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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Gabriela Celani faz relato do 21° Caadria – Computer-Aided Architecture Design Research in Asia –, realizado este ano na Melbourne School of Design, na Universidade de Melbourne, entre os dias 30 de março e 1 de abril.

how to quote

CELANI, Gabriela. Congresso Caadria 2016 na Austrália. Living Systems and Micro-Utopias: Towards Continuous Designing. Drops, São Paulo, ano 16, n. 104.02, Vitruvius, maio 2016 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/16.104/6006>.



O 21°evento Caadria – Computer-Aided Architecture Design Research in Asia – foi realizado este ano na Melbourne School of Design (MSD), na Universidade de Melbourne, entre os dias 30 de março e 1de abril, precedido por dois dias de workshops. Caadria é uma das cinco organizações irmãs que possuem como objetivo incentivar e apoiar o ensino e a pesquisa interdisciplinar em arquitetura com o uso de técnicas computacionais. As demais organizações são Acadia (América do Norte), Ecaade (Europa), Sigradi (América Latina) e Ascaad (países árabes do Oriente Médio e Norte da África).

Seis workshops foram oferecidos: Joint-Part-Freeform (por Fabian Sheurer, um dos sócios da empresa designtoproduction), Designing a living system, Macroscopes and Microscopes, Smart Fabrication, Dynamo-Managing geometry and data parametrically in BIM (Autodesk), e BIM and Digital Heritage. Os temas desses cursos de curta duração ilustram o espectro dos temas tratados na conferência deste ano.

Há muitos anos que venho acompanhando as tendências nessas conferências, sobre algumas das quais tenho publicado pequenas reportagens como esta (1). Além disso, no ano passado publiquei, com Pedro Veloso, o artigo CAAD conferences – a brief history, que está disponível na base de dados Cumincad (2) e que descreve as origens e evolução dessas conferências, que têm tido um importante impacto no avanço da arquitetura.

O Caadria deste ano teve como palestrantes principais  John Wood,  professor emérito da Goldsmith University, Londres, Fabian Sheurer, um dos sócios da empresa designtoproduction, Zurich/Stutgart (3) e Drew Williamson, sócio do escritório McBride Charles Ryan (MCR), de Melbourne, responsável por diversas obras contemporâneas na cidade.  A escolha dos palestrantes seguiu um padrão recorrente nesse tipo de congresso, segundo o qual tem-se sempre um representante senior da academia, um pesquisador e um arquiteto local que utiliza técnicas computacionais avançadas. Neste caso, Fabian Sheurer não é exatamente um pesquisador acadêmico, mas alguém que desenvolve pesquisa em sua prática profissional, desenvolvendo métodos computacionais e de fabricação digital destinados a resolver problemas de execução de formas complexas, estabelecendo uma ponte entre os criadores de formas e seus construtores. Entre seus clientes estão nada menos que Shigeru Ban, Zaha Hadid e Renzo Piano.

Nas comunicações técnicas o que mais chamou minha atenção foi o fato de que havia duas sessões dedicadas à fabricação digital e construção civil, o que indica que estamos ultrapassando a barreira da utopia e atigindo finalmente a realidade do dia-a-dia. Nos congressos dos últimos anos vinha aumentando significativamente o número de artigos e sessões sobre prototipagem rápida, em seguida sobre fabricação digital, e depois sobre aplicações de robôs em arquitetura. Mas todas essas aplicações, ainda que em escalas grandes, se restringiam, em geral, a experimentos acadêmicos, com raras descrições de projetos reais. Neste ano, no Caadria, muitos artigos descreviam a execução de edifícios reais com o uso de técnicas de modelagem paramétrica e de fabricação digital.

Um dos aspectos mais  interessantes deste congresso é que os países da Ásia são bastante diversos em termos de desenvolvimento econômico e tecnológico. Desse modo, é possível encontrar trabalhos em que as limitações econômicas ou tecnológicas obrigam os autores a realizar improvisações interessantes. Um dos trabalhos apresentados, por exemplo, mostrava a construção de uma estrutura em bambu modelada parametricamente mas construída com tecnologias extremamente simples, algo que seria perfeitamente plausível de ser realizado no Brasil, por exemplo. Todos os artigos apresentados no Caadria estão disponíveis na base de dados Cumincad, que desde o final de 2015 oferece acesso gratuito para consulta aos anais de todos os congressos da área de CAAD. Os artigos do Caadria 2016 estão disponíveis no link do evento (4).

Outros dois aspectos interessantes do Caadria foram a cidade e o edifício onde ele foi realizado. Melbourne pode ser considerado um dos maiores laboratórios ao ar livre de experimentos de arquitetura contemporânea com o uso de técnicas computacionais e fabricação digital.

O edifício da Melbourne School of Design – MSD, inaugurado há pouco mais de um ano, é um excelente exemplo de aplicação das mais avançadas técnicas de simulação e otimização acústica, térmica, estrutural  e de energética. Projetado colaborativamente pelos escritórios John Wardle Architects (de Melbourne) e NADAA (de Boston), o edifício possui um átrio central que serve como espaço de encontro, de estudo e de desenvolvimento de trabalhos em equipe. Como um único espaço pode servir a tantas finalidades? O segredo é o tratamento acústico das superfícies, que faz com que a conversa em uma mesa de trabalho não atrapalhe a leitura no sofá ao lado. Ao mesmo tempo em que impede a reverberação, o carpete aplicado nas paredes dos corredores abertos para o átrio serve como painel para afixar trabalhos nas apresentações de projetos.

Outro aspecto interessante do edifício é o fato de a maquetaria (equipada, obviamente, com inúmeras impressoras 3D, fresadoras de controle numérico, cortadoras a laser e robôs) ficar localizada em frente à bibliotaca da escola. Ambas situam-se no pavimento térreo e são separadas por um amplo corredor (equipado com banco e mesas de trabalho) que serve de passagem para pessoas que se deslocam pelo campus da universidade, e que assim têm acesso visual aos trabalhos desenvolvidos pelos alunos de arquitetura e design. Maiores detalhes sobre o edifício podem ser encontrados na página (5).

notas

1
ver por exemplo CELANI, Gabriela. ECAADE 2014. A fusão entre a academia e a prática profissional. Drops, São Paulo, ano 15, n. 085.02, Vitruvius, out. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/15.085/5310>; CELANI, Gabriela. eCAADe 2010 – Future Cities. Uma viagem de pesquisa a Zurique. Arquiteturismo, São Paulo, ano 04, n. 045.01, Vitruvius, nov. 2010 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/04.045/3657>.

2
CELANI, Gabriela; VELOSO, Pedro. CAAD conferences – a brief history. In The next city – New technologies and the future of the built environment. São Paulo, 16th International Conference CAAD Futures 2015, July 8-10, 2015, p. 47-58 <http://papers.cumincad.org/data/works/att/cf2015_047.content.pdf>.

3
Ver a entrevista com seu sócio Arnold Walz: SEDREZ, Maycon; CELANI, Gabriela. A forma não importa. Entrevista com Arnold Walz. Entrevista, São Paulo, ano 15, n. 058.03, Vitruvius, jun. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/15.058/5208>.

4
<http://cumincad.scix.net/cgi-bin/works/Search?search=%22caadria+2016%22&paint=1&_form=AdvancedSearchForm>.

5
Introducing the Bachelor of Environments. The University of Melbourne <http://benvs.unimelb.edu.au>.

sobre a autora

Gabriela Celani é professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unicamp e criadora do LAPAC – Laboratório de Automação e Prototipagem para Arquitetura e Construção.

O átrio da Melbourne School of Design, onde o congresso foi realizado. O projeto é de John Wardle Architects (Melbourne) e NADAA (Boston)
Foto divulgação

 

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