Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Luiz Fernando Janot analisa os processos de transformação urbana no Brasil, trazendo como comparação a crise do modelo de suburbanização da cidade norte americana, como o caso de Detroit.

how to quote

JANOT, Luiz Fernando. A esquizofrenia do poder. Drops, São Paulo, ano 14, n. 071.02, Vitruvius, ago. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/14.071/4828>.



A sociedade norte-americana vive um momento de perplexidade diante do recente pedido de concordata da cidade de Detroit. Símbolo-sede da sua poderosa indústria automobilística, Detroit não resistiu ao processo de desindustrialização que, por anos a fio, afetou a cidade. A crise financeira envolvendo as três grandes montadoras – Ford, GM e Chrysler – arrastou consigo outras indústrias menores e agravou, ainda mais, os elevados índices de desemprego. Sem novas perspectivas de trabalho, uma parcela significativa da população deixou a cidade, largando para trás uma quantidade expressiva de residências e edifícios comerciais desocupados. Esta é a triste realidade de uma das mais importantes cidades americanas que, como outras espalhadas pelo mundo afora, deixaram de criar alternativas para enfrentar os desafios decorrentes das transformações ocorridas nos meios de produção industrial. De uma maneira geral, essa atitude reflete a visão imediatista que costuma prevalecer nas decisões políticas sobre o desenvolvimento urbano das cidades.

No Brasil de hoje é mais do que evidente o desinteresse pelo planejamento de longo prazo. Vive-se um delírio pseudodesenvolvimentista que transfere para o futuro o ônus da irresponsabilidade fiscal e do desperdício do dinheiro público em obras desprovidas do planejamento. As empreiteiras, penhoradas, agradecem os perdulários financiamentos do BNDES garantidos por frequentes capitalizações com recursos do Tesouro Nacional. Também não se pode esquecer as sinistras “Parcerias Público-Privada” que, na verdade, utilizam mais recursos públicos do que privados. Os novos estádios de futebol estão aí para confirmar essa afirmação.

Por outro lado, percebe-se uma expansão incontrolável do tecido urbano das cidades brasileiras promovida pelo capital financeiro travestido de capital imobiliário. O interesse do mercado em criar novas centralidades, através da oferta de edifícios corporativos e de shoppings centers, tem contribuído para o abandono de importantes prédios do centro histórico e para a degradação dos espaços públicos no seu entorno. Por que seguir o exemplo de São Paulo, que esvaziou o velho centro ao implantar, sucessivamente, novas centralidades? Por que ao invés disso não incentivar a requalificação espacial e tecnológica dos belíssimos edifícios de escritórios existentes nas áreas centrais, como está sendo feito atualmente com o Empire State em Nova York?

A realidade econômica e financeira do mundo globalizado faz com que essas respostas não sejam tão simples como se pode supor. Para o geógrafo inglês David Harvey, a qualidade da vida urbana, ao virar mercadoria, trouxe consigo uma aura de liberdade para a escolha dos bens de consumo e para as atividades de lazer e entretenimento - obviamente, para quem tem dinheiro para usufruir desse privilégio. Esse modelo faz com que os comportamentos sociais se reduzam, apenas, à sua condição econômica. Todavia, o direito à cidade é muito mais abrangente do que esse tipo de reducionismo. As cidades, na sua essência, possuem vínculos sociais e culturais próprios, assim como estilos de vida e valores estéticos diversificados. Esses aspectos de natureza humanística não podem ser desprezados inconsequentemente.

Nos processos de transformação urbana não cabem o temor reverencial e o deslumbramento diante de modelos culturais padronizados e introduzidos através de um marketing ardiloso. No Rio, corre-se duplamente esse risco quando se incentiva a criação de uma nova centralidade na Barra da Tijuca e, paralelamente, se investe na revitalização da zona portuária a partir de sofisticados prédios corporativos para atender a uma suposta demanda reprimida por esse tipo de edificação. O imediatismo de decisões tomadas pela sua repercussão midiática reflete uma espécie de esquizofrenia do poder. No futuro, quem pagará o preço pela falta de um planejamento consistente será a própria cidade.

nota

NE
Publicação original: JANOT, Luiz Fernando. A esquizofrenia do poder. O Globo, Rio de Janeiro, 03 ago. 2013.

sobre o autor

Luiz Fernando Janot, arquiteto urbanista, professor da FAU UFRJ.

 

comments

071.02 centralidade urbana
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

071

071.01 manifestação popular

Uma pauta para a redemocratização

Jorge Wilheim

071.03 arquitetos

Censo do CAU e os desafios na formação em Arquitetura e Urbanismo (parte1)

Érico Masiero

071.04 arquitetura digital

CAAD Futures 2013

Xangai hospeda o futuro da arquitetura digital

Gabriela Celani

071.05 exposição itinerante

Arquitetura do desenho

Zeuler Lima

071.06 manifestação popular

Escutando a marcha

O que vai restar quando a poeira baixar?

Juliana Monferdini

071.07 crítica

Criticando a los críticos… ¿Se me permite la palabra?

Humberto González Ortiz

071.08 artes visuais

Entre a razão e o riso

Antônio Luiz M. de Andrade (Almandrade)

071.09 ensino

A cidade como ponto de partida para o projeto de arquitetura

Experiência da disciplina de projeto de arquitetura no morro do Jaburu (Vitória-ES)

Lutero Proscholdt Almeida, Eloisa Guedes Caetano, Juliana Pimentel Freitas, Daiani Rodrigues Lavino, Jéssica Marinho Sartório, Raiza Barcellos Claudio and Carla Roberta Malheiros Soares

newspaper


© 2000–2019 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided