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drops ISSN 2175-6716

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Texto de lido por Abilio Guerra durante a apresentação da Mesa temática “Desafios do restauro moderno” no V Seminário Docomomo São Paulo.

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GUERRA, Abilio. Desafios do restauro moderno. Drops, São Paulo, ano 18, n. 121.07, Vitruvius, out. 2017 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.121/6735>.



Durante suas primeiras décadas, em especial no seio de sua vertente mais funcionalista, o movimento moderno desdenhou do antigo e não deu muita atenção para a conservação e restauro das obras do passado. A urgência do novo teve como contrapartida a negligência do patrimônio anterior.

Durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos seguintes ao seu término houve um redirecionamento desse ponto de vista. Em especial no âmbito europeu, a angustia diante da destruição trouxe uma nova perspectiva para a importância do patrimônio construído, suporte da memória coletiva. Os arquitetos modernos se prontificaram a revisar suas convicções, fato que pode ser exemplificado por quatro fatos marcantes:

a) o manifesto Nove pontos sobre a monumentalidade, de 1943 e assinado por Giedion, Sert e Léger, traz severas críticas ao funcionalismo estrito;

b) o 8o Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – CIAM, ocorrido em 1951 em Hoddesdon, Inglaterra, debate o tema “Coração da cidade” e reconsidera o significado simbólico dos seus “cascos antigos”;

c) a Carta de Veneza, de 1964, estabelece preceitos para se intervir em edifícios antigos, normatiza teorias desenvolvidas desde o século 19 sobre restauro, manutenção e mudança de uso, considerando técnicas e materiais, tanto os novos como os antigos;

d) o restauro da Kaiser Wilhelm Memorial Church, em Berlim, realizado entre 1957 e 1963 por Egon Eiermann, contempla o respeito ao antigo e a necessidade de adaptá-lo às necessidades do presente.

Estes fatos estabelecem de forma clara a conexão estabelecida no período entre sensibilidade coletiva; princípios estéticos, conceituais e teóricos; normativas práticas; e intervenção técnica.

No caso brasileiro, nosso moderno se preocupa com a tradição desde a origem graças ao pensamento e ação de Lúcio Costa. Já em sua singela Vila Monlevade o arquiteto propõe uma síntese teórica e construtiva entre o novo e o antigo.

Por sua vez, Lina Bo Bardi realizou em 1959 o restauro do Solar do Unhão, em Salvador BA, adotando parâmetros análogos ao de Egon Eierman. Com um detalhe importante: exatamente no mesmo período! Ambos antecipam em muitos anos a leva de projetos importantes que são realizados após a conversão da Gare D’Orsay em museu impressionista pela italiana Gae Aulenti em 1981. Assim, tanto do ponto de vista da teoria como da intervenção, o pensamento moderno brasileiro ocupa posição de notável vanguardismo.

O surgimento do Docomomo em 1988, na cidade holandesa de Eindhoven, anuncia algo surpreendente: o moderno, quem diria, envelheceu! O nome da organização internacional que se esconde por detrás da sigla significa “Documentação e Conservação dos edifícios, sítios e bairros do Movimento Moderno”. Agora não é mais o antigo que merece a tutela do pensamento moderno, mas sua própria materialização arquitetônica é que requer cuidados para sobreviver à fúria do tempo. Tempux edax rerum – “O tempo que tudo devora”, no famoso adágio de Ovídio.

O significado da sigla Docomomo também aponta para uma divisão clara das preocupações que justificam sua criação:

a) documentação, no sentido de inventariar, classificar, registrar, alinhar genealogias, compreender o diálogo entre obras e arquitetos; em geral, trata-se de trabalho realizado por pesquisadores universitários;

b) conservação, no sentido de preservar, tanto do ponto de vista institucional relacionado ao uso, como do técnico, relativa à manutenção da edificação; em geral, se incumbem dessa missão profissionais vinculados às agências de patrimônio e arquitetos especializados.

As três apresentações que se seguem abordarão de forma mais precisa e aprofundada algumas das questões sumariamente apresentadas neste texto.

Nivaldo Vieira de Andrade Júnior apresenta de forma abrangente o tema do patrimônio – políticas e critérios de preservação, concentração do tombamento em São Paulo e Rio de Janeiro e nas obras de círculo estrito de arquitetos, dificuldades de se alargar o tombamento para outras localidades e regiões, legislação etc. –, sob as óticas das agências oficiais – Iphan em especial – e do debate universitário.

A seguir, Beatriz Kühl parte do caso concreto do restauro do edifício da FAU USP projetado por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, suas dificuldades e percalços, o voluntarismo que prescinde de pesquisas, levantamentos e estudos preliminares antes da intervenção, e levanta uma série de questões teóricas e práticas envolvidas na restauração pensada como área de conhecimento.

Por fim, Renato Anelli apresenta as casas de vidro de Lina Bo Bardi, Philip Johnson, Charles e Ray Eames, e Mies van der Rohe, em exposição no Instituto Bardi, considerando a genealogia de seus projetos, a ocupação por seus moradores, a transformação em museus e espaços expositivos, as dificuldades de manutenção arquitetônica e sobrevivência institucional.

Considerando que esta mesa temática se chama “Desafios do restauro moderno”, propomos um debate que parte do geral e chega ao particular, passa por escalas diferentes, articula o âmbito histórico-teórico com as práticas da restauração e da preservação.

nota

NA – Texto de apresentação da Mesa temática 1 – “Desafios do restauro moderno”, coordenação de Abilio Guerra, palestras de Beatriz Mugyar Kühl, Nivaldo Vieira de Andrade Jr., Renato Anelli, V Seminário Docomomo São Paulo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 16 out. 2107.

sobre o autor

Abilio Guerra é professor de graduação e pós-graduação da FAU Mackenzie e editor, com Silvana Romano Santos, do portal Vitruvius e da Romano Guerra Editora.

 

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