Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Adalberto da Silva Retto Jr, professor da Unesp de Bauru, escreve sobre a morte do mundialmente reconhecido urbanista italiano Bernardo Secchi.

how to quote

RETTO JUNIOR, Adalberto da Silva. Bernardo Secchi. Um adeus ao urbanista italiano. Drops, São Paulo, ano 15, n. 084.07, Vitruvius, set. 2014 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/15.084/5294>.



É comum no ambiente acadêmico europeu, inclusive no italiano, que ao falecer um grande mestre, seu “allievo” mais próximo ou seus colegas da Universidade, escrevam a respeito do seu legado. Com o urbanista e engenheiro de formação, Bernardo Secchi não foi diferente: Stefano Boeri, Stefania Fiorentino, Vittorio Gregotti, Carlo Olmo, dentre tantos, assim o fizeram, com o “cuore”, como gostam de fazer os italianos.

A repercussão internacional do seu falecimento, que em grande medida reflete a importância de sua obra, pode ser notada tanto pelos grandes jornais, que o consideraram como “le plus grand architecte urbaniste italien du 20e siècle”, ou ainda, pelas colocações elencadas nos jornais das cidades onde ele foi o “padre” do plano diretor. Os sentimentos expressos são de imenso pesar.

No Brasil, nos últimos dez anos a obra e a presença de Secchi foi uma constante, preenchendo uma grande lacuna entre planejamento e projeto, pesquisa e proposição e entre debate, análise e o projeto da cidade contemporânea. Logo, não como um “allievo” aos moldes italianos, mas por uma efetiva relação de trabalho e de pesquisa desenvolvidos durante a elaboração do Plano Diretor Participativo do Município de Agudos, cabe parte dessa incumbência ao grupo de pesquisa em Sistemas Integrais Territoriais e Urbanos – GRUPO SITU, da Unesp - Campus de Bauru.

Foi exatamente há dez anos, ao término do mês de maio e início de junho, quando, em meio ao grupo SITU o professor Secchi completou seus 70 anos no galpão de uma fábrica abandonada, local onde foi montada pela primeira vez no Brasil a exposição “New Territories” e que sediou o primeiro workshop internacional “Conhecimento Histórico-Ambiental Integrado na Planificação Territorial e Urbana: um contributo de Bernardo Secchi”.

O evento itinerante, que passou por São Paulo, São Luiz do Paraitinga, Santos, Campinas, Sorocaba, e Agudos, foi na realidade, a ocasião para indagarmos grandes mestres com o fito de construirmos um itinerário de pesquisa. E assim Bernardo Secchi ao lado dos geógrafos Aziz Ab` Saber (IEB – USP) e Jüergen Richard Langenbuch (Unesp - campus de Rio Claro), dos arquitetos e urbanistas José Cláudio Gomes (FAU-USP/Unesp) e Witold Zmitrowicz (FAU-USP), nos conduziram, do litoral ao interior do estado de São Paulo, debatendo as transformações da paisagem e seus processos de interiorização, remontando a formação das “franjas pioneiras”, estudadas in primis pelo geógrafo francês Pierre Mombeig (1908-1987), e que também foi apresentada à Universitè Sorbonne como tese de doutorado com o título Pionniers et Planteurs de São Paulo, com a qual recebeu o prêmio da Fondation Nationale des Sciences Politiques de Paris, em 1950.

Naquele momento, se consolidava tanto o grupo de pesquisa SITU, quanto se delineavam os objetivos do Plano Diretor Participativo do Município de Agudos em torno da ideia de “laboratório”. Ambos, deveriam exprimir que o conhecimento baseado em parâmetros determinados a partir da pesquisa aprofundada do território, seriam considerados como premissa iniludível à intervenção, antecipando os temas e os lugares do projeto, ratificando assim, a ideia de que qualquer área seria tratada de forma a evidenciar os efeitos das diversas atividades e das diferentes características físicas, à luz do inteiro sistema em que estava inserida. Portanto, a intervenção se desenvolveria baseada na análise da agricultura, morfologia do construído, dos deslocamentos da população e atividade edilícia, dos princípios de assentamentos da indústria e do terciário, comércio, turismo, das infraestruturas e mobilidades, em um constante jogo de escalas.

O intervalo entre o primeiro e segundo workshop, que contou com a presença de Paola Viganò, Paola Pellegrini e Emanuel Gianotti, do Studio 09 e do Doutorado em Urbanismo do Istituto Universitario di Architettura di Venezia, foi caracterizado por um cronograma de leitura da cidade no seu território a partir de extensos levantamentos, não seguindo somente a estrutura dos planos diretores desenvolvidos em pequenas e médias cidades, mas levando em consideração a máxima do grande mestre: “urbanismo se faz a pé”.

No extremo de exaustão da análise, começamos a nos apoiar na construção de cenários hipotéticos, que significou a completa anulação de dois processos até então estanques: análise e projeto. Essa passagem, inicialmente tomada de forma natural pelos grupos formados pelas docentes, Marta Enokibara, Norma Constantino e Kelly Magalhães, e pelos alunos/estagiários de Arquitetura da Unesp – Campus de Bauru, foi rapidamente pinçada e debatida pelas duas equipes como projetos exploratórios, tendo o desenho como gerador de conhecimento, tema de um livro, que segundo Secchi, estava sendo escrito pela professora Viganò.

Mais recentemente, a distância de Secchi das pequenas e médias cidades - que ainda são nossos objetos de reflexão e de trabalho -, aumentou em função da demanda que as metrópoles brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, entre outras começaram a colocar. Mas mesmo assim, os seus livros, suas discussões e seus planos como sua participação no Le Grand Paris, que foram seguidos à distância por todos nós, alimentavam o orgulho dos agudenses, que tiveram o privilégio de seu convívio, e a nossa certeza de termos sido aconselhados não somente por um dos maiores urbanistas do século XX, mas por um dos maiores mestres que transitava do urbanismo e da arquitetura, para a música, filosofia, cinema, literatura, história, sociologia e para a geografia.

Seu último livro, La città dei ricchi e la città dei poveri, apresentado por intelectuais italianos na Trienal de Milão de 2014 em comemoração aos seus 80 anos, explicita já no título, o quanto o Brasil assumiu importância para as últimas indagações do Mestre. A nós, ficou a alegria do convívio e a certeza da longevidade de seus ensinamentos.

sobre o autor

Adalberto da Silva Retto Jr é professor da Unesp de Bauru e Visting Scholar Université Sorbonne Paris I.

Bernardo Secchi
Foto divulgação [CCA, Montréal]

 

comments

084.07 homenagem
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

084

084.01 geologia

Piscinões verdes contra as enchentes

Álvaro Rodrigues dos Santos

084.02 escola paulista

Sobre escolas que contam estórias

Diogo Cavallari

084.03 exposição

Fragmentos

O registro de afetos, memórias e emoções na produção contemporânea

Jacopo Crivelli Visconti

084.04 cultura urbana

Uma rua chamada Augusta

Como a louca do Juquery virou nome de logradouro

Aracy Amaral

084.05 cidade e arte

Francis Alÿs

Olhar para a cidade a partir de uma prática artística

Clara Barzaghi de Laurentiis

084.06 exposição

Lothar Charoux – razão e sensibilidade

Maria Alice Milliet

084.08 cultura

Bélgica

O quebra-cabeça de línguas, etnias, partidos e governos

Adson Cristiano Bozzi Ramatis Lima

084.09 crítica

Eso que algunos locos llamamos: igualdad...

Humberto González Ortiz

newspaper


© 2000–2017 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided