu esposo Pietro Maria Bardi, funda e dirige o Museu de Arte de São Paulo em 1947, importante pólo de modernização da cultura brasileira. Entre 1958 e 1964 trabalha em Salvador, primeira capital colonial do Brasil onde aprofunda seu interesse pela cultura popular afro-brasileira. Funda e dirige o Museu de Arte Moderna da Bahia e o Museu de Arte Popular. Após o Golpe Militar de 1964 retorna a São Paulo, dedicando-se à conclusão das obras da segunda sede do MASP e a vários projetos de cenografia. No final da década de 1970 projeta o Centro de Lazer Fábrica Pompéia, onde monta uma série de exposições baseadas em suas pesquisas sobre cultura popular. Retorna a Salvador em 1986, após a redemocratização do país e produz um conjunto de projetos para o centro histórico. A Casa de Vidro, sua residência projetada em 1951 abriga hoje o Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.

nota

Exposição "Lina em Veneza" na 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, texto de Renato Anelli, seleção de imagens para a exposição Instituto Lina Bo e P M Bardi (Renato Anelli, Anna Carboncini e Malu Vilasboas)

sobre o autorRenato Anelli, professor titular do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Campus São Carlos, pesquisador CNPq e Conselheiro do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.

Maquete do SESC Pompeia
Foto Flavio Coddou


Fotos Flavio Coddou

 

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