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drops ISSN 2175-6716

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A arquitetura defensiva é cada vez mais comuns nas grandes cidade, atingindo especialmente os moradores em situação de rua, visando a exclusão dessas pessoas das regiões centrais das cidades, geralmente situados em praças públicas e ao redor de edifícios.

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RIBEIRO, Vinícius de Moraes. O retrocesso. Arquitetura defensiva aliada à exclusão social. Drops, São Paulo, ano 18, n. 121.09, Vitruvius, out. 2017 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.121/6739>.



É possível observar de forma nítida toda a evolução da arquitetura durante a história do mundo, esta evolução é notória pelos métodos construtivos os quais estão contíguos ao avanço da tecnologia, assim como no vínculo social em que a arquitetura busca satisfazer da melhor forma possível a necessidade do homem em sua constante evolução, além dos diferentes estilos que determinaram cada período da história da arquitetura.

No período da idade média, recorda-se da arquitetura militar, a presença de estruturas defensivas como fortalezas e castelos, criadas pela insegurança de seus territórios onde previa possíveis guerras e ataques de seus inimigos. Além da arquitetura usada para defesa, interagiam também com uma disciplina neurobalística, a qual tratava de dispositivos e tecnologias de tiro, resultantes de flexão ou torção, para a destruição daqueles que viessem a invadir.

Nos dias de hoje, os sinais de arquitetura defensiva são cada vez mais comuns, onde agora o oponente em questão são os moradores em situação de rua, na tentativa de excluir essas pessoas das regiões centrais das cidades, geralmente situados em praças públicas e ao redor de edifícios. Tais sinais são notados de forma camuflada em cidades de todo o mundo, desde a instalação de formas pontiagudas em concreto, locadas debaixo de viadutos, até pequenos chuveiros instalados em marquises de lojas, ligados durante a noite para expulsão dos moradores em que ali dormem, como ocorrido no Edifício Roxy, localizado em Copacabana, Rio de Janeiro.

A concepção de defesa juntamente à disciplina neurobalística, usada no passado na arquitetura militar, podem ser perfeitamente equiparadas com o que acontece na atualidade, onde a diferença está na tecnologia usada, e instalada da forma mais camuflada possível e o que ela destrói? A dignidade humana.

Criatividade não falta para a tentativa de expulsão dos mesmos e apesar de tal intenção ser nitidamente perceptível, os responsáveis sempre negam, afinal, o “politicamente correto” sempre estará cravado na sociedade contemporânea.

A exclusão social possuí origens socioeconômicas, mas caracteriza-se também, pela ausência de pertencimento social, falta de alternativas, perda de autoestima, o que acarreta numa avalanche de pensamento negativos, que por fim, afeta a saúde psicológica de forma drástica e não suficiente, sofrem com a falta de dignidade, humilhados dia pós dia. O fenômeno da exclusão social, impõe nessas pessoas o sentimento de inutilidade, desacreditados de conseguirem superar suas próprias dificuldades que os colocam nessa situação de exclusão, cuja qual, a cada dia que passa é mais reforçada, dado ao vínculo do caráter individualista de cada ser humano, embutido numa cultura capitalista, onde a sociedade apenas luta pelo o que a afeta individualmente.

Atualmente, o conceito de arquitetura inclusiva, em que se prega respeitar a diversidade humana e gerar acessibilidade, tem crucial importância para a execução e sucesso do projeto, porém, será que a inclusão e respeito estão mesmo sendo exercidos?

A possível solução da problemática em que incluem os moradores em situação de rua na sociedade, está diretamente ligada as políticas públicas, e a arquitetura juntamente ao urbanismo poderiam ser grandes aliadas a solução, porém é visto que, torna-se mais fácil expulsar as pessoas, faltando com dignidade, do que pensar em um planejamento que tente sanar este problema social que não afeta apenas uma cidade, mas o mundo todo (1).

Fatos como estes nos remetem a uma reflexão: a arquitetura contemporânea, dita inclusiva, inclui? Até que ponto o retrocesso do partido arquitetônico militar, agora de forma camuflada, se fará presente nos dias de hoje?

nota

1
bibliografia sobre o tema: ANDREOU, Alex. Homelessness. Anti-homeless spikes: ‘Sleeping rough opened my eyes to the city’s barbed cruelty’. The Guardian, Londres, 18 fev. 2015. Disponível em: <www.theguardian.com/society/2015/feb/18/defensive-architecture-keeps-poverty-undeen-and-makes-us-more-hostile?CMP=fb_gu>; BAUMAN, Zigmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998; BULLA, Leonia Capaverde; MENDES, Jussara Maria Rosa; PRATES, Jane Cruz (Orgs.). As múltiplas formas de exclusão social. Porto Alegre, Federação Internacional de Universidades Católicas/EDIPUCRS, 2004; CASTEL, Robert. As armadilhas da exclusão. In: WANDERLEY, Mariângela Belfiore; BÓGUS, Lucia; YAZBEK, Maria Carmelita (Orgs). Desigualdade e a questão social. São Paulo, EDU, 2000, p. 17-50; ROBERTS, Georgett; O'NEILL, Natalie. Strand Bookstore ‘uses sprinklers to evict homeless’. New York Post, Nova Tork, 14 nov. 2013 <http://nypost.com/2013/11/14/strand-bookstore-uses-sprinklers-to-evict-sleeping-homeless>.

sobre o autor

Vinícius de Moraes Ribeiro é arquiteto graduado pela Universidade UniCesumar, Maringá PR.

 

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