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drops ISSN 2175-6716

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Artigo fala sobre a presença da arquiteta na Bahia, desde sua importante atuação para a cultura local, até a qualidade arquitetônica de suas obras de revitalização e restauro.

how to quote

(ALMANDRADE), Antônio Luiz M. de Andrade. A maquete do Solar do Unhão e a Bahia de Lina Bo Bardi. Drops, São Paulo, ano 13, n. 066.04, Vitruvius, mar. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.066/4682>.


Mostra de maquetes Oficina Lina Bo Bardi
foto: Toni Caldas [Carla Zollinger]


A maquete do projeto de restauro do complexo arquitetônico do Solar do Unhão em exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia é um aperitivo para lembrar a presença da arquiteta Lina Bardi em Salvador, sem saudosismo e sem nostalgia. Nem tão pouco, para pedir desculpas pela nossa estupidez com que tratamos o passado e desprezamos a memória da cidade. A “mostra de maquetes oficina Lina Bo Bardi” nos aproxima do projeto pensado pela arquiteta para esse espaço e de um fragmento recente da história desta cidade.

O Solar do Unhão com a intervenção da Lina, é um exemplo bem sucedido de um projeto de restauro e revitalização que deveria servir de referência para outras áreas da cidade. Lina tinha um olhar moderno sobre o passado, com uma sensibilidade que até surpreendia a racionalidade que norteava a arquitetura moderna. Temos ainda muito que aprender com a sua estadia em Salvador, aquele era um momento em que o intelectual podia sonhar, a cidade tinha mais arquitetura e menos empreendimento imobiliário. A universidade era um espaço que abrigava sonhos e tinha um contato mais efetivo com a sociedade e o cotidiano, diferente dos dias de hoje, voltada para a formação de mão de obra para o mercado de trabalho.

A presença de Lina foi decisiva para a cultura baiana, arquiteta com uma obra pessoal, rica em sutilezas de detalhes, como a escada helicoidal do MAM, um monumento a esse invento milenar do homem para dominar o espaço e a sabedoria popular responsável pelos encaixes do sistema de travamento da mesma. Seu contato com as matrizes da cultura popular da Bahia e do nordeste, a levou a aproximar de forma inteligente o design do artesanato. Animadora cultural, criou o Museu de Arte Moderna da Bahia com um valioso acervo da arte moderna brasileira que se encontra guardado numa reserva técnica, longe do olhar do público, contrariando a proposta da arquiteta. O museu era também um local para formação, informação, como as oficinas do MAM, atualmente sem seus principais cursos que tanto contribuíram para formação de público e artistas.

É difícil visitar a exposição, prestar atenção no trabalho minucioso das maquetes e não pensar no conjunto de obras da arquiteta na cidade do Salvador, nas suas intervenções na arquitetura, marcadas por um modelo de pensamento. Um arquiteto de verdade, sabe que antes de qualquer intervenção ou projeto, existem idéias, conceitos que orientam a prática por mais empírica que pareça. Nesse caso, o trabalho do arquiteto é um testemunho e expressão de uma sociedade ou de uma geração. É o que documenta a Casa do Benin, o Teatro Gregório de Matos, a ladeira da Misericórdia, no centro Histórico de Salvador, tão falado e pouco cuidado, massacrado por uma política que tem como prioridade a indústria do turismo que transforma tudo em espetáculo e esconde a história. Como diria o mestre de muitos doutores, o geógrafo Milton Santos, que sem precisar de recursos de cotas, provou para o mundo que o saber está acima da discriminação: - O turista é o habitante de lugar nenhum.- Se ele é de lugar nenhum, sem história, preservar o que e para que? A indústria do turismo traz a maravilha do dinheiro, mas ela é também o cupim que corrói a cultura.

Há um conjunto de obras dessa arquiteta que enriquece o patrimônio cultural de Salvador, que passa despercebido pelos baianos, menos por estudiosos, pesquisadores e curiosos que visitam esta cidade e querem conhecer a arquitetura de Lina Bardi. A “galera” embriagada atrás do trio elétrico, já não sente mais falta do teatro Gregório de Mattos, projeto da arquiteta, que espera pacientemente obras de manutenção para ser reaberto e voltar a prestar importante serviço à cultura baiana. Lina projetou um espaço vazio, sem distinção entre palco e platéia, com uma escada espetacular, um teatro experimental, mantendo janelas para a entrada de luz e ventilação naturais. Quem melhor utilizou o teatro foi José Celso Martinez, em 1992, quando realizou uma oficina em torno de “As Bacantes”.

“Triste Bahia”, diz o poeta e poucos o escutam. No meu modesto conhecimento, dois arquitetos pensaram um projeto de teatro para transformar a concepção de teatro: Flávio de Carvalho, em São Paulo, em 1930 com o “Teatro da Experiência”, fechado pela polícia logo após a inauguração, e Lina Bardi com o Teatro Gregório de Mattos, em Salvador, na década de 1980.

A minha imaginação de arquiteto, artista e ex-professor das oficinas do MAM, diante da mostra de maquetes do Solar do Unhão, quer ver mais. Que a obra exemplar da arquiteta com seu singular e cordial diálogo entre modernidade e passado, nesta cidade, não venha a ser um dia maquetes e objeto de pesquisa de historiadores.

notas

NE
Publicação original: ALMANDRADE. A maquete do Unhão e a Bahia de Lina Bardi. A Tarde, Salvador, 6 fev. 2013. O texto trata da exposição de maquetes produzidas na oficina de maquetes, ministrada no MAM-BA pela arquiteta Carla Zollinger para estudantes de arquitetura, a partir do projeto de reforma de Lina Bo Bardi para o Solar do Unhão. As maquetes permanecerão em exibição pública até março de 2013; a maquete maior (com todo o Solar do Unhão e Parque de Esculturas) será doada ao MAM-BA.

sobre o autor

Antônio Luiz M. de Andrade (Almandrade) é artista plástico, poeta e arquiteto.

Mostra de maquetes Oficina Lina Bo Bardi
foto: Toni Caldas [Carla Zollinger]

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foto: Toni Caldas [Carla Zollinger]

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foto: Toni Caldas [Carla Zollinger]

 

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