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drops ISSN 2175-6716

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O Prêmio APCA 2011 – Categoria “Obra de arquitetura no Brasil" é um reconhecimento a um projeto de grande relevância social que inova na forma de intervir em situações de urbanização precária.

how to quote

ANELLI, Renato. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Obra de arquitetura no Brasil”. Premiado: João Batista Martinez Corrêa / Mirante da Paz – Complexo Elevador Rubem Braga, Rio de Janeiro. Drops, São Paulo, ano 12, n. 051.07, Vitruvius, dez. 2011 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4153>.



O Prêmio APCA 2011 – Categoria “Obra de arquitetura no Brasil" é um reconhecimento a um projeto de grande relevância social que inova na forma de intervir em situações de urbanização precária (1).

A arquitetura brasileira possui uma longa experiência na elaboração de propostas para enfrentar as péssimas condições de vida dos moradores de bairros precários, favelas e outros tipos de ocupações informais. Característica estrutural do veloz processo de urbanização brasileiro, esses tipos de assentamentos cresceram exponencialmente para abrigar a população que migrava do campo para as cidades, com o objetivo de fornecer mão de obra barata para a industrialização. As cidades cresceram rapidamente sobre várzeas, mangues, morros, produzindo uma urbanização altamente precária.

Desde a década de 1930 a produção arquitetônica de caráter social, voltada para essa parte da população urbana, gerou inúmeros conjuntos habitacionais, escolas e outros equipamentos sociais que expressam um relevante esforço de estruturação do crescimento das cidades. Por razões cuja explicação que não caberiam neste texto, essa ação foi sempre muito inferior à dimensão do processo de crescimento urbano, resultando na constante ampliação das áreas de pobreza e precariedade.

O projeto escolhido na categoria “Obra de arquitetura no Brasil” insere-se nessa tradição de arquitetura voltada a demandas sociais. Apesar da aparência de edifício, trata-se de um equipamento de transporte público, um instrumento de conexão das moradias populares nos morros do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo com o bairro de Ipanema, suas ruas e estação de metrô.

Apoia-se na experiência luso-brasileira de equipamentos desse tipo. Se os elevadores Santa Justa em Lisboa e Lacerda em Salvador foram construídos para resolver as dificuldades de conexão entre as cidades altas e baixas, divisão recorrente do velho modo de urbanização portuguesa, o complexo em Ipanema pretende integrar a cidade pobre no morro com a cidade rica embaixo, fenômeno contemporâneo que em nada remete à tradição lusitana.

Sua forma exprime as novas estratégias de intervenção em programas urbanos de caráter social. Ao contrário da experiência recente, não tenta dialogar com a aparente espontaneidade dos arruamentos e casas construídas por ajuda mútua. Contrasta propositalmente com as construções em alvenaria aparente das casas pobres ao usar técnicas e matérias que acentuam a sua modernidade – estrutura de aço, elevadores panorâmicos e arrojadas passarelas com poucos pontos de apoio.

No alto das máquinas dos elevadores, um mirante oferece visão panorâmica em 360o, abrangendo tanto o horizonte marítimo, emoldurado pelos prédios de Ipanema, quanto as casas e vielas do morro. O fluxo de turistas para essa nova atração urbana convive com o trânsito dos moradores da comunidade nas suas lides cotidianas. Além de facilitar a circulação entre os dois níveis da cidade, passarela, elevadores e seus saguões favorecem o encontro e abrigam o convívio, a conversa rápida ou o estar um pouco mais prolongado. Demonstra que algo da urbanidade de uma rua tradicional pode se reproduzir em novas situações, sem depender da sua figuratividade.

O complexo se configura como uma extensão vertical da rede de metrô, afirmando a sua modernidade e anotando a intenção de reunir favela e bairro em uma única cidade. Sinaliza para uma nova arquitetura da cidade, a um só tempo equipamento de mobilidade urbana e de integração social.

nota

1
Este texto é parte da Ata de Premiação APCA 2011, assinada pelos críticos de arquitetura filiados à Associação Paulista de Críticos de Arte. Os prêmios outorgados nas sete categorias – Homenagem pelo conjunto da obra; Cliente/promotor; Difusão; Urbanidade; Obra de arquitetura em São Paulo; Obra de arquitetura no Brasil; e Projeto referencial – foram selecionados por unanimidade ou maioria a partir de critérios discutidos coletivamente. A responsabilidade de redação final coube a um determinado crítico, mas os argumentos foram discutidos coletivamente pelos críticos de arquitetura Abilio Guerra, Fernando Serapião, Guilherme Wisnik, Maria Isabel Villac, Mônica Junqueira de Camargo, Nadia Somekh e Renato Anelli. Os textos que complementam a Ata de Premiação APCA 2011 são os seguintes:

WISNIK, Guilherne. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Homenagem pelo conjunto da obra”. Premiado: Marcello Fragelli. Drops, São Paulo, n. 12.051.02, Vitruvius, dez. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4148>.

SERAPIÃO, Fernando. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Cliente /promotor”. Premiado: Otávio Zarvos / Idea!Zarvos. Drops, São Paulo, n. 12.051.03, Vitruvius, dez. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4149>.

SOMEKH, Nadia. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Difusão”. Premiado: Raul Juste Lores / Folha de S. Paulo. Drops, São Paulo, n. 12.051.04, Vitruvius, dez. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4150>.

GUERRA, Abilio. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Urbanidade”. Premiado: Mauro Munhoz e Casa Azul / Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Drops, São Paulo, n. 12.051.05, Vitruvius, dez. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4151>.

VILLAC, Maria Isabel. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Obra de arquitetura em São Paulo”. Premiado: Biblioteca São Paulo / Aflalo e Gasperini + Dante Della Manna + Univers Design. Drops, São Paulo, n. 12.051.06, Vitruvius, dez. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4152>.

ANELLI, Renato. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Obra de arquitetura no Brasil”. Premiado: João Batista Martinez Corrêa / Mirante da Paz – Complexo Elevador Rubem Braga, Rio de Janeiro. Drops, São Paulo, n. 12.051.07, Vitruvius, dez. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4153>.

CAMARGO, Mônica Junqueira de. Prêmio APCA 2011 – Categoria “Projeto referencial”. Premiado: João Filgueiras Lima, Lelé / Projeto alternativo para o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Drops, São Paulo, n. 12.051.08, Vitruvius, dez. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.051/4154>.

sobre o autor

Renato Anelli é professor titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em São Carlos e autor de diversos livros e artigos publicados no Brasil e no exterior.

 

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