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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Um ano após a morte de Bernardo Secchi, mais do que nunca suas lições ganham importância no cenário atual. Homenageá-lo nesse momento é dar vida a um de seus textos publicado, no qual explicita a missão do urbanista: exercitar o direito ativo de cidadão.

english
A year has passed after the death of Prof. Bernardo Secchi. However, more than ever, your lessons gain importance in the current scenario.

español
Un año después de la muerte de Bernardo Secchi, más que nunca sus lecciones ganan importancia en el escenario actual. Honrarlo ahora es dar vida a uno de sus textos publicados que explica la misión del urbanista: ejercicio del derecho de ciudadano activo.

français
Un an a passé depuis la mort de Bernardo Secchi, mais plus que jamais ses enseignements prennent de l’importance dans le cadre actuel. Lui rendre hommage en ce moment est redonner vie à l’un de ses textes dans lequel il explicite la mission de l’urbaniste

how to quote

RETTO JUNIOR, Adalberto da Silva. Bernardo Secchi. Entre plano e projeto: sobre o papel político do arquiteto-urbanista. Drops, São Paulo, ano 16, n. 096.04, Vitruvius, set. 2015 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/16.096/5697>.



Um ano passou-se depois do falecimento do professor Bernardo Secchi, ocorrido no dia 15 de setembro de 2014. Entretanto, e mais do que nunca, suas lições ganham importância nesse cenário conturbado pelo qual está passando sua Europa e o mundo. Homenageá-lo nesse momento é dar vida a um de seus textos publicado no prefácio intitulado “A pesquisa e o projeto urbano”, do livro Matières de ville (Edition de la Villette, Paris, 2008), organizado por Yannis Tsiomis, que explicita aquilo que ele coloca como a missão do urbanista: exercitar o direito ativo de cidadão.

“Com a idade, é mais fácil constatar o vasto papel político que cabe à pesquisa, bem como perceber quão é impossível esquecê-lo. A partir desta constatação, questiono-me sempre sobre o papel político – no sentido amplo – de nossos projetos, de nossas pesquisas ou de nosso ensinamento. Nesse sentido, lhes proponho explorar esta imposição a partir de três palavras cuja história é ligada à República Francesa e sobre as quais nós, arquitetos e urbanistas, têm coisas para contar. Essas três palavras, compondo a divisa “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, são famosas, mas sobretudo essenciais.

O que quer dizer “Liberdade”? Significa que nossa sociedade contemporânea, com suas diferenças nacionais, étnicas e culturais – que continuamos enfatizando, se não a exagerar – nos oferece a possibilidade de escolher trajetórias e estilos de vida diversos. As pesquisas, desde Roland Barthes e Henri Lefebvre, nos mostraram como a liberdade, tanto individual quanto coletiva, é estritamente ligada (embora dependa de outros fatores) ao ambiente em que vivemos, portanto ao ambiente construído ou o ambiente urbano. O assunto da disponibilização de estilos de vida distintos incita a refletir sobre as velhas categorias, as de tipologia e morfologia. Trata-se de ver como distintos tipos de espaços habitáveis podem ser compostos em função de aspectos morfológicos totalmente diferentes daqueles aos quais costumávamos pensar numa época em que não tínhamos essa sorte que, para o indivíduo de hoje, representam sua liberdade, sua individualidade e a gestão do seu quotidiano. Esse ponto, precisamente, tornou-se um tema de projeto sobremaneira importante, a ser desenvolvido seja por exercícios nas escolas, seja na vida profissional. Se olharmos, sob esta perspectiva, as enormes cidades difusas de Flandres ou do Vêneto, essas imensas extensões urbanas espalhadas que misturam velhos centros históricos, periferias e vastas áreas residenciais, somos levados a formular opiniões distintas daquelas comumente defendidas.

O que significa “Igualdade”? Recorrentemente, esta noção gera problema: como conceber uma cidade que seja a representação de sociabilidades distintas? Como criar uma cidade em que não haja nenhuma segregação entre os diversos grupos sociais? Uma cidade na qual se possa viver sem a marca do seu status social? Isso é muito mais complexo que a exploração da liberdade, pois aqui tocamos o tema da mescla. Como acomodar juntos jovens e pessoas mais velhas? Como organizar a coabitação de costumes, origens étnicas ou estilos de vida diferentes? Mas também, como misturar as diversas atividades? Quando se explora esse tema em profundidade, nos damos novamente conta que vai ser preciso inventar exercícios pouco habituais, principalmente se considerarmos o fato que a sociedade não é estática. O que é compatível hoje, não o será necessariamente amanhã. A sociedade evolui depressa, em um ambiente construído que possui, ao contrário desta, uma tremenda inércia. Tal dualidade, inércia/rapidez (e comportamentos múltiplos), constitui o nosso tema. Não se trata de um tema novo, mas de uma nova declinação deste último, declinação que participa da tradição do urbanismo europeu frente, por exemplo, ao urbanismo dos Estados Unidos: obter, por meio da urbanização, uma melhor repartição do bem-estar entre os grupos sociais.

Quanto à “Fraternidade”, é ao mesmo tempo um projeto mais fácil e mais complicado. Trata-se mais uma vez de reencontrar o gosto pelo compartilhamento dos espaços. Não podemos mais se satisfazer das categorias público/privado. Tal distinção vale ainda na área da gestão, mas não mais no âmbito da concepção. É preciso pensar no compartilhamento dos espaços, começando pela parte interna da própria casa; é preciso refletir novamente sobre as “idiorritmias” dos sujeitos, individuais e coletivos, em suas práticas quotidianas; é preciso renovar a reflexão sobre a dimensão corporal da cidade. Quando demos como tema de pesquisa de doutorado “Como viver juntos”, um questionamento oriundo de Roland Barthes, descobrimos um universo inesperado através de estudos, pesquisas e exercícios de projeto.

Embora um tanto envelhecidos em aparência, essas palavras “liberdade”, “igualdade” e “fraternidade” são, na realidade, a fronteira que a sociedade de hoje nos propõe. Cabe-nos explorá-la com a necessária capacidade de invenção e imaginação. Sem esquecer, contudo, que a atividade do projeto não se aventa inicialmente enquanto ação política ou na sua condição institucional, mas com um sentido crítico, ou seja, de “ação na tensão”.

E nos recorda: “Em uma época em que a mitologia do mercado nos invade, nós – docentes, arquitetos, urbanistas, etc. – devemos refletir sobre o papel político da nossa profissão. O que pode se resumir, de forma concreta e precisa, pela palavra crítica. (...) Incumbe-nos, portanto, definir abordagens críticas para questionar todos os aspectos e todas as dimensões da sociedade, inclusive de nossos próprios projetos. A simples leitura de revistas ou livros de arquitetura requer de nós, questionar sobre os instrumentos críticos utilizados pelo autor. Frequentemente, entretanto, os instrumentos utilizados nas escolas são por demais limitados e se resumem a um ‘eu gosto’ ou ‘eu não gosto’. Ao contrário de tais abordagens redutoras e apressadas, preconizo a volta aos temas genéricos, para esmiuçá-los dentro de nossa dimensão, como um pedreiro colocando tijolos. Essa é a perspectiva à qual nos convida esta obra com a sua confrontação de experiências em que, tijolo após tijolo, é a parede do conhecimento que se edifica”.

notas

NA – A tradução das citações é de Luc Matheron.

sobre o autor

Adalberto da Silva Retto Jr, Professor de Desenho Urbano e História do Urbanismo na Unesp e coordenou o I Workshop Internacional Conhecimento histórico ambiental integrado na Planificação territorial e Urbana: um contributo de Bernardo Secchi (2004 e 2006) e o Laboratorio Agudos, que contou com a consultoria de Barnardo Secchi e sua equipe (2004-2006).

Bernardo Secchi participando do Laboratório Agudos
Foto divulgação

Bernardo Secchi participando do Laboratório Agudos
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