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drops ISSN 2175-6716

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O Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obras referenciais” foi concedido a Alberto Xavier, arquiteto, professor e pesquisador, devido sua essencial contribuição na documentação da crítica da arquitetura moderna brasileira.

como citar

WISNIK, Guilherme. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obras referenciais”. Alberto Xavier. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.02, Vitruvius, fev. 2018 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6869>.



O arquiteto, professor e pesquisador Alberto Xavier, nascido em Alegrete RS, em 1936, é uma das figuras-chave na constituição de um acervo documental acerca da arquitetura moderna no Brasil (1). Iniciando precocemente suas atividades no início dos anos 1960, ainda como estudante, Xavier construiu uma trajetória de destaque no meio crítico e editorial brasileiro nas décadas seguintes. Destaque particularmente relevante no momento em que a produção editorial no país ainda estava pouco desenvolvida – até início dos anos 1990 –, e a constituição de volumes de compilação crítica e livros referenciais teve importância fundamental na formação de um público leitor e de um campo de pesquisa na área.

Apontado como um dos dez livros mais importantes da década de 1980 na área de arquitetura (2), o livro Depoimento de uma geração – arquitetura moderna brasileira (3) é, na minha opinião, um dos mais importantes de todos os tempos. Recolhendo criteriosamente importantes textos (esparsos e de difícil acesso) escritos desde a década de 1920 por arquitetos e intelectuais brasileiros, e publicados originalmente em revistas e jornais, resgata um momento crucial da nossa “formação” cultural na área de arquitetura e urbanismo, dando a ela, dessa forma, uma leitura crítica subliminar: aberta, dialógica e não unívoca. Trabalho que é complementado mais tarde pelo notável Brasília: antologia crítica (4), em parceria com Júlio Katinsky, feito no contexto do cinquentenário da cidade, e que desenvolve e amplia o seu pioneiro Brasília e arquitetura moderna brasileira – bibliografia selecionada, de 1974 (5).

Xavier não é exatamente um ensaísta, e sim um cuidadoso pesquisador, capaz de estabelecer elos entre autores e textos que se tornam, a seu modo, eloquentes discursos. Distante dos holofotes da arena crítica mais evidente, realiza um trabalho paciente e silencioso, porém fundamental para a constituição de um meio crítico entre nós. Seus compêndios de obras – dentre os quais se destacam os volumes de levantamento dos edifícios modernos em diversas capitais brasileiras (6) – são perfeitos exemplos disso, assim como suas antologias críticas.

Tais antologias se originam em sua obstinada vontade de ver publicados em conjuntos os textos seminais de Lucio Costa, quando ainda era estudante de arquitetura, em Porto Alegre. Sabendo da resistência do mestre em publicizar sua obra, Xavier realiza em 1962, em companhia de outros colegas do Centro de Estudantes Universitários de Arquitetura de Porto Alegre, o livro Lucio Costa: sôbre arquitetura (7). Produzido de forma quase caseira, mas com critério, e um esmerado acabamento gráfico, o “livro cinza” – como ficou conhecido – se tornou obra referencial, e depois objeto de culto entre os arquitetos brasileiros. Esse livro clandestino, feito à revelia do mestre, mas em sua homenagem, pode ser considerado a pedra inaugural do campo editorial brasileiro na área de arquitetura e urbanismo. Uma “impertinência necessária”, nas palavras do próprio Xavier, tomando de empréstimo o léxico de Costa, que serviu para construir as bases (ou as fundações) do nosso campo de pesquisa, hoje já razoavelmente desenvolvido.

Visto em conjunto, o trabalho editorial e de pesquisa realizado por Alberto Xavier ao longo de mais de cinquenta anos é exemplar, e mais do que digno de premiação no quesito “obras referenciais” na área de Arquitetura da APCA.

notas

NE – Desde 2010, a APCA incorporou os críticos de arquitetura, concedendo anualmente sete prêmios. Em 2017, os críticos Abilio Guerra, Fernando Serapião, Francesco Perrotta-Bosch, Gabriel Kogan, Guilherme Wisnik, Hugo Segawa, Luiz Recaman, Maria Isabel Villac, Nadia Somekh, Renato Anelli foram os responsáveis pela seleção dos premiados. Os artigos dedicados à premiação da modalidade Arquitetura e Urbanismo da APCA 2017 são os seguintes:

SOMEKH, Nadia. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Resistência urbana”. Bexiga, Vai-Vai; Festa de Nossa Senhora Achiropita; Teatro Oficina; União de Mulheres de São Paulo; Casa de Dona Yayá – Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo (CPC USP). Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.01, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6868>.

WISNIK, Guilherme. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obras referenciais”. Alberto Xavier. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.02, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6869>.

ANELLI, Renato. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obra de arquitetura em São Paulo”. Instituto Moreira Salles (nova sede na Avenida Paulista), Vinicius Andrade e Marcelo Morettin. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.04, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6881>.

SEGAWA, Hugo. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obra de arquitetura no Brasil”. Moradias de estudantes na Fazenda Canuanã, Rosenbaum (Marcelo Rosenbaum e Adriana Benguela), Aleph Zero (Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes), Ita Construtora (Helio Olga). Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.05, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6882>.

PERROTTA-BOSCH, Francesco. Categoria “Urbanidade”. Sesc 24 de Maio, Paulo Mendes da Rocha; MMBB (Marta Moreira, Milton Braga e Fernando de Mello Franco); Danilo Santos de Miranda. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.06, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6884>.

GUERRA, Abilio. Categoria “Fronteiras da arquitetura”. Guto Lacaz. Resenhas Online, São Paulo, ano 18, n. 195.01, Vitruvius, mar. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/18.195/6893>.

SERAPIÃO, Fernando. Difusão Cultural: Vicente Wissenbach [no prelo].

1
Alberto Xavier lecionou em diversas faculdades de Arquitetura e Urbanismo no Brasil, como FAU USP e São Judas Tadeu em São Paulo, Universidade Católica de Santos, e Universidade de Brasília – UnB. Continua ativo no Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo.

2
Em consulta realizada pela revista Projeto na década seguinte com professores de Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.

3
XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração – arquitetura moderna brasileira. São Paulo, Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura/Fundação Vilanova Artigas/Pini, 1987. Reeditado e ampliado em 2003 pela Cosac Naify.

4
XAVIER, Alberto; KATINSKY, Julio (Org.). Brasília: antologia crítica. São Paulo, Cosac Naify, 2012.

5
XAVIER, Alberto (Org.). Brasília e arquitetura moderna brasileira – bibliografia selecionada. São Carlos, Departamento de Arquitetura e Urbanismo/Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo/Escola de Engenharia de São Carlos USP, 1974.

6
Alberto Xavier é autor de Arquitetura moderna em Curitiba (1985), e coautor de Arquitetura moderna paulistana (com Carlos Lemos e Eduardo Corona, 1983), Arquitetura moderna em Porto Alegre (com Ivan Mizoguchi, 1987) e Arquitetura moderna no Rio de Janeiro (com Alfredo Britto e Ana Luiza Nobre, 1991), todos lançados pela editora Pini.

7
COSTA, Lúcio. Sôbre arquitetura – cartas, entrevistas, manifestações e pronunciamentos. Organização de Alberto Xavier. Porto Alegre, Centro dos Estudantes de Arquitetura, 1962. Reeditado posteriormente em formato fac-símile pela Editora UniRitter, em 2007.

sobre o autor

Guilherme Wisnik é arquiteto, crítico e curador. Autor de Lucio Costa (Cosac Naify, 2001) e Estado crítico (Publifolha, 2009), é professor da FAU USP e foi o curador geral da 10a Bienal de Arquitetura de São Paulo (2013).

 

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