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drops ISSN 2175-6716

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O autor fala sobre o resultado e as experiências compatilhadas no Fjal, que aconteceu em Fortaleza-CE, como uma iniciativa de intercâmbio cultural e arquitetônico na América Latina

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JÚNIOR, Oliveira. Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos. Fortaleza no centro das discussões sobre arquitetura contemporânea latino-americana. Drops, São Paulo, ano 12, n. 046.06, Vitruvius, jul. 2011 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.046/3961>.


Comissão organizadora: arquitetos Bruno Perdigão, Marcelo Bacelar, Igor Ribeiro, Epifânio Almeida, Davi Ramalho, Bruno Braga, Lara Lima e o administrador João Victor. 10 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]


Na segunda semana de junho, entre os dias 8, 9 e 10, aconteceu, em Fortaleza, um dos mais importantes eventos brasileiros de arquitetura dos últimos anos: o "Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos - uma inserção numa realidade periférica". A organização, a cargo de um grupo de novíssimos arquitetos cearenses, teve a brilhante ideia de reunir 11 jovens arquitetos da América do Sul para discutir, através da produção dos seus escritórios, um recorte da nova arquitetura latino-americana. O perfil dos palestrantes envolvia uma ligação com a academia através da docência, a participação e o destaque em concursos públicos de projeto e premiações, além de uma produção que ainda não estivesse consagrada pela mídia especializada.

O auditório da Fábrica de Negócios completamente lotado denotava o enorme interesse dos arquitetos e estudantes em conhecer como a nova geração de profissionais incorpora, em sua prática projetual, o discurso teórico fundamentado em uma identidade latino- americana.

O professor Fernando Lara destacou, em sua vídeo-conferência de abertura, que a América Latina sempre foi um campo de experimentações para a Europa e que isso resultou em diversos processos de "transculturação"; ou seja, o impacto entres duas culturas gerando novos padrões para ambas; e ressaltou que, de certa forma, esse processo contribuiu para forjar a diversidade cultural do nosso continente.

Lara afirmou que a aproximação entre os arquitetos latino-americanos é recente e que há algumas décadas atrás a relação da arquitetura com o exterior se dava principalmente com a Europa e os EUA.

Esse momento histórico, em que a arquitetura latino-americana desperta para suas particularidades geográficas e procura afirmar uma identidade própria sem perder de vista a contextualização global, é extremamente rico e complexo.

Nesse sentido, o Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos foi extremamente bem sucedido porque conseguiu confrontar modos de pensar o espaço construído tão díspares e tão afins. Em síntese, fica evidente na exposição dos trabalhos de todos os escritórios que, em última instância, o contexto geográfico, em todas as suas variáveis, é sempre quem dita a forma de espacialização e a morfologia arquitetônica.

Na abertura do FJAL, o arquiteto Álvaro Puntoni faz um breve passeio pela selva de pedra chamada São Paulo para contextualizar sua obra carregada da tectonicidade do concreto em que a busca pela construção de espaços vazios talvez seja uma súplica implícita por um espaço de convivência tão caro numa cidade super adensada.

Na segunda palestra o Al Borde, representado por Pascual Gangotena e David Barragan sensibilizaram a audiência com uma prática que aproxima a pesquisa acadêmica das necessidades da população menos favorecida e geralmente excluída do acesso aos espaços construídos com qualidade e dignidade. Para o Al Borde, o importante é fazer as perguntas certas para "resolver os problemas da maneira mais básica, fundamental e simples possível". A simplicidade da sua obra despertou-nos um sentimento do poder transformador da arquitetura.

No segundo dia, o início da tarde foi dedicado às apresentações do Studio Paralelo (Brasil) e do MAAM (Uruguai) que desenvolvem um trabalho colaborativo apoiado das tecnologias de comunicação e informação com foco nos processos de configuração morfológica dos projetos. As afinidades entre os dois escritórios já lhes renderam a conquista de diversas premiações em concursos, a exemplo da sede do CREA-PB em Campina Grande.

A participação do paulista Yuri Vital foi pontuada com projetos que buscam valorizar o paradoxo entre o peso e a leveza da arquitetura.

Ancorada na tradição da escola paulista de Artigas e Mendes da Rocha, a obra de Vital explora um repertório mínimo de materiais, como o concreto, o aço, o vidro e os cobogós, apresentados sempre que possível em seu aspecto natural. Fernando Lara destaca a importância da "Box House" como paradigma de qualidade em arquitetura de baixo custo e faz uma provocação quando contesta, em seu vídeo de abertura do Fjal, a aplicação do acabamento em reboco sobre os blocos de concreto.

A última palestra da quinta-feira foi a do escritório 7S34W, representados por mim (Oliveira Júnior) e Davi de Lima. A exposição enfatizou a estreita relação entre a geografia e a identidade arquitetônica local pautadas nas reflexões teóricas de Rossi, Lamas e nas recomendações do "Roteiro para construir no Nordeste", de autoria do arquiteto pernambucano Armando de Holanda. As obras e projetos desenvolvidos predominantemente em concreto, em madeira ou em aço representaram um recorte cronológico e tectônico da produção do 7S34W e denotaram a versatilidade da produção dos arquitetos. Nas palavras de Fernando Lara as obras de Oliveira Júnior representam “uma arquitetura brava, uma arquitetura forte. Lê o que tá se passando no mundo e traduz em materialidade, em tectonicidade pra construtividade” local sem se render a ela.

A primeira apresentação do último dia do FJAL foi do Rua Arquitetos. Pedro Évora e Pedro Rivera trouxeram para o Fórum "flashes" da sua experiência urbanística na cidade do Rio de Janeiro. Com um trabalho ora centrado nas questões sociais e periféricas e, outras vezes, na efemeridade dos eventos urbanos. Atentos à complexidade dos fatos sociais, o Rua Arquitetos olha a cidade como faria Ole Bauman quando ressaltou no 19º CBA, ano passado no Recife: "onde há uma necessidade, há uma oportunidade". Com o jeito "malandro" do bom carioca, os Pedros deixaram seu recado no FJAL de que "quem sabe faz a hora não espera acontecer" (Vandré).

 Uma das características fortes no trabalho apresentado pelo colombiano Frederico Mesa, do Plan B, foi o processo de investigação morfológica a partir da variabilidade de uma unidade formal pré-definida que tem na obra do Orquídeograma seu exemplar mais bem sucedido. Os projetos do Plan B, mesmo diante de um claro rigor racional, modular e construtivo, procuram explorar a dinamicidade morfológica espacial e volumétrica em detrimento de uma organização arquitetônica cartesiana.

A penúltima conferência do Fjal foi brilhantemente conduzida por Alexandre Brasil e Bruno Santa Cecília dos Arquitetos Associados. O grupo contextualizou sua formação em meio à rebeldia mineira dos "pós-modernistas" Éolo Maia, Jô Vaconcelos e Sylvio de Podestá de um lado, e as referências modernistas "clássicas" cariocas e paulistas do outro. As principais obras apresentadas estão em Minas Gerais orbitam em torno da capital Belo Horizonte.

A relação dos arquitetos com a academia é explícita tanto na postura crítica e conceitual das intervenções, como na maneira didática de explanar suas ideias. O destaque, sem sombra de dúvidas, foi para o conjunto arquitetônico do Inhotim, onde hierarquicamente a natureza se sobrepõe à arquitetura e fica clara a intenção dos arquitetos em mimetizar a construção com a paisagem para minimizar o impacto visual.

O fechamento do Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos ficou sob a responsabilidade do chileno Sebastián Irarrázaval que iniciou com um breve panorama sobre as condições políticas, econômicas e sociais que forjaram o sucesso da arquitetura contemporânea chilena, enfatizando a ascensão de uma nova elite que buscou afirmar-se por meio da construção de novos signos e edifícios que representassem seus ideais e a diferenciassem da classe dominante anterior.

A seleção das obras foi comentada através de vídeos que tinha a clara intenção de revelar a arquitetura como um "organismo vivo" e a dinamicidade na apropriação dos espaços pelos seus usuários. Para Irarrázaval importa mais a materialidade na arquitetura que sua relação com o lugar e as tradições locais.

Sebástian Irarrázaval encerrou o Fjal deixando no ar uma provocação de que o abandono das tradições é um ponto fundamental para a construção de uma nova arquitetura.

Após três dias de intenso intercâmbio cultural e arquitetônico, fica a certeza de que todos saíram ganhando deste fórum. Durante esse período, a imprensa cearense difundiu maciçamente o evento e realizou diversos debates sobre o papel dos arquitetos e urbanistas, das universidades e do poder público na qualificação dos espaços urbanos e o impacto direto sobre a vida dos cidadãos.

O sentimento entre os participantes é o de que se leva na bagagem muito mais do que se trouxe para compartilhar, afinal ‘o todo é maior que a soma das partes’.

Fica a esperança de que os conhecimentos compartilhados sejam multiplicados e que a semente lançada no Fjal seja replicada em outras partes do país e da América Latina.

À imprensa especializada cabe o papel de fazer reverberar o conteúdo geral do Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos para que sejam agregados outros nomes e outras possibilidades à discussão de uma ou de várias identidades arquitetônicas latino-americanas.

sobre o autor

Oliveira Júnior é arquiteto e urbanista. Graduado pela Universidade Federal da Paraíba e mestre em Engenharia Urbana pela mesma instituição. Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa – Unipê, nas disciplinas de Projeto Arquitetônico e Desenho Urbano. Diretor do escritório 7S34W Studio, onde desenvolve projetos de arquitetura e de desenho urbano.

Auditório da Fábrica de Negócios, Fortaleza-CE. 10 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Fernando Lara - Brasil / Austin, Texas – EUA. 24 ago 2010. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Álvaro Puntoni – SP. 08 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Casa do Morro do Querosene - SP (Álvaro Puntoni). 30 dez 2009. São Paulo - SP
Foto Pedro Vannucchi [www.gruposp.arq.br]

Al Borde - Pascual Gangotena e David Barragan. 08 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Luciano Andrades e Silvio Lagranha (Studio Paralelo), Andrés Gobbas e Maurício Lopes (MAAM). 09 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Yuri Vital – SP. 09 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Capela GRU – SP. Yuri Vital. 2009. São Paulo - SP [acervo de Yuri Vital]

Oliveira Júnior e Davi de Lima (7S34W) – PB. 09 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Lívia Loureiro [acervo do 7S34W]

Residência MP, João Pessoa/PB - Oliveira Júnior. 07 out 2010. João Pessoa - PB
Foto André Braz [acervo do 7S34W]

Pedro Rivera e Pedro Évora (Rua Arquitetos). 10 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Federico Mesa - Plan B. 10 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Orquideorama - Medellin, Colombia (Plan B). 2006.
Foto Maria Claudia Levy

Alexandre Brasil e Bruno Santa Cecília (Arquitetos Associados). 10 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Sebastián Irarrázaval. 10 jun 2011. Fortaleza-CE
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

Palestrantes do FJAL: Sebástian Irarrazaval, Yuri Vital, Pedro Évora, Pedro Rivera, David Barragan, Frederico Mesa, Pascual Gangotena, Maurício Lopes, Davi de Lima, Bruno Santa Cecília, Luciano Andrades, Silvio Lagranha, Alexandre Brasil, Oliveira Júnior
Foto Oliveira Júnior [acervo do 7S34W]

 

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