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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Na exposição “Arqueologia do Digital”, o curador Greg Lynn levanta a mesma hipótese contida na tese de doutorado “Diagramas Digitais”, de Octavio Lacombe.

english
In the exhibition Archaeology of the Digital, curator Greg Lynn raises the same hypothesis contained in the doctoral thesis “Digital Diagrams”, by Octavio Lacombe.

español
En la exposición "Arqueología del Digital", el curador Greg Lynn plante a la misma hipótesis contenida en la tesis de doctorado "Diagramas Digitales", de Octavio Lacombe.

how to quote

LACOMBE, Octavio. Sobre a arqueologia do digital. Drops, São Paulo, ano 13, n. 069.02, Vitruvius, jun. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.069/4764>.


Eisenman, DNA [divulgação]


Quem aí, entre os leitores desse pequeno texto, sabe dizer desde quando computadores são utilizados, efetivamente, na atividade projetiva da arquitetura? Se alguém disser que tudo começou faz quase 30 anos, dá pra acreditar? Pois então, mesmo não podendo afirmar uma data precisa, parece que é verdade. É o que propõe Greg Lynn, curador da recém inaugurada exposição “Arqueologia do Digital”, no Centro Canadense de Arquitetura (CCA)

Soube da exposição, que ainda não visitei, através do site do CCA, um centro que promove a arquitetura como manifestação e realização de interesse público. O centro tem uma larga coleção de imagens, projetos, entrevistas e textos sobre a disciplina, além de fomentar pesquisas e realizar exposições, oferecendo ao publico a oportunidade de conhecer mais sobre os meandros da arquitetura. A página da exposição traz excertos de vídeos com os quatro arquitetos com projetos representados, dando uma boa ideia do que se trata essa arqueologia idealizada por Greg Lynn. Mas não é do CCA que quero falar, nem da exposição em si, que ainda não pude visitar, e sim do tema proposto por Greg Lynn.

A possibilidade de uma arqueologia, de escavar a produção arquitetônica em busca de suas origens, suas raízes, seu passado histórico, seus antecedentes, me faz lembrar de minha tese de doutorado defendida na Fau Usp em 2006. A tese ali é que o digital tem origens mais remotas do que podemos imaginar. A possibilidade do digital está nas raízes da arquitetura, nas suas afinidades matemáticas expressas nas várias linguagens e representações, da perspectiva de Brunelleschi aos diagramas de Peter Eisenman, um dos quatro arquitetos integrando a exposição.

Aliás, Eisenman diz tudo, no início do curto trecho de vídeo disponível online: Vocês estão tentando estabelecer uma origem consciente do digital antes do digital ser o digital, antes do digital ser tomado pela fenomenologia, que é hoje a essência do digital, antes da parametrização tomar conta, antes de que qualquer um tivesse consciência disso. Lynn concorda. É isso que está, de fato, tentando fazer. Os quatro projetos apresentados na exposição são apenas a ponta de um iceberg impossível de mensurar sem uma vasta pesquisa pelos quatro cantos do universo da arquitetura.

Eu, em minha tese, “Diagramas Digitais”, fui um pouco além da atividade projetiva e quis saber como certos modo de pensar, como alguns processos de concepção do projeto do passado poderiam estar na origem do pensamento e do processo de concepção da arquitetura no campo do digital. Foi assim que encontrei similaridades entre o modo de pensar de, por exemplo Corbusier e Gaudi com Gehry e Eisenman. A possibilidade do digital já estava lá, havia uma predisposição da arquitetura para o pensamento numérico e digital. Eu então afirmava que no processo de pensar o projeto de alguns arquitetos já havia, potencialmente, a linguagem do digital.

Greg Lynn afirma isso, no mesmo pequeno vídeo em que conversa com Eisenman: “Voce inventou a abordagem paramétrica no computador. Esta é minha tese. Antes de mais nada, há uma falsa concepção que os computadores apareceram e as pessoas tiveram que descobrir o que fazer com eles. Não, as pessoas estavam fazendo coisas que os computadores puderam então automatizar. Voce era um computador humano naquele momento”. Essa tese é minha, Greg, sorry!

Fico feliz e ao mesmo tempo arrasado ao ouvir isso. Feliz porque um sujeito do calibre do Greg Lynn, que revolucionou a teoria da arquitetura com textos seminais em seu livro AnimateForm(1999), tenha pensado a mesma coisa, o que corrobora minha ideia, o que confirma a validade da minha tese. Por outro lado, fico triste porque a tese já tem sete anos e pouco chamou a atenção no país. É compreensível, a arquitetura no Brasil nunca se notabilizou por abraçar as tecnologias digitais. Quem usava computadores para a criação da arquitetura, no Brasil de 1985, ano em que Eisenman começou a utiliza-los?

Minha tese teve o destino de tantas outras teses. Um pequeno espaço numa estante da biblioteca de um velho casarão na rua Maranhão. Também ganhou alguns bites de espaço na biblioteca digital da USP. Foi recomendada para publicação, mas não encontrou lugar entre as editoras. Ao menos acredito que tenha sido bem escrita, guiada pela exigente arquiteta da linguagem e estimulante interlocutora Lucrécia D’Aléssio Ferrara. Nada dela escapou, posso garantir. Me entristece pensar que se minha tese tivesse sido escrita e defendida em inglês, quem sabe, teria tido melhor destino que uma estante. Teria circulado mais nos meios acadêmicos, ao menos e, por que não pensar, talvez tivesse virado livro. Quem sabe?

A exposição fica aberta até meados de outubro. Quem estiver em Montreal entre a primavera e o outono no hemisfério norte, pode dar uma espiada. Minha tese pode ser baixada na Biblioteca Digital de teses e dissertações da USP: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16136/tde-09082006-143023/pt-br.php.

sobre o autor

Octavio Lacombe é arquiteto e urbanista, doutor pela FAU USP, autor da tese “Diagramas digitais: pensamento e gênese da arquitetura mediada por tecnologias numéricas”. Atualmente desenvolve pesquisa sobre o tempo na arquitetura,sobre as várias manifestações do tempo e as diversas respostas da arquitetura, na Facultyof Environmental Design da Universidade de Calgary.

 

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